30 abril 2011

Citações ao sabor da crise: Camões - Cá nesta Babilónia

Cá nesta Babilónia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá, onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,
O Valor e o Saber pedindo vão
Às portas da Cobiça e da Vileza;

Cá, neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

46 comentários:

Carlos disse...

Oportuna a transcrição deste belo soneto de Camões!

Mais uma prova do não "esquecimento" das palavras...

...Ora se fastam ora retornam... mas sempre actuais!

E que bela mensagem!...


C.F.

Anónimo disse...

Decorrido quase meio século que este soneto foi escrito pelo maior mensageiro da Língua Portuguesa de todos os tempos -- Luís Vaz de Camões --, estamos na presença de um texto com características literárias fortes que, a meu ver, é intemporal. Por issso, se descodificarmos a estrutura (interna e externa), a semântica, o léxico e os recursos estilisticos usados, facilmente chegaremos à sua mensagem e verificamos que, na verdade, está perfeitamente (sublinho o advérbio) actual, face aos diversos descontinuísmos que se nos deparam no dia de hoje.

Neste contexto, parabéns por tão melífero soneto, José A. Mesquita.

Respeitosos cumprimentos,

LVS

Anónimo disse...

Os espíritos grandiosos deixam obras "valerosas" e intemporais. São estes os Homens que ficam na História, porque "cá, neste escuro caos de confusão,(...)onde o mal se afina e o bem se dana" impera a cega partidocracia dos espíritos mesquinhos, cínicos,vingativos e calculistas que nos desgovernam, mas dominam!

Carlos disse...

Camões, o Poeta da Pátria

A respeito de Camões, em geral há estas lembranças:

1 - Camões escreveu Os Lusíadas;
2 - Camões é o maior Poeta português,
3 - Camões era zarolho, por ter perdido um olho em combate;
4 - Camões era muito dado a amores.

E quantos Portugueses se lembrarão de ir ler Os Lusíadas?
E quantos Portugueses se lembrarão de ir ler as suas poesias líricas?
Devem ser apenas os “carolas” habituais.
Pois devia insistentemente ler-se Camões, em escolas, quartéis e lares de Portugal. Em vez de se repetir que Camões foi o autor de Os Lusíadas, que ele é o maior Poeta português, que era zarolho e que era dado a amores, o que se deve é espalhar a Poesia Camoniana, a Beleza Camoniana.

Por exemplo:
Os versos descritivos do começo da batalha de Aljubarrota aparecem às vezes submetidos… à análise gramatical ou lógica, nas escolas (quando o são). Mas não interessa mais apreciar a Estética desses versos?

“Deu sinal a trombeta castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso”.

Colossal domínio do tom narrativo!
Camões parece dispor-se a contar-nos uma cena bélica por ele presenciada, tal o grande poder de nos levar o espírito pela palavra ao momento da ação!
E que verso magistral aquele, cuja sucessão de qualificativos parece traduzir o modo como foi dado o sinal da trombeta!

Estou, assim, com LVS:
- Camões foi, na verdade, o maior Poeta de Portugal, um dos maiores de todo o Mundo e de todos os tempos.

Devia ser conhecido dos Portugueses não só por ter perdido um olho em combate, não só por ter amado muitas mulheres, mas sobretudo por haver traduzido na Língua de Portugal as glórias daquela de quem ele disse:

“Esta é a ditosa pátria minha amada”.

Aqui chegados, eis o meu repto:
- que todos os seus admiradores façam chegar aos potenciais amantes da nossa Língua uma análise de como “sentem” Camões e a sua Obra.

Por mim, comprometo-me a dar o “pontapé” de saída:
- Um dos meus próximos artigos será: como “vejo” esse “monstro”- Alma minha gentil (com a permissão de José A. Mesquita, bem entendido).

Carlos Fiúza

Anónimo disse...

Verifico que este blogue se está a transformar num blogue cada vez mais culto ; não só culto, mas ainda e sobretudo clássico. Só que , no caso deste soneto, a leitura e o entendimento não são tão simples e unívocos como nos querem fazer crer. E não sei se é tão actual como o afirmam(há, aliás, a preocupação - não sei porquê – de atribuir eternidade a tudo o que é dito pelos grandes vultos literários da nossa pátria – é assim com Camões, com Antero de Quental, com Fernando Pessoa, com Miguel Torga: os clássicos poderão ser grandes, não pelo que possam ter dito de definitivo, mas sim pelo levantar das grandes dúvidas ,que sempre caracterizaram o espírito humano e que ainda não foram resolvidas).
Aliás, o soneto é, ao que parece, autobiográfico e cheio de simbologias e, aqui, CF e HR podem dar-nos uma preciosa ajuda, dados os incontestáveis conhecimentos que têm nesta matéria, já não falando na colaboração que nos pode ser dada por JAM, que nos trouxe o soneto à discussão(e lá terá os seus motivos, que poderia explicitar).
Do meu ponto de vista, a amargurada crítica camoniana deste soneto tem por base uma concepção do mundo baseado na ética, que deve comandar a acção do homem e que, segundo ele, não ocorreu na sua vida e na sua época.
Pergunto: é a ética (ou apenas ela) que comanda (ou deve comandar) o mundo , ou não existirão forças eticamente neutras a comandá-lo também(por exemplo, a natureza)?
JLM

Carlos disse...

Bravo JLM
Pelo que escreve, afinal, a sua preocupação também ultrapassa a estética.
Fala-nos de forças eticamente neutras...
Aqui está um bom começo...
... a sua "visão" de como Camões "viu" o Mundo!

Não é um blogue uma "liça" (no bom sentido, leia-se)?

Eternas só o são as palavras... os homens vão e passam, não é?

O seu "contraditório" será sempre bem vindo e apreciado.

CF

Anónimo disse...

"O País encontra-se à beira da bancarrota"

Catroga escreve a quinta carta a Silva Pereira, repudiando as críticas do ministro e queixando-se da falta das respostas do Governo às exigências de informação do PSD para negociar. Mas assegura que o partido de Passos Coelho "vai assumir as suas responsabilidades".
O País encontra-se à beira da bancarrota (como já não acontecia na nossa história desde 1892), e as políticas dos governos dos últimos seis anos são as grandes responsáveis por esta tragédia nacional", escreve Eduardo Catroga.
A carta foi enviada esta tarde pelo representante do PSD nas negociações com a troika FMI/UE/BCE ao ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
Na missiva, que Catroga sublinha ser já a quinta, o social-democrata critica a falta de resposta aos pedidos de informação que foram feitos ao Governo nas cartas anteriores, no sentido de promover um acordo para o pedido de empréstimo externo.
O PSD, recorde-se, pediu dados "sobre a real situação das contas públicas, tanto do sector público administrativo (SPA), como do sector empresarial do Estado (SEE), como dos efeitos orçamentais do contágio dos elevados compromissos assumidos pelo Governo (nos últimos anos e meses) relativamente aos contratos de parceria público-privadas e concessões (PPPC); e também os ligados com a necessidade do Estado, enquanto accionista, reforçar o capital social das suas empresas, algumas delas tecnicamente em situação de pré-insolvência". Além disso, foi solicitada a informação técnica dada pelo Governo à Missão externa e as suas análises intermédias.
"Senhor Ministro", escreve hoje Catroga, "estamos a 2 de Maio e o PSD não recebeu a devida informação. A responsabilidade pelo facto tem de ser imputada ao Governo, e só ao Governo."
"Apesar do nosso insuficiente acompanhamento, pelas razões expostas, de todo o processo", conclui Eduardo Catroga, "o PSD não deixará de assumir as suas responsabilidades em defesa dos superiores interesses de Portugal."
A carte responde também às críticas de Pedro Silva Pereira, que acusou o PSD de revelar aos jornais as cartas enviadas ao Governo. Eduardo Catroga considera que são "considerações de ordem política que o PSD repudia."
Segundo Catroga, Pedro Passos Coelho esclareceu José Sócrates na sua primeira reunião sobre as negociações que "o PSD iria ser totalmente transparente com os portugueses relativamente às suas posições no processo de negociação da responsabilidade do Governo. Daí a divulgação pública das nossas cartas". Aliás, "entendemos, ao contrário de V. Exa, que a transparência corresponde ao superior interesse nacional e não a opacidade que tem caracterizado a actuação do Governo".

Fonte: Jornal de Negócios Online, 02 Maio 2011, pelas 20:03 horas

Um carrazedense atento

Anónimo disse...

Na opinião do socialista Capoulas Santos, Eduardo Catroga, escolhido pelo PSD para acompanhar as negociações da troika, «está a funcionar como puro instrumento».

O socialista Capoulas Santos considerou que o envio sucessivo de cartas por parte do PSD a pedir informação sobre o estado das finanças públicas começa a tornar-se um episódio ridículo.

Ouvido pela TSF, o vice-presidente da Comissão Política do PS entende que Eduardo Catroga, o economista nomeado por Pedro Passos Coelho para acompanhar as negociações com a troika, «está a funcionar como um puro instrumento».

No dia em que Catroga enviou ao Governo uma quinta carta neste sentido, Capoulas Santos diz que o PSD «percebe todos os dias que está a perder terreno e tem de encontrar um bode expiatório para justificar a sua posição de pura incapacidade de apresentar qualquer tipo de proposta para que saiamos da crise».

«Esta dramatização que, numa certa fase pareceu cómica, agora começa a ser ridícula, não é mais que a confissão do desespero que se apoderou das hostes do PSD», concluiu este dirigente socialista.

Fonte TSF

Anónimo disse...

Não há valores, não há princípios nestes políticos...em vez do interesse nacional, estão TODOS cegos só pelo poder...

Anónimo disse...

Não percebo o que é que a porca da política vem aqui fazer. Cumprimento o senhor professor Mesquita por elevar o nível do blogger. Mas não percebi bem o poema. Fala em Babilónia e em Sião. O senhor professor pode explicar melhor a escolha ou o senhor professor Hélder? Obrigado.
MS

josé alegre mesquita disse...

Este soneto é considerado especificamente maneirista. O maneirismo nasce na crise do Renascimento: é um movimento europeu que conflui no Absolutismo; nasce na turbulência da Reforma e Contra Reforma da igreja, donde emana Lutero, o concílio de Trento e a Inquisição. Os temas maneiristas aqui focados são: o homem e a sua miséria, o desconcerto do mundo e a mudança.
O soneto constitui uma crítica aos governantes portugueses contemporâneos de Camões. Com a devida distância, quinhentos anos passados, mantém uma grande actualidade, que poderá ajudar-nos a reflectir num mundo que afinal pouco mudou.
Babilónia e Sião são símbolos bíblicos. Babilónia trata-se do local para onde o povo judeu terá procurado refúgio após a conquista de Jerusalém (referida aqui como Sião). Babilónia é pois o símbolo do mal presente. Sião (Jerusalém) é o símbolo do passado, do bem e da glória passados.
O soneto Cá nesta Babilónia donde mana reflecte, de certo modo, a vida de Camões no Oriente, mais especificamente na cidade de Goa, na medida em que este se sente vítima de injustiças, tais como não ter o seu serviço militar e obra reconhecidos. São penas que muitos podem tomar como suas nos tempos de mudança, de injustiça e de incerteza que passamos.
Os dois últimos tercetos mantêm uma actualidade gritante. Numa sociedade injusta por natureza, continua-se a premiar “o esforço e saber” dos que usam a “cobiça e a vileza”. Porém, o “escuro caos da confusão” não nos deve fazer esquecer “Sião” - isto é, os verdadeiros valores humanistas.

Anónimo disse...

Obrigado, professor!

Anónimo disse...

Ora, regressado eu de Lisboa (a feira do livro deste ano pareceu-me mais fraca na afluência do público...), verifico que o nosso cantinho neste blogue está a virar-se para a cultura literária. Desta feita, é Camões (um dos maiores símbolos da identidade portuguesa) que entra na liça e parece que já não basta a epopeia nacionalista de "Os Lusíadas", pois vêm a lume as suas famosas "rimas", na forma de sonetos. Como sabemos, a produção literária de Camões espraia-se pelos géneros: lírico, épico e teatral, abrangendo núcleos temáticos como: o herói português, a conquista, o papel da Arte, o amor e a mulher, o desengano e a religião. Quanto ao soneto presente ("Cá nesta Babilónia") e como complemento à correta e oportuna nota explicativa que acaba de nos fornecer o JAM, faço lembrar aos outros estimados comentadores (C.F., LVS e JLM) que é sempre necessário contextualizar qualquer análise textual. E assim,longe de pretender apresentar aqui uma análise deste soneto, pois seria fastidioso, mas apenas o contextualizando, direi que: quanto ao CONTEÚDO, Camões viveu na fase final do Renascimento europeu (de redescoberta e revalorização das referências culturais da Antiguidade Clássica, rumo a um ideal humanista e naturalista que afirmava a dignidade do Homem...); um período marcado por muitas mudanças na cultura e na sociedade, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna e a transição do feudalismo para o capitalismo.
Quanto à FORMA, a poesia lírica de Camões procede de várias fontes distintas. Por exemplo, as canções e os sonetos (como este), seguem geralmente o estilo italiano de Petrarca (e daí dizermos "sonetos petrarquistas"). As estâncias camonianas seguem claramente um ESTILO EPISTOLAR, com TEMAS MORALIZANTES, como se verifica, claramente, neste soneto. Como disse, muitíssimo haveria para dizer, mas não temos o direito de aborrecer os nossos amigos comentadores.

h.r.

Carlos disse...

“O homem e a sua miséria, o desconcerto do mundo e a mudança”… (JAM)
Assim é, de facto.
O Poeta sentira-se já injustiçado na Metrópole…
À sua “reflexão” sobre a vida ia-se juntando o que ia acontecendo em seu redor…
Atravessara o oceano em demanda de nova vida e de novo ambiente...
Mas em Goa – Babilónia donde mana/Matéria a quanto mal o mundo cria – apenas encontrou mais e mais razões para soltar, sobre a sua população, o enxame das suas ironias (Disparates da Índia), a sua profunda e amarga desilusão (Desconcertos do Mundo).
Todavia, uma vida de que assim se foge, ou pelos caminhos da loucura ou pelos do sonho poético, parece negar a Providência divina.

Como se concilia isto com a sua fé em Deus?

“Camões apela platonicamente do mundo visível para o mundo inteligível, do mundo da sua experiência humana, para o mundo ideal visto à luz das Chagas de Cristo”…
“Deus explica-lhe a ordem do mundo da Natureza… Cristo remedeia-lhe a desordem do mundo do Homem”, no dizer de Hernâni Cidade.

E assim,

…o Poeta estiliza a sua “verdade psicológica” como desdobramento interior,

…a sua consciência assiste como que à sua “mutilação”,

Mas o Poeta resiste ao completo mergulho do espírito lúcido na treva subterrânea!

E a sua Obra aí está!

Carlos Fiúza

Anónimo disse...

Professor Hélder, como diz o nosso Primeiro Ministro, ó como «seria fastidioso»?!, «muitíssimo haveria de dizer, mas não temos o direito de aborrecer os nossos amigos comentadores»?! Não aborrece nada, professor. Mas gostaria de vê-lo a responder como o fez o professor José Mesquita, sobre o conteúdo e não apenas sobre a forma, a um dos comentadores, que pelo que se intui deve ser um jovem, à volta dos 30, como eu. E não temos o saber nem os conhecimentos dos senhores professores. Da explicação dada pelo professor José, só não entendi a ligação do maneirismo com o absolutismo, porque nas aulas de História aprendi este ser político, e aquele um movimento artístico. Mas, posso ser eu a ver mal. Mas estão de muitos parabéns, também os outros comentadores. As intervenções são muito boas. Reitero a opinião do meu colega de 03 de Maio. Só as politiquices é que eram perfeitamente dispensáveis.
K.

josé alegre mesquita disse...

Caro K:

Os movimentos artísticos estão intimamente ligados a movimentos políticos.
Vejamos: recentemente podemos falar de uma arte nacionalista ligado aos movimentos neoclássicos da fascismo italiano, do nazismo alemão, do Estado Novo de Salazar. O neo-realismo literário tem uma evidente conexão a escritores vinculados ao pensamento dito de esquerda.
Não só a Igreja, mas toda a Europa se divide após a Reforma de Lutero. Em toda a Europa reina a confusão e a incerteza. Os grandes impérios começam a formar-se fruto também da descoberta e exploração de novos territórios. O homem já não está no centro do Universo. Ele é parte de um Estado, mais importante que o individual. O Estado confunde-se com o Soberano.
O maneirismo é fruto deste tempo e influencia-o. Por muitos considerado período de transição para o Barroco, adopta uma estilização exagerada e um capricho nos detalhes.
Pintores, arquitectos e escultores são impelidos a deixar Roma invadida, com destino a outras cidades. Criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista, à boa maneira da grandiosidade do absolutismo.

Anónimo disse...

Amigo K:
primeiro, quero dizer que me congratulo pelo interesse manifestado por estes temas da literatura clássica portuguesa. De facto, sei que não é muito comum (helas) os jovens se interessarem pelo que de melhor temos na nossa cultura, por isso, desde já, os meus parabéns ao nosso estimado K.
Quanto à análise textual deste soneto, se eu quisesse ser tecnicamente minucioso, ocuparia dezenas de páginas e por isso é que disse que não queria aborrecer os amigos comentadores e demais leitores. Também foi por isso que tive o cuidado de afirmar que o meu texto anterior servia apenas de complemento ao que o meu estimado amigo e colega JAM já tinha escrito em relação ao conteúdo do poema, por considerar que essa pequena análise, para este espaço, era mais que suficiente. Fiquemos então por aqui, se não se importam.
Cumprimentos.
h.r.

Anónimo disse...

Ó senhor professor Hélder, o senhor professor Mesquita analisou muito bem o poema e não precisou de dezenas de páginas. Com tal argumentário sistemático, o senhor priva-nos do seu brilhantismo. Para a próxima, não fique por aí.

Anónimo disse...

Se "não fique por aí", afinal onde pode chegar o Homem?! Será que ele só pode caminhar agora? E outrora, onde chegou?!...Confesso que não sei nada, mesmo nada!

T.

Carlos disse...

“Cá nesta Babilónia”

Não posso deixar de referir (e é com imensa satisfação que o faço) as belíssimas intervenções de JAM, JLM, LVS e HR.

Dá gosto ver que ainda há quem nos “saiba” dar tão valiosas lições!
Sinto-me imensamente “pequeno” (eu que até já dobrei os 30 anos, isto é a idade de K e outros comentadores!) perante tamanho interesse demonstrado pela Língua pátria!

Professor é professor… e quando é BOM!...

É, de facto, um enleio para os olhos (e ouvidos) a leitura do que foi o “maneirismo”… o século de “quinhentos”!

Como gostaria de ter sido eu o autor das “lições” que os eméritos Professores nos deram!
Breves, precisos… concisos! Como convém a quem domina a “pena”!

Os meus agradecimentos a JLM… foi dele o pontapé de saída, tão ao jeito do seu sempre oportuno “contraditório”.

Bem hajam, igualmente, os jovens que intervieram, colocando perguntas bem interessadas e prementes!

Se é uma realidade que a nossa Língua é a nossa Bandeira, aqui fica demonstrado que esta juventude pode estar à “rasca” mas que não é rasca… e que o “futuro” a eles pertence e está em boas mãos.

Por último, tiro o chapéu a José Alegre Mesquita (administrador do blogue), que não conheço pessoalmente (mas que teria todo o prazer em conhecer.

Não é todos os dias que alguém (com as suas responsabilidades) aceita colocar a “trica política” em segundo plano!

E não se diga que a “política” é fator secundário na vida de um POVO…
Lembremo-nos que “política” e “civilização” partilham um radical comum.

Do que acima fica exposto releva, a meu ver, a “humildade” de todos os intervenientes… o terem sabido pôr de parte o que nos pode “desunir”…

A POLÍTICA, tal como a LÍNGUA, são feitas por HOMENS (mais imperfeitos do que perfeitos) …

…O senso comum é, assim, essencial a ambas!

Carlos Fiúza

Anónimo disse...

Camões,neste soneto, estava zangado,ferido,dorido com a vida.Estava "ressabiado".
Ora,um homem,nesse estado, não consegue ser lúcido e equilibrado.E exagera.E erra.E só se vê a si e não vê o todo.
Ele consegue ver que se limita, na vida, a cumprir o curso da natureza.E não vê que tudo o resto provém também da natureza,só que neste caso,da natureza humana.
E deveria dizer,se o tivesse conhecido,com Guerra Junqueiro:Natureza, a grande Bíblia és tu, mãe de tudo!
JLM

Carlos disse...

“O Melro”

E pensava eu ter terminado a minha intervenção…
Não há dúvida: as palavras são como as cerejas!
Eis senão que… JLM traz à colação a analogia entre o “ressabiamento” de Camões e a “arreligiosidade” de Guerra Junqueiro.

Cantou o Poeta:

“O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio…”

“Nada, já não tem jeito! Este ladrão
Dá cabo dos trigais!”

“ (Que alegria! Que ditoso momento!)
Um ninho com seis melros, escondido
Entre uma carvalheira.”

“E, engaiolando os pobres passaritos,”

“Tal e qual… tal e qual!...
Guisados com arroz são excelentes.”

“E nisto o melro foi direito ao ninho.”

“Chegou lá e viu tudo…”

“Mas eis que solta de repente um grito
Indo encontrar os filhos na prisão.”

“E o melro alucinado
Clamou:
Ó natureza, ó Deus, como consentes
Que me roubem assim os meus filhinhos…”

“Ó, quem me dera
Ser abutre ou fera
Para partir o cárcere maldito!...

“E alucinado, exangue,

Partiu num voo arrebatado e louco,
Trazendo, dentro em pouco,
Preso no bico, um ramo de veneno,
E belo e grande e trágico e sereno,
Disse:
Meus filhos, a existência é boa
Só quando é livre. A liberdade é a lei,
Prende-se a asa, mas a alma voa…
Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei!”

“E o velho abade, lívido d’espanto,
Exclamou afinal:
Tudo o que existe é imaculado e santo!”

“E arremessando a bíblia, o velho abade
Murmurou:
Há mais fé e há mais verdade,
Há mais Deus com certeza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa bíblia antiga… Ó Natureza,
A única bíblia verdadeira és tu!...”

Este poema foi escrito na sua juventude, e o próprio Junqueiro viria a dizer mais tarde: “se fosse hoje, não o escreveria”.

...E é, então, que o Poeta se aquieta das audácias de sua força poética, e põe essa força em descanso de expressão leve, subtil!
…E é, então que o Artista atinge o máximo do seu valor!

À audácia das grandes orquestrações verbais sucede, então, a suavidade da Arte do inegável mago da Poesia imaginosa, que foi Guerra Junqueiro.


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

E afirma ele, Carlos Fiúza, porventura com um coração maior que o atlântico, que (nós) damos "valiosas lições"... que melhor lição do que esta sobre o nosso transmontano Junqueiro?
É caso para dizer, com um certo humor: a C.F. não se lhe es K nada...
h.r.

Anónimo disse...

Valiosas lições, sem dúvida, mas podiam tratar os jovens com um bocadinho mais de respeito e humildade. Já pensaram que com 30 anos, hoje, há quem tenha mestrado e doutoramento? Somos à rasca, mas nem todos, nem todos somos rasca!

Anónimo disse...

Caro amigos e conterrâneos,

Quando disponho de tempo é com imensa satisfação que leio os comentários proferidos acerca do belíssimo soneto do nosso maior poeta de todos os tempos. Contudo, nem todos eles me têm merecido a mesma atenção. Na minha humilde forma e sapiência de ver as coisas, é com bastante orgulho que, na verdade, neste concelho proliferam Seres de onde brota uma nata de escol, como nos diz Herberto Hélder em relação à cultura de um povo. Pena é que, alguns não a saibam utilizar como Carrazeda merece.

Não sei se sabem, mas este concelho na época medieval teve bastantes pergaminhos. Foi uma das que reconheceu o Mestre de Avis como único herdeiro ao trono de Portugal na crise dinástica de 1383/85. Outros, seus vizinhos, p. ex., defendiam a Rainha Dª. Beatriz, então, casada com o Monarca espanhol. Daí que, o Mestre após ser reconhecido como legítimo herdeiro ao trono de Portugal nas Cortes de Coimbra, através da eloquente intervenção legista de João das Regras, foi recompensada, mais tarde.

Após esta breve introdução, se me permitem, acerca da interpretação do soneto: “Cá nesta babilónia”, confesso ter gostado da resposta dada pelo administrador do blogue no dia 3 de Maio, pelas 10:42:00 horas. Contudo, com o devido respeito que me merece a sua prosa, bem como toda a comunidade que acompanha este blogue, apresento um humilde esboço a ter em consideração, no que concerne à sua análise. Com efeito,

I – ANTES DE LER O SONETO
A) - Comecemos por descodificar as palavras: Babilónia, Mãe e Sião. O que significam? Babilónia e Sião: são símbolos bíblicos que, aqui, podem ser entendidos como exílio e pátria. Babilónia para o poeta é Goa. No sentido bíblico: Babilónia é símbolo de triunfo passageiro de um mundo material. É ainda o mal presente. Mãe: Vénus, símbolo do amor sensual e Sião: Símbolo da vida espiritual e do bem da glória passada;
B) - Que terá Camões para nos dizer sobre a vida social e política no Oriente, onde se exilou?

II - INTERIOR DO SONETO
1. Todo o poema, à excepção do último verso, se ocupa da caracterização de um lugar.
1.1. Metaforicamente, que nome se dá a esse lugar?
1.2. Indicar:
i) - O(s) deíctico(s) que introduz(em) a caracterização do lugar;
ii) - A figura de estilo que vem associada ao emprego do(s) deíctico(s).
1.3. Inventariar os males atribuídos a esse lugar.
1.4. Referir a dupla simbologia de "Babilónia".
2. Quase nada se diz sobre Sião.
2.1. De que forma se tem acesso ao que Sião representa?
2.2. Interpretar os últimos dois versos do soneto.

III – EM CONCLUSÃO, TEMOS A CONSIDERAR
a) - De que forma este soneto se assemelha a uma página de diário?
b) - São dois lugares míticos: Babilónia (mal) e Sião (Paraíso perdido - bem; idade de ouro).
c) - Lá – Predomina um tempo mítico, ideal; estabilidade; eternidade; espírito; bem; puro Amor; verdade; luz e glória.
d) - Cá – É o tempo do poeta; corrupção; governado pelo acaso; injustiça; fortuna; mal governado pela matéria; ilusão; mudanças; efemeridade; matéria; amor degradado, carnal; erro; cegueira; labirinto; desonra; tirania; cepticismo; descrença; tirania; poder despótico, injusto; cobiça; vileza.
Neste contexto, caro José A. Mesquita, pergunto: na verdade, existem ou não algumas idiossincrasias que podemos estabelecer em correlação com o espaço temporal vivido pelo poeta (passado) e os dias de hoje (presente), em que predomina, segundo nos dizem e fazem crer, o da democracia? Obviamente que sim! Logo, este soneto, não é nada mais, nada menos, do que uma alegoria entre o passado e o presente. Não é verdade, meu caro amigo?!...

Respeitosos cumprimentos,

LVS

Anónimo disse...

Muitos desses mestrados e doutoramentos é fruto da "prostituição" do ensino superior como referiu, há dias, o actual Bastonário da Ordem dos Advogados.

Com o acordo de Bolonha, uma licenciatura é feita em três anos e o mestrado e o doutoramento em um cada.

Antes desse acordo, não sei se sabe, a licenciatura era feita em cinco; o mestrado em 4 anos e, o doutoramento em mais dois.

Será que isto é compreensível? Não haverá proliferação de "canudos"? Será que o ensino superior, hoje, prepara convenientemente as pessoas para a vida activa? Não será tudo isto, uma das razões pela qual se encontram muito(a)s que alguém designou de "geração à rasca"?!...

Anónimo disse...

Concordo no essencial com este último anónimo de sex. Mai. 06, 10:07:00 AM. Só não concordo em relação ao respeito e à humildade. Tanto CF como HR mostram aqui esse respeito e essa humildade em relação ao jovem K.

Carlos disse...

“Cá nesta Babilónia” – Parte II

Quando passamos alguns momentos na companhia espiritual de Camões, muito nos custa separar-nos dele.
Isso me aconteceu desta feita… com a bem construída tese do nosso Amigo LVS.
Não que não me apetecesse comentá-la… alguém o fará melhor do que eu.

Mas ainda queria reviver um pouco mais a estética dos versos camonianos.
Mas não os versos de um Camões constantemente amoroso… não desta vez!

O comentário que se segue há de ser, agora, de características temáticas e formais diferentes, o que servirá para mostrar outra de entre as múltiplas facetas da Arte de Camões.

Escolho, de propósito, um trecho raro de carta, que é tida como escrita por ele.
Eis um passo dessa Carta de Camões:

“… tendo-me já, pelo costume, tão contente de triste, que triste me faria ser contente…”
“… Ainda que, para viver no mundo, me debruo doutro pano, por não parecer coruja entre pardais, fazendo-me um para ser outro, sendo outro para ser um; mas a dor dissimulada dará seu fruito; que a tristeza no coração é como traça no pano:

E por triste me tenho,
Que, se sentisse alegria,
De triste não viveria.
Porque a tal sorte vim,
Que não vejo bem algum
Em quanto vejo.
Que não nasceu para mim;
E, por não sentir nenhum,
Nenhum desejo”.

Aqui, o Poeta achou a verdadeira chave da renúncia aos bens deste mundo.
Tão triste sendo, se sentisse alegria, era capaz de se entristecer por isso.

E, como em tudo que vê não lobriga qualquer bem, segue-se que, já que os bens não foram criados para si, então, para não sentir nenhum, nenhum deseja.

Aos que classificarem estas meditações de “chorosas”, responderei que o meu pecado veio da paixão com que me delicio espiritualmente, lendo aqueles escritos onde ideia e forma, pensamento e palavra, sentimento e expressão, tudo, enfim, é maravilhosamente belo…


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

Caro Carlos Fiúza,

Plenamente de acordo, amigo (apesar de não o conhecer, creia-me, sinceramente que o considere como tal), Carlos Fiúza. A sua mensagem é melífera. Gostei, efectivamente, dela. Contudo, permita-me que destaque a sua substância, no que concerne às relações: ideia vs. forma; pensamento vs. palavra; sentimento vs. expressão; conteúdo vs. conotação e, por fim, polissemia vs. alegoria literária. Há, já agora, foi pena não ter esculpido a palavra, aliás, como o soube tão bem fazer o poeta Eugénio de Andrade, no que diz respeito à interpretação do soneto: “Cá nesta Babilónia”. Compreendo que, em relação ao tempo, nem sempre podemos dispor dele já que, muitas das vezes, outros valores se levantam!... Além disso, o guião que apresentei, creio, ser humilde de mais, para pessoas letradas, como é o caso presente do amigo Carlos Fiúza.

Respeitosos cumprimentos,

LVS

Anónimo disse...

Também gostei de "a bem construida tese do nosso amigo LVS" (ele quando quer, esmera-se). Entretanto (e mais uma vez), tenho de felicitar Carlos Fiúza por nos trazer agora este fragmento camoniano que, entre muitas e diversificadas análises, nos mostra como, recorrendo estilisticamente à antítese (este deve ser um dos textos mais antitéticos), nos pode mostrar de modo sublime, tão estranhos mas belos estados de alma! Mas haveremos de voltar ao tema...
h.r.

Anónimo disse...

Saúdo todos os participantes pelo elevado nível. Só não percebo porque LVS teima em esconder a sua identidade quando basta aceder ao site www.prof2000.pt/users/mita/testesoneto.htm, pois está lá escarrapachada a sua análise, para se saber quem é. Senhor professor, quem tem este nível porque se esconde por trás de um pseudónimo?

Anónimo disse...

Caro “h.r.”,

Desculpe, mas não concordo consigo. O meu comentário, longe disso, não é nenhuma tese. É uma amabilidade sua, confesso. Uma tese merece-me uma consideração mais elevada. Daí que, isto é, tão só, uma tessitura do conhecimento e o gosto que a língua materna me merece. Neste caso, o meu humilde comentário é, apenas, uma simples reflexão que tem como alvo o enriquecimento do nosso maior património cultural: a Língua Portuguesa. É que, se a não soubermos usar convenientemente nos mais variados “caminhos” e “encruzilhadas”, creio, concordará comigo, ficará, apenas, uma afronta da arte de bem-escrever e bem-falar, aliás, como nos diz a filóloga, conterrânea, Drª. Edite Estrela.

Respeitosos cumprimentos

LVS

Carlos disse...

“Cá nesta Babilónia” - Parte III

Já agora não resisto a gozar mais uma vez a artística magistralidade camoniana no seu domínio sobre o jogo de ideia e de forma.

Aprendamos com o grande Mestre da Língua Portuguesa mais esta lição de inexcedível naturalidade, em que o Poeta pinta com estupendo poder figurativo a implacabilidade da Morte:

Que levas, cruel Morte? Um claro dia.
A que horas o tomaste? Amanhecendo.
E entendes o que levas? Não entendo.
Pois quem to faz levar? Quem o entendia.

Seu corpo quem o goza? A terra fria.
Como ficou sua luz? Anoitecendo.
Lusitânia que diz? Fica dizendo…
Que diz? Não mereci a grã Maria.

Mataste a quem a viu? Já morto estava.
Que discorre o Amor? Falar não ousa.
E quem o faz calar? Minha vontade.

Na Corte que ficou? Saudade brava.
Que fica lá que ver? Nenhuma cousa.
Que glória lhe faltou? Esta beldade.

Por minha parte, o que mais admiro neste soneto de Camões é a facilidade do tom dialogal, em que as interrogações à Morte e as respostas desta são dadas com modelar concisão e com uma justeza tal que o Poeta casa ao estilo poético de ritmo impecável o estilo de diálogo com dizeres simples mas verdadeiros.

É, ou não GRANDE o nosso Camões?!


Carlos Fiúza

P.S. Parece que estes versos foram escritos a propósito da morte de uma filha de Luís Alvares de Távora.

Anónimo disse...

caro LVS,
desculpe, mas quem falou em tese, foi o nosso ilustre amigo C.F. Se reparar, eu apenas citei este, recorrendo às tradicionais aspas. No restante que escreveu, e mais concretamente, em relação à Língua Portuguesa, estou (evidentemente) inteiramente de acordo consigo.
Cumps.
h.r.

Anónimo disse...

Concordo com o anónimo de Seg Mai 09, 04:02:00 PM. Não acredito que seja uma cópia, pois não se refere a fonte. LVS tem mesmo de ser quem fez a análise no site www.prof2000.pt/users/mita/testesoneto.htm. A não ser, seria grave.

Anónimo disse...

Para os “comentadores” de 9 e 10 de Maio, pelas 04:20 e 11:01, respectivamente:

- Sempre primei pela fundamentação racional dos comentários que manufacturo. Consulto algumas fontes e, sempre que posso, faço uso delas para as focalizar na bibliografia. O site [saite], (melhor dizendo: página electrónica para valorar a Língua Portuguesa em detrimento dos estrangeirismos!) a que se referem, confesso, apesar de não me ser alheia, jamais fiz uso dela. Aliás, se a compararem, há divergências substanciais entre ela e a composição que apresentei. Logo, a haver alguma correlação, ela é, apenas e tão só, fruto da assimilação de conhecimentos afectos a requisitos inerentes à interpretação de um texto onde predominam várias referências, designadamente, ideia vs. forma; pensamento vs. palavra; sentimento vs. expressão; conteúdo vs. conotação e, por fim, polissemia vs. alegoria e, ainda, outros recursos linguísticos. Perante o exposto, como vêm é fácil destruir quanto o argumento não prima pelo paradigma construtivista, o que é pena, diga-se!

Quanto ao anonimato, desculpem lá, sinto-me bem assim. Mais: prefiro passar despercebido, enquanto outros (como diz o poeta popular, António Aleixo, na quadra: “ (…) Sem ser o que são / São aquilo que eu pareço), isto é, sem saberem pegar na caneta (?), julgam-se artífices da palavra.

Neste contexto, dir-lhes-ei que, como fontes bibliográficas uso, algumas vezes, entre outros, a Nova Gramática do Português Contemporâneo de Luís Filipe Lindley Cintra e Celso Cunha, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Editorial Verbo, História da Literatura Portuguesa de António J. Barreiros, etc.

Como vêm, caros comentaristas, o conhecimento é um processo instrutivo e educacional da aculturação assente no paradigma construtivista da sociologia da educação em que, a aprendizagem se vai modelando nas várias interacções que estabelecemos e realizamos a vários níveis, no âmbito da formação ao longo da vida, da interacção e da hetero-formação.

Respeitosos cumprimentos

LVS

Anónimo disse...

Para os “comentadores” de 9 e 10 de Maio, pelas 04:20 e 11:01, respectivamente:

- Pugnar pela fundamentação racional dos comentários é a minha forma de ser e de estar na vida. Para isso, quase sempre, consulto algumas fontes e, sempre que posso, faço uso delas para as focalizar na bibliografia. O site [saite], (melhor dizendo: página electrónica para valorar a Língua Portuguesa em detrimento dos estrangeirismos!) a que se referem, confesso, apesar de não me ser alheia, jamais fiz uso dela. Aliás, se a compararem, há divergências substanciais entre ela e a composição que apresentei. Logo, a haver alguma correlação, ela é, apenas e tão só, fruto da assimilação de conhecimentos afectos a requisitos inerentes à interpretação de um texto onde predominam várias referências, designadamente, ideia vs. forma; pensamento vs. palavra; sentimento vs. expressão; conteúdo vs. conotação e, por fim, polissemia vs. alegoria e, ainda, outros recursos linguísticos. Perante o exposto, como vêm é fácil destruir quanto o argumento não prima pelo paradigma construtivista, o que é pena, diga-se!

Quanto ao anonimato, desculpem lá, sinto-me bem assim. Mais: prefiro passar despercebido, enquanto outros (como diz o poeta popular, António Aleixo, na quadra: “ (…) Sem ser o que são / São aquilo que eu pareço), isto é, sem saberem pegar na caneta (?), julgam-se artífices da palavra, sem a saberem esculpir, às vezes. É que, a educação pela arte, implica, obviamente, sabê-la esculpir, dando-lhe forma, espaço e conteúdo.

Neste contexto, dir-lhes-ei que, algumas vezes, uso como fontes bibliográficas, entre outros, a Nova Gramática do Português Contemporâneo de Luís Filipe Lindley Cintra e Celso Cunha, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Editorial Verbo, História da Literatura Portuguesa de António J. Barreiros, etc.

Como vêm, caros comentaristas, o conhecimento é um processo instrutivo e educacional da aculturação assente no paradigma construtivista da sociologia da educação em que, a aprendizagem se vai modelando nas várias interacções que estabelecemos e realizamos a vários níveis, no âmbito da formação ao longo da vida, da interacção e da hetero-formação.

Respeitosos cumprimentos

LVS

Anónimo disse...

Não seria melhor encontrarem-se beberem um copo e confraternizarem a volta do tema! se calhar saiam de lá amigos!

Anónimo disse...

carai, lvs, fiquei sem respiração! chegastes para eles!

Anónimo disse...

Para o anónimo de Terça, 17 de Maio, pelas 08:46:00 PM,

Não. Não foi isso o que pretendi alcançar, caro anónimo. Nos últimos tempos, tenho constatado que, infelizmente, alguns sentem-se bem nas trevas. Mas, se não é no negrume, gostam de lançar uns bitaites sem ponta por onde se lhes possa pegar. Daí que, a minha reflexão, apenas pretende trazer à colacção um pouco de Luz, Verdade e Justiça, como sinónimos do conhecimento e das sinergias epistemológicas do paradigma construtivista do saber.

Respeitosos cumprimentos

LVS

Anónimo disse...

não percebi nada de nada das sinergias. e bem que gostava de sair do negrume.

Anónimo disse...

Há cá cada um! Nem 8 nem 80. Não sabes o que são sinergias? Vá lá, acorda. É a força que tens para viver, sem nada dares à sociedade. Então faz lá um esforço e anda, caminha e vem daí.

Anónimo disse...

Obrigado. Então a frase fica: a força que tenho para viver epistemológica do paradigma construtivista do saber. Agora, já percebi. Sem os seus bitaites, professor, não conseguia.

Anónimo disse...

Ó, PÁ, NÃO É PRECISO BATERDE-VOS. BEBEI UM COPO, QUE ISSO PASSA COMO DIZ O ANÓNIMO DE Seg Mai 16, 10:07:00 PM. PEDI DUAS MINIS, MAS DEIXEM LÁ O PARADIGMA.

Anónimo disse...

Segundo certo professor de epistemologia:"Ninguém diz nada que não tivesse sido dito."E aqui, nota-se perfeitamente quem diz mais sem ter que repetir aulas recebidas.

Anónimo disse...

Nem com a mini certo professor de epistemologia se deixa de repetir.