29 setembro 2004

A desonestidade compensou!!!

Pela primeira vez desde o primeiro ano de trabalho, cerca de 24 anos volvidos, não fui colocado no quadro da zona pedagógica de Bragança. Do número 89 da lista graduada no ano lectivo anterior passei neste para mais de 500. Razão: opus-me a usar métodos incorrectos, apresentar um atestado médico a simular doença incapacitante ou de ascendente ou descendente directo como o fizeram mais de 60% dos meus colegas de 1.º Ciclo. Fui aconselhado por alguns, entre os quais o meu sindicato a usar este ardil, pois a grande maioria estava a utilizá-lo, porém sempre acreditei na transparência e lisura de processos, pois sou educador e estes são valores fundamentais do acto educativo! Estava redondamente enganado, colegas tão ou mais saudáveis, com muito menos anos de serviço e graduação académica ultrapassaram-me. Um qualquer médico menos "atento" ou sem escrúpulos possibilitou-lhes este expediente manhoso que foi um simples artifício para obter boa colocação, para prejuízo de milhares de professores e de muitos outros que necessitariam, por razões de saúde desta especificidade. Da entidade patronal, o Ministério da Educação, a garantia de fiscalização redundou em nada. O que interessava era começar o ano lectivo, quando o mais lógico e justo seria suspender o destacamento por condições específicas nos distritos em que claramente os números indiciavam ilegalidades e situações menos claras. Dos sindicatos nem uma palavra para esta abominável situação, numa atitude corporativista e intolerável. Da ordem dos médicos nem o mais pequeno passo para uma investigação, quando os indícios são mais que óbvios.

Grande lição aprendemos: A desonestidade compensa.

Este malfadado concurso de professores, foi coroado de uma indignidade perversa sem memória em concursos públicos.

27 setembro 2004

Ano negro no Instituto Politécnico de Bragança

"2004-2005 é o ano lectivo mais negro do Instituto Politécnico de Bragança. Das 1713 vagas abertas na primeira fase de acesso ao Ensino Superior, o IPB só conseguiu preencher 929, o que resulta numa taxa de ocupação de 54 por cento...
...A ESAB é a segunda escola com piores resultados. Das 230 vagas abertas, apenas 95 foram preenchidas, o que representa um índice de ocupação de 41,3 por cento. Na ESTiG-Mirandela o cenário não é mais risonho, pois só foram colocados 151 alunos, num total de 310 vagas."

in http://www.ocomerciodoporto.pt/

A fiscalização das uvas...

... está a decorrer na presente campanha. Encontrei uma brigada no cruzamento de Vila Flor, a 2 Km da vila. Que estarão ali a fiscalizar? Os carros que se chegam à Cooperativa. Provarão as uvas? Naquele local como sabem a proveniência das uvas. Passados minutos todos os eventuais prevaricadores saberão e desviar-se-ão. Será assim que se faz fiscalização? A notícia está no portal do Espigueiro
"Cinco brigadas de fiscalização do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) estão no terreno em toda a Região Demarcada do Douro, com o objectivo de detectar algumas irregularidades nas vindimas que estão a decorrer. ...
As acções de fiscalização são coordenadas e executadas pelo IDVP com o apoio das Brigadas de Fiscalização Económicas e com a GNR. Os dez efectivos desta Brigada Especial têm competência para levantar autos e estão equipados com rádios e em permanente contacto com um jurista para qualquer consulta que seja necessária."
http://www.espigueiro.pt/noticias/7c0f63c15f8749d716ba1ac9121cc1a8.html

26 setembro 2004


funcionário público com a nova lei da aposentação

GNR apoia mulheres vítimas de violência

Infelizmente esta é uma situação que prolifera um pouco por todo lado. Há casos que não estão contabilizados porque o medo e vergonha não deixam sair as queixas das quatro paredes do lar. A violência do lar é um crime público que não pode ser calado. Li no Jornal do Nordeste em http://www.jornalnordeste.com/noticias/completa.php?id=306&PHPSESSID=d6e53b858df6b761c0d309278f20711b :
"Estão a ser investigados dez casos de violência doméstica em Bragança. Crime tem mais incidência no mundo rural.
O distrito de Bragança já dispõe de um Núcleo de Apoio a Mulher Menor (NAMM). Trata-se de uma especialização da Guarda Nacional Republicana, criada para lidar com casos de violência doméstica e infantil e, também, com idosos, que foi posta em prática em Julho passado.O projecto, inserido na Secção de Investigação Criminal do Grupo Territorial nº 4, conta com duas agentes da GNR, que vão fazer a cobertura em todo o distrito de Bragança."

Concurso de professores: atestados "ilegais" ou a desonestidade compensa?

O grande número de atestados médicos apresentados pelos professores nos novos concursos deste ano indicia ilegalidades e adultera a lista de graduação profissional, pois todos que os apresentaram têm prioridade sobre os outros na colocação, bem como prejudica aqueles que de direito reúnem as condições para tal. O número de pedidos de destacamentos por condições específicas (doença incapacitante) apresentados fala por si: em Vila Real, Chaves e Portalegre cerca de 80% dos candidatos, em Bragança mais de 50%, em todo o país 8985 docentes (Público 14 de Setembro), quase um quinto de total de 50 000 que concorrem nos quadros de zona pedagógica estão incapacitados. Está posta em causa a justiça na colocação dos docentes, há indícios fortes de fraude e poder-se-á concluir que deixou de ser necessário o mérito, pois bastará este expediente manhoso.
A eventual utilização fraudulenta da figura do destacamento deveu-se a diversos factores que contribuíram para a trapalhada geral que presidiu à implementação do novo articulado legal de colocação de professores.
1. Os processos foram apresentados nos agrupamentos que aceitaram todas as situações, mesmo aquelas que a legislação não contempla. Se tivesse havido aqui uma primeira triagem, muitos casos seriam imediatamente indeferidos.
2. O destacamento para obter condições específicas contempla os docentes que sejam portadores de doença incapacitante nos termos do Despacho Conjunto n.º A-179/89-XI, de 12 de Setembro, publicado no Diário da República, II série, n.º 219, de 22 de Setembro de 1989. A nova legislação abriu o leque de critérios para pedir o destacamento por condições específicas, o Decreto-Lei 35/2003 (que legisla sobre os concursos) permite, nomeadamente, pedir o destacamento também no sentido do apoio a ascendentes, enquanto anteriormente estava limitado aos descendentes.
3. O conjunto de doenças invalidantes é ele propício a duplos sentidos, pois muitas das enfermidades referenciadas, como ouvimos noticiado, reportam a doenças de coluna, hipertensão, otites, asma, distúrbios do sistema nervoso e outros tais que contabilizados e aberto o leque a familiares perspectivariam ser incluídos a quase totalidade da população docente portuguesa.
4. A insegurança e instabilidade profissional, aliada ao “nacional desenrascanço” e à “esperteza saloia” dos portugueses, transformaram este processo numa bola de neve. Uns foram encorajados pelos outros. Algumas escolas e estruturas sindicais estimularam o método e em muitos consultórios médicos devidamente sinalizados encheram-se de bichas para responder a todas as “necessidades”, engordando os bolsos. Fala-se de alguns terem emitido mais de meia centena de atestados a pedido e no espaço de algumas horas.
Esta situação, confirmadas as suspeitas, é muito injusta e intolerável e poderá ter deixado de ser prioritária, para os serviços de inspecção do ministério da educação, a rigorosa avaliação de todos os casos, pois agora o que interessa é iniciar o ano lectivo e desta forma afrouxar-se e até abandonar-se a fiscalização necessária.
Se neste processo de concurso, como o afirmou David Justino houve um pouco de tudo “negligência, desorganização e incompetência” (Expresso) e erros “imperdoáveis” (Público), confirmada esta nova realidade, acresce tornar-se também numa indignidade perversa sem memória em concursos públicos.

24 setembro 2004

Qual é a utilidade da Câmara Municipal?

Se para recolher os lixos, foi preciso contratualizar uma empresa privada.
Se os serviços de água, um sector chave do município, foram entregues a uma empresa de capitais privados tendo em consequência aumentado as tarifas e diminuído a qualidade.
Se qualquer arranjo ou obra nas vias municipais se recorre às empresas privadas, pois o parque de máquinas é inexistente e os funcionários a elas adstritos não operam qualquer veículo.

...
É caso para perguntar, para que serve a Câmara Municipal?

a fonte Bieita

Ontem cruzámo-nos com a equipa de reportagem da SIC, que mais uma vez, vem fazer uma reportagem sobre a fonte Bieita de Misquel, mas vejamos o que sobre ela se diz nas “Memórias de Ansiães”

No limite do lugar de Misquel, freguesia de Parambos, junto do Ribeiro, há uma Fonte.
A água tem uma virtude particular para doenças, em especial das crianças. Aí acorrem pessoas de todos os lugares.
Esta fonte chama-se Fonte Bieita e é uma palavra muito antiga. Tem origem na benção de Frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga. Depois de benzida, a água da Fonte começou a ter muita virtude.(Adaptado)

22 setembro 2004


Uma família "às direitas". Alvíssaras para quem os identificar. "All in Family" todos os dias às 22.30h na SIC Gold. A não perder.


Alguém se recorda da maior árvore do nosso concelho? O negrilho da Selores!

21 setembro 2004

Más acessibilidades impedem desenvolvimento do interior

"O melhoramento das acessibilidades tem sido a grande exigência dos autarcas transmontanos, que vêm na construção de novas estradas o grande e principal passo a dar para desencravar Trás-os-Montes e Alto Douro.As más acessibilidades que caracterizam a região são apontadas por muitos como as grandes culpadas do isolamento e desertificação do interior Norte e do seu débil tecido económico e empresarial. O Governo continua a ser acusado de “dívidas” antigas, de “falta de vontade política” e de “abandono” do interior. E, apesar de todos reconhecerem que a situação actual é “injusta” e que o melhoramento das vias é uma prioridade, a verdade é que está praticamente tudo na mesma. Um exemplo é o distrito de Bragança, o único no país que continua sem um quilómetro de auto-estrada. Já em Vila Real, vão avançando as obras do IP3 e espera-se pelo prolongamento da A4 desde Amarante."
"Já para os concelhos do Sul do distrito de Bragança (nomeadamente Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor), o IC5 é a obra prioritária. Este itinerário, que ficaria ligado ao IP4 (desde Pópulo) e ao IP2, em Torre de Moncorvo, é visto pelos autarcas daqueles concelhos transmontanos como um motor de desenvolvimento económico, social e demográfico. “Os concelhos do sul do distrito são o IC5, que deve ser uma prioridade dentro do distrito. Este itinerário está para nós como o pão para a boca e já temos uma petição pelo IC5 no IEP”, afirmou o autarca de Mogadouro, Morais Machado, acrescentando que, com o IC5, Mogadouro ficaria a 168 quilómetros do Porto, em vez dos actuais 330. Confessando-se “saturado” de “atrasos e remendos”, o autarca desabafa: “pensei que fazíamos parte do Interior do país, mas cheguei à conclusão que somos o exterior. Já não devemos ser Portugal”. Para Morais Machado, não é possível atrair turistas, empresas e investimentos sem estradas condignas, por isso, afirma que aquele itinerário é uma via “estruturante” para o desenvolvimento do concelho. “Mas já temos mais motivos de atraso”, avançou, “agora são os da REFER que não querem a estrada por cima da linha, que, por sinal, está totalmente degradada e abandonada”. Argumentando que sem o IC5 o concelho de Mogadouro “continuará como está”, Morais Machado lembra, uma vez mais, o caso da ponte entre Sardão (Alfândega da Fé) e Meirinhos (Mogadouro), inaugurada recentemente, mas que continua a não passar de um “monumento” e de uma “curiosidade”. “A ponte está a ser utilizada por curiosidade. Sem o IC5 não deixará de ser apenas isso, uma mera curiosidade e um monumento à saber fazer”, concluiu."


ver http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3

20 setembro 2004

Desespero com os concursos de professores

É inadmissível o que se passa com os concursos de professores. Se não são capazes desistam e peçam a ajuda de profissionais e empresas idóneas! Como professor desespero com a espera para programar a minha vida familiar. Como pai não consigo responder às dúvidas dos meus filhos que me perguntam quando vão ter todas as aulas. Como cidadão português envergonho-me da triste figura que fazemos. Considero urgente e inadiáveis as respostas. Quem e o que é que falhou? Como é possível que um concurso de seriação profissional estivesse para ser concluído em Março e só fosse divulgado em Setembro ainda cheio de erros? Quais as verdadeiras razões dos adiamentos sucessivos das listas de colocação? Como é possível mandar iniciar um ano lectivo sem haver preparação da comunidade educativa? Que motivação para professores, alunos e encarregados de educação? Para bem da pacificação nas escolas respondam... É o mínimo que se pede aos decisores da cinco de Outubro!

Ponte do Galego em Marzagão


Idade: Romano///Idade Média///Moderno
Descrição: Ponte em granito com dois arcos de volta perfeita e um tabuleiro plano. No seu aldo montante possui um talhamar de secção triangular que confere a esta estrutura um carácter mais monumental. O seu tabuleiro possui cerca de 24m de comprimento por 3,80m de largura e é precedido e antecedido por vestígios de uma calçada que poderá ter constituido um dos eixos viários que ligava o castelo de Ansiães com Arnal, estabelecendo-se a partir daqui a ligação ao Douro, nomeadamente à foz do rio Tua. A ponte do Galego, que permite a travessia da ribeira de Linhares, encontra-se ainda em bom estado, possui as respectivas guardas e um aparelho em excelentes condições de conservação.


Mais informações em:
http://www2.ipa.min-cultura.pt/pls/dipa/build_ficha?pagetitle=Pesquisa%20de%20Sítios%20Arqueológicos&xcode=59193&type=S

mais sobre vias romanas

"Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano, mas todas as vias romanas têm uma característica comum: foram construídas para veículos com rodados. Aliás muitas das vias nem sequer utilizam lajes, tudo depende de qual o método utilizado nesse local. Nas ruas das cidades era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública facilitando a sua limpeza. Daqui se concluiu erradamente que todas as vias teriam lajeado de pedra, impróprio para a circulação de veículos de rodas a grande velocidade. Na realidade, as vias tinham um pavimento compactado, liso, suportado por uma estrutura eventualmente com uma camada de lajes de pedra. Ao longo dos séculos este pavimento foi desaparecendo deixando a descoberto somente o lageamento conhecido por stratal de onde deriva a palavra estrada. Ver artigos de Isaac Moreno Ver artigo de William RamsayA rede de estradas dividia-se em Viae Publicae ou Militares, as grandes vias principais interligando todo o Império, correspondentes às nossas nacionais, as Viae Vicinales, estradas secundárias que ligavam os povoados às grandes vias e as Viae Privatae ou Agrari, caminhos de acesso privados."

"Vias secundárias romanas identificadas em Carrazeda de Ansiães

Ponte Romana de Pereiros, Carrazeda de Ansiães
Pombal, Carrazeda de Ansiães
Tralhariz, Castanheiro, Carrazeda de Ansiães (Villa da Quinta da Ribeira)
Arnal, Carrazeda de Ansiães
Ponte do Galego sobre a rib. de Linhares, Marzagão (24 m)
Lavandeira, Carrazeda de Ansiães (calçada)
Covas, Seixo de Ansiães (minas romanas na Quinta da Senhora da Ribeira)
Travessia do rio Douro(Durius) no Vale do Vesúvio"

http://viasromanas.planetaclix.pt/#chavesmoncorvo de Pedro Soutinho

19 setembro 2004

Quem conhece a estrada romana do S. Lourenço?

Esta é uma fotografia do troço da estrada romana que liga as caldas de S. Lourenço a Pombal de Ansiães. O enquadramento paisagístico é lindíssimo, dela se vislumbra uma vista muito bela do vale do Tua. O seu percurso ladeado de vegetação variada e luxuriante convida ao passeio e à fruição do campo. Porém, esta via, como a imagem documenta, confunde-se com o próprio mato – não está identificada e apresenta um estado lastimoso de abandono e desleixo. Incompreensível. Devidamente identificada, limpa e publicitada valorizaria a região, o concelho e particularmente o Pombal e o S. Lourenço . Em qualquer plano de desenvolvimento das caldas, este caminho não deve ser esquecido...

Desde que me considero gente tenho ouvido falar ao poder autárquico local da premência em desenvolver as caldas de S. Lourenço. Em todos os programas partidários se fazem as mais variadas promessas nesse sentido e se proclama que desta é que vai ser. Até agora não se passou das intenções.

E mais... é tempo de pensar o concelho para além da construção de parques de merendas!

Lenda da Fonte Velha

Conta-se que mesmo no interior da aldeia de Parambos, junto a uma fraga, existe uma fonte que outrora tinha uma moura encantada. Na fraga junto à fonte estava a secar um lindo tendal de figos.
Um tendeiro, que por ali passava, viu aqueles lindos figos. Foi buscar alguns e meteu-os ao bolso. Já ia longe quando se lembrou dos figos e meteu as mãos ao dito bolso. Surpresa! Em vez de saírem aqueles lindos figos que viu na fraga... saíram libras em ouro.
O homem, deslumbrado, voltou para trás à procura de mais. Nada adiantou porque ao chegar à fraga, nada encontrou. Tinha tudo desaparecido por encanto. Até ao presente ninguém mais viu semelhante estendal.
recolhida na escola EB1 de Parambos.

16 setembro 2004

sinais preocupantes de desertificação nas escolas do distrito

O problema da falta de alunos deixou de ser exclusivo do primeiro ciclo no Distrito de Bragança, com o encerramento, pela primeira vez, de uma escola secundária e um dos menores números de sempre de candidatos ao ensino superior. \"Terrível e preocupante\" é como o coordenador do Centro da Área Educativa (CAE), Belmiro Gonçalves, classificou ontem a situação da comunidade escolar na região, que perde por ano, em média, cerca de mil alunos, desde os jardins de infância até ao secundário. O novo ano lectivo (começou) com menos quatro escolas do primeiro ciclo e menos uma secundária, a de Carvalhais, em Mirandela, que no último ano lectivo contava apenas pouco mais de 80 alunos.
Outros ajustamentos acontecerão na vila de Vinhais, onde a falta de alunos levou à suspensão do ensino secundário na EB 2/3, e à concentração deste grau de ensino na escola secundária da vila.
Outro número que o coordenador do CAE considera \"preocupante\" é o de candidatos do Distrito ao ensino superior, que este ano ficou em cerca de 600, menos 370 que no anterior ano lectivo. \"Isto é preocupante e terá que fazer reflectir os políticos, porque o fenómeno da desertificação é atroz\", defendeu.
Apesar de tudo, os primeiros níveis de ensino foram poupados, em comparação com anos lectivos anteriores, já que os jardins de infância ganham sete crianças, totalizando 1.603, e no primeiro ciclo encerram apenas quatro escolas, as de Lagomar e São Julião de Palácios, no concelho de Bragança, e Amedo e Pinhal do Douro, em Carrazeda de Ansiães.

Lusa, 2004-09-16

Oração para o mau-olhado

Deus te fez, Deus te criou.
Deus te tire o mal,
Que em teu corpo entrou.
Se o tens na cabeça,
Se o tens no coração,
Que to tire S. João.
Se o tens no corpo todo,
Eu te entrego a Deus
Todo-Poderoso
Que to tire Santa Teresa

recolhida na EB1 de Misquel

15 setembro 2004

Festa de Santa Eufémia


Se visitar a Lavandeira não deixe de dar uma vista de olhos à igreja paroquial de Santa Eufémia da Lavandeira. É é uma capela do séc. XVII de planta complexa. Imóvel de Interesse Público pelo Dec. nº 45/93, DR 280 de 30 Novembro 1993.
Para outras informações visite http://www.bragancanet.pt/patrimonio/igeufemia.htm

Festa de Santa Eufémia II

A festa de Santa Eufémia, em Lavandeira, é a maior romaria do concelho de Carrazeda de Ansiães, também conhecida por “Festa da Marrã”, já que é tradicional cozinhar-se carne de porco fresca, a que chamam marrã. Assim, todos os anos, nos dias 15 e 16 de Setembro, tem lugar esta grandiosa festa em honra da Santa, à qual se dirigem milhares de forasteiros.
A festividade tem perdido importância ao longo dos anos, fruto de vários factores.

A Santa Eufémia, mártir dos primeiros tempos da igreja cristã, agregou à sua volta um grande fervor religioso e popular. A sua irmandade estende-se por vários concelhos e agrega centenas de irmãos que para ela contribuem monetariamente. Todos os anos, a Comissão Fabriqueira percorre variadas aldeias para recolha de fundos. A ela se roga em momentos de grande aflição – na “parição” das crias, nas doenças, nas intempéries… e se fazem promessas pagas em pecúnio, em azeite, cereal, cera, e esforço físico (de joelhos, de rastos...)

Para além da componente religiosa acresce a parte pagã, também ela muito interessante que vai buscar raízes ao porco ( marrão ou borrão), símbolo de fertilidade e antiga divindade. Os folguedos estendem-se pelo convívio, o negócio das barracas de quinquilharias, dos doces e pirolitos, a procissão, o arraial, o fogo de artifício e a principalmente a degustação da marrã.

A carne de porco era o principal “peguilho” das nossas gentes do campo, pois em todas as casas se matava o "requinho", cujo tamanho era directamente prporcional às posses de cada.. Depois do jejum de vários meses em que as salgadeiras se esgotaram e só a Páscoa trazia um pouco de cabrito ou as ceifas e malhadas um pedaço de ovelha e cabra, intervalada com uma ou outra galinha caseira, chegava a grande festa da carne do porco. As tasquinhas espalhavam-se pelo exíguo espaço do adro e as "comezainas" prolongavam-se por muitas casas particulares que se abriam ao negócio. O manjar incluia para além da marrã (carne assada), os rojões, os ossos da assuã... dos bácoros caseiros tratados com as viandas substantivas e polvilhadas de farelo.

Principalmente para os habitantes, como eu, da “Poça” (Lavandeira, Selores, Seixo de Ansiães e Beira Grande), a festividade era o grande acontecimento anual pelo seu cosmopolitismo, na diversidade de gentes que ocorriam e todo um conjunto de práticas e vivências - coisas nunca vistas, sabores nunca provados, sensações nunca experimentadas.

A festa da Marrã é um património concelhio que urge preservar e revitalizar.

Parabéns!

Começaram as obras da nova piscina de água aquecida de Carrazeda de Ansiães!
Prazo de execução: 365 dias.
Óptimo!

13 setembro 2004

apupos!

A zona circundante da barragem municipal de abastecimento de água está num estado deplorável de cuidado e asseio.

A falta de limpeza da mata e desleixo geral, propícios aos incêndios, demonstram uma incúria intolerável. Só visto!

A vegetação existente constituída por uma grande variedade de árvores e arbustos representativos da floresta transmontana da Terra Fria: pinheiros, carvalhos, castanheiros, vimieiros, freixos, giestas... poderiam constituir uma base para transformar a zona num local aprazível de repouso e lazer dos munícipes, bastando tão só uma ideia e o trabalho de limpeza e ordenamento.

Se nos lembrarmos da nova legislação sobre a limpeza das matas, de modo a obstar à calamidade dos incêndios florestais de Verão, que o município nos lembrou recentemente através do envio de editais para as residências, bem poderia, a partir daqui, dar um exemplo às populações, ou se não teremos de dizer: “bem prega Frei Tomás…”

aplausos!!!

Ficámos agradados com a colocação de alguns esteios de cimento que impedem o acesso de viaturas ao parque de lazer das Piscinas Municipais. Era confrangedor observar como muitas viaturas pintalgavam esse espaço – obstruíam as passagens do circuito de corrida de manutenção e mostravam uma nódoa de comodismo e desleixo neste espaço verde. Aplausos!

10 setembro 2004

Cais fluviais!

Carrazeda de Ansiães está num espaço e situação geográfica privilegiados. É delimitada pelos rios Douro e Tua. Esta delimitação geográfica que ao longo dos tempos foi uma restrição à circulação de pessoas e bens neste concelho, pode e deve ser aproveitada em todas as suas vertentes, principalmente na sua vertente turística.
Carrazeda de Ansiães tem, além de paisagens fabulosas e outros recursos por explorar, um espelho de água que não é minimamente aproveitado. Estou a falar da Sr.ª da Ribeira e do Tua.
Foram gastos muitos milhares de euros na criação de infra-estruturas de apoio à navegabilidade, mas nem por isso alguma coisa mudou. Onde está o investimento privado de qualidade com vista a aproveitar as potencialidades turísticas? Quando se irá sair da mediania (ou mediocridade!) na hotelaria e restauração do concelho e dar o salto em direcção a um serviço de qualidade?
Por outro lado, impõem-se outras questões fundamentais: quem é responsável pela gestão e manutenção dos cais fluviais da Sr.ª da Ribeira e do Tua? Existe um regulamento? Vão continuar as embarcações a “estacionar” durante todo o Inverno de uma forma gratuita e anónima na Sr.ª da Ribeira? Pediram-se responsabilidades a quem chocou com uma plataforma do cais flutuante, fazendo com que esta partisse e afundasse? Que aconteceu às plataformas que desapareceram? As entidades responsáveis sabem pelo menos de quem são as embarcações que lá estão em “regime de permanência”? Os utilizadores pagam alguma taxa? Onde está o cais fluvial do Tua?
Esperemos que aqueles cais não sejam mais um investimento subaproveitado e perdido em virtude do desleixo e da falsa sensação de dever cumprido!

desportos radicais ajudam a combater desertificação

Transcrevo do Jornal de Notícias de hoje (10/9/2004): "a freguesia de Paradela, no concelho de Tabuaço, deverá ter a funcionar, em Maio de 2005, um parque de desportos radicais, integrado num projecto mais abrangente com o qual uma associação local pretende combater a desertificação". Esta é uma bela ideia e elas devem ser seguidas. O nosso concelho tem grandes condições para a prática destes desportos. Conhecemos algumas iniciativas já iniciadas que deveriam contar com o apoio necessário e vir a ser integradas e sistematizadas numa planificação de desenvolvimento local. Alguns exemplos do que falo em http://www.ansiaes.net/amn/

Potencialidades do Douro Posted by Hello

09 setembro 2004

É necessário reivindicar recorde do Guiness

Carrazeda é uma terra "sui generis" pelo muito tempo que as obras públicas demoram a executar. Alguns exemplos:

O quartel dos Bombeiros Voluntários, o Mercado Municipal, O Lar de Terceira Idade e Infantário da Misericórdia ultrapassaram largamente os prazos. O Centro de Saúde eternizou-se a sua construção durante uma dúzia de anos depois de várias falências dos empreiteiros. O novo Centro Cívico teve prevista inauguração para 2003 e mais de um ano passado ainda não se sabe quando abrirá ao público. A estrada que liga Carrazeda a Pinhal do Norte, uma via estruturante que nos ligará ao IP4 e poupa muitos kms no acesso às freguesias a poente do concelho, não passou da primeira fase, está num péssimo estado e não está programada a sua conclusão.

Coincidências não me parecem ser estes maus fados, pois as situações são muitas e lamentáveis.

Uma ideia: por que não fazer uma candidatura ao livro dos recordes “o Guiness” e daí tirarmos algum proveito, pelo menos em termos de notoriedade e de promoção turística.

Agora estão adjudicadas as novas Piscinas Municipais e há que fazer fisgas para que tudo corra bem e os prazos se cumpram, pois bem necessárias são.

07 setembro 2004

Manuais escolares gratuitos para o 1.º Ciclo

No Jornal de Notícias e no canal um da RTP foi divulgado que a Câmara Municipal de Alfandega da Fé decidiu pelo 3.º ano consecutivo ofertar ás crianças do 1.º Ciclo do ensino Básico do concelho os manuais escolares desse ano lectivo. Esta iniciativa já tem mais anos em Carrazeda, o concelho foi um dos pioneiros a implementá-la, e nunca teve o impacto da similar em Alfândega da Fé. E as tentativas estão aí - a senhora vereadora faz-se acompanhar do fotógrafo oficial para a foto a publicar no boletim municipal.
O principal objectivo é tornar de facto o ensino nesta idade gratuito e desonerar os encarregados de educação deste gasto. É um gesto à primeira vista meritório e até louvável, se não passasse também de uma medida simples de propaganda.
Reflictamos: se o dinheiro é de todos os contribuintes, somos todos nós que estamos a contribuir para a aquisição dos livros, há encarregados de educação que não necessitam desta ajuda e outros precisariam, estes têm mecanismos que lhes permitem obter comparticipação financeira através da Acção Social Escolar.

Musical "Amália" em Bragança

"Nos próximos dias 17,18 e 19 de Setembro o Teatro Municipal de Bragança, em cinco sessões (às 21:30h e ao Sábado e Domingo também às 16:00h) irá receber o célebre musical de Filipe La Féria «Amália» que há cinco anos consecutivos está em cena e que já foi visto por mais de seis milhões de espectadores."

in "o diário de Trás-os-Montes" http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3

05 setembro 2004

Professores incapacitados nos concursos deste ano lectivo

Quero expressar surpresa e preocupação pelo elevado número de professores, a quase totalidade neste concelho, que se candidatam para efeitos de colocação nos concursos de docentes de educadores de infância e de professores dos ensinos básico e secundário para o ano escolar de 2004-2005 por destacamento por condições específicas. Essas condições, simplificadamente, explicam-se desta maneira: os mestres-escolas através de atestado certificam que possuem doenças invalidantes e isso permite-lhes passar á frente de todos os outros (poucos) que não usaram deste esquema.
Parece-nos, conhecendo a realidade concelhia e também pelo exagerado número de candidaturas, poder ser um simples artifício para obter vantagens na colocação e assim ultrapassarem candidatos melhor posicionados em classificação profissional e tempo de serviço e, por outro lado, prejudicarem aqueles que de direito possuem os preceitos de admissão para destacamento por condições específicas.
Segundo soubemos, esta é uma situação que se repete um pouco por todo o lado. Se houver fiscalização tudo decorrerá bem, dirá o mais incauto, porém vejamos, a pressa dos responsáveis políticos de aparecerem junto da opinião pública como tudo estivesse normal com as aulas a funcionarem pode olvidar esta possibilidade de grande injustiça nos concursos de docentes. Será curioso verificar se a grande maioria dos docentes colocados este ano não estará doente antes mesmo de se iniciar a escola.

04 setembro 2004

Música e gasto de dinheiros públicos

Curioso e no mínimo lamentável o que nos foi dito acerca da contratação recente de um grupo de musica vanguardista que actuou na Praça do Município de Carrazeda, ocorrido em meados de Agosto. Eis a versão de alguns testemunhos ouvidos: ia o Senhor Presidente da Cãmara Municipal de Carrazeda de Ansiães com alguns funcionários passeando pela noite da capital, quando depararam com este som sui generis do grupo aludido de pop sinfónico. O seu "séquito" gostou muito do dito e expressou-o com toda a convicção ao seu chefe e eis, que o senhor presidente não esteve pelos ajustes - há que levá-los a Carrazeda para gáudio dos acompanhantes e para que "os pacóvios" vejam e se cultivem. Contrataram-se e actuaram para uma ou duas centenas de pessoas. Quem assistiu ao concerto nada soube das razões daquele evento abrilhantado por um grupo com um som fora do normal. Brindaram-nos com um bónus inesperado sem qualquer planificação ou propósito. É esta a política cultural e recreativa do município? Sem objectivo, sem programação, à lei da "balda" ... à Carrazeda? Pois não devia!

03 setembro 2004

Feira da Maçã e do Vinho e o gasto de dinheiros públicos

A Feira do Vinho, da Maçã e do Azeite é um certame que sucede anualmente em Carrazeda de Ansiães e tem como principal objectivo a promoção destes três produtos tidos como mais significativos da economia agrícola do concelho. Por arrastamento serão também as festividades da vila e do concelho.
Antes conhecidas pela maçã e o vinho vieram acrescentar-lhe o azeite que tal como aqueles será um produto emblemático. A verdadeira explicação deste acrescento parece-me ter sido o recente investimento da Cooperativa Agrícola no seu lagar de azeite que será também uma aposta do município local. Produtos importantes são-no também a batata, a castanha, a laranja... um destes anos ficaremos sem fôlego para dizermos o nome da Feira. Adiante...
Um certame desta natureza localizado numa terra de interior necessitaria de alguma imaginação para ultrapassar fronteiras e atingir as metas programadas, ou seja a promoção das culturas referidas. É reconhecido que a dinâmica do evento está em decrescendo e os exemplos de municípios vizinhos poucos frutos recolhe. Atente-se a Vila Flor e veja-se o crescendo de importância da sua feira de sabores, fruto das ideias e da imaginação dos seus responsáveis. Este ano teve honras de um dos principais programas de televisão nacional, O Herman SIC, e a inclusão do famoso cozinheiro Michel trouxe grand notoriedade ao acontecimento. Estas são as tais ideias de que falo. Atente-se ao fumeiro de Vinhais, às cerejas de Alfândega, ao vinho de S. João da Pesqueira, para não falar de outros certames e saberão do que quero dizer.
Enquanto a imaginação , a inteligência e saber-fazer não forem postos ao serviço da realização não passará de uma simples festividade de Verão.
Isto para dizer que é cada vez mais importante o gasto dos dinheiros públicos que, pelos vistos, são cada vez mais raros e preciosos. Na dita Feira, uma das iniciativas louvadas é elaboração do vinho que inclui a pisa das uvas á vista de todos. São feitas 1 000 (mil) garrafas, segundo informação dos jornais, que servirão para o município doar quando nos visitam ilustres personagens. Pergunto: que espécie de controlo há sobre essas garrafas? Aos convidados é oferecida uma garrafa, uma dezena, uma centena... quantas? Existe um regulamento para estas doações ou obedece à lei da simpatia do ofertante?

Concursos de professores

Tudo o que foi dito sobre os concursos de professores concordo. Os resultados desta trapalhada nem sequer estariam na imaginação do mais pessimista. Acumularam-se erros atrás de erros num efeito de bola de neve de consequências ainda não totalmente esclarecidas. Há professores lesados qiue não sabem sequer se vão ser ressarcidos. São planeamentos de vida que não podem ser feitos. O resultado é também a instabilidade nas escolas e a confusão dos pais e encarregados de educação.
Sinal dos tempos é ninguém responsabilizar os culpados e eles serão fáceis de encontrar. Quem concebeu os programas informáticos e quem foi responsável pela sua aquisição. Ao contrário do que a razoabilidade exigiria, a culpa vai ficar solteira mais uma vez e quem se "lixa é o mexilhão"
Porém, neste turbilhão de crítica e mal-dizer há virtudes nesta nova modalidade que interessa preservar e defender.Este é um passo rumo ao futuro e à clareza de processos
1. Os concuros têm um ãmbito nacional e obstam aos arranjos pontuais e "golpadas" das escolas e CAE (s) dos concursos a nível de escola ou distritais privilegiando alguns em detrimento de outros.
2. A utilização da Internet simplificou e agilizou o processo. A maneira de concorrer é muito simples, comoda, rápida e económica, pois pode ser feita em qualquer lugar, a qualquer hora e sem recurso a qualquer papel e permite até ao final do prazo rectificar eventuais erros.
Depois de assentar a poeira há coisas válidas que interessa conservar e elogiar.

02 setembro 2004



Com a devida vénia para a revista Visão.

Património concelhio


Quando é que se começa a olhar para o património do concelho de um forma séria.
As intervenções feitas não têm um objectivo e as suas consequências nada.
Tiraram-se umas pedras do castelo, consta de um placard grandes verbas que se gastam ou pretendem gastar... O Zé povinho de nada sabe, nem nada vê. Só se pode amar quando se conhece. Os resultados não são nenhuns.

Caracterização do concelho e sinopse histórica

O concelho de Carrazeda de Ansiães ocupa uma área de cerca de 280 Km2. Situa-se a sudoeste do distrito de Bragança, faz fronteira com dois rios e com cinco concelhos de três distritos distintos.
É limitado a norte pelo concelho de Vila Flor, a nascente confronta com Moncorvo, a sul partilha o Rio Douro com Vila Nova de Foz Côa e S. João da Pesqueira e a oeste contempla o vale do Tua, em parceria com Alijó.
Formado por dezanove freguesias e mais de quarenta aldeias, ocupa uma grande área planáltica, recortado por montanhas e vales. A zona ribeirinha ao Douro integra-se no Alto Douro Vinhateiro, património da humanidade.
As inscrições rupestres na Fontelonga, Parambos, Ribalonga e outras, popularmente denominadas, Fraga das Ferraduras, são provas de que o homem escolheu este concelho para habitar desde os tempos mais remotos.
As pinturas da anta de Zedes e as importantíssimas e únicas no nosso país que estão localizadas no Cachão da Rapa, em Ribalonga, certificam a antiguidade e riqueza do património de Carrazeda de Ansiães.
As antas de Zedes e do Vilarinho da Castanheira são dois conjuntos megalíticos de grande beleza que testemunham a fixação humana há mais de 5 000 anos.
As casas brasonadas de Selores, Linhares, Vilarinho e Ribalonga afirmam famílias nobres que influenciaram decisivamente a principal actividade económica, a agricultura, ligada aos cereais, à castanha, ao cultivo da vinha e do azeite e mais tarde da batata. Actualmente, a maçã é, atualmente, um produto importante na economia local que surgiu há pouco mais de trinta anos.
As moedas, os objectos cerâmicos, algumas pontes e fontes são prova da passagem dos romanos e dos visigodos. Os árabes influenciaram a cultura local, Alganhafres é um nome tipicamente árabe, trouxeram plantas como a figueira e engenhos agrícolas como a nora que perduram.
Segundo a grande maioria dos historiadores, esta zona foi reconquistada aos mouros por D. Afonso III, rei de Leão, nos finais do século IX e a localidade que evolui em importância estratégica é a vila de Ansiães.
O seu castelo foi de grande utilidade pela sua posição de defesa do vale do Douro e todo o planalto carrazedense.
Ansiães é uma localidade muito antiga mas já extinta. Restam as ruínas do castelo constituída por duas muralhas. A exterior perfaz 625m e a interior 323 metros.
O seu primeiro foral é-lhe dado pelo rei de Leão, Fernando Magno, ainda antes da nacionalidade, supôe-se entre 1056 a 1060. D. Afonso Henriques confirmaria as suas regalias e deveres em 1160, D. Sancho I em 1198 e e D. Afonso II em 1219. Em 1510, todos s forais foram reformados e D. Manuel dar-lhe-ia um novo.
Nesta vila nasceu D. Lopo Vaz de Sampaio, oitavo vice-rei da Índia que era o cargo mais importante da altura logo a seguir ao rei. Aqui também nasceu João José de Freitas, 1.º governador civil de Bragança, João da Cruz, responsável pela construção do caminho de ferro até Bragança e outros.
A perca da posição estratégica e a falta de água levou as pessoas a abandonar a velha Ansiães. Em 1734, o pelourinho, símbolo do poder, foi mandado destruir pelo juíz de fora e representante do rei , Francisco Araújo e Costa e a sede do concelho foi mudada para Carrazeda.

O castelo de Ansiães

O castelo de Ansiães é constituído por duas muralhas em granito.
A muralha exterior era denominada Muros da Vila e mede cerca de 625 metros.
O seu muro tem três portas e um postigo. Uma virada a sul, serve a povoação de Lavandeira e chama-se Porta da Vila. Uma outra que dá para Nascente, denominada Porta da Fonte Vedra. A Porta de S. Francisco encontra o alcatrão da estrada municipal a Norte. É a mais espaçosa. O postigo, a poente, mais pequeno que as outras entradas, toma o nome da Igreja de S. João Baptista que fica perto.
A muralha interior, designada de Castelo, tem de de extensão 323 metros e tem apenas uma porta e um postigo.
A Porta de S. Salvador, toma o nome da Igreja que dela dista uma dúzia de metros. Avançando para poente deparamos com a Torre de Menagem, os anexos e a cisterna que servia de reservatório de água. Junto destes encontramos o Postigo da Traição.
Inter-muros, situa-se a Igreja de S. Salvador é considerada “uma jóia da arquitectura românica”, do sec. XII. A sua originalidade reside no portal ocidental, de granito ricamente decorado com cenas do Evangelho.
A Igreja de S. João Baptista fica fora dos muros e encontra-se em ruínas.

Criação de centros escolares em vilas do interior

A criação de um centro escolar em Carrazeda de Ansiães, a par do ocorrido noutros municípios do interior do país, que concentrará na sede do concelho todas as crianças do 1.º Ciclo e Pré-Escolar das aldeias, é uma medida que deveria ser reflectida por toda a comunidade (Professores, Pais, Autarcas) de forma a promover o confronto de ideias e estratégias e ao desbravar de vias que possam contribuir para uma efectiva Escola Pública de Qualidade no interior. Essa discussão não está a ser feita e, pelo que a experiência nos ensinou, não o vai ser, e, mais tarde ou mais cedo, aparecerá como facto consumado e quiçá pernicioso.

Bem recentemente, o professor Luís Ramos, investigador da UTAD, apelidou a medida de uma perfeita “estupidez”, chamando a atenção para as consequências perniciosas do exemplo francês. É óbvio que a criação do centro escolar trará possíveis benefícios mas também profundas e sérias consequências que afectarão o futuro que queremos construir. Sucintamente, parece-nos ser necessário alertar para as implicações nefastas que esta medida trará que passam, entre outras, pelas deslocações a que as crianças irão ser sujeitas, as implicações pedagógicas, a diminuição de lugares para professores e a certeza da medida constituir uma machadada final nas nossas aldeias.

No concelho de Carrazeda de Ansiães há crianças dos 2.º e 3.º ciclos que têm de levantar-se às sete da manhã e regressam às suas residências pelas sete da tarde nas deslocações para a EB 2,3. Compare-se esta situação com crianças entre os três e os dez anos de idade. Algum encarregado de educação, em perfeito juízo, aceitará uma situação análoga? Acresce o facto do desenraizamento precoce do seu habitat natural origina problemas de socialização e desenvolvimento harmonioso. As nossas crianças vão ser colocadas em lugares assépticos e descontextualizados, sem contacto com a sua realidade rural potenciadora de múltiplas e enriquecedoras experiências de aprendizagem nestas idades. A diminuição de número de lugares não é de somenos importância e este argumento e não nos parece egoísta e classicista, pois a fuga de quadros daí derivada acarretará menos comércio e desenvolvimento local e aprofundará os problemas de interioridade.

Cremos que a actual situação de meia dúzia de crianças por estabelecimento de ensino é insustentável para professores, pais e ministério e algo terá de mudar. Mas, existem outras soluções como sejam, a criação de dois a três centros, sem grandes custos, pois poderiam ser aproveitadas infra-estruturas já existentes nas aldeias: cantinas de lares e instalações escolares ou a aglomeração de crianças em aldeias com um certo número de equipamentos e posicionadas estrategicamente para não distanciar muito dos locais de residência. Apostar decididamente em algumas aldeias é uma medida séria e inteligente porque, se não, corremos o risco de todas desaparecerem.

Gastar 2,5 milhões de contos para construir uma obra que não resolve, por si só o problema da interioridade, antes o agudiza e potencia não nos parece uma boa política. Não se esqueçam os nossos autarcas que uma política de desenvolvimento de concentração dos equipamentos, sem outras razões, implica também a breve prazo a própria viabilidade de vilas do interior. Agora é a concentração do 1.º Ciclo e Pré-Escolar, brevemente será o secundário no eixo Bragança, Macedo e Mirandela e… nesta lógica de desenvolvimento vão-se as aldeias e a seguir irão as vilas.

Imperdoável

No interior do país vive-se habitualmente com muitos condicionalismos que são de todos conhecidos decorrentes de um baixo desenvolvimento humano, condicionado pela escassez de recursos e não satisfação de algumas necessidades básicas. O desenvolvimento do poder local e a mudança das mentalidades que o 25 de Abril proporcionou, potenciado com a entrada na Comunidade Europeia, trouxe às zonas do interior electricidade, mais asfalto, abastecimento de água, saneamento, muitos jipes e também a descaracterização urbanística, ambiental e a desertificação humana. A avaliação do progresso humano está directamente relacionado como diz a ONU com factores como a liberdade, a dignidade e a intervenção humana. A recente chegada da ADSL (a rede larga da Internet) foi um desses acontecimentos que contribui para nos tornar mais dignos e livres. O não acesso as múltiplas formas culturais, como o cinema e o teatro limita-nos, sobremaneira, no índice de desenvolvimento, assim como a diminuta oferta de actividades recreativas e lazer.
Nesta vertente, muitos procuram o litoral em tempos de férias. Nos últimos tempos assiste-se a um movimento contrário que as localidades interiorizadas teimam em não aproveitar completamente. São escassos no sul do distrito de Bragança, as unidades de turismo rural. O Douro aqui tão perto serve apenas para ver passar os barcos (já são muitos!) e acenar de longe aos turistas na ausência de políticas locais e regionais estruturadas e sistematizadas para aproveitar o filão. Sobram as dádivas da paisagem natural e humana que não são rentabilizadas.
No concelho de Carrazeda de Ansiães, para a fruição dos tempos livres dos locais construiu-se uma piscina municipal, posicionada numa belíssima zona envolvente arborizada e com parque de merendas. Na altura da canícula, três meses apenas (nove meses de Inverno e três de Inferno), acorrem às águas da banheira pública milhares de pessoas. Ela é a alegria das crianças e instrumento fundamental da sua socialização. Aí se iniciam amizades com outros jovens oriundos de comunidades de emigrantes com raízes familiares. Alguns que vivem na urbe projectam alguns dias para vir ao rincão natal também a contar com alguns mergulhos. Há ainda uns poucos forasteiros que tem já por hábito subir as montanhas, espraiar o olhar pela largura da paisagem, respirar ar puro e vir a banhos, aqui gozam total ou parcialmente os dias de descanso. Porém, este ano, metade do Verão passado, não há maneira de abrir a piscina municipal.
A razão é simples. O município iniciou por alturas da habitual abertura obras de manutenção que se arrastam sem fim à vista. As datas previstas para a sua finalização são proteladas continuamente e já ninguém acredita que acabem dentro da chamada época balnear. Este facto é elucidativo de uma má planificação de trabalhos e demonstra, no mínimo irresponsabilidade do poder autárquico. O senhor presidente da Câmara Municipal local já veio reconhecer o erro e assume total imputação. Pouco nos serve a nobreza do acto e a suposta coragem manifestada. Há um bem que contribui para o nosso indicie de desenvolvimento humano que não é possível ter e desfrutar.
Ficam as sequelas de um acto de gestão irreflectido e danoso para o município. Às crianças é difícil explicar-lhes as razões e arranjar-lhes alternativas de lazer porque elas não existem, os que têm possibilidades económicas largam e buscam locais alternativos, aos forasteiros desconhecedores da realidade e apanhados desprevenidos sorriem, abanam a cabeça e prometem não voltar. Acreditem que no Verão, sem piscina é mais deprimente viver neste interior. Imperdoável!

01 setembro 2004

Prémios escolares

Com o final do ano lectivo, é comum em muitas escolas públicas atribuírem-se prémios escolares. Os critérios subjacentes são os das melhores classificações escolares e o objectivo fundamental é o de incentivar os discentes a um bom aproveitamento. Este é um processo pejado de injustiças. Repetidamente e todos os anos, os beneficiários são, quase exclusivamente os mesmos, paradoxalmente os alunos que melhores condições financeiras possuem, pois elas estão directamente relacionadas com o desempenho escolar, que assim lhes acrescentam mais benefícios.
Esta lógica de atribuir prémios ao melhor desempenho académico é cruel, injusta e castradora de sucesso educativo. Todos conhecerão casos de alunos que para obter um rendimento suficiente têm de muito se esforçar e outros que com maior facilidade atingem o excelente. Também pacífica é a regra de que alunos oriundos de estratos sociais médios a elevados têm propensão a um melhor desempenho. A ideia romântica do aluno inteligente de fracos recursos que precisa de ser incentivado tem-se diluído na emergência do estado providência e na necessidade de diversificar e implementar apoios educativos. Assim sendo, o resultado esperado será invertido: fomenta-se o desânimo e favorece-se a emergência de novas desigualdades entre os alunos.
O critério de incentivar o aproveitamento, mostrando a cenoura ou o pau são práticas fora de contexto. A prática pedagógica é mais complexa e fundamenta-se na exigência, rigor e trabalho de alunos, professores e gestores, contratualiza-se no projecto educativo e no intercâmbio com todos os agentes que intervêm no processo educativo, do qual destacamos a relação dos pais ou encarregados de educação com a escola.
Para a recolha do pecúlio para o financiamento destas recompensas escolásticas recorre-se primordialmente aos subsídios municipais e mais raramente ao mecenato privado. São na sua maioria dinheiros públicos canalizados para alunos com boas condições económicas que continuarão a beneficiar do sistema mais tarde, pois são os que privilegiadamente ingressam nas universidades públicas.
Os prémios escolares, tais como os quadros de honra há um tempo ainda recente, são práticas conservadoras, elitistas e selectivas que não deveriam ter lugar no interior da escola pública e enquadram-se no aspecto dominante da lógica de mercado que são os da competição e da concorrência, desvirtuando-se assim os princípios educacionais consagrados na constituição - a “democratização da educação”, “a igualdade de oportunidades” e “a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais”. A atribuição dos prémios escolares também põe em causa a tese liberal, que pretendia a emancipação social e a igualdade através da escola.
Globalmente a maioria dos pedagogos que advogam a escola moderna repudiam a atribuição pelas instituições de prémios escolares, valorizando a preocupação com o atendimento das diferenças e da provisão equitativa e individualizada da educação. Estas práticas apontam o caminho da lei irracional ou da selva onde há sempre vencedores e vencidos e estes últimos são quase sempre aqueles que a escola recebe em posições subordinadas. Desta maneira se perverte o verdadeiro sentido da educação que aponta caminhos para a instrução, a solidariedade e a vivência social.