Com os exemplos apontados, a que poderíamos adicionar muitos outros para justificar o panorama desanimador e pouco consequente da actividade cultural concelhia, é altura de analisar situações concretas; apontar omissões; enunciar caminhos alternativos, viáveis e apresentar alternativas.
A empresa é colectiva e convém aproveitar todas as sinergias. Presentemente vão-se realizando diversos projectos individuais de investigação sobre o concelho, fruto de estudos em estabelecimentos de ensino superior para aquisição de licenciatura, mestrado ou doutoramento e, apesar de sabermos terem sido apresentadas propostas para uma partilha pública, por condicionalismos inexplicáveis, reticências inúteis, não colheram consentimento. Neste capítulo, só têm consequência, na sua grande maioria, a publicação de obras e a divulgação de trabalhos apresentadas por forasteiros ou residentes fora do concelho. Pelo depoimento ouvido a outros, pretensamente teriam sido apresentadas sugestões de realizações de eventos culturais, mais ou menos graciosos, que caíram sempre no rol do esquecimento e de desinteresse dos responsáveis municipais, nomeadamente, a oferta sem despesas para o município, da actuação de grupos musicais.
Estamos de acordo com a programação de eventos para um público mais exigente e saudamos os recitais de música clássica, de câmara e dita erudita. Porém lamenta-se, como já foi referido neste blogue, muitas das realizações aparecem descontextualizadas, fruto da moda, do improviso e do capricho, sem uma planificação, um projecto ou uma necessidade, como aconteceu com o festival de rock, de há uns tempos a esta parte, denominado com toda a prosápia “Rock Ansiães”, e acontece com os encontros de poesia, anualmente realizados; ou o Festival de Música Medieval feito com pompa e circunstância, especialmente para os VIP, pois quase todos os lugares da assistência disponíveis estão reservados a eles.
Há um denominador comum a muitas realizações culturais concelhias: a pintora Graça Morais. É uma das melhores artistas plásticas nacionais, detém um património que orgulha todos os transmontanos, representa um valor demasiado importante e que interessa defender. No entanto associada a ela gravitam interesses representados nos seus familiares que convém equacionar e explicar a sua utilidade para bem da transparência e lisura de processos. Eles são credores de variados trabalhos em que o município tem gasto directa ou indirectamente avultadas verbas. Os conhecidos: o Festival de Música Medieval, um filme sobre a região que muito poucos tiveram oportunidade de visionar, uma monografia sobre o concelho já mencionada (esta apareceu com bons intuitos, fruto de uma necessidade sentida, mas tem-se prolongado para além do razoável). Não questionamos o mérito ou demérito das iniciativas, apenas perguntamos: a elas seria dada a mesma importância e apoio se não fossem sufragadas pela ilustre criadora?
A grande acção programada para os próximos anos é um museu internacional de escultura contemporânea ao ar livre (MIECAL) que prevê transformar toda a vila num enorme museu ao ar livre, dedicado à escultura em que irão participar nomes sonantes estrangeiros. A iniciativa merece todos os aplausos pela divulgação do concelho e a possível repercussão em termos turísticos. O seu patrono é o escultor Alberto Carneiro. É um dos nomes mais importantes do panorama nacional e isso é já uma garantia de sucesso e qualidade. Habituados à míngua, poder-se-á argumentar: o pobre avisado desconfia quando a esmola é grande. Nestas como em outras situações, são esquecidos os artistas da região ou tão só do concelho. Então não haverá lugar para eles?
Há iniciativas que se aplaudem como sejam a “Feira do Livro”, a “Feira da Maçã”, o “Cantar dos Reis”, entre outros. Convém melhorar programações, dar-lhes uma nova dinâmica, potenciar ideias, ultrapassar barreiras provenientes de rotinas e da interioridade que as esmaga e condiciona.
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