29 novembro 2004
"o ribalonga (2)"
O “ribalonga” é, pois o resultado desta mistura que repousa em vasilhas apropriadas, de preferência em carvalho. Ao fim do primeiro ano retira-se obrigatoriamente a borra. As análises periódicas na Casa do Douro ou em laboratórios privados origina ao fim de cinco anos um vinho cor de telha, aveludado e de um sabor inconfundível. Se com estes cuidados permanecer mais alguns anos na vasilha chega-se um milagre de sabor digno da mesa dos deuses. É para saborear aos golinhos espaçados, escorregando por todas as papilas gustativas e podem até dar-se estalos de língua com satisfação. O vinho muito velho tem um sabor acre proveniente de um ácido nobre, denominado “vinagrinho”, e é muito apetecido de alguns apreciadores. Atenção se for convidado a provar o “ribalonga” numa adega particular não beba o “cálice” de um trago pois sujeita-se a ser expulso por falta de consideração.
O “ribalonga” novo é um ingrediente fundamental na culinária local, acrescenta tempero às carnes guisadas e segredaram-nos que o “coelhinho” do monte, temperado com o dito e depois frito é uma delícia. É também um bom complemento à salada de frutos e combina de forma excepcional com a meloa. Dizem-nos que há quem faça um pudim de ovos com leite e “tratado” verdadeiramente delicioso.
Com engenho e saber e utilizando também a aguardente vínica, há os que sabem preparar uma excelente “jeropiga” para acompanhar a castanha assada, os figos e os frutos secos que ajudam a aquecer a longa Invernia.
28 novembro 2004
Espírito positivo...
26 novembro 2004
“o Ribalonga”
A proliferação destas castas por toda a região tem originado o desprezo por variedades, que, embora pouco produtivas davam um vinho de excelente qualidade, como são, entre outras o bastardo, a malvasia rei e o viusinho (arinto). A quantidade faz diminuir a qualidade, asseguram-nos. Dizem-nos até que o melhor vinho era o dos “pilheiros”, videiras plantadas em buraquinhos das paredes que produziam bagos diminutos em também pequenos cachos[1].
É curioso, não se ter sido ainda elaborada uma marca própria com referência à terra, pois as condições apontadas aliadas à arte de vinificação apontariam para um “vinho fino”, como teimam chamar-lhe de qualidade extra. No que respeita ao vinho de consumo, há uma experiência denominada “Vale de Ribalonga”, agora denominado Vale da Rapa, que teve bastante êxito em termos comerciais.
A quase totalidade das uvas produzidas são para venda e destinam-se à produção de vinho do Porto. Nos últimos anos, a quantidade atribuída a benefício tem vindo a diminuir, fruto da crise no Douro. (continua...)
[1] Depoimento oral de António Maria Moura Magalhães.
25 novembro 2004
Pinturas Rupestres do Cachão da Rapa
24 novembro 2004
à descoberta da nossa terra... (16)
Os amores da Condessa da Pesqueira[1]
[1] Recolha oral junto da senhora Cândida Magalhães.
23 novembro 2004
HIPOCRISIA
Jogo da adivinhação
A minha contribuição: Centro Cultural, Piscinas Municipais Cobertas, nova estrada entre Carrazeda e o Pinhal.
O tesouro de Ribalonga
[1] João Pinto de Magalhães , António de Sousa Pinto e Morais, Memórias de Ansiães, edição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, 1985, p. 57.
19 novembro 2004
FOZ CÔA - o exemplo maior da falta de coesão nacional
A preservação do património ambiental e arqueológico foi consequência do braço de ferro entre os defensores e delatores, o governo da altura ao privilegiar a preservação prometeu o eldorado. Após a descoberta da propalada "mina de ouro", como foi denominado o achado arqueológico, a região nunca mais seria a mesma. Este descobrimento único em termos mundiais atrairia centenas de milhares de visitantes que mudariam radicalmente as gravuras rupestres
Quase dez anos após a problemática da opção entre a barragem ou a manutenção das gravuras e em hora de balanço, apresentam-se alguns dos vocábulos dos textos das peças que espelham a realidade: desilusão, descrença, arrependimento, frustração, morosidade, expectativas goradas, sonhos desfeitos, tristeza... Das centenas de milhares de visitantes quedámo-nos pelos poucos milhares, dos investimentos prometidos entre as quais a jóia da coroa seria o museu de arte paleolítica, passando pelas acessibilidades, pouco ou nada se vê, da previsão de construção de vários edifícios de apoio, entre os quais unidades turísticas, sobrou o polémico edifício do Parque Arqueológico do Côa. Um bom exemplo das promessas feitas ao interior que são rapidamente esquecidas.
As prioridades do investimento da administração central são invariavelmente as mesmas: futebol, litoral e futebol. A revolta não eclode e a coesão nacional só se mantém graças às verbas da CEE, em que algumas migalhas nos cabem e nos entretém em cursos e cursinhos agrícolas e de jardinagem e potenciam os subsídios agrícolas para além dos empregos camarários e a continuidade das reformas aos idosos lhes permite sobreviver tanto a si como a alguns familiares.
18 novembro 2004
Um exemplo no feminino! (in PUBLICO)
Jalal
Então eu não sabia quem é Masuda Jalal?... Mas será que eu não tinha ainda ouvido ou lido o seu nome?... E logo eu, que me farto de ler jornais, que ouço tanto rádio nas viagens de carro, que espreito sempre uns bocadinhos do telejornal?... Mas não, de facto não me dizia nada este nome, Masuda Jalal. E, no entanto, acho que é um nome importante. Sei-o agora. Se calhar falaram dele mas eu andava distraído, se calhar nunca o referiram nas notícias cá pela terra. Se assim foi, é pena. Porque Masuda Jalal é um nome que vale a pena conhecer.
Trata-se de uma mulher afegã. Não desempenha qualquer cargo importante no seu país, é apenas uma médica, uma pediatra. E não é até, segundo os critérios habituais, propriamente alguém a quem possa chamar-se uma "vencedora". Pelo contrário. Conheço-a agora porque ela perdeu umas eleições. Sim, ela foi candidata às recentes eleições presidenciais no Afeganistão (ganhas por Hamid Karzai) e perdeu, ficou em último lugar, só teve 1 por cento (exacto: um por cento) dos votos. Quase nada, pois.
Quase nada?... Talvez não... Estamos a falar do país das "burkas", aqueles vestidos azulados que escondem o corpo das mulheres desde a ponta dos cabelos à raiz dos pés. Estamos a falar do país onde ainda há três ou quatro anos os "taliban" proibiam qualquer mulher de trabalhar (a própria Masuda Jalal, então já médica, teve de passar à clandestinidade para poder ajudar as pessoas com o seu saber especializado). Estamos a falar de um país onde, ainda hoje, 57 por cento das jovens afegãs são "entregues" pelos seus pais, em casamento, antes de fazerem 16 anos. Um país onde a maioria das mulheres já casou aos 22 anos, as mais das vezes sem previamente ter conhecido o marido, e onde algumas continuam a ser "dadas" para pagamento de dívidas entre famílias. Um país onde, nestes últimos anos, já se aprovou uma nova Constituição, afirmando a igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas onde a lei islâmica fundamentalista continua a marcar os quotidianos. Onde as mulheres votam em filas separadas das dos homens, e de cara tapada pela "burka". Com algumas raras excepções. A de Masuda Jalal, por exemplo.
Haver, num país como este, uma mulher que tem a coragem de se candidatar a presidente da República é absolutamente admirável. Sem apoios, sem dinheiro, sem partido, sem tradição, sem nada. E sabendo quase com certeza que perderá. Num país como este, Masuda Jalal candidatou-se a presidente e foi o marido que, espanto!, tomou conta da casa nas suas ausências e até fez de motorista dela para os comícios e sessões de campanha. Num país como este, quem pensaria...
A história que nos ensinam costuma ser só a história dos vencedores. Mas os vencedores quase nunca nos contam a história toda. Masuda Jalal foi vencida nas eleições, ficou em último lugar, não teve mais do que um por cento de votos, passou despercebida nos grandes noticiários, e cá para mim merece bem ficar na história. Na do seu país, claro, mas também na do mundo que temos - e do que queremos.
Editorial do PUBLICO. Merece toda a nossa atenção!
Santana não quer sacrifícios "para agradar à oposição". Mas será que não entende que as reformas que falta fazer e completar vão exigir mais do que sacrifícios?
Será verdade que, como anunciou Santana Lopes no Congresso do PSD, já dobrámos o cabo Bojador da crise económica? Que não é necessário "impor mais sacrifícios só para agradar à oposição"? Que é tempo de desapertar o cinto?
Não, não é verdade - e menos verdade é num Congresso onde uma só palavra enchia o cenário: "Verdade."
Não é verdade porque apenas começámos o caminho das reformas, e as reformas implicam sempre sacrifícios. Não é verdade porque a situação económica, menos má do que nos últimos anos, não consente mesmo assim qualquer tipo de optimismo, bem pelo contrário. Não é verdade porque as contas públicas estão ainda demasiado longe de serem saudáveis, como ainda a semana passada lembrou o governador do Banco de Portugal, numa intervenção cujas críticas acertaram neste e nos anteriores governos, incluindo os socialistas. Não é verdade porque o Orçamento para 2005, sendo ainda de algum aperto, é menos rigoroso, menos exigente e mais arriscado do que era necessário, salutar e educativo. Não é verdade, por fim, porque o simples facto de o primeiro-ministro emitir aquela mensagem envia a toda a sociedade sinais errados, sinais de uma fartura que há-de regressar sem que muito tenhamos de fazer por isso.
Pode-se falar de menos sacrifícios quando sabemos que vamos ter de sacrificar alguns - muitos - dos actuais benefícios do sistema de segurança social para o salvar? Pode-se falar de menos sacrifícios quando no sistema de ensino há que exigir mais de professores e alunos, pedir mais trabalho, mais empenho, mais responsabilidade, mais provas a prestar, mais barreiras a vencer? Pode-se falar de menos sacrifícios quando, olhando para a administração pública, se verifica que ela consome, só em salários, 15 por cento da riqueza nacional e que vai ser necessário reduzir essa despesa? Pode-se falar de menos sacrifícios quando temos ainda de liberalizar mais o mercado laboral, de conter o crescimento salarial, de aumentar a produtividade mudando hábitos, métodos, horários, quase tudo?
Portugal não dobrou o cabo Bojador. Nem sequer o avistou. Navega, porque apesar de tudo flutua e a economia cresce - mas navega mal porque o crescimento não é saudável. Investe-se mal, exporta-se pouco, perde-se competitividade, e mal nos vemos com alguns cêntimos no bolso, compramos. Endividamo-nos. As famílias. As empresas. O Estado. O país.
Estes são problemas que não se resolvem num ciclo político, muito menos com um orçamento. Sobretudo não se resolvem falando de qualquer "alto astral". Como todas as famílias sabem, não há almoços grátis, mas há contas para pagar ao fim do mês. Contas reais, que exigem que nos lembremos delas e abdiquemos de extravagâncias, que tenhamos os pés no chão, que trabalhemos mais e melhor.
Prosseguir, à escala do país, um tal caminho exige de facto que se fale "verdade" - e, por isso, dos sacrifícios que não acabaram. Não para fazer qualquer favor à "oposição". Mas porque, como recomendava na sua última entrevista ao PÚBLICO Ernâni Lopes, a atitude dos portugueses, do Estado e, sobretudo, dos seus dirigentes não pode ser a de, mal se arrebita um bocadinho, passar da depressão à irresponsabilidade da atitude típica do ditado popular: "Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas." E, se possível, tenta-se ganhar umas eleiçõezitas... José Manuel Fernandes
É tempo de pensar o concelho para além da construção de parques de merendas!
Quantas vezes lamentamos a falta de oportunidade e de ferramentas que não nos disponibilizam que sirvam de mola ao nosso progresso, mas par quê queixarmo-nos se as que temos não as utilizamos. A elevação do Alto Douro a Património Mundial pela UNESCO poderia ser a ponta de lança do desenvolvimento de toda a região pela notoriedade adquirida, pelo conjunto de verbas que permite obter dos fundos estruturais da Comunidade Europeia. A criação da Comunidade Urbana do Douro permite unir toda a região que tem todo esse traço comum, o Alto Douro, de modo a criar e desenvolver programas turísticos comuns. Acordem!
17 novembro 2004
Quem disse que não é possível...
16 novembro 2004
Os “mitos” do falhanço da escola pública
Diversos estudos já negaram a falácia da argumentação dos altos vencimentos dos docentes. O último relatório da OCDE refere que os professores portugueses são os mais mal pagos dos países desenvolvidos. Acresce que são dos únicos funcionários que não dispõem de ajuda à fixação em zonas desfavorecidas, bem como, serão dos profissionais sujeitos a maior mobilidade com os óbvios gastos daí decorrentes. Junte-se ainda o não poderem descontar no IRS as despesas decorrentes com o seu desempenho profissional e formação, entre as quais livros, deslocações, formação a que são obrigados.
Ao nível de formação, lembramos que o desempenho da função docente pressupõe a aquisição de uma licenciatura e a esmagadora maioria tem estudos superiores complementados com formação contínua a que são sujeitos com dezenas de horas em cada ano lectivo. Falsa argumentação é também o da formação dos politécnicos ou escolas superiores ser inferior à ministrada nas universidades. Pela nossa experiência pessoal, já que frequentámos as duas, nas escolas superiores recorre-se mais ao estágio e ao contacto com os alunos, apetrechando os futuros educadores com melhores competências pedagógicas que os oriundos das universidades.
No que respeita à fraca produtividade conseguida espelhada nos “rankings”, a fraude argumentativa esquece os contextos sociais dos alunos abrangidos, o apetrechamento em equipamento e outros já largamente falados, mas e sobretudo a massificação da população escolar. A escola para todos, ao escancarar as suas portas a novos públicos escolares, não apenas no ensino primário, como o fez no passado, mas agora no ensino secundário e até no ensino superior, significou uma realidade qualitativamente distinta, com a qual os decisores políticos, os estudantes e as suas famílias, a opinião pública em geral, têm tido dificuldade em lidar. Se queremos uma escola para todos e não só para uma elite como acontecia no passado e acontece no ensino privado, é tempo das avaliações do sistema serem mais rigorosas e contemplarem todas as variáveis.
Isto tudo a propósito das preocupações de Rui Baptista, presidente da Assembleia Geral do Sindicato Nacional dos professores Licenciados, com a educação da juventude. Perpassa na sua carta ao director (“Público” de 15/11) um claro ataque aos professores e particularmente aos dos 1.º Ciclo do Ensino Básico. Recordar-lhe-ei apenas que nos últimos dados das provas aferidas, este sector de ensino recolheu valores muito mais positivos se comparados com os do 2.º Ciclo (mais de 60% dos alunos obtiveram resultados satisfatórios contra 40% no outro sector). Por outro lado, e na sua lógica, se a responsabilidade de muito do insucesso é atribuída (mal, pensamos) a este sector do Ensino Básico, mais preparação e daí melhores vencimentos deveriam receber estes, pois o trabalho e as responsabilidades são maiores. Quais são as crianças que acabam o 1.º Ciclo sem saber ler e escrever? Muitas são aquelas que o antigo sistema filtrava e não permitia que frequentassem a escola. Recordo-lhe ainda que ensinar é muito mais que a quantificação das simples aprendizagens que enumerou: ler, escrever e contar e passa também por educar para a autonomia, preparar para a cidadania para que possam proliferar cidadãos activos, autónomos, conscientes e participativos de modo a vivermos numa sociedade melhor.
Se o objectivo do dirigismo sindical é dividir para reinar (como são prova a proliferação de sindicatos dos professores), desvalorizando os docentes do 1.º Ciclo para assim os outros poderem brilhar mais, só contribuirá para uma diminuição da credibilidade do ensino e dos seus protagonistas. Cada um no seu sector afirmando-se pelo trabalho, rigor e qualidade para uma escola melhor e alunos bem formados.
15 novembro 2004
à descoberta da nossa terra... (12)
Antigamente as pessoas deslocavam-se de um lado para o outro a cavalo.
Certo dia, um senhor vinha de uma viagem e de passagem por esta vila, o cavalo deitou numa corrida desenfreada, o homem viu-se tão aflito que disse:
- Valha-me o Senhor dos Aflitos, onde o cavalo parar mando erguer um Cruzeiro.
O cavalo parou ali no fundo da vila e nesse lugar ergueram um cruzeiro. Mais tarde construíram uma capelinha que ainda lá existe
14 novembro 2004
Carrazeda não é contemplada pelo IC5...
com data de 2000. Já nos disseram que ele foi mudado, mas o que consta no site oficial é isto!
12 novembro 2004
Visita à paróquia (2)
O que esperavam os habitantes do distrito deste conclave ministerial e o que lhes foi dado?
Esperavam uma conclusão definitiva das vias rodoviárias; uma discriminação positiva para o interior em incentivos e tributação fiscal de modo à fixação e criação de empresas com vista à implementação de pólos de desenvolvimento eficazes que criem emprego e fixem população apoiada em verdadeiros cursos de formação; um verdadeiro plano de recuperação do património histórico, rural e ambiental de molde a um desenvolvimento turístico integrado e sistematizado; uma aposta clara na educação e formação desde o ensino básico ao universitário com o apoio à formação e criação de cursos viradas para as verdadeiras necessidades da região; a canalização dos dinheiros comunitários para programas que realmente sirvam os interesses locais numa perspectiva de futuro e não favoreçam apenas “interesses” particulares.
Esta visita foi preparada na comunicação social há já algum tempo, de modo a que os desejos dos transmontanos coincidam com as intenções do Governo. Respigando a imprensa regional, temos então 800 milhões para construir em cinco anos as infra-estruturas rodoviárias IP2 e o IC5, foi anunciado o concurso público para o lançamento do estudo prévio do alargamento da A4 entre Vila Real e Bragança, foi aprovado a realização de um contrato-programa com o Instituto Nacional de Aviação Civil para garantir investimentos para a instalação do sistema rádio-ajudas, com um investimento que ronda os 800 mil euros nos dois aeródromos de Trás-os-Montes., foi também autorizado o sistema de meteorologia automático no aeródromo de Bragança, como promessa a implementação da barragem do Baixo Sabor. Muito, dir-se-á, mas para além dos investimentos rodoviários, poucas consequências futuras se adivinham.
Sobre os três temas que actualmente preocupam os naturais do distrito, a criação da Universidade em Bragança, a garantia ou não da manutenção das duas maternidades no distrito, em Mirandela e em Bragança, a conclusão definitiva do IP4 com a construção da ponte internacional em Quintanilha nada transpirou e as dúvidas aumentaram.
Sobrou o folclore, as mesuras dos instalados à sombra do poder (sempre os mesmos), as inaugurações (piscinas cobertas, bloco social da Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Mirandela, o corte de fita após conclusão do Programa Polis de Bragança) e demais promessas que servirão para alimentar o ego dos crédulos e de alguns potenciais votantes, mas que logo se esquecem à passagem do Marão.
Pelo S. Martinho vai à adega e prova o vinho
Há milhares de anos, um homem que passou a vida na Grécia, quando se sentiu velho regressou à sua pátria, a Itália e resolveu levar com ele uma linda videirinha, pois não se lembrava de na sua infância, ter visto tal planta na sua terra natal.
Como não tinha vaso para a transportar, utilizou o que tinha à mão, um osso de galo. Esvaziou-o e meteu dentro as raízes com um pouco de terra.
Ora como se deslocava a pé, levou muito tempo a fazer a viagem e a videira cresceu. Não teve outro remédio senão mudá-la para um osso de leão que encontrou pelo caminho.
Mas como a planta continuasse a crescer, Dionísio, assim se chamava o viajante, que teve a sorte de deparar com um osso de burro, para lá mudou a plantinha.
Consta que daquela videira se fizeram muitas outras, e por ter ela crescido em tão estranhos “vasos”, quem bebe pouco vinho, fica alegre como o galo; quem bebe mais, fica forte como um leão; e quem muito abusa do vinho, perde as ideias e fica mesmo estúpido como um burro.
recolhida pela Escola EB1 de Pombal.
Alguns provérbios:
· Pelo S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
· Pelo S. Martinho pão castanhas e vinho.
· Pelo S. Martinho mata o teu porquinho.
Conselho de ministros em Bragança ou a visita à paróquia
10 novembro 2004
A construção em Carrazeda 2
Os atropelos feitos à paisagem habitacional do concelho vem de muito longe. A emigração semeou casas feias, desenquadradas, pensadas para outro clima e contexto. A falta de recursos e incentivos e o desconhecimento de programas de reconversão e reconstrução aliada à ausência de fiscalização e planificação autárquica fez o resto e existem diversos exemplos a lamentar.
Se olharmos à nossa volta pouco ou nada foi feito para manter a imagem de ruralidade e de preservação da casa tradicional. Abundam nas aldeias do concelho construções típicas e belas em avançado estado de deterioração, mas parece-nos não haver uma política, um plano ou tão só um desejo para preservar este património. Ao longo dos tempos, temos ouvido falar de programas financiados pelo estado ou pela comunidade europeia para recuperação de casas antigas. Tirando um ou outro caso pontual, nada se vislumbra resultado destas políticas ou tão pouco de qualquer movimentação municipal nesse sentido.
Algumas intervenções de recuperação de casas antigas e tradicionais são, no mínimo polémicas e roçam, quantas vezes o mau gosto. As novas habitações não respeitam os materiais de construção autóctones, aparecem muitas vezes desenquadradas e são quantas vezes aberrantes. Se compararmos alguns bairros, ditos sociais, com outros de concelhos vizinhos ficam a perder em sentido estético. As urbanizações concebidas inspiram-se em conceitos citadinos, alguns ultrapassados, com ruas sem saídas e estreitas, passeios minúsculos onde não se cruzam duas pessoas e se permitem todo o tipo de construção desde a casa “tipo maison” à arquitectura mais vanguardista num puzzle incompreensível.
09 novembro 2004
à descoberta da nossa terra11...
No sítio da Figueira Redonda, termo de Mogo de Malta, há uma grande fraga arredondada, que terá de diâmetro 6 metros, a qual foi trazida por uma velha, fiando na roca, do sítio da Cabreira, distante três quilómetros, de ladeira íngreme e de difícil acesso. Servindo de rodela, trazia a velha outro fraguedo um pouco menor, também redondo que está junto do anterior.
Recolhida na EB1 de Mogo de Malta em 2000/2001
05 novembro 2004
Registo de promessa para ver se é cumprida
IC5, IP2 e auto-estrada são projectos e obras que o Governo pretende fazer avançar em 2005. A garantia foi dada pelo secretário de Estado adjunto e das Obras Públicas, em Freixo de Espada à Cinta.
...
O IC5, via considerada igualmente estruturante e prioritária para a coesão territorial do país, liga Miranda do Douro à Póvoa do Varzim. Segundo Jorge Costa, em breve irá ser aberto concurso público para o projecto de execução do troço entre Alijó e Nozelos, que tem já aprovação ambiental. O troço que segue até Miranda do Douro deverá entrar em fase de Estudo de Impacto Ambiental em Janeiro de 2005, altura em que será lançado o estudo prévio para o troço entre Vila Pouca de Aguiar e Alijó. Presentemente está em execução o troço que liga a Póvoa a Vila Pouca de Aguiar.“O IC5 tem vindo a ser construído entre Póvoa do Varzim e Vila Pouca de Aguiar, com obras no terreno para serem concluídas até ao final de 2005. As outras partes já estão em diferentes situações. Entre Alijó e Nozelos já tem validação ambiental, o que significa que vamos poder lançar o projecto de execução nos próximos dias. Já inscrevemos a obra em PIDDAC, para permitir a realização seguinte”.Relativamente ao facto de uma primeira análise do PIDDAC ter revelado a alguns responsáveis políticos que não existia verba no PIDDAC para o IC5, Jorge Costa responde que essa verba existe. “O IC5 está em PIDDAC nos estudos e projectos, porque só depois de concluir os estudos e projectos aparece no capítulo das obras, quando tem hipótese de obra”, afirmou, acrescentado que este Governo só inscreve no documento, “com rubrica própria”, no caso de ser possível realizar a obra no ano seguinte. Por esta razão, no capítulo das Obras Públicas, “orgulhamo-nos de ter tido em 2003, e vamos ter em 2004, cem por cento de taxa de execução do PIDDAC, coisa que nunca aconteceu no passado, em que se inscreviam obras que depois não era possível realizar”, referiu.Estes compromissos, assumidos pelo secretário de Estado, parecem ter “sossegado” os presidentes de Câmara do distrito.
04 novembro 2004
A construção em Carrazeda
Carrazeda detém em questão de terrenos para construir, preços que a "vox populi" considera exorbitantes. O metro quadrado para construção ronda os 2000 € (quarenta contos) e as habitações prontas são também caras se comparadas com outras vilas e cidades do interior e mesmo até com zonas no litoral, por exemplo, o Porto. Um simples T3 ronda sempre os 100 mil euros (vinte mil contos) Pensamos que o aumento da área urbanizada poucas repercussões tem tido no decréscimo do mercado local da habitação, como seria lógico.
Porém, o que nos leva a reflectir neste dia é a possibilidade de degradação da imagem urbanística da vila. O património ambiental, humano e habitacional é essencial e inestimável nos tempos em que vivemos e particularmente em vilas de interior como a nossa. Este bem é condição sine qua non para atracção humana e assim poder limitar a redução da população provocada pela desertificação. A manutenção da qualidade ambiental e estética das nossas terras é o instrumento mais valioso que possuímos para os desafios do futuro. Em indústria, em comércio, mesmo em termos agrícolas não podemos ombrear com o litoral ou com os grandes espaços conhecidos. Podemos competir em qualidade de vida, em silêncio, em paisagens, em beleza envolvente e oferecer um bom cardápio em termos turísticos. São esses argumentos que teremos de esgrimir e apresentar.
Tenho ouvido falar na comunicação social de políticas rigorosíssimas na construção e urbanização em alguns municípios do Alto Minho que ajudam a preservar um traço característico e específico que torna atractivos aqueles concelhos. Se visitarmos alguns povoados no país vizinho, bem perto de Bragança ou de Chaves, rapidamente verificamos o cuidado demonstrado pelos autarcas neste domínio. O turismo deve constituir uma aposta séria para o nosso desenvolvimento.
O que vejo nos edifícios de apartamentos não me agrada em termos estéticos e creio sinceramente que estão a desvirtuar a fisionomia da vila... CONTINUA
à descoberta da nossa terra...
No sitio das Cabeças, termo de Mogo de Malta, há duas fragas: uma está cheia de ouro, a outra está cheia de veneno.
Se alguém partisse a do ouro, todas as pessoas da aldeia ficavam ricas, mas se por acaso fosse a do veneno, toda a aldeia ficaria envenenada.
Porque ninguém sabe qual é a do veneno ou qual a do ouro, ninguém se atreve a mexer nas ditas fragas.
EB1 Mogo de Malta
03 novembro 2004
DERROTADO!
Derrotado, já que prevaleceu o conceito imperialista e unilateral dos Estados Unidos frente ao diálogo e concertação entre as nações. Derrotado, pois o mundo fica mais instável e perigoso.
Eu sou um dos solidários com os democratas norte-americanos.
Fica o alerta!
As autoridades nacionais estão a acompanhar a movimentação de um grupo de cerca de 30 ciganos, alegadamente envolvidos na prática de ameaças sobre pessoas que se negam a comprar equipamentos e ferramentas de uso doméstico e para a construção civil. O caso já foi parar à Interpol, que está a proceder a diligências. Referenciados em algumas localidades do Minho e Trás-os-Montes, nos últimos dias têm sido vistos em algumas vilas e cidades beirãs e do Douro. Embora careça de confirmação quanto à ligação a este bando, segundo apuramos junto da PSP de Lamego, uma mulher foi abordada, na última quinta-feira (dia de mercado na cidade), no Jardim da Alameda, por um indivíduo que saiu de um veículo de alta cilindrada e que lhe tentou vender ferramentas. Todavia, como disse que não estava interessada na compra, foi alvo de ameaça, mas conseguiu pôr-se em fuga. A movimentação deste grupo de ciganos, com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos, levou a que circulasse um aviso interno na PSP e na GNR alertando para este bando. Lamego foi a última cidade onde foram vistos. As brigadas anticrime da PSP desta cidade chegaram a localizá-los, num acampamento próximo da serra das Meadas, a cerca de três quilómetros de Lamego, sendo na altura também referenciadas pelas autoridades 14 viaturas. A presença destes \"turistas indesejáveis\" levou a PSP de Lamego a emitir um comunicado à população local, alertando-a para a actuação deste bando, que ameaça de rapto os compradores que não estão dispostos a pagar os preços exorbitantes pelos materiais que tentam impingir. Esta força conseguiu mesmo identificar dois elementos. Depois da investida das forças policiais, o grupo abandonou o local para parte incerta do país. Os indivíduos referenciados fazem-se transportar em automóveis de alta cilindrada e têm várias nacionalidades. Nomeadamente romena, italiana, francesa e italiana.
Almeida Cardoso, 2004-11-03
02 novembro 2004
Ainda as taxas de saneamento e águas
Nas nossas aldeias, a maior parte da população é idosa e vive com as magras reformas agrícolas que depressa se volatizam na fraca alimentação e em medicamentos. Concluídas as obras de saneamento básico nas diversas freguesias do concelho, sobram as ligações às habitações. É grave o que se relaciona com os custos deste singelo empreendimento – cerca de trezentos euros – como soubemos por escassos dois metros de ramal. Pouca coisa, pensar-se-á! Equivale sensivelmente a dois meses da reforma de um pensionista. Como é que ele pode juntar tamanha riqueza? Como pode uma destas criaturas gozar de um direito básico e fundamental?
Pensamos em todos aqueles, que não podendo executar a obra para viver com mais conforto e qualidade, ouvem muitos exclamarem “faz-se o saneamento e depois ninguém o liga!” e sentimos o seu silêncio envergonhado. A “aposta no progresso social”, pressupõe a atenção a estes casos e, se estão previstas medidas para acorrer a estas situações, elas devem ser convenientemente divulgadas nos locais próprios para que a todos sirvam com justiça.
à descoberta da nossa terra...
A primeira casa que existiu em Tralhariz situa-se na Quinta da Ribeira perto do rio Tua. Essa casa foi construída pelos romanos mas um enorme tremor de terra engoliu parte dela e juntamente os donos e um homem com dois bois que andava a lavrar. Esse lugar ficou conhecido pela “Geia dos Bois”.
Com o passar dos anos a casa foi sendo reconstruída no mesmo local e a certa altura quando roteavam o terreno para fazerem novas plantações de vinhas e olivais foram achando pequenos vestígios de louças e um porquinho de ouro que actualmente se encontra num museu em Lisboa.
Existe ainda uma casa brasonada mesmo no centro de Tralhariz, contam os antigos, que era de uma família muito ilustre e de muito respeito. Ao dono chamavam D. Francisco.
Na porta central desta casa ainda existe uma argola que, segundo as pessoas mais antigas, servia para salvar as pessoas procuradas pela guarda. As pessoas que tivessem feito alguma asneira e fossem perseguidos pela guarda eram perdoadas, se agarrassem essa tal argola.
EB1 de Tralhariz
31 outubro 2004
"façam ouvir a vossa voz"
in JN 31/10/2004
30 outubro 2004
verbas do PIDDAC para Carrazeda são mais uma anedota...
à descoberta da nossa terra...
Há no Pombal uma lenda da Moura Encantada. Conta essa lenda que num lugar a que chamam o Castelejo existe lá uma Moura que aparece em forma de serpente.
Dizem os antigos que se na noite de S. João, à meia-noite, um homem for lá e a cobra lhe aparecer e subir por ele acima, lhe der um beijo na cara, se transforma em menina, ficando desencantada e com ele casará.
EB1 do Pombal
28 outubro 2004
E se o Zé Manel se vem embora?
26 outubro 2004
Carrazeda parecida com a Madeira
No café alguém me dizia que o concelho de Carrazeda se parecia com a Madeira de Jardim: o partido no poder prolongar-se-ia "ad eternum" fruto do controle sobre todas as instituições através do recrutamento selectivo de um conjunto de caciques nas aldeias do concelho. As benesses da “masseira” do poder vão assim sendo distribuídas sempre pelos “mesmos". Os que optam pela independência ou se posicionam na oposição são marginalizados, perseguidos no acesso ao emprego e nas benesses do Estado Providência. Parece-me um pouco exagerada esta argumentação, pois o que sucede na "pérola do Atlântico" é inimitável principalmente na chuva regular de dinheiro dos contribuintes fruto da permanente chantagem do Alberto João. Lá a obra é visível. Por aqui definhamos e pouco se vê de concreto em investimentos da administração central. Assim, as semelhanças serão apenas de conteúdo e não de forma para mal do nosso desenvolvimento.
24 outubro 2004
P.e Virgílio e a celebração dos 90 anos de idade.
Noventa anos de idade e sessenta e seis de apostolado em Carrazeda de Ansiães foram motivo para uma celebração. O P.e Virgílio Cirne Vila-Velha marcou indelevelmente os crentes ou não do concelho. A sua vida parece-me uma linha recta de simplicidade, obediência e de serviço à Igreja, mais que aos seus paroquianos. Sem rasgos de iniciativa, não construiu obra, não arrostou contra as injustiças e para além do espiritual não olhou para o material dos seus paroquianos. Olha-se para trás e fica a simpatia e uma grande religiosidade. Será suficiente? Sobra o Mogo de Malta, a aldeia do seu coração, e aí sim existe uma obra que é o Centro Social e Paroquial, a sua menina dos olhos. O seu nome estará associado a esta construção e toda a obra desenvolvida pelo Centro. Como em todas as coisas da vida se a honra lhe será concedida na história da aldeia, ela deveria ser atribuída à pertinência e preserverança de três ou quatro filhos da terra, de que saliento uma grande senhora que apenas conheço como a "D. Fernandinha" que sendo solteira toda a gente conhece como dona.
23 outubro 2004
23 de Outbro - Dia das Nações Unidas
Se há ainda Nações Unidas, pergunta-se: quais os valores que deveriam unir as nações? A resposta é simples: a paz, a solidariedade , o intercâmbio de saberes... deste modo teríamos um mundo melhor.
à descoberta da nossa terra..
Entre o Pombal e o Pinhal de Norte há um penedo furado onde cabem 10 pessoas. À distância de sete braçadas dizem que há duas barras de ouro enterradas.
recolhida pelo Edgar do 4.º ano da EB1 de Misquel em 2003/2004
20 outubro 2004
à descoberta da nossa terra
Diz a lenda que no fundo do poço do Castelo de Ansiães existe um livro que tem guardado os feitiços do castelo.
Quem conseguir descer ao poço e retirar o livro poderá saber os segredos de como descobrir uma grande fortuna. Mãos à obra!
EB1 Castanheiro do Norte - recolhida no ano lectivo 2003/2004
19 outubro 2004
O que nos foi dado...
...observar no pretérito domingo, antes, durante e após o jogo Benfica - Porto foi do mais puro surrealismo, retrata a trapalhada em que vive este país e a falta de qualidade dos líderes políticos e desportivos, ao estilo do mais puro "rasca". Dirigentes desportivos a incendiarem todos os dias antecedentes os adeptos, criando um ambiente de cortar à faca e propício a confrontações física; ministros e secretários de estado a darem meros palpites sobre a falta ou a existência de segurança quando têm a possibilidade de decidir sobre as polícias e outros agentes de segurança; jogadores de futebol a tomarem atitudes lamentáveis de quase agressão por razões comezinhas; árbitros com falta de coragem para decidir casos difíceis e na dúvida beneficiar os que têm mais poder, dirigentes a atacarem pessoalmente outros como nunca nos foi dado ver, com recurso a insultos do foro privado e a piadas de mau gosto e marginais numa linguagem pejada de erros grosseiros e de concordância verbal que atesta a incultura e a má preparação profissional. Depois queixem-se do mau comportamento do público anónimo. Com dirigentes destes...
à descoberta da nossa terra
Diz a lenda que existe no Castelo de Ansiães uma cobra com lindos cabelos de mulher ao longo do corpo.
A quem aparecer e a siga, ela indica o caminho de um tesouro que lá existe.
Até agora ainda ninguém a descobriu e o tesouro continua por aquelas bandas. Atreva-se!
EB1 Castanheiro do Norte - recolhida no ano lectivo 2003/2004
18 outubro 2004
"Câmaras Falham nos Serviços "On Line" para Os Cidadãos "
"Existem recursos, tecnologia, cursos de formação e, mesmo assim, o uso da Internet, como forma de se aproximar o cidadão do poder público, é ignorado pelas câmaras municipais. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado pelo Departamento de Sistemas de Informação (DSI) da Universidade do Minho".
Uma tendência a inverter e a investir forte e urgentemente. Essa aposta no interior é também uma questão de sobrevivência!
17 outubro 2004
Dia Mundial Contra a Pobreza e a Exclusão Social
ciganos - óleo sobre tela
16 outubro 2004
à descoberta da nossa terra
Há muito tempo antes de haver as aldeias vinham um grupo de pessoas por uma encosta a cima. Depois de caminhar muito tempo encontraram uma planície e onde o chefe do grupo disse: “Paramos já aqui!” Assim ficou o nome da aldeia de Parambos.
Pedro 4.º ano Eb1 de Misquel
Do Abade de Baçal
“A poente de Parambos, concelho de Carrazeda de Ansiães, «distante dele uma milha, está um sítio a que chamam Santa Marinha, cujo nome houve de antigamente ser nele a povoação do lugar de Parambos, e de ser nele nesse tempo a igreja da invocação de Santa Marinha no lugar da qual se conserva e está uma cruz levantada, do qual dizem se mudou o povo para onde está por razão das muitas formigas»
tarifa pelo tratamento de águas residuais - saneamento
15 outubro 2004
Prioridades (dos autarcas) da região vão para o IP2 e o IC5
"Os autarcas do distrito de Bragança reuniram-se, ontem, em Mogadouro, para elaborar um documento conjunto que será entregue ao Governo. Pretendem dar conta das prioridades do Plano Rodoviário 2000, que passam pela que consideram "urgente" construção do IP2 do IC5, este tido como ligação prioritária ao IP4 pelos concelhos do sul do distrito.Segundo Morais Machado, autarca anfitrião, "o IP2 e o IC5 são considerados eixos viários de vital importância para o desenvolvimento da região", unanimemente tidos como "a prioridade das prioridades". Por isso, os autarcas não vão abdicar da pretensão.Entretanto, 12 autarcas apoiam a decisão de alargamento do troço do IP4 entre entre Vila Real e Quintanilha (Bragança), recentemente anunciada pelo Governo, mas sem hipotecar o futuro viário dos concelhos do sul do distrito, já que o IC5 vai tirar trânsito ao IP4. O autarca de Mogadouro, eleito pelo PSD, mostrou algumas reservas sobre as intenções do Governo, uma vez que a região está farta de promessas em matéria de acessibilidades. Para já, os presidentes de Câmara demonstram unanimidade em relação do traçado do IC5, tendo em conta que, recentemente, foram gastos 35 milhões de euros na ponte Sardão, que une as margens do rio Sabor e que é considerada como um ponto vital para a passagem daquele itinerário.
O IC5 vai nascer junto ao IP4, perto de Alijó, em direcção a Miranda do Douro, servindo os concelhos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Freixo de Espada à Cinta Mogadouro e Vimioso. Quanto ao IP2, que liga Macedo de Cavaleiros a Castelo Branco (prolongando-se para sul), tem poucos quilómetros construídos dentro das regiões transmontana e beirã. Os autarcas classificam-no como "uma manta de retalhos"."Chega de passividade em matéria de acessibilidades na região", afirma Morais Machado, acrescentando que "outras formas de luta podem vir a ser encetadas para reivindicar melhores eixos viários para a região nordeste de Portugal"."
14 outubro 2004
Vila Flor: Autarquia repara estragos de enxurrada
E esta hem?
Com o título “Favaios vence Ministério”, o JN (14/10/04) apresenta o epílogo de uma história rocambolesca que ajudou a divertir o país. O uso de atestados médicos (muitos deles creio sinceramente abusivos) permitiu que vários docentes com menos graduação profissional ultrapassem os seus pares na colocação. Em Favaios docentes com mais de uma dezena de anos de serviço na vila foram ultrapassados por outros menos graduados. Os protestos dos pais obstaram à abertura normal do ano lectivo e impediram os seus educandos de frequentarem o estabelecimento de ensino. Passada uma quinzena de episódios novelescos, chegou a decisão salomónica – reconduziram-se duas das três professoras “injustiçadas” e assim acabaram os protestos, os alunos voltam à escola, os pais ficam satisfeitos e emenda-se a mão. Incrível! Antes do resultado da prometida fiscalização dos destacamentos por condições específicas, a má consciência da administração escolar, resolve o imbróglio e sossega os ânimos de encarregados de educação e professores. Abre-se também um novo precedente: se a comunidade escolar não está contente com o seu corpo docente impede os seus educandos de frequentar as aulas e espera que se troquem os professores a seu gosto! Simples, no sistema público de ensino vamos ter o direito de escolher professor para os nossos filhos.
É de gritos este circo!
13 outubro 2004
Acordem antes que seja tarde!
12 outubro 2004
2004 - ano negro no IP4
É urgente tomar medidas que obstem à matança! Todos nós conhecemos alguém que ali perdeu a vida, quando não mesmo um familiar. Basta!..
Uma "heresia" a propósito da criação da Universidade em Bragança
Lenda da cadeirinha de Parambos
11 outubro 2004
A promessa da construção da auto-estrada...
...que ligará Porto a Bragança, anunciada por Santana Lopes para se iniciar em 2007 criou um pequeno terramoto entre os autarcas do distrito. Uns não a acham prioritária, outros acham-na primordial.
Os presidentes das Câmaras do interior do distrito discordam da ideia e defendem a prioridade na construção do IP2 e IC5. Líderes dos protestos são os autarcas de Alfandega da Fé, Moncorvo, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta que consideram os seus concelhos estar mais isolados do resto do país em detrimento do eixo Mirandela, Macedo e Bragança. O dirigente do PSD, Adão e Silva opõe-se a autarcas do distrito e veio afirmar que lamenta esta “atitude de insolidariedade e menosprezo”.
Os edis dos municípios que beneficiam da sua construção acham-na uma via essencial e estruturante.
Pergunto: para quê a polémica?
O IP4 está à mais de 20 anos a ser construído e ainda não foi totalmente realizado. Falta a ponte em Quintanilha de ligação a Espanha e cerca de 2 Kms nesta localidade.
O IC5 (ligação dos concelhos do sul do distrito ao IP4) e o IP2 foram promessa dessa altura. O IP2 tem alguns troços construídos até Viseu (fim da civilização), o resto é miragem, quanto ao IC5 serve de engodo em tempos eleitorais. De resto não há projecto, nem o mais pequeno sinal de arranque.
Para a construção da auto-estrada aconselho-os a esperar sentados.
Pergunto: os interesses da região serão contraditórios e o que interessa a Bragança não é importante a Carrazeda?
A solidariedade tem de ter sempre dois sentidos. A construção de muros para cada um cavar o seu quintal não é política de futuro. É necessário remar-se para o mesmo lado, perseguindo objectivos bem delineados.
A recente divisão da região em duas comunidades urbanas espelha bem a pequenez das ideias e dos homens.
Que fazer para concertar vontades e reivindicar infraestrututras estruturantes e essenciais ao desenvolvimento do interior?
Os autarcas vão alimentando ilusões e não há concertação de verdadeiras medidas de protesto: demitam-se, entreguem as chaves do município, esqueçam lealdades partidárias e defendam verdadeiramente as populações que os elegeram, usem de criatividade e não faltarão formas de luta.
Quando se esboçam os primeiros sinais de inconformismo, aparece um “iluminado” da região, um Duarte Lima, um Armando Vara e agora um Adão e Silva, de acordo com o partido no poder, para refrear ânimos; apelar à paciência e não deixar que se façam muitas ondas.
Cada vez mais defendo que o principal atraso da nossa região se deve essencialmente à partidodependência, à subalternidade, ao caciquismo. Enquanto não tivermos líderes regionais fortes, independentes e imbuídos do espírito de missão na intransigente defesa da região, os índices de desenvolvimento regredirão e mais longe estaremos dos valores médios da Europa.
07 outubro 2004
O caso das condições específicas
Eis alguns passos do infeliz processo dos destacamentos por condições específicas nos concursos de docentes do presente ano lectivo:
1. Segundo a nova legislação (Decreto-Lei 35/2003), o destacamento por condições específicas (DCE) é um meio dos docentes terem prioridade na colocação, isto é, basta um atestado médico para ser colocado à frente de todos os outros em qualquer local do país. Por exemplo, se pertencer ao quadro de zona pedagógica dos Açores com este expediente pode ser colocado numa escola de Carrazeda de Ansiães em primazia sobre os outros que não metam atestado. O objectivo da lei reside na benesse de permitir a quem tem doença invalidante aproximar-se do local de residência.
2. As doenças são tipificadas em despacho a propósito e já foram enumeradas neste blog. Muitos dos atestados apresentados nos agrupamentos de escolas, pelo que a comunicação social referiu não se enquadram no conjunto de doenças do referido despacho, se assim for, o resultado será o de qualquer tipo de doença ter permitido o DCE.
3. Os atestados médicos apresentados ultrapassam os nove milhares cerca de 1/6 do total de candidatos. Em Vila Real e Viana do Castelo este valor subiu aos 80%. Em Bragança, cerca de 70% dos professores do 1.º Ciclo usaram este expediente. Das duas uma, ou houve um claro abuso de utilização ou nestes distritos grassou uma epidemia.
4. Situemo-nos em Bragança. Este distrito dispõe de um quadro de docentes no limite. Há muitos residentes que não conseguem entrar e estão colocados em outros, designadamente Viseu, Açores, Tâmega e outros. O DCE apareceu como tábua de salvação. Muitos agarraram-se a ela e assim obtiveram facilmente a colocação.
5. Mais de 200 professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico de Bragança não obtiveram colocação, muitos com duas dezenas ou mais de serviço. Outros bem posicionados foram colocados a mais de 100 kms da residência. Outros ainda, verdadeiramente necessitados que conseguiam colocação perto de casa pelo destacamento referido foram parar bem longe.
6. No novo quadro legal de colocação de professores já referido é permitido aos docentes afectados a uma escola poderem ser reconduzidos por um período de três anos, o que se se provarem ilegalidades, acrescentará um ónus de injustiça verdadeiramente insuportável.
7. Em vários locais do país, muitos professores verdadeiramente indignados pela situação menos clara, exigiram a fiscalização rigorosa dos atestados médicos de modo a pôr cobro a graves injustiças, perante o silêncio dos sindicatos e a promessa do ministério de continuar a fiscalização.
8. Em Carrazeda, antes da saída das listas de graduação, todos os professores que se sentiram potencialmente lesados elaboraram uma exposição à ministra da educação e aos sindicatos no sentido de os alertar para as possíveis consequências de uma análise pouco rigorosa. Alertámos para o problema com cartas publicadas nos jornais Público, Correio da Manhã, Jornal de Notícias e ainda na revista
9. A grande trapalhada que envolveu os concursos no presente ano lectivo baixou a guarda de uma correcta avaliação desta problemática. O que interessava era pôr os professores na escola e neste caso do DCE, as piores consequências concretizaram-se. A quase totalidade dos pedidos de destacamento por condições específicas obteve colocação em detrimento de outros mais bem posicionados nas listas de graduação. Por cá apresentámos queixa com abaixo-assinados ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro, à Ministra da Educação, ao Provedor de Justiça, à Inspecção Geral de Ensino, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, DREN, deputados da região e outros da Comissão da Educação. Apresentámos ainda individualmente uma queixa ao Provedor de Justiça e um recurso hierárquico ao ministério, no sentido de sermos ressarcidos de eventuais prejuízos. Alertámos o Sindicato de Professores do Norte (SPN) e da Zona Norte (SPZN) por escrito e telefone para a gravidade da situação e necessidade de tomar posição no sentido de uma fiscalização rigorosa, pois havia indícios de ilegalidades que poderiam redundar em prejuízos irreparáveis. Constatámos que quase ou nada foi feito pelas estruturas sindicais. Enviámos dois e-mails a Pacheco Pereira, que os inseriu no seu blog http://www.abrupto.blogspot.com/, assim como a Vital Moreira que o introduziu também em http://www.causa-nossa.blogspot.com/. Denunciámos toda esta situação em carta ao Jornal “O Público” que mereceu um longo parágrafo de Miguel Sousa Tavares na habitual crónica de Sexta-feira (daquele diário insurgindo-se contra os atestados médicos e a situação num tom e estilo violento como só ele sabe. Um e-mail enviado ao Diário de Notícias de denúncia do estado referido também foi publicado naquele jornal no correio do leitor. Temos intervido periodicamente no site do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) alertando e denunciando a situação em http://www.spn.pt/Default.aspx?xpto=30&mid=122&for=5.
A indignação aumenta cada dia que passa e decidimos rapidamente convocar uma manifestação espontânea para o dia 6 de Outubro em Bragança. Através de contactos pessoais e recorrendo ao telefone, fizemos passar a palavra e sem qualquer participação de colegas de Bragança (a grande fatia do distrito) que a essa mesma hora se encontravam em reunião e de qualquer estrutura sindical, juntámos três dezenas de professores e vários órgãos de comunicação social. Entre outras, reivindicámos a suspensão dos destacamentos por condições específicas para uma análise rigorosa dos atestados médicos.
No local foi assinada uma petição que decidimos entregar em mão ao Senhor Governador Civil. Muito receptivo, compreendeu as nossas razões e ficou de ser portador das nossas preocupações à senhora ministra da educação, ao senhor secretário de estado da saúde e outras entidades da administração escolar.
A luta vai continuar até uma clarificação do imbróglio e o próximo passo será a consulta de um jurista para um eventual recurso aos tribunais. No horizonte define-se ainda uma manifestação em Lisboa.
Parafraseando o poeta e até que a voz nos doa, havemos de gritar: “Queremos justiça!”
05 outubro 2004
Manifestação de docentes em Bragança esta 4.ª feira
Porque professores com muitos anos de serviço (alguns com mais de 20 anos) não foram colocados.
Porque o uso abusivo de atestados médicos indicia uma situação pouco clara, que advém de cerca de 67% dos professores do 1.º Ciclo usaram este expediente
Porque há professores que necessitam desta figura legal para estarem perto de casa e foram colocados, devido ao elevado número de candidaturas, a mais de 100 Km de casa.
Porque segundo a nova legislação, todos os professores colocados podem ser reconduzidos por um período de 3 anos tornando esta injustiça insuportável,
QUEREMOS que sejam suspensos os destacamentos por condições específicas no distrito de Bragança.
Que haja uma avaliação rigorosa dos atestados médicos com recurso às juntas médicas.
Que sejam analisadas as declarações de IRS para saber se nelas constam os ascendentes que permitiram a muitos o DCE.
PELA TRANSPARÊNCIA E JUSTIÇA NA COLOCAÇÃO DE PROFESSORES!
04 outubro 2004
Dia da Implantação da República e da Independência de Portugal
As novas tecnologias e as regiões do interior
A Internet transformou o mundo na aldeia global. à distância de um clique, o utilizador tem acesso a um conjunto de conteúdos e serviços em sus casa e em frente ao computador sem necessidade de deslocar-se. A utilização das novas tecnologias permite a "melhoria dos cuidados de saúde, a efectiva redução da burocracia administrativa, a capacidade de geração de trabalho qualificado e de teletrabalho, a simplificação e transparência dos processos de decisão, a qualidade e diversidade da informação recebida ou tratada, a abertura e reconhecimento dos processos de educação e de formação profissional, a generalização segura do comércio electrónico, a oferta de novos modos de lazer, o apoio a cidadãos com necessidades especiais, entre muitas outras". Os gabinetes de apoio ao cidadão criados nalgumas freguesia que possibilita o acesso à net das populações rurais são das poucas realizações, embora com pouco êxito e adesão, das possíveis potencialidades da tecnologia posta ao serviço da população. Os sites que conheço dos municípios, principalmente os alugados no portal espigueiro não passam de um instrumento de tapar o sol com a peneira, pois nada aportam ao munícipe ou até ao forasteiro, para além da divulgação de algumas fotografias e actividades avulsas, de alguns conteúdos, no mínimo questionáveis em termos de rigor e qualidade e também espelho da vaidade dos autarcas, onde aparece o discurso de boas-vindas do senhor presidente da Câmara, como a parafrasear o conhecido humorista "Eu é que sou o presidente da Câmara". Muito e de uma forma urgente há que fazer para além da divulgação do concelho que mesmo neste aspecto é ainda, nuito pouca, que é o de introduzir a grande magia das novas tecnologias que é a da interacção, isto é o possível utente poderá além de ser um receptáculo de informação, pode também interagir com os serviços, dar opinião, usar um serviço, satisfazer uma necessidade informática. Por outro lado o empresário rural poderá ter um meio de divulgar e comercializar um produto, o turista de conhecer e comprar um produto turístico, o doente de marcar uma consulta ou de pedir aconselhamento ao seu médico de família.
Não se confirma 4.ª Feira...
03 outubro 2004
Manifestação de docentes em Bragança
Todos os que são pela justiça e tranparência de processos nos concurso de professores ao abrigo dos destacamentos por condições específicas estão mobilizados. Vamos conseguir retirar aos batoteiros este expediente que lhes permitiu ultrapassar colegas melhor classificados. A trapaça não vai passar! Vou dando notícias através deste meio....
01 outubro 2004
Os "ratos" estão a abandonar o navio...
Dois mil professores retiram atestados médicos do concurso
Dois mil professores desistiram dos pedidos de destacamento específico, depois da Inspecção-Geral de Educação ter iniciado as averiguações ao número excessivo de atestados médicos - mais de nove mil - apresentados este ano pelos docentes.
De acordo com a edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, a estimativa foi avançada na quinta-feira pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), com base em dados do Ministério da Educação (ME).
Vital Moreira...
"Nove mil !?
Nove mil -- isso mesmo, 9000 --, tal é o incrível número de atestados médicos que foram apresentados no recente concurso de colocação de professores, para obtenção de um "destacamento específico", por motivo de doença própria ou de familiar próximo. Obviamente a maior parte deles são fraudulentoss. Quatro perguntas:a) Que crédito merece hoje um atestado médico? Nenhum! b) Como caracterizar um ministério que se propôs confiar em simples atestados médicos para uma questão tão grave? Incompetente! c) Como qualificar uma "cultura cívica" em que tantos milhares de professores e de médicos se dispõem assim a vigarizar um concurso para obtenção ilícita de vantagens pessoais? Inexistente! d) E como entender que todos os prevaricadores, nomeadamente professores e médicos, fiquem impunes? A impunidade é apenas uma faceta da generalizada irresponsabilidade nacional."
Miguel Sousa Tavares...
3. Uma vez mais, os médicos de Bragança prestaram-se à indecente atitude de assinar falsos atestados de saúde para permitirem que professores ultrapassassem outros nas colocações, invocando a necessidade de prestarem assistência a familiares pretensamente doentes. Já há dois anos atrás os mesmos médicos de Bragança tinham inundado o Ministério da Educação com uma epidemia de atestados, jurando que quase todos os alunos do 12º ano do distrito estavam incapacitados de poderem concorrer à 1ª chamada dos exames. A investigação subsequente acabou, como é de costume, em nada. Agora, gostava de saber o que terá a dizer algum desses médicos ou desses professores batoteiros ao leitor José Alegre Mesquita, de Carrazeda de Ansiães, que ontem aqui escrevia que, por se ter recusado a seguir o mesmo expediente, terminara por, pela primeira vez em 24 anos de professor, ser colocado fora do seu local de residência, em benefício de um dos portadores de falsos atestados. Como bem perguntava o leitor, será que o Sindicato dos Professores e a Ordem dos Médicos vão manter o silêncio sobre esta vergonha? Que médicos são estes que não têm pudor de jurar em falso, sabendo que estão a prejudicar terceiros de boa-fé? Que professores são estes a quem não dói a consciência por ultrapassarem colegas que se recusaram, como eles, a usar da mentira e da deslealdade? Que valores vai esta gente ensinar em suas casas ou nas suas escolas?
Está difícil ser professor na nossa região!
...
"A juntar à confusão das colocações, aos destacamentos polémicos e ao número de professores que se adivinha, desde já, que vão ficar no desemprego, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é ainda afectada pelo encerramento de escolas, pelo decréscimo no número de alunos, e por situações incompreensíveis, como o caso de escolas com sete turmas e dois professores e outras sem alunos, mas com três docentes. É o arranque do ano lectivo na região."
in http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3
A trapaça irá compensar? Estamos em luta!!!
Exma. Senhora
Inspectora-Geral da Educação
Carrazeda de Ansiães, 30 de Setembro de 2004
Assunto: Concurso de professores
Exma. Senhora:
Os signatários, professores do 1.º ciclo de Carrazeda de Ansiães e Educadores do Pré-Escolar, vêm muito respeitosamente alertar V.ª Ex.ª para os factos que indiciam uma profunda injustiça na colocação de professores e nos prejudicaram gravemente. Verificamos que pertencendo há vários anos ao Quadro de Zona Pedagógica de Bragança (alguns mais de uma vintena de anos), pela primeira vez, não foram colocados na 1.ª fase do concurso, ao contrário de outros com muito menos tempo de serviço e graduação profissional.
O uso abusivo de atestados médicos para candidatura por condições específicas aos quadros distritais de afectação e a grande quantidade de candidaturas, no nosso distrito 67% do total dos docentes deste sector de ensino, parece ter sido um simples artifício para nos ultrapassar nas listas e a muitos outros que necessitariam, por razões de saúde desta figura legal. O que devia ser uma excepção transformou-se em regra.
A grande quantidade de processos de candidatura apresentados aponta para terem sido aceite todas as situações, mesmo não contempladas nos termos do Despacho Conjunto n.º A-179/89-XI, de 12 de Setembro, publicado no Diário da República, II série, n.º 219, de 22 de Setembro de 1989. Muitas das supostas doenças, como ouvimos noticiado, reportam a doenças de coluna, hipertensão, otites, asma, distúrbios do sistema nervoso e outros tais que contabilizados e aberto o leque a familiares perspectivariam ser incluídos a totalidade da população docente portuguesa. Por outro lado, os órgãos de comunicação social e muitos outros testemunhos, entre os quais pode contar com os nossos, reportam situações em que o uso desta figura de destacamento não indicia justificar-se, ao contrário de outros casos indeferidos que o justificavam.
Face ao que consideramos uma grave situação que indicia ilegalidades, por isso injusta e intolerável, a sua fiscalização não poderá de deixar de ser prioritária no sentido de que seja clarificada e reposta a transparência e lisura de processos. Acresce o facto, que segundo o Decreto-lei 35/2003 que preside aos concursos de docentes, todos os colocados poderão prolongar por mais três anos o lugar de afectação, onde foram providos no presente ano lectivo, aumentando assim a iniquidade. Apelamos a Vossa Ex.ª que através dos serviços que tutela intensifique a fiscalização e tudo faça para que seja restabelecida a equidade e a justiça que preside aos concursos públicos.
Antecipadamente gratos e confiando na sua sensibilidade democrática e de justiça, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos,
Os subscritores
A trapaça irá compensar?
Estudam outras formas de luta como recurso hierárquico e providência cautelar.



















