09 setembro 2010

Os roixinóis ceguinhos

Neste país adiado predomina a palavra. Possivelmente ainda virá o barulho, este a exigir um pouco mais de envolvimento, até que por fim restará um último gemido. Será o suspiro final.
Quem está capaz de discernir entre a palavra e a acção! Quem, como por exemplo no amor, prefere a palavra ao acto! Conheço quem tem vivido a transmitir a palavra do Senhor, mas são cada vez menos.
É pela palavra sonora que o político se impõe, mas já há quem valorize mais a aparência.
Usar a palavra deixou de exigir que se pense ou se saiba o que se diz.
Talvez por isso as palavras estejam tão gastas e desacreditadas. Será o prelúdio do tal suspiro final!?
Vem tudo isto a propósito dos rouxinóis ceguinhos, de que nos fala Augusto Gil e que eu tanto gostaria de saber se são verdadeiramente capazes de voar da prisão.

A BÁRBARA PALAVRA
Como a palavra é babara e ronceira,
Mísera e mesquinha!
É nela, como a moenda na peneira;
O pensamento, por mais alto e belo:
Cai a farinha,
Fica o farelo…

- Como se a garra adunca dum felino
Roçasse por um véu-
Se o pensamento for aéreo e fino,
Fica um farrapo o que a palavra deu…

Se nos quer dar as chamas da paixão
Que são como ígneas, crepitantes asas,
Muda em carvão
O que eram brasas…

Quer imitar o ledo amor dos ninhos
Que em manhãs d`oiro canta nos balseiros?
Dá-nos a voz dos rouxinóis ceguinhos
E prisioneiros…

25 comentários:

Anónimo disse...

Começo por apresentar desculpas ao autor do texto em causa, pelo facto de fugir à temática que ele aborda: “roixinóis [rouxinóis?] ceguinhos”. Seguidamente, dado tratar-se de um assunto extremamente importante, aproveito este meio de comunicação para divulgar este assunto que, segundo creio, compreenderão dada a pertinência do mesmo.

Quem é António Pinto de Sousa?

Será que isto é mesmo verdade'? SE É ESTAMOS MESMO MAL, ONDE IREMOS PARAR SE NÃO SE PÕE COBRO A ESTAS SITUAÇÕES. ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR? BOLAS!!!! É DEMAIS!!!!

ESTA TEM QUE SER DIFUNDIDA! BRADA AOS CÉUS...! SÓ NESTE PAÍS! SERÁ VERDADE? OU ALGUÉM INVENTA ESTAS NOVIDADES?

CUSTA-ME A ACREDITAR QUE A DESVERGONHA SEJA TANTA!!!!! Sabe quem é António Pinto de Sousa? Pois fique a saber que é o novo responsável pelo gabinete de comunicação e imagem do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência!(Os tachos que eles inventam!)

Este aqui é mais um todo poderoso. Tem competência atribuída para empossar quem quiser, independentemente da sua qualificação académica e profissional, para os cargos dirigentes do Instituto, contrariando os próprios estatutos do IDT.

E porquê o "Toni"? Perguntarão. Perguntam e perguntam muito bem.

É MESMO o irmão de José Sócrates. Esclarecidos? Eu também. SÓ QUE POUCA GENTE SABE QUE ESTE CAVALHEIRO SE TEM DESLOCADO A ESPANHA PARA TRATAMENTOS DA SUA PRÓPRIA DESINTOXICAÇÃO!

O Instituto não podia ter melhor imagem!!!!! Chama-se a isto reinserção social e é paga por todos nós!!!

Atenção não há ninguém que acabe com estes ladrões de tachos.

Saudações

OLHO VIVO

Carlos disse...

"Fica um farrapo que a palavra deu..."

Certa pequenita muito minha conhecida, quando tinha menos do que os seus três anos e pico de agora, a primeira vez que viu a chuva, chamou-lhe - cuspo, termo e facto que já conhecia.
Imaginou assim que, se estava a cair aquela água, era porque alguém a cuspia cá para baixo.
Posteriormente, já sabedora da existência do Deus-Menino, de quem se lhe falara em recente Natal, a miúda explicou de maneira diferente o fenómeno da chuva: é o Menino Jesus que deita água de lá de cima, da casa dele, no Céu.

Quando o conhecimento dos homens, em recuados tempos, era tão ingénuo como o desta criança, também atribuíam determinados fenómenos a entes que, à semelhança das pessoas, praticavam certas ações.

As línguas fazem-se com mil enganos dos homens.
Por isso, quando a pequenita chamou “cuspo” à chuva; e quando os antigos atribuíam aos deuses a origem de vários fenómenos; quando um poeta põe o “céu a gear a árvore”; a razão psicológica é a mesmíssima: a tendência para expressar uma causa produtora do fenómeno presenciado, e, portanto, a tendência para atribuir a verbos como “chover” um sujeito ainda que meramente aparente.

“Que coisa são os homens e as dignidades senão fumo? Fumo que sempre cega, e muitas vezes faz chorar. Que coisa é o vapor, senão um valor de pouca dura? Um raio de sol o levanta, e outro raio o desfaz. Que coisa é a fama, senão uma inveja comprada? Que coisa é toda a prosperidade humana, senão vento que corre todos os rumos? Se diminui, não é bonança; se cresce, é tempestade. Finalmente, que coisa é a vida, senão uma lâmpada acesa – vidro e fogo? Vidro, que com um assopro se faz; fogo que com um assopro se apaga. Estas são as glórias do vosso mundo…”.

Assim se expressou Mestre Vieira… quão atual está a sua palavra!

“Estas são as glórias do vosso mundo…”

Estes são os nossos “rouxinóis ceguinhos”, como bem sugeriu o poeta Augusto Gil…

Excelente texto este, de Helder Carvalho.
Bem construído… com “simbolismo” quanto baste.

"Majores plunas nido" (as asas são maiores que o ninho - Estácio).

Parabéns.
Carlos Fiúza

Carlos disse...

"Fica um farrapo o que a palavra deu..."

Majores plunas nido
(Maiores as asas que o ninho - Estácio)

Certa pequenita muito minha conhecida, quando tinha menos do que os seus três anos e pico de agora, a primeira vez que viu a chuva, chamou-lhe - cuspo, termo e facto que já conhecia.
Imaginou assim que, se estava a cair aquela água, era porque alguém a cuspia cá para baixo.
Posteriormente, já sabedora da existência do Deus-Menino, de quem se lhe falara em recente Natal, a miúda explicou de maneira diferente o fenómeno da chuva: é o Menino Jesus que deita água de lá de cima, da casa dele, no Céu.

Quando o conhecimento dos homens, em recuados tempos, era tão ingénuo como o desta criança, também atribuíam a determinados fenómenos a entes que, à semelhança das pessoas, praticavam certas ações.

As línguas fazem-se com mil enganos dos homens. Por isso, quando a pequenita chamou “cuspo” à chuva; e quando os antigos atribuíam aos deuses a origem de vários fenómenos; quando um poeta põe o “céu a gear a árvore”; a razão psicológica é a mesmíssima: a tendência para expressar uma causa produtora do fenómeno presenciado, e, portanto, a tendência para atribuir a verbos como “chover” um sujeito ainda que meramente aparente.

“Que coisa são os homens e as dignidades senão fumo? Fumo que sempre cega, e muitas vezes faz chorar. Que coisa é a privança, senão um valor de pouca dura? Um raio de sol o levanta, e outro raio o desfaz. Que coisa é a fama, senão uma inveja comprada? Que coisa é toda a prosperidade humana, senão vento que corre todos os rumos? Se diminui, não é bonança; se cresce, é tempestade. Finalmente, que coisa é a vida, senão uma lâmpada acesa – vidro e fogo? Vidro, que com um assopro se faz; fogo que com um assopro se apaga. Estas são as glórias do vosso mundo…”.

Assim se expressou Mestre Vieira… quão atual está a sua palavra!

“Estas são as glórias do vosso mundo…”
Estes são os vossos “rouxinóis ceguinhos”, como bem sugeriu o poeta Augusto Gil…

Excelente texto este, de Helder Carvalho.
Bem construído… com “simbolismo” quanto baste.


"Majores plunas nido" (as asas são maiores que o ninho - Estácio)

Parabéns.

Carlos Fiúza

Carlos disse...

"Fica um farrapo o que a palavra deu..."

Majores plunas nido
(Maiores as asas que o ninho - Estácio)

Certa pequenita muito minha conhecida, quando tinha menos do que os seus três anos e pico de agora, a primeira vez que viu a chuva, chamou-lhe - cuspo, termo e facto que já conhecia.
Imaginou assim que, se estava a cair aquela água, era porque alguém a cuspia cá para baixo.
Posteriormente, já sabedora da existência do Deus-Menino, de quem se lhe falara em recente Natal, a miúda explicou de maneira diferente o fenómeno da chuva: é o Menino Jesus que deita água de lá de cima, da casa dele, no Céu.

Quando o conhecimento dos homens, em recuados tempos, era tão ingénuo como o desta criança, também atribuíam a determinados fenómenos a entes que, à semelhança das pessoas, praticavam certas ações.

As línguas fazem-se com mil enganos dos homens. Por isso, quando a pequenita chamou “cuspo” à chuva; e quando os antigos atribuíam aos deuses a origem de vários fenómenos; quando um poeta põe o “céu a gear a árvore”; a razão psicológica é a mesmíssima: a tendência para expressar uma causa produtora do fenómeno presenciado, e, portanto, a tendência para atribuir a verbos como “chover” um sujeito ainda que meramente aparente.

“Que coisa são os homens e as dignidades senão fumo? Fumo que sempre cega, e muitas vezes faz chorar. Que coisa é a privança, senão um valor de pouca dura? Um raio de sol o levanta, e outro raio o desfaz. Que coisa é a fama, senão uma inveja comprada? Que coisa é toda a prosperidade humana, senão vento que corre todos os rumos? Se diminui, não é bonança; se cresce, é tempestade. Finalmente, que coisa é a vida, senão uma lâmpada acesa – vidro e fogo? Vidro, que com um assopro se faz; fogo que com um assopro se apaga. Estas são as glórias do vosso mundo…”.

Assim se expressou Mestre Vieira… quão atual está a sua palavra!

“Estas são as glórias do vosso mundo…”
Estes são os vossos “rouxinóis ceguinhos”, como bem sugeriu o poeta Augusto Gil…

Excelente texto este, de Helder Carvalho.
Bem construído… com “simbolismo” quanto baste.


"Majores plunas nido" (as asas são maiores que o ninho - Estácio)

Parabéns.

Carlos Fiúza

Anónimo disse...

quem tem vivido a transmitir a palavra do Senhor é o JLM que afinal é um ex-sacristão...
AMP

Anónimo disse...

Neste País já são poucos os que têm palavra,por isso pouco pode haver entre a dita palavra a acção.
Hoje já ninguém prefere a palavra ao acto ,por isso os actos são o qu vêmos.Como ser muitos a seguir a PALAVRA DE DEUS se quem a transmite não a vive.Claro que hoje é pela palavra que o politico se impõe,dando valor apenas`à aparência e desvalorizando quantas vezes a competência,mas lá está é a "PALAVRA DO POLITICO".
Resumindo:-
Vivemos num País onde a palavra cidadania se desconhece e até os valores da FAMÍLIA infelizmente estão a dar o tal "SUSPIRO FINAL".

Anónimo disse...

Também lhe podemos chamar TOUPEIRAS e porquê?.
Porque estas vivem debaixo da terra,sendo assim enterradas,e a nossa situação qual é,não é enterrados?.

Anónimo disse...

A pouco menos de um milhar de quilómetros de Carrazeda, permita-me o prezado amigo HC discordar, desde logo, da primeira frase epigrafada pelos "rouxinóis ceguinhos". Mas, sobretudo, discordar do mau uso (pessimismo?)que dá à palavra, sabendo nós, que ela, só por si, pouco vale e ainda por cima, condicionando-a a um Augusto Gil, um neo-romântico nacionalista que foi "beber" à rígida escola de Parnaso, embora tendo tido depois alguma influência dos Simbolistas franceses, paradigmatizados, principalmente, por Mallarmé e Baudelaire... Não! A palavra, se quisermos glosá-la, terá que ser devidamente contextualizada para assim se dispor dela no extraordinário mundo da semântica (o mundo da criação literária...). Bem sei que o HC apresenta a palavra contextualizada na composição poética de Augusto Gil, mas, como disse, esse não é o melhor exemplo, pelas razões que apresentei. Desculpe, mas isto é apenas um pequeno exercício de entretenimento que o seu texto me suscitou.
Um abraço amigo.
h.r.

Helder Carvalho disse...

Salvo o erro

Neste exercício de hermenêutica que Hélder Rodrigues e Carlos Fiúza fazem do meu texto conta o que menos me interessa, apesar da consideração e elogios que me dispensam.
Hélder Rodrigues escreve-nos do Céu que é precisamente a 1000 quilómetros de Carrazeda. Trata-se por conseguinte de falar da Terra, no Céu. Longe portanto da realidade que nos circunda e atrofia ao ponto de andarmos a cultivar “ devaneios mentais”.De resto Hélder Rodrigues conclui considerando que “isto é apenas um pequeno exercício de entretenimento”( influências parnasianas?).
Ora apesar do estilo simbolista eu apenas pretendo chamar a atenção para as realidades que julgo conhecer.
È assim que malgrado a qualidade e o conteúdo do texto de Carlos Fiúza, que muito me agrada também pelo simbolismo, me permito questionar:
- Será que o conhecimento dos homens será hoje tão amplo que terão desaparecido todos os ingénuos!?
- Se ainda os houver, quem cuidará dos ingénuos e dos inocentes!?
- Será que António Vieira teria proferido tão belos sermões se estivesse com dores de estômago!?
- Será que estamos conscientes da realidade que nos rodeia ao ponto de considerarmos que é pela utopia e pelo verbo que vamos!?
Neste ponto, se o amigo Hélder Rodrigues mo permite, peço-lhe um contributo. Atendendo ao lugar privilegiado que tem, porque não dar-nos aqui, de vez em quando, uma ideia das decisões que se tomam na Assembleia Municipal, ao serviço da nossa carente comunidade.
Grato pela vossa paciência me subscrevo.

Carlos disse...

Ingenuidade ou utopia – alternativa?

Esta palavra (alternativa) ocorre na linguagem corrente sem o rigor que lhe exige a expressão filosófica.

Alguém redigiu: “escolher uma destas alternativas”.
E alguém indagou: “Em vez destas duas alternativas” não deverá dizer-se - “um dos termos desta alternativa” ou coisa semelhante, por exemplo, “um dos elementos desta alternativa?”

Em Lógica, “contraditórias” são as proposições que afirmam ou negam o suficiente para destruir a proposição oposta.

E chama-se “alternativa” à afirmação, segundo a qual entre duas contraditórias, se uma é verdadeira, a outra é falsa.
Isto no rigor da terminologia filosófica.

Porém, na linguagem fluente, natural, emprega-se “alternativa”, adjetivamente, na referência
“àquilo que se diz ou faz com alternação”.

Assim, por exemplo, os movimentos de sístole e diástole da circulação são “alternativas”.

Isto é, por uma espécie de amplitude semântica, “alternativa” pode empregar-se a designar cada um dos conjuntos de factos, coisas ou partes contraditórios.

Em suma: na filosofia, a “alternativa” consta de duas contraditórias.
Mas, sendo “contraditórias” termo demasiado filosófico, em expressão corrente realiza-se uma metonímia e emprega-se o conjunto pelas partes.

Se tudo na Terra fosse” lógico”
existiria vida tal como a conhecemos?

Sem o “ilogismo aparente" dessa mesma Terra haveria Homem? E se o houvesse, seria como é?

Se o próprio Homem não tivesse os seus ”ilogismos”… não seria um “ser não livre”?

Se tudo fosse lógico…
qual a lógica da “alternativa”?

Terra/Céu
Realidade/Devaneio/Utopia
Palavra/Aparência


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

Deixando de lado parnasianos e simbolistas (pelo que vejo, parece que não são contas do seu rosário e muito menos música para os seus ouvidos), atentemos no seu último parágrafo onde avulta um seu pedido de contributo para divulgação das "decisões que se tomam na Assembleia Municipal": ora bem, o amigo HC sabe muito bem que as sessões da Assembleia são abertas ao público (por acaso nunca o vi lá) e as respectivas actas são igualmente acessíveis ao público, quer em papel exposto no átrio da câmara municipal quer no site desta. Como vê, e com muita pena minha, não há necessidade de eu satisfazer o seu pedido. De qualquer modo, o pai natal não tardará aí para satisfazer mais pedidos...
h.r.

Helder Carvalho disse...

Ficou-me a leve sensação de que o amigo Helder Rodrigues se abespinhou comigo. Eu que admiro tudo o que ele tem em si de bom.
H.R. sabe que não é do meu âmbito o conhecimento de escolas literárias, por isso diz muito bem que “ não são contas do meu rosário…”.
Se repararem só por descuido costumo abordar temas que julgo não serem alusivos aos objectivos do Blog –“Pensar Ansiães”. Não é aqui que exibo o Ego ou massacro quem me lê com temas da minha especialidade.
H.R. esforça-se por me informar sobre como procurar as súmulas das reuniões de Assembleia Municipal. Efectivamente o meu convite propunha tão-somente que ele considerasse este espaço como um local onde pudéssemos tomar conhecimento, também por ele, das dinâmicas da nossa Assembleia, das discussões acaloradas, do fervilhar de ideias, do confronto de opiniões. Por exemplo um dos temas na ordem do dia é o da Barragem / ou não, no Rio Tua. Para mim teria sido gratificante ter sabido, pelo próprio, das reacções acontecidas quando H.R. exprimiu a sua comparação dos comboios do Tua com os dos vales suíços.
Estou certo que “noutro contexto” H.R., porque o conheço, saberá corresponder às suas obrigações, quando solicitado para tal. H.R. não costuma relegar para o pai natal as suas responsabilidades.

Anónimo disse...

caro amigo HC,
abespinhado?! eu?! Ao longo da vida vida deste utilíssimo e pertinente blogue tenho sido um dos mais entusiastas apreciadores da sua prosa incisiva, de farpas bem afiadas e direcionadas e disso já tenho feito eco... Não, amigo. Tal como disse, apeteceu-me, a esta grande distância em que me encontro, de momento, da capital da boa maçã, do bom vinho e do bom azeite (já para não falar da boa "tchitcha"), brincar um pouco, em "pequeno (e inofensivo) exercício de entretenimento", isto é, parafraseando HC, encontro-me a falar do céu e, como sabe, daqui é capaz de ser um pouco difícil enchergarmos logo a tal realidade a que o amigo HC (valoroso escultor) se refere.
Abraço.
h.r.

João disse...

Eu,que ,como diz AMP, sou ex-sacristão,vou deitar um pouco de água-benta na fervura.
Este aparente desentendimento entre os dois H.s não é mais que um exercício de fortalecimento da amizade que os une.
É assim mesmo:a amizade fortalece-se na luta(de ideias e de argumentações).
É,aliás, prática corrente em Carrazeda a prova da amizade.Quando ela é mesmo forte resiste a todas as provações.
Procede-se do seguinte modo carrazedense: -Primeiro,põe-se à prova a resistência da amizade aos ataques morais(inventam-se factos,insinuam-se fraquezas,jogam-se intimidações,chamam-se nomes feios). Se a amizade resiste a tudo isto,passa-se ao domínio das agressões físicas(grandes bofetões,palmadas no pescoço,queimar os braços com cigarros acesos,pontapés nas canelas até estas sangrarem de modo bem visível).
Se a amizade resiste a tudo isto,então é porque a amizade é sólida,profunda,indestrutível.
Os dois não precisam de ir tão longe porque sei que a vossa amizade a tudo resiste.
Parece que esta maneira de pôr à prova a amizade está a ser posta de lado com a mudança de presidente,dado o "low profile" do actual.
Sempre quero dizer a HC que é natural que HR queira mostrar os seus conhecimentos,adquiridos numa altura em que já não pôde fazer uso deles na escola.
Por outro lado,HC,onde quer ir com toda a sua vontade de acção?
JLM

Helder Carvalho disse...

O Blog está cheio de gente generosa. E eu é que lucro. Julgo que veio tudo a propósito dos “rouxinóis ceguinhos” (que devia ter colocado entre aspas). No caso, e possivelmente, fui eu próprio o primeiro a introduzir um tema para o qual se não encontrou relação com os objectivos deste Blog. Também pode ser verdade que na minha actuação outros venham percebendo intenções, que não as de contribuir para “ pensar Ansiães”. A questão é simples. A pensar na minha terra, tento vender ideias que ninguém quer e nada valem, porque não são concretizáveis. Percebe-se que muitos se admirem deste gesto que consideram quixotesco. Podia-me sentir envergonhado ou triste, mas com algum esforço consigo imaginar alguem ainda mais infeliz, por exemplo um “rouxinol ceguinho”.

Carlos disse...

A Catarse do “Rouxinol Ceguinho”.

Era uma vez um Capitão da França que veio em campanha para Portugal.
Chamava-se Chamilly. E viveu por cá durante uns três anos.

Por esse tempo havia em Convento de Beja certa freira chamada Mariana Alcoforado.

Regressado a França, o tal Capitão deve ter-se gabado de amores em Portugal.

Vai daí um livreiro francês combinou com certo literato uma verdadeira patranha literária: inventaram-se “Cartas” de amor, escritas pela Freira portuguesa ao oficial francês.

E assim Soror Mariana Alcoforado, a “Religiosa Portuguesa”, a “Freira de Beja”, ficou tristemente célebre por se lhe atribuir a autoria de “Cartas” de amor, dirigidas a um oficial de França.

Verdadeira trapacice essa das cartas amorosas entre uma dama religiosa de Portugal e um cavaleiro de França!
A ficção foi tão escandalosa que até se inventou a resposta amoruda do francês: “Réponse aux letttres Portugaises”!!!

Vem isto a propósito do bem-humorado comentário de João Lopes de Matos sobre a amizade “carrazedense”.

Se, com efeito (e que provas tenho eu para duvidar?) a amizade se “desenvolve” à canelada, à biqueirada, à cigarrada… o que será a “não amizade”!?...

Estranha forma esta de “querer ao meu amigo”
… Inimigos, para quê?
“Elogia-se” (no comentário) a intensidade expressional da ”amizade” em Carrazeda como um “exercício de fortalecimento da amizade”!!!
Se assim é (e mais uma vez não tenho que duvidar) … para quê as outras milhentas cartas de “amor”?
Ardentes documentos como as pseudo “Cartas da Freira” há como fartura no Reino do Deus Cupido!…

Tudo isto faz me lembrar uma certa catarse!!!

Pobre rouxinol… não lhe bastava ser “ceguinho”!?

Carlos Fiúza

P.S. Parabéns a JLM pela “boa risada” que dei… “ubi bene, ibi pátria”!

Helder Carvalho disse...

Ainda a propósito de rouxinois

Uma introdução em que pedia que me fosse reconhecida sinceridade para dizer que tenho admirado e aprendido que as intervenções de Carlos Fiúza, ao qual venho reconhecendo erudição e sentido crítico.
Talvez por isso me admiro agora ao vê-lo glosar sobre as apreciações que João Matos nos dá da amizade “ carrazedense”. Respeitador de João de Matos, já não sei se deva dizer “amigo”, tem-me desapontado a leveza que aqui vem fazendo as suas apreciações. Talvez eu tenha colocado a fasquia demasiado alta, ou então, outro sintoma ruim se manifesta, que lhe turva os sentidos.
È assim que não consigo rir-me da “água benta” com que me asperge. Mas se efectivamente para alguns o objectivo é divertirem-se podiam propor ao administrador do Blog para, por exemplo se oferecer aqui também “discos pedidos” ou leituras na “hora do conto”. No meu caso só teria que decidir o que é mais importante, se dedicar este tempo ao Blog, se á família e ao trabalho.
Nota: Muitos dos que me lerem, só encontrarão no título uma relação com os objectivos do Blog. As minhas desculpas.

João disse...

A amizade a que me refiro não lhe diz respeito,caro HC,referindo-se a um entendimento da amizade,que eu sempre condenei mas que muita gente entendeu como correcta.
Quando falo em carrazedenses,nem todos os carrazedenses estão incluídos e,felizmente, com a mudança de presidente,está a desaparecer esse entendimento de amizade, porque o actual presidente tem,parece-me, formação mental mais sã.
JLM
De qualquer modo,agradeço-lhe que não tenha grandes expectativas a meu respeito.
JLM

Carlos disse...

Gesto e palavra

Como toda a gente sabe por experiencia própria e alheia, a linguagem não é só a expressão falada ou escrita, porque outro meio de expressão existe - a linguagem “gesticulada” ou “mímica”.
“Mímico” vem do grego “mimikós”, isto é, concernente à imitação, “mimos”.
O gesto é, pois, imitação, porque estes “mimos”, o nosso “imitar” e palavras cognatas relacionam-se com uma raiz etimológica significadora de imagens, representação.
Tudo isto se percebe lindamente, sem esforço. Olhemos para o nosso corpo.
Dois penduricalhos muito úteis são os braços - suponho que toda a gente concorda nisto.
Ora, os primeiros homens que andaram cá pela Terra com certeza repararam na utilidade braçal para situar “mimicamente” qualquer coisa.
O Homem estende o braço e, quer queira quer não, põe-se a indicar, a mostrar, a delinear o que fica à frente, ao lado ou na direção que o braço tomar.
Aí temos a intuição primeira da linguagem gesticulada - indicar.

Que é indicar?
Imaginemos um homem dos primitivos à procura de alimentos.
Esse homem primitivo, ao mostrar ou ao querer participar a outro, seu companheiro, que algures encontrava algo para comer, ou água, ou qualquer coisa, que fazia? Decerto estendia o braço a indicar, a mostrar, a dizer, a apontar.
Todas estas considerações, e outras que poderia fazer, mostram que a linguagem falada ou mímica acompanhou o homem desde que o mundo é mundo.
Quanto mais uma pessoa tem dificuldade em se exprimir, tanto mais recorre ao gesto.
Deve ser por isso que um indivíduo aflito, a gritar por socorro, braceja doidamente.
Quem vai a um desafio de futebol vê que ao grito de “golo!” corresponde um levantar de braços, porque levantar os braços desoprime o peito do entusiasmo asfixiante.
Evidentemente que, fora de tais expansões, a civilização, a delicadeza, a sociabilidade polida exigem comedimentos de gestos.

Todo este arrazoado nada mais pretende significar do que isto: Nem todas as pessoas se “exprimem” da mesma maneira…
Não quer isto dizer que ajam mal; antes pelo contrário… a sua “exteriorização” é que é diferente!
Se, para alguns homens, o “coração está ao pé da boca”, para outros isso não acontece…
Será por dissimulação, racionalismo do politicamente correto… ou por temperamento?

João Lopes de Matos tem o seu “temperamento”, próprio, intrínseco, só dele… gostemos ou não, é honesto no seu dizer. Mas é ele mesmo, com todos os seus defeitos e qualidades… o que é uma virtude!
Ao contrário de muita gente, não “gesticula” (não precisa de recorrer ao gesto, à imitação!), não “improvisa” … não dissimula! – uma virtude ainda mais rara!

Confesso que glosei com o seu comentário sobre a “amizade em Carrazeda”… mas fi-lo sem intenção ofensiva; fi-lo por me ter verdadeiramente divertido com os considerandos.

Meu caro HC,
tenho estima por si, mesmo não o conhecendo… tenho estima pela sua coragem em dar a cara por uma “luta” em que acredita!
E isso é sempre um ponto de honra a seu favor!

Sou um “outsider”, não tenho competência para “abraçar a sua luta em particular” (a linha do Tua)… mas admiro-o por isso e digo-lhe: se verdadeiramente acredita - vá em frente!

Se eu fosse rouxinol, quiçá preferisse ser “ceguinho”… mesmo se aparentemente “infeliz” para o exterior, o meu interior estaria mais puro, mais imune ao “ruído” circundante… e, assim, talvez a minha voz fosse mais “audível” (quanto mais não fosse para outros “rouxinóis ceguinhos”, como eu).


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

CONVERSA ESCUTADA ENTRE DOIS SENHORES NA MESA DE UM CAFÉ SOBRE O QUE SE ESTÁ A PASSAR NA CÂMARA DE CARRAZEDA DE ANSIÃES.
Quando me sentei já eles estavam a conversar,o que disseram antes não sei como é óbvio,apenas passo a contar o que houvi porque estando perto da mesa deles não sofrendo de surdêz tinha mesmo que ouvir o que eles diziam.
Vou identificá-los por A e B.
Dizia o A.-
Francamente não sei o que vai ser desta Câmara,cheia de dívidas,não há dinheiro,o Senhor Presidente entrou com tanta vontade de trabalhar e agora não vejo nada,não sei mesmo onde vamos parar.Dizem que lá dentro ninguém se entende,que anda tudo num rebotilho,uns contra os outros ,olha já não sei mesmo,até a maior parte das pesoas já se aperceberam que não é o Presidente que manda ,não sei mesmo o que pensar e dizer.
Responde o B:-
Também já ouvi mais ou menos o mesmo,sabes o que é isto,é que o Senhor Presidente pensava que ser Presidente de uma Câmara era o mesmo que ser presidente da Junta do Vilarinho que é a maior aldeia do Concelho,era a que levava a maior fatia e era também a que dava as vitórias ao PSD.Só que estar à frente de uma CÂMARA é diferente e depois com a crise que se instalou ainda é pior.Agora dizias tu que não é ele que manda,acredito e até concordo contigo pois como ele não tem certos conhecimentos quem acaba por mandar é o DR e ele tem que se sujeitar porque precisa dele.
Diz o A:-
Ó Pá,mas ele não foi até Presidente de Assembleia Municipal,foi Presidente de Junta de Freguesia tantos anos,lidava tanto co o ex-Presidente é uma pessoa formada,não me digas que ele se sujeita assim ao DR.
Responde o B:-
Digo-te porque essa é a grande verdade e também te digo que esse DR não é cravo que se cheire.
Diz o B:-
Bem,sendo assim isto qualquer dia dá tamanho estouro que lá vai o Concelho de Carrazeda para o ar.
Disse-lhe o B:-
Assim sendo já não tenho dúvidas.Olha vamos andando e logo veremos o que daqui vai saír.
Vamos pedir à nossa PADROEIRA SANTA ÁGUEDA QUE LHES ILUMINE A MENTE PARA O BEM.

João disse...

Caro HC:
Chego,por vezes, à conclusão de que o sr.escultor pensa que tudo gira em seu redor.O que se diz,se escreve,se fala,tudo é dirigido a si,porque se julga o centro do mundo.
Acontece que não é nada assim.
Lembra-se de eu uma vez lhe haver recomendado que se esquecesse do passado?
Pois é.Agora fui eu que caí na cisma que criticava em si.
O senhor não falava em mais nada que não fosse o Exmo Senhor saudoso Presidente ,tão seu amigo.
Eu estou na mesma.Não consigo pensar em mais nada a não ser o comum amigo senhor Ex-presidente e mais as suas teses,sobretudo a sua tese da amizade(e dos seus fièis amigos).Segundo ele,a amizade existe verdadeiramente apenas quando uma pessoa ofende verbalmente os seus amigos e é igualmente ofendido por eles,quando uma pessoa bate com violência nos amigos e se deixa igualmente bater por eles.
Era essa tese que eu queria contestar e que,como vê,nada tem a ver consigo.
Como é possível o Senhor não ter entendido isto?
Percebe agora de que carrazedenses falo?Muitos.Todos aqueles que acharam durante tanto tempo que esta tese estava certa.
Os meus cumprimentos.
JLM

Anónimo disse...

E se os comentadores do Blogue participassem nas reuniões de Câmara e dissessem lá o que dizem aqui?.
Eu acho que o Público também pode assistir,então aí questionavam o Senhor Presidente e seus Vereadores assim como também a Oposição.
Aqui fazem-se reparos mas depois ninguém lhes dá resposta.
No fim eles até ainda gozam de alto com os comentários.
Tentem fazer a experiência.

Anónimo disse...

"com a mudança de presidente,está a desaparecer esse entendimento de amizade, porque o actual presidente tem, parece-me, formação mental mais sã."

Ao JLM:
Opinar sobre a "formação mental" das pessoas é pouco ético. Cuidado com a avaliação de carácter, pois esse é um caminho muito sinuoso e perigoso.

João disse...

Caro anónimo de 19,04:4200PM:
Tem razão.Reconheço que não é muito ético.
Só tenho uma explicação:o enervamento que me causaram certos factos,que fizeram com que eu tivesse perdido a minha normal(e até cuidadosa) contenção.
JLM

Anónimo disse...

Caros anónimos, o que reina naquela casa, salvo raras excepções, é o pelotão e o "modus operanti" do SISTEMA que alguém aí instalou.