01 fevereiro 2005

Política cultural? (4)

Feita a avaliação do panorama cultural do concelho, incompleta e quiçá demasiado pessimista, conclui-se que a realização das actividades de carácter cultural e recreativo são organizadas de uma forma centralista, sem uma perspectiva de participação organizativa dos diversos actores e protagonistas do concelho, sem aproveitar todas as sinergias existentes, sem uma continuidade para além da acção e apoio camarário, centradas, algumas vezes, em vaidades pessoais e vacuidades estéreis.

Assente a poeira e clareadas as águas após esta agitação, quais deverão ser as prioridades e por onde deve passar a actuação para o fomento das actividades culturais e recreativas? Ao longo destas humildes e despretensiosas linhas fomos adiantando diversas sugestões. Para um bom entendedor teria bastado o que se escreveu, mas queremos ser mais concretos. As linhas de actuação passam pelo já referido anteriormente: sensibilidade, planificação, programação, envolvimento colectivo, agentes, técnicos de acção cultural. A planificação terá de ser contratualizada e deverá surgir das verdadeiras necessidades da população. A programação surgiria fruto de necessidades e também com a participação das populações e dos seus órgãos representativos.

A não existência de técnicos da acção cultural é uma pecha a ser colmatada a breve prazo de modo a dinamizar as actividades de índole cultural e recreativa. Lamenta-se que não tenha havido uma política de admissão de técnicos credenciados nos quadros de pessoal, não seja proporcionada formação adequada aos existentes, ou não tenham sido elaborados protocolos de colaboração com entidades prestigiadas. Defende-se que existam verdadeiros profissionais com formação adequada e não simples amadores em fúteis experiências como as que foram já tentadas e que recordamos - a aprendizagem do francês e um programa da música, direccionados para crianças do Primeiro Ciclo. No nosso distrito há duas entidades de ensino superior que formam quadros para a dinamização cultural e recreativa. Para a elaboração, avaliação e acompanhamento de projectos para infra-estruturas físicas são requeridos engenheiros, arquitectos e outros técnicos habilitados, porque não para as actividades de cultivo do corpo e da mente?

Um outro aspecto primordial de actuação passa por um verdadeiro intercâmbio com a escola, na celebração de protocolos com o agrupamento do concelho. Até aqui têm sido apresentadas uma série de propostas para que as escolas nelas participem. O processo tem de ser feito ao contrário. Compete à comunidade escolar, professores, alunos, pais e encarregados de educação delinear um projecto educativo, calendarizar acções e através dos apoios da autarquia e de outros agentes viabiliza-se e dá-se sequência ao projecto. Num diálogo continuado, surgirão o estabelecimento de parcerias para desenvolvimento conjunto e referenciado de um sem número de actividades que propiciarão às nossas crianças aprendizagens activas e diversificadas, na potenciação do carinho pelo rincão onde nascemos e vivemos de modo a serem preservados e valorizados os diversos patrimónios locais.

No relacionamento com as associações culturais e recreativas muito há a trabalhar para desenvolver iniciativas e implantar boas rotinas. Para além das actividades dirigidas e pontuais como o “Cantar dos Reis”, importa que as que o queiram, desenvolvam um trabalho autónomo, de acordo com as necessidades dos locais. O caso da Associação Cultural e Recreativa de Pombal de Ansiães tem sido um exemplo. Muitas das suas acções, autênticas pedradas no charco do imobilismo geral são quantas vezes mal entendidas e, parece-nos até mal interpretadas porque são apostas várias resistências, consubstanciadas na pouca divulgação e apoio.

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