10 junho 2008

Vacas sagradas e anónimos

No dia das comemorações de Portugal porque não reflectir sobre nós próprios, pois que comemorar feitos, para além do futebol (por enquanto) não temos, no presente, muito de nos orgulhar. A causa de um dos nossos atrasos, penso que seja, a institucionalização das “vacas sagradas”, isto é, não nos é permitido criticar, pôr em causa, apontar as insuficiências. Não que não tenhamos o odioso hábito de criticar por criticar, de maldizer, de caluniar, de lançar a suspeita sem uma argumentação sólida, preferencialmente sob a capa do anonimato.

Sob essa “heróica” farda, vomitam-se as maiores verdades, tecem-se as mais sólidas alegações, legítimas no seu pensar. Na sua assumida “pulhice” revoltam-se se censurados, se apagados, se confrontados para darem a cara. Têm-se no direito de não poderem assumir a identidade por causa do emprego, da posição, de não ficarem mal com ninguém, de serem pura e simplesmente “desprezíveis”… Não enxergam que se trata tão somente de uma questão de coragem, de hombridade. Não descortinam que nunca deixarão de ser meras ratazanas, sem rosto, sem identidade.

Voltamos às vacas sagradas. As instituições serão todas virtuosas, os seus dirigentes serão empenhados, honestos e isentos de toda a crítica e, regra institucionalizada, nunca poderão ser postos em causa. Quem por meios legítimos, isto é, com direito, de modo frontal, com as ferramentas genuínas (a interrogação directa ou indirecta) colocar em causa a sua prática, “cai o Carmo e a Trindade”.

(Veja-se o exemplo aqui em baixo. Nada ou pouco se afirmou, apenas se questionou, e observem-se as alegações em defesa da honra, os apoios à “dama ofendida”, os insultos, sob a capa do anonimato ((pois claro)) ao arguente e… as perguntas “pertinentes” não tiveram respostas convincentes). (Louvam-se também os apoios ao “chefe”, em dias de medalhas, quiçá alguma seja distribuída). (Agradece-se ainda a clarificação das iniciais JLM, pois ficámos a saber que JLM não é o JLM, pois o JLM há um e só um, JLM).

Há muito que se sabe que é da dialéctica que as sociedades evoluem (veja aqui). Em teoria, quanto mais confronto (sereno é preferível) entre tese e antítese, melhor síntese se elaborará. Tudo se desenvolve pela oposição dos contrários. A falta de desenvolvimento verificado nas ditaduras tem como razão o esmagamento dos antagonismos. As sociedades evoluídas nascem da confrontação e da disputa. Assim se passa no domínio das instituições.

Quando se defendem, de forma consciente ou inconsciente” “vacas sagradas” não se estão a defender as estruturas sociais, mas sim o seu definhamento ou cristalização. E em última análise a própria morte. Esta é uma das razões do nosso atraso.

19 comentários:

Mario disse...

Muito bem caro José Mesquita

e porque não, o funcionário continuar a ser um bom e "estimulado" funcionário a ser um péssimo chefe...

e porque não, o verdadeiro responsável só se sentir verdadeiramente realizado quando conseguir "formar" alguém muito melhor que ele para o substitur( em vez, de por conhecimento das suas limitações e competencia, destrua todos os que lhe possam fazer frente?)

Só assim as pessoas, as famílias, as empresa, as autarquias , as nações evoluem e ... fazem HISTÓRIA

"todos tendem a ser promovidos até ao limite da sua incompetencia"

Helder Carvalho disse...

Caro Prof. José Alegre
Apenas lhe posso propor que tenha paciência e tente entender que para alguns seria difícil que agissem doutra maneira. Existem sem ter consciência disso. Por vezes até os invejo. Não sentem a realidade que morde. De tão explorados psíquica e fisicamente, desabituaram-se de se relacionar. Perderam a vontade de transformar o mundo e de mudar as suas tristes vidas. O pouco que podemos fazer por eles é consentir que vivam as suas ilusões colectivas ou individuais, os seus mundos, esvaziados de realidade.
Teremos de aceitar que o Blog possa ser pelos vistos, um meio de descarregarem as suas frustrações, de cultivarem o seu voyeurismo para que o desespero não invada definitivamente as suas vidas quotidianas. Alegremo-nos pois pelo contributo que estamos a dar para que aqui, outros, porventura mais crentes na liberdade, na felicidade e no autêntico, ofereçam o seu conhecimento e sensibilidade como contributo sincero para o nosso aperfeiçoamento.

Anónimo disse...

Das comemorações do 10 de Junho, a melhor foi a do presidente da república ao chamar-lhe o "dia da raça"! Qual raça? Enfim, acredito que tenha sido um mero equívoco diante de uma pergunta inesperada do jornalista.

Anónimo disse...

penso que o anónimato não tem problema nenhum, penso que a identificação é desnecessária...
o que interessa são os pontos de vista e opiniões.
cumprimentos

Couve disse...

alguresemcarrazeda.blogspot.com

concordo com o comentario anterior.
para quê a identificação? se os objectivos não tem nada a ver?
lalala

Anónimo disse...

O dia da raça sim, orgulho de ser português! Podem pedir a nacionalidade Espanhola.... ass: lord ss 14/88

Anónimo disse...

Não há raça portuguesa nem espanhola nem francesa... o que há é comunidades que felizmente convivem interculturalmente nesta aldeia global em que temporalmente vivemos. Mas pronto, os "lord" também têm direito ao seu saudosismo fascista e medieval. Afinal vivemos em democracia e todas as opiniões, por mais infelizes que sejam, têm que ser toleradas. Este lord podia até ter aproveitado o desfile da saudação nazi que os pobres do PNR fizeram, loucos de entusiasmo pela presumível gafe do presidente da república...

Anónimo disse...

Parece que cada vez mais vivemos numa sociedade de extremos... a sociedade do 8 e do 80.
Não condeno a frase do senhor presidente da república. Por outro lado tento interpretá-la de outra forma.
Concordo que não haja raças no mundo ,que cada vez mais a humanidade está mais próxima.
Mas eu acho que dentro de cada povo que viveu um passado diferente existem marcas que definem esse povo, não marcas físicas nem intelectuais mas marcas sociais.
Nós portugueses devíamos ser um povo forte, duro, persistente, com "raça" e é isso que nos falta, estamos a perder aquilo que sempre tivemos que nos levou a descobrir mundos desconhecidos, a navegar por mares nunca dantes navegados!
E por estarmos a perder essa "raça", por sermos cada vez mais do mundo, recebemos tudo o que o mundo nos dá mas perdemos a nossa identidade de guerreiros que ganharam terras aos Mouros e guardaram essas terras dos espanhóis. Somos cada vez mais do mundo e queremos cada vez mais ser do mundo e ainda bem...mas se possível vamos manter a nossa força e vitalidade de portugueses que há tanto perdemos.
O mal do mundo de hoje é levar tudo o que houve à letra, devemos abrir a nossa mente a ideias.

Cumprimentos
Cumprimentos

Mario disse...

Permitam-me "alguns intelectuais" um desabafo:

Se consideram os outros "escumalha"
incapaz de os compreender o que fazem eles "altamente dotados" para compreender e fazer compreender essa "escumalha"?

Anónimo disse...

penso que a citação do Sr. Presidente da Republica, deveria ter sido pensada.
quanto ao anonimato, não vejo nenhum problema, pois muitos obtem assim o sucesso.
cumprimentos a todos

Anónimo disse...

pois a raça portuguesa, isso mesmo tenho orgulho. esse comentário diz tudo, nem eu me afirmei nazi nem fascista. essa declaração transmite o comunismo, que implica poder calar os outros e acabar com a liberdade de expressão. eu respeito todas as manifestações tanto de esquerda como de direita e não sou como vocês comunistas contra a liberdade de expressão e de vida, limitam o povo como por exemplo Cuba e China. e por ter orgulho e admitir a nossa raça portuguesa não significa que sou nazi. e ainda por cima partem logo para o insulto, é de baixo nível mesmo. ass lord ss 18/88

Anónimo disse...

Mais uma coisa, neste blog não se pode dar opiniões. Só existe falta de consideração e de respeito, tudo que seja em contrario é logo mal tratado e posto de parte. e vem vocês falar em democracia e direitos.... e mais ........... ass lord ss 14/88

Anónimo disse...

E por fim para quem sabe ler e tem um pouco de cultura e queira realmente perceber.

Antes da “Revolução dos Cravos”, a 10 de Junho comemorava-se o Dia da Raça.

E que "raça" era esta? Simplesmente a raça de um povo que sempre foi original face aos outros povos europeus. Povo com uma História de 8 séculos; com um Estado dos mais antigos da Europa (actualmente em derrocada…) e com um Império inigualável na vastidão dos territórios e na criação de uma nova sociedade, fraterna e plurirracial, aliás querida e aceite, ao tempo, por negros e brancos.

Hoje, quem for intelectualmente honesto reconhecerá que o nosso Ultramar, mesmo com o advento do actual regime político, deveria ter sido defendido porque lá estavam milhões de portugueses, pretos e brancos, os quais queriam viver sob a nossa bandeira e usufruir da nossa paz, da nossa cultura, da nossa civilização. Hoje, os brancos honestos abandonaram a nossa África, deixando a mesma aos arrivistas, nada restando já das nossas infra-estruturas – escolas, liceus, hospitais, fábricas, portos… o bem-estar e o progresso enfim…

Hoje, o que lá existe é a selvajaria daqueles que se entregaram, ao longo de 13 anos de guerra, à destruição em nome do comunismo internacional. E que perseguem o seu próprio povo…

Viu-se quem ficou, em Angola ou Moçambique, a explorar as imensas riqueza: os soviéticos, os cubanos, os americanos. Hoje, os chineses…e o povo sofredor vegeta na mais triste miséria…

A perda do nosso Ultramar foi uma traição a todos os (verdadeiros) portugueses, não enfeudados a ideologias marxistas, e uma traição a todos aqueles que lá estavam a trabalhar, a investir… recorde-se que Angola, em 1970, era uma verdadeira explosão económica no panorama do continente africano. Tudo se perdeu com a ajuda de todos aqueles que se ajoelharam perante a ideologia do Mal … perdemos nós, perdeu o povo africano…

Resta-nos este pequenino rectângulo: no contexto da União Europeia, com o fim das Nações, até quando?

Em África, sofreram e morreram em combate negros e brancos, irmanados na mesma causa: um só povo, formando uma só Nação: Portugal estava aberto a todos os seus filhos.

Como disse Marcello Caetano, “Portugal é de todos nós. Nós todos somos Portugal!”.

Hoje, não seria incompatível, com a vigência de um regime parlamentar, democrático como se diz, a manutenção desse espaço de prosperidade económica e social que foi o nosso Ultramar. Contudo, a cobiça das outras Nações Europeias, e não só, determinaram a sua perda…ventos da História...

No dia da Raça e de Camões exaltava-se a Nação e o Império, a Metrópole e as Colónias.

Hoje, não sabemos bem o que se comemora… ass Lord ss 14/88

Anónimo disse...

Em relação à moderação dos comentários, essa activação deveria ter sido accionada logo de início, para se terem evitado inúmeros insultos cobardes a coberto do anonimato. Em relação a este anónimo que se assina "lord", temos que respeitar a sua opinião porque somos verdadeiramente democratas, mas não podemos estar de acordo quanto à sua manifestação tão flagrantemente colonialista e deturpadora da realidade político-social do mundo moderno. Nós fomos os últimos colonialistas, exploradores e donos ilegítimos dos autóctones africanos, devido à política fascista, retrógrada (orgulhosamente sós) e criminosa do regime salazarista que nos amordaçou durante meio século, encarcerados, oprimidos, vergonhosamente limitados e mesmo coarctados da liberdade a que qualquer humano tem direito. Hoje, felizmente, podemos usufruir dessa liberdade (como se pode confirmar, por exemplo, neste blogue), e é em nome dessa liberdade que todos os povos têm direito à sua autodeterminação, à sua independência, à sua identidade nacional. Saibamos, pois, respeitar, fraternalmente, todos os povos na sua legítima independência e só assim o SOL poderá brilhar para todos igualmente neste velho planeta que nos coube como lar para nele vivermos um pequeno lapso do nosso tempo. Por isso, não à escuridão e sim, muito sim, à luz que nos irradia na senda da liberdade, da democracia e do MULTICULTURALISMO. São estes três importantes vectores da humanidade que se devem comemorar, não apenas no 10 de Junho (importante marca histórica da nossa portugalidade por Camões anunciada em versos imortais dos LUSÍADAS), mas em todos os dias da nossa precária existência física, para que valores como a amizade, o respeito, o amor, a solidariedade entre todos nós, sejam constructos inequívocos da nossa dignidade humana!

Anónimo disse...

essa do anonimato é boa. quem è a vaca sagrada da foto? nao me diga que è você, jam, embora a rabiscar sobre as sagradas, pareça mesmo o jlm.

João disse...

Eu não sou nem quero ser nenhuma vaca sagrada mas tem alguma razão o sr. anónimo:até pareço eu a rabiscar.
JLM

jose disse...

http://www.ansiaes-pura.blogspot.com/

Anónimo disse...

ESSA JAM DE ACUSAR OS OUTROS DE ANONIMATO,. NÃO ME DIGA QUE NUNCA O USOU. FERRE AQUI A VER SE EU DEIXO,.

Anónimo disse...

Que falta de respeito e de bom senso vai neste blog.
E não me exalto mais do que entristeço.
Dizem que os jovens estão perdidos?
E como não estar, se até num espaço que deveria ser de opiniões e debates (dignos), se deparam com agressões mesquinhas, políticas e (desculpem-me o termo) infantis.
Foi apenas um comentário de alguém já cansado de tentar encontrar opiniões sobre a sua terra que cultivem e demonstrem diferentes perspectivas, sem que logo a seguir "seja crucificado para que todos atirem a primeira pedra".
É de facto triste e desmotivante deparar-me constantemente com estas situações.

Para os que martelam os pregos na cruz, tenho a dizer que esta é a minha opinião e tal como eu respeito os pontos de vista de toda a gente aqui, gostaria que assim respeitassem o meu.

Peço ainda desculpa pelo facto do meu comentário não ser relacionado com o tema em debate, mas depois de ler os anteriores perdi sinceramente a vontade de dizer o que quer que seja.

Cumprimentos,

M.G