01 junho 2008

Acto de justiça

O primeiro-ministro entendeu que a adjudicação da auto-estrada transmontana, em Vila Real, é um «acto de justiça e solidariedade». Para José Sócrates, o acto público onde se assinou o contrato para esta via foi um daqueles em que participou com mais gosto. «Sei bem o significado que isto tem para as pessoas de Trás-os-Montes. Compreendo os seus anseios e suas expectativas e esperanças. E ao verem agora assinado este contrato quero partilhar este sentimento, ao dizer que este acto prestigia o Estado português", acrescentaria na pompa e circunstância do acto.
Foram bonitas de se ver as manifestações de regozijo de Bragança a Vila Real com foguetório, discursos inflamados, muitas palmas e até lágrimas de emoção. As excursões à capital de Trás-os-Montes para receber a boa nova foram mais que muitas: milhares de idosos e muitos e muitos jovens e crianças desfraldaram bandeiras e entoaram vivas, irmanados num emotivo agradecimento à nação. Alguns, um pouco distraídos, ainda afirmaram ter ido ver o Cristiano Ronaldo, porém a maioria sabia bem da importância do túnel do Marão e da nova auto-estrada. São raras as imagens do evento, mas compreende-se, pois toda a imprensa está empenhada na cobertura noticiosa dos feitos grandiosos da selecção nacional que pela primeira vez estagiou numa cidade bem longínqua, Viseu, uma espécie de interior.
Os idosos bendiziam a obra pela facilidade e comodidade nas futuras excursões camarárias, realçando as peregrinações a Fátima. Os jovens referiam entusiasticamente a rapidez com que poderiam ir assistir aos jogos do dragão e, particularmente o estarem mais perto das boas universidades, quer do litoral, ou da vizinha Espanha. As crianças, quiçá instruídas pelos mais velhos, louvavam a pertinência de poderem mais rapidamente chegar aos locais de consumo, cultura e entretenimento. A população activa dava graças por se ter permitido emigrar mais facilmente para o litoral ou para a Europa. Os empresários também bendiziam a obra e referiam as vantagens de agora melhor poderem importar produtos de Espanha, alguns até referiam a possibilidade de ir mais longe. Alguns "xico-espertos" comentaram que ali não se viam agricultores e produtores da região, até que alguém os esclareceu que estavam em vias de extinção. O senão foi meia dúzia de contestatários que gritaram algumas palavras de ordem na defesa das linhas do Tua e do Corgo e na primazia que devia ser dada ao comboio. Tão poucos, que nem chegaram a estragar a festa... Que foi linda. Bem-haja senhor primeiro ministro!

9 comentários:

Anónimo disse...

Um "acto de justiça" não deve ter por alvo a ironia (se bem que ela caiba em algumas "digressões" deste texto), outrossim o reconhecimento de uma promessa (finalmente) cumprida!

h.r.

Anónimo disse...

Exacto h.r.
Quer se goste ou não, Sócrates é um dos poucos Primeiros que vai fazendo alguma coisa com alguma coerência.
Àparte a subida dos impostos ao contrário do que tinha anunciado mas porque o défice estava escondido curiosamente pela Drª Manuela que a partir de agora lidera a oposição.
Goste-se ou não o homem escolheu um rumo!

Anónimo disse...

Só é pena que com o rumo que o Sr: Sócrates escolheu está a criar um a País de extremos, o pobre cada vez mais pobre e rico cada vez mais rico, está a criar cada vez mais injustiça social e do seu péssimo governo a criminalidade a aumentar cada vez mais.
Eu não vejo nenhuma coerênciam, mas enfim!!

Anónimo disse...

j.a. = 1000, h. r. = 0000.

Anónimo disse...

Ao anónimo Ter 03, 09:23 AM:
Não lhe respondi ontem porque fui consultar uns dados (INE) onde observei:
1º A criminalidade tem vindo a baixar.
2º Em 2007 a diferença entre ricos e pobres baixou em cerca de 2% relativamente a 2004!

V. Exa deve medir a criminalidade pela visibilidade que a mesma tem, ou seja: os media publicitam mais do que no passado.
A diferença entre ricos e pobres continua a ser elevada e todos desejamos que fosse menor mas que baixou, baixou.
Acho que não custa nada antes de escrever dar uma pequena volta pelos números e então sim, comentar.

Anónimo disse...

Boa esta observação que antecede.
Sem mais!
Quem não sabe mas que quer falar, deve aprender a consultar as estatísticas... das quais ninguém come, nomeadamente os mais pobres, mas que servem para ambos os lados!

Anónimo disse...

Os números cada um vê os que lhe convém.
Poupem o nosso Pais cada vez está pior, só não vê quem não quer!!!

Anónimo disse...

olha como eles se presentam, rapazes: o jam parece o jlm e o h. r. o ajs.

João disse...

Como vê,estou de novo a fazer comentários no seu blogue.É uma tentação a que já resisti muito tempo.Só espero que o sr. administrador não se zangue novamente comigo.Espero ser cortês, como,aliás, é meu timbre.
Neste seu artigo fico sem saber se afinal quer ou não boas vias de acesso a Trás-Os-Montes.
Gabo-lhe, no entanto, a sua veia para a ironia,em relação à qual eu o julgava totalmente avesso.
JLM