17 Março 2012

Grandes Campeões

A. C. D. SAMÕES   3-11  CARRAZEDA ANSIÃES  



Última jornada,
Vitória,
 conquista do Titulo de Campeão Distrital e
 consequente subida à 3ª divisão nacional.


J V E D   Golos +/-   Pts.
1 CARRAZEDA ANSIÃES       14 12 0 2   123 : 34 89   36
2 ÁGUIA F. C.       13 10 1 2   68 : 27 41   31
3 FUTSAL MIRANDELA       14 9 1 4   62 : 41 21   28
4 PIONEIROS BRAGANÇA       13 7 0 6   66 : 58 8   21
5 G. D. POIARES       13 6 0 7   60 : 56 4   18
6 A. C. D. SAMÕES       14 5 1 8   49 : 69 -20   16
7 C. A. CARVIÇAIS       13 3 1 9   40 : 82 -42   10
8 U. D. FELGAR       14 0 0 14   20 : 121 -101   0

Passeio Cultural




16 Março 2012

Saúde em Bragança de mal a pior

A distrital de Bragança do PSD anunciou que vai levar ao congresso do partido uma moção a reclamar mais dinheiro para a saúde no Nordeste Transmontano para evitar uma "intolerável degradação das respostas e redução de serviços".
Este é o cenário que os dirigentes sociais-democratas temem se não for corrigido o orçamento previsto para a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, que gere os 15 centros de saúde e três hospitais da região.
"Se não for corrigido, é a nossa desgraça", disse Adão Silva, antigo secretário de Estado da Saúde de Durão Barroso, atual deputado do PSD por Bragança.

(recebido por email)

15 Março 2012

14 Março 2012

Mulher morre após desentendimento entre hospitais de Chaves e Vila Real

Dezenas acampam em Foz-Tua contra a barragem da EDP

  Mais de 50 pessoas já passaram pelo acampamento ACTUA, que está a acontecer desde o dia 10  até ao dia 18 de Março, contra a barragem da EDP e pela defesa do Rio Tua. Em Foz-Tua, junto aos trabalhos de destruição do vale, o evento assinala assim o Dia Internacional pelos Rios, que se celebra amanhã, 14 de Março.

O objectivo é travar a destruição do Rio, do Vale e da Linha do Tua, movida pelo lucro. Os habitantes da região têm mostrado a sua revolta em relação à barragem e o seu apoio ao acampamento, nomeadamente com a oferta de alimentos.

Todos os dias há diversas actividades, como debates, passeios e acções de protesto. Amanhã dará início uma vigília pelo Tua e a exposição de arte “Actua pelo Tua”. No próximo sábado, dia 17, terá lugar uma concentração de protesto junto às obras de destruição do Rio Tua.

O acampamento está também a mostrar na prática que há formas diferentes de viver. No ACTUA as tarefas são organizadas de forma comunitária, os recursos são partilhados e a electricidade é fornecida através de energia solar. O acampamento é organizado colectivamente por todos os participantes, voluntários, com o apoio de várias organizações da sociedade civil.
Mariana Jordão, participante no ACTUA
“Viemos cá, nem mais nem menos, para parar a construção da barragem. Para de uma forma activa dizer não, junto da população, junto do sítio onde as pessoas estão a ser directamente afectadas. Para mostrar resistência contra coisas que nos são vendidas como dados adquiridos.
Motiva-me a beleza do lugar, as pessoas, a vontade de mudança.
Para quem já conhecia a beleza deste vale, o sítio da construção é um cenário dantesco. Revela o total divórcio entre o ser humano e a natureza. Queremos criar uma consciência colectiva capaz de entender o crime ambiental que se está aqui a cometer. A grande maioria das pessoas está contra a barragem: esperamos contrariar a apatia generalizada e levar as pessoas à acção.”
Senhor Manuel, habitante de Foz-Tua
“Eu queria tanto que esta barragem parasse. Não é construção nenhuma, é só destruição. Não traz nada para a população. Custa muito vê-los destruir tudo... Vão afundar uma linha de comboio centenária: tiraram a linha de comboio, tiraram-nos tudo.”

Comunicado de imprensa
Foz-Tua, 13 de Março de 2012

10 Março 2012

Ou comem todos ou....

As noticias dizem-nos que são os funcionários das empresas públicas TAP - C.G.D- ANA e NAV que escapam aos cortes nos ´salários. Afinal que moralidade é esta? Serão estes funcionários portugueses de 1ª classe, são especiais?!!!Os funcionários dos Bancos, colegas dos outros da C.G.D já não são "Excepção"?E os milhares de funcionários publicos quer no activo ou mesmo aposentados, essese são os "coitadinhos" o lixo, os que sofrem os descontos sem protestar?!Ai como vai longe o tempo, saudades desse tempo, em que todos os portugueses sabiam que: - Ou comem todos ou haja moralidade. O sistema da altura obrigava a comerem todos.Haja moralidade e seja o Governo e o primeiro Minoistro a dar o exemplo. Este Governo continua "Gordo", continua a proteger os filhos e afilhados. As medidas contra a corrupção foram canceladas pelo Governo do PSD/CDS. Tenham vergonha e sejam justos, façam mea culpa- como está a fazer Cavaco Silva, porque diz: - ... sobre a justa repartição de sacrificios" e prega e apela e denuncia e desabafa contra José Sócrates, só que ainda não explicou o negócio do BPN, a venda de acções e temos que sofrer o povo aguenta tudo, porque o ditado ninguém o cumpre, só com a ajuda das Forças Armadas: - Ou comem todos ou haja moralidade. Haja moralidade-.

09 Março 2012

Oh minha terra...onde nasci!!...


Quem conhece Carrazeda, certamente que conhece este edifício.
È antigo, cheio de história e um símbolo do concelho. Foi aqui que nasceu o primeiro Hospital que servia os habitantes do concelho de Carrazeda.
Nos anos trinta e quarenta, serviu de Hospital e também de cadeia, pois muitos lavradores de Vilarinho da Castanheira e da freguesia de Pombal, ficaram presos no rés do chão desta casa, onde existem pequenas celas, que estão devidamente conservadas. Na altura os elementos da PIDE, e os elementos da GNR, bateram em muitos desses lavradores, que cometeram o crime de protestar, contra as condições que lhes impunham para venderem “o vinho da sua colheita”.
Ontem, como hoje as dificuldades em fazer “negócio” em “vender” o que se produz e rezam as crónicas da altura, que nos armazéns do Caminho de Ferro na Estação do Tua, foram destruídas pipas de vinho que se destinavam ao mercado e que vieram dos lados de Macedo e Bragança, vinho fora da região demarcada.
Este edifício foi durante muitos anos – ironia do destino – delegação da Casa do Douro, aqui vinham os lavradores tratar de assuntos, relacionados com o manifesto do vinho, a legalização das vinhas, licenças de plantio, etc. etc. Deixou de ser Hospital, deram-lhe outra finalidade e presentemente ainda é aqui que funciona a delegação da Casa do Douro, com sede na cidade do Peso da Régua.
Esteve esta casa para ser vendida e graças à crise, não apareceram muitos interessados. Porém a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, mostrou interesse na sua aquisição. Oxalá consiga concretizar a intenção, pois este espaço é por si o Museu de História natural da vila e do concelho; certamente a par do Museu do Vilarinho que está implantado num belo edifício histórico. Que diabo, Carrazeda tem uma vida recente,- que o diga o meu amigo JLM que tão bem descreve a transição de Ansiães, para esta pobre localidade - cheia de história e aspectos culturais interessantes que devem ser conservados.
Não estamos a falar dos elefantes brancos como o Mercado Municipal – abandonado e ainda hoje sub-aproveitado. O Centro Cívico a jóia da coroa. E, a casa mortuária, aproveitada para “Incineradora Municipal” que idéia original, nesta tarde soalheira, de um dia quente de Março.

06 Março 2012

Saudade e saudades: Carlos Fiúza


É ou não verdade ser a “contradição” o sal da personalidade de João Lopes de Matos?
Veja-se o seu texto “A Vila de Ansiães” e nele se encontrará tudo o que não “lembra nem ao diabo”!
Pela minha parte até achei original a sua argumentação… (como contraditório, leia-se).
Ma não há dúvida (a aí ele tem inteiramente razão): a palavra mais poeticamente portuguesa é - a saudade.
E digo “mais poeticamente portuguesa” porque, se metemos ao caso a rígida filologia, lá se vai o encanto português da saudade, e vêm os estudiosos frios e objetivos afirmar que, afinal, se encontra sinonímia vocabular e até sentimental noutras línguas e entre outros povos.

Pois a saudade portuguesa não é a mesmíssima coisa que o romeno dor, que o galego morriña, que o catalão anyoranza, que o alemão Sehnsucht (e Heimweh) ou até que o francês mal du pays, souvenir (du coeur), le doux regret?
E o desiderium dos Romanos não é correspondência latina da saudade portuguesa?

Haverá quem responda afirmativamente e proteste contra a pieguice lusíada de imaginar intraduzível a saudade.
Evidentemente, se nós nos pusermos a investigar com afinco o problema psicofilológico da saudade, palpita-me que nas próprias línguas africanas, asiáticas e ameríndias haveremos de encontrar equivalentes, mais ou menos aproximados, do sentimento saudoso.
Por este modo de ver, não seria difícil ir buscar ao homem primitivo o sentimento saudosista.
Não deve existir lugar algum da Terra, onde o homem não tenha manifestado a mágoa pela ausência da coisa amada, o desejo de tornar a ver ou de ter presente o motivo de seus anseios.
Será comparável o “banzo”, africano à saudade portuguesa?

Um inglês meu amigo, a quem falei com orgulho no portuguesismo da saudade, pretendeu deitar um balde de água fria no meu patriotismo sentimental, lembrando-me que na língua dele, afinal, também se vive e expressa o mesmo sentimento, que a maior parte dos Portugueses imaginam, ingenuamente, um exclusivo do seu coração e da sua língua.
E citou-me longing, home-sickness, to be home-sick.
Todavia, esta procura de equivalentes para o termo doce e expressivo da nossa língua parece-me tarefa inútil.
 Inútil e, de certo modo, incoerente, não só no aspeto sentimental mas, inclusivamente, no aspeto filológico.
Já se chegou a aventar, por exemplo, que a saudade nos viera dos Árabes.
E porquê? Por isto em resumo: Em árabe há çaudá que significa melancolia.
Ora, a melancolia, é uma doença nervosa. E, como a medicina medieval hispânica esteve sob a influência de mestres árabes como Avicena, Averróis, etc., a saudade portuguesa teria sido… um “achaque pegado” no tempo dos Mouros.
O pior está em que a filologia não saberá explicar como de tal palavra árabe se poderia chegar à portuguesa.
Outra dificuldade está ainda, penso eu, em que o vocábulo arábico não tenha ficado no vocabulário espanhol a traduzir o sentimento saudoso.
A história da língua convence-nos, na verdade, que do latim solitate(m) provém, etimologicamente, saudade. A comprovar lá estão as antigas formas soedade (ou soidade), suidade (ou ssuydade). No século XIV já aparece saudade, como Carolina Micaelis documentou.
Deve ter-se dado a influência de saudar, saudação, saúde na transformação de soedade, etc., (formas galécio-portuguesas para saudade).
Quem ler tudo o que se tem escrito e reescrito acerca da palavra referida, nota estas opiniões divididas:
- De um lado, houve quem imaginasse a palavra saudade intraduzível noutras línguas. Garrett, por exemplo, assim pensava (se bem que reconhecesse que o sentimento representado pelo “mais doce, expressivo e delicado termo da nossa língua” … “em todos os países o sentem”).
- Do outro lado, encontra-se o parecer dos que, alegando haver noutras línguas equivalentes ou quase equivalentes do termo português, negam a este a singularidade do seu significado.
Penso que o poder encontrar-se noutras línguas a correspondência aproximada do emprego das nossas expressões - sentir saudades por alguém, sofrer saudades da pátria, etc., - não tira à saudade portuguesa aspeto inconfundível de um complexo psicológico sui generis, cujo significado essencial é, de facto, intraduzível ou, pelo menos, incomparável.
Já vi escrito que a palavra romena dor exprime um estado de alma, um sentimento em que há “nostalgia, ternura, melancolia, lembranças, sonhos espirituais que quase levam ao desespero”.
Não se negará que de tudo isto pode haver na saudade portuguesa, mas há algo que melhor a caracteriza e é - a placidez, a suavidade melancólica, e não a revolta ou o desespero.
Por isso Camões disse:

“Agora a saudade do passado,
 Tormento puro, doce e magoado
 Que converter fazia estes furores
 Em magoadas lágrimas de amores”.

Haverá, sim, pontos de semelhança, algumas afinidades sentimentais entre a saudade portuguesa e o que exprimem semelhantes palavras noutras línguas.
Mas o sentido vago e profundo, complexo e indefinível de saudade - só na terra portuguesa, que se debruçou para o mar, se pode compreender e sentir.
Reparemos ainda em que em nenhuma língua, como na nossa, tal sentimento surge em saudações por mor de apartamento.
Em que língua descobrirão os poliglotas rigorosos equivalentes com a ternura destas expressões portuguesas - dar saudades, carpir saudades, fazer saudades?

- “Despediu-os de si com muita saudade.”
- “Mando-te muitas saudades.”
- “Quantas saudades tenho de ti.”

Evidentemente que se pode traduzir para qualquer língua esta frase - morrer de saudades por alguém.
Por exemplo, em francês dir-se-á: Mourir, s’embraser du désir de voir quelqu’un.
E, em latim, Cícero, como nos referem dicionários, redigiu - alicujus desiderio mori.
Mas aquele morrer de saudades ganha, em português, um poder de expressão muito mais intenso do que noutras linguagens que procuram traduzir o mesmo sentimento.
E em que outra língua há um emprego tão natural da palavra “magoada” como a saudade portuguesa?

A nossa palavra saudade só corresponderia a outras de outras línguas, se Portugal não tivesse…
…“A alma pelo mundo em pedaços repartida”.


Carlos Fiúza

05 Março 2012

04 Março 2012

A Vila de Ansiães: João Lopes de Matos


 Durante vários séculos e muitas gerações, o território de Ansiães foi governado a partir do Castelo de Ansiães, onde se situava a vila e sede do município.
O castelo situa-se num ponto alto e central. Dele se avista longe para todos os lados.
Os seus residentes sempre tiveram um grande prazer em viver tão pertinho de Deus. As muralhas alcantiladas no alto do monte davam a segurança e o aconchego tão importantes  no rodar dos anos.
As habitações, construídas de pedra solta, térreas e, em geral, de uma só divisão, cobertas de colmo ou de telha vã, proporcionavam o conforto a que as pessoas aspiravam. Tudo se fazia em conjunto:
cozinhar, dormir, conversar ,fazer amor, tratar da limpeza pessoal (ler não, que eram todos analfabetos, tomar banho não, que não havia água).
Um pequeno quintal estava mesmo ali ao lado para cultivar umas couves.
Um burrico, que residia junto ou ao lado, ajudava a aquecer a casa com o seu bafo e as suas defecações. Estas e as das pessoas eram juntas no mesmo monte para estrumar os terrenos. Havia uma grande irmandade entre os residentes e os animais domésticos, que resultava de viverem todos em condições semelhantes, condições essas adequadas às necessidades .
Há que salientar aqui alguns pormenores: durante o inverno, não eram precisas grandes limpezas pessoais: os parasitas do corpo e das camas em grande parte desapareciam por causa do frio, as roupas eram escassas e, portanto, usavam-se as mesmas durante toda a época invernal, e não se podia correr o risco de apanhar resfriados ,que podiam ser fatais. Mas, mal chegavam os dias mais soalheiros, era um regalo ver tanta azáfama de limpeza: catavam-se os piolhos, matavam-se os percevejos, cortavam-se os cabelos (juntava-se depois tudo e lançava-se à fogueira, prevenindo-se assim contaminações). Diga-se, em abono da verdade, que a água não abundava e, por isso, a limpeza tinha de ser feita a seco. Tudo se resolvia bem:  cortavam-.se quanto possível todos os pelos(da cabeça, do peito, do púbis, do ânus) e toda a bicharada e imundícies agarradas saíam.
Comia-se do mesmo prato e. por vezes, com os mesmos garfos e colheres.
Bebia-se do mesmo cântaro e com o mesmo púcaro.
Quando doentes, resolvia-se tudo com sangrias.
A religião era praticada através de ladainhas, esconjuros e penitências.
Havia igrejas ,tribunal, edifício municipal, pelourinho, tudo.     - E chega.
A vida só podia ser feliz e risonha.
Um dia, porém, (chega sempre um dia) alguém achou por bem mudar a sede do concelho para um lugarejo pequeno e pobre, chamado Carrazeda.
As pessoas ainda resistiram mas a felicidade acabou mesmo. Não há bem que sempre dure.
Carrazeda passou a vila e a sua gente passou, orgulhosamente, a gente de vila.
Tenho, para mim, no entanto , que esta mudança constituiu um grande retrocesso civilizacional.

João Lopes de Matos

02 Março 2012

José Silvano à frente da agência que vai gerir milhões para projetos de desenvolvimento em Mirandela
O antigo presidente da câmara de Mirandela, José Silvano, é desde hoje o diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, entidade que vai gerir os milhões de euros das contrapartidas pela construção da barragem de Foz Tua.

01 Março 2012

Assembleia de Carrazeda está contra o encerramento do tribunal

Assembleia de Carrazeda está contra o encerramento do tribunal
A Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães aprovou por unanimidade uma moção, apresentada pelo PSD, contra o eventual encerramento do tribunal judicial desta comarca.

Ipsis Verbis: justiça popular

Apresentado Projeto de Souto Moura para a Barragem


0_big.jpg (Imagem JPEG, 703x500 pixéis)

Objectivo da empresa - reduzir o impacto daquela infra-estrutura na paisagem do Douro Vinhateiro, classificada como Património da Humanidade, e ainda, de trazer para a região um novo foco de atracção cultural e turística.
Daqui,
Daqui
e Daqui

Pensar dos leitores: Tribunal para quê?

Este tema merece uma reflexão um pouco mais demorada.
Os direitos à justiça, ao trabalho, à saúde, à educação são direitos que consubstanciam a dignidade das pessoas e devem ser promovidos e realizados.
Se tudo se resumisse à formulação, então nada mais seria preciso fazer.
No entanto, para que tais direitos sejam usufruídos, é necessário uma organização que proporcione e permita essa usufruição. E isso faz-se com meios, que são escassos e exigem um aproveitamento muito criterioso. Por vezes, existem os meios mas, dado que as coisas devem ser feitas em tempo útil, é preciso que não medeie um ínterim demasiado longo entre a acção e a decisão-resolução. É precisamente o que acontece no direito aqui em causa: o direito à justiça.
Todos sabemos quão morosa tem sido a formulação e aplicação das decisões judiciais.
E é sobretudo por causa da morosidade que se tenta organizar os tribunais de modo a que sejam muito mais expeditos do que têm sido.
Por isso, se pensa em juntar os magistrados(procuradores e juízes) em poucos lugares, onde possam estar concentrados, se possam especializar , entreajudar, substituir, concertar métodos de simplificação e de celeridade.
Tudo para que a justiça possa servir quem deve servir: os cidadãos.
Se ficarmos presos a uma visão do século XIX, em que tudo se resolve com o isolamento dos magistrados(eles têm que saber tudo e decidir sobre tudo), com certeza que não avançaremos na rapidez necessária. Também noutros tempos era possível viver uma vida esperando pacientemente uma sentença. Nesses tempos, parece que a espera dava sentido à existência. Não é o que hoje se passa. Daí dizer-se que vale mais uma menos boa solução rápida que uma óptima solução demorada.
Talvez se compreenda, sem mais delongas, a urgente necessidade de mudar o status quo.
Que há que preservar afinal aos cidadãos? Uma só coisa: que ele não tenha que fazer grandes deslocações para obter a almejada justiça. E isso consegue-se com a preservação das instalações existentes para aí se realizarem os actos judiciais, deslocando-se os magistrados.
Afinal, a existência de uma comarca com magistrados próprios não é assim tão importante.
O essencial é que os tribunais funcionem e proporcionem justiça rápida e, se possível, acertada, acerto este que pode ser melhor conseguido havendo especialização dos magistrados.
Há honras e dignidades do passado que não são mais que isso: passado.
Mal de nós se tivéssemos que ficar presos a uma solução: ainda hoje viveríamos alegremente no castelo de Ansiães.
JLM

Estará Portugal a ficar sem Tempo? - Carlos Fiúza

Estará Portugal a ficar sem Tempo?

A Terra faz anos sem dar por isso. A mente dos homens foi que criou o Tempo.
E o Tempo é relativo, mas não admira, porque nós pensamos relacionando
Na nossa linguagem corrente, ano é um período de 365 ou 366 dias, segundo a divisão do calendário que seguimos.
Ano, originariamente, quer dizer anel, tanto assim que em anel está implícito um diminutivo latino “anellus”, anelzinho.
Quando dizemos “à roda do ano”, “na roda do ano”, lá temos a mesma ideia circular. E a mesmíssima ideia está em “círculo da vida”.
Quer dizer, a Terra gira, e nós com ela. E, como tudo desliza no anel da existência, convém ir fazendo as contas.
No fim dessas contas, estas voltas e reviravoltas são reflexo das voltas que o mundo dá.
E o mundo dá voltas, porque a grande lei universal é o movimento.
Eu estive a olhar para um calendário, daqueles que trazem doze quadradinhos, numa espécie de gaiola, onde se colocam esses passarinhos que são os dias. Os dias voam, e não voltam mais, no irremediável “never more”.
Que é um dia, que é um mês, que é um ano, que é um lustro, que é um século?
São produtos da reflexão dos homens, ao pensarem na relatividade da existência. Eles mesmos criaram essas gaiolinhas, esses passarinhos que voam para a eternidade, quando se abre a porta da gaiola, que é a passagem “desta para melhor”.
Quer quando nós fazemos anos, quer quando os faz a Terra, ao chamado “ano novo”, em qualquer desses começos da nova tirada no caminho da vida, como caminhantes, naturalmente ansiamos por que a jornada seja, no troço imediato, senão de todo livre de obstáculos (circunstância impossível), pelo menos mais suave da que na passada ladeira.
Em cada lanço, em cada ano, esperamos que o Tempo que segue, o ano novo, seja menos fadigoso.
Chegados ao cume da Montanha, a Vista, a Paisagem final dependerá do nosso ascender.
Aliás, todos os Escritores portugueses figuram quase sempre a vida como um caminho.
O nosso Épico já disse (Lus. I, 105):

“Oh, caminho da Vida nunca certo,
Que aonde a gente for gera esperança
Tenha a vida tão pouca segurança!”

É a esperança, com efeito, o melhor e, por vezes, o único amparo contra essa inegável insegurança do nosso viver. Por isso, o povo diz com belo otimismo - Enquanto há vida, há esperança!
Muita vez, diante de um infortúnio são estoutras palavras otimistas que nos consolam - Haja saúde!
Mas que é o Tempo? Sabe-se lá?!
Filósofos de todas as idades se gastaram na ânsia de descobrir o mistério do Tempo.
Para uns, o Tempo é a mudança contínua, o número do movimento… o segundo, o que será antes e o que vem depois; para Descartes, o Tempo é a duração dos acontecimentos; para Kant, não passa de uma forma a “priori” da sensibilidade, sem valor objetivo, imposta antes da experiência; para o relativista Leibniz, o Tempo é um sistema de relações fenomenológicas.
Quem tem razão? Talvez todos a tenham, porque, na transcendência problemática das definições filosóficas, há parcelas de verdade nas próprias contradições.
Filósofos somos todos diante dos mistérios da Vida.
Haja em vista o dito do nosso povo quando define o Tempo assim: “O Tempo é relógio da Vida!”
E é mesmo!
Aqueles que sorriram agora da minha ingenuidade (ou audácia talvez) de considerar aceitável a definição popular do Tempo, mantenham o sorriso, mas substituam a troça pela simpatia para com este dito do povo. De que o Tempo é o relógio da Vida me convenço eu, não só ao observar esse provérbio, senão também ao ler estas páginas profundas de A. Carrel, no livro revelador que é “O Homem, esse Desconhecido”.
Ao estudar o que chama o “Tempo Interior”, observa Carrel:
“Adaptamos geralmente essa duração ao tempo dos relógios, visto fazermos parte do mundo físico. As divisões naturais da nossa vida contam-se em dias e em anos… Mas podemos, inversamente, comparar o tempo físico com o fisiológico, e traduzir o de um relógio em termos de tempo humano. Produz-se assim um estranho fenómeno: o tempo físico perde a constância do seu valor; os minutos, as horas, e os anos tornam-se, em realidade, diferentes para cada indivíduo e para cada período da sua vida. Um ano é mais longo durante a infância, muito mais curto durante a velhice… Os dias da infância afiguram-se-nos muito lentos; os da maturidade de uma rapidez desnorteante. Tal sentimento tem talvez origem no facto de inserirmos, inconscientemente, o tempo físico no quadro da nossa duração. O tempo físico desliza com uma velocidade uniforme, ao passo que o ritmo da nossa duração diminui progressivamente… Talvez que a lentidão aparente do começo da vida e a rapidez do fim se devam ao facto de um ano apresentar, como se sabe, para uma criança e para um velho, proporções diferentes da vida passada…”
Tem ou não tem razão o grande cientista, o grande pensador Alexis Carrel?
E tem ou não tem razão o povo, ao dizer que “Tempo é relógio da Vida”?
O Tempo objetiva-se para cada um de nós por aquilo que os filósofos chamam a “persistência do eu”.
Pela Arca de Noé, vemos que o homem é o capitão da barca da vida. O que a gente pode pensar é que o homem se estragou com os vícios, entre os quais… a gula, pelas seculares intoxicações transmitidas de geração em geração.
(Aprendi uma vez que os corvos duram dois séculos, porque… não têm prisão de ventre. Se non è vero, è bene trovato).
Talvez a ânsia da eternidade explique, e desculpe, muita expressão ilusória, que seria loucura tomar à letra.
“Desde que o Mundo é Mundo…”
Outra prosápia dos homens!
Sabem lá eles desde quando o “mundo é mundo”?! Sabem lá eles a idade da Terra?!
É um gozo consultar a “opinião” dos cronologistas antigos e modernos acerca da idade da Terra.
- Segundo “L´Art de Verifier les Dates”, quando Cristo nasceu já eram decorridos 4963 anos!
- Segundo o cálculo de Ricciolli, a Vulgata dá-nos 4184 anos para além de Cristo!
- Os Chineses julgam-se por vezes com 2.276.476 anos!!!
E no entanto a história documental só começa, porém, 2000 anos antes de Cristo.
Diante destas incertezas, uma certeza se me impõe:
- Se se desse o impossível de não haver movimento, se tudo estivesse parado, não havia Vida, e não havia Tempo!

E assim a Terra se MOVE
… E assim, no meu Portugal,

- Haverá sempre VIDA!
- Haverá sempre TEMPO!


Carlos Fiúza

“A César o que é de César”.
O presente tema foi-me “soprado” pelo meu Amigo João Lopes de Matos.
Especulávamos, então (ao telefone), sobre o Homem… a Vida… O Tempo.