06 fevereiro 2010
100 dias
Parafraseando o Manuel, poeta presidenciável, "o vento cala a desgraça / o vento nada me diz".
Na iminência da destruição de um rio, perguntou-se ao ribeiro da Veiga e ninguém vê uma corrente sonhadora, apenas o lodo das águas. Esta terra desfalece à beira de um ribeiro triste. Os rios continuam a correr para o mar e a "minha gente" permanece nas margens ou a fazer telefonemas à Edp para saber do nosso destino colectivo.
Pergunta-se à gente que passa, notícias do nosso futuro, mas os seus sonhos moram muito longe e afogam as suas mágoas em breves reencontros na margem de uma curva, em bebedeiras de tinto, etc e tal.
Pergunta-se aos montes que nos rodeiam e deles ressoa o eco perturbador da inveja, da intriga, da maledicência e da ingratidão. Apoiou-se o que hoje parece detestável. Calunia-se quem nos promoveu. Morde-se a mão que nos deu o pão. Combate-se hoje o que se defendia ontem. Maldiz-se quem nos fez bem. Renega-se quem se adorou.
Pergunta-se à brisa que passa silenciosa e ligeira por uma vila com vontade de progresso e a brisa nada nos diz. Apenas o silêncio dos cemitérios, a quietude das obras de Santa Engrácia, a apatia angustiante da desmotivação.
E haverá uma candeia que alumie, alguém que semeie canções, alguém que resista, alguém que diga não...???
09 julho 2009
"Magalhães", um projecto de futuro?
No presente ano lectivo distribuíram-se cerca de 400 000 computadores “Magalhães” no âmbito do programa e-escolinha a quase totalidade dos alunos que frequentam o 1.º Ciclo. Destes, cerca de 50 000 optaram por não concorrer, na sua grande maioria alunos do 4.º ano de escolaridade que, presumivelmente optaram por aguardar inscrever-se no programa e-escola no próximo ano lectivo, quando frequentarem o segundo ciclo do ensino básico porque terão uma máquina mais potente.A iniciativa e-escolinha resulta de um conjunto de parcerias entre o Governo Português, a Intel, a Microsoft, a JPC, a Porto Editora, os principais operadores de telecomunicações, entre outros. As famílias carenciadas puderam ainda contar com o apoio das autarquias parceiras da iniciativa no acesso aos serviços de Internet.
Muito criticada esta é uma iniciativa que globalmente me merece muito aplauso.
O projecto ajuda a colocar a escola na sociedade do conhecimento. Esta nova realidade reinventa o conceito de escola e de aprendizagem. Professores e alunos dispõem de uma poderosa ferramenta que lhes permite desenvolver um conjunto de actividades na linha das modernas metodologias educativas: a aquisição e desenvolvimento de novas competências e capacidades ligadas à inovação na produção de materiais didácticos, de confronto com diversas fontes de informação, de desenvolvimento de parcerias e o recurso a estratégias mais activas e participativas. A escola dispõe do instrumento que lhe permite o alargamento do conceito de comunidade educativa, mais intervenção dos encarregados de educação e da sociedade envolvente, pois está facilitada a interacção. O papel do professor redimensiona-se e terá de sentir vontade de renovar o acto de ensinar e tornar-se um mediador na construção do conhecimento. De simples transmissor de conhecimentos, o papel do docente passa a ser também o de facilitador da aprendizagem.
Vamos agora às principais críticas.
Uma das principais é que o “Magalhães” pode ser visto apenas como uma máquina de jogos, como qualquer consola e não como um computador para trabalhar. O papel da família e da escola será o de educar para que esta destrinça seja clara. Não menosprezando o carácter lúdico, ele é acima de tudo uma máquina auxiliar à aprendizagem e um veículo que tem acesso ao conhecimento.
O “Magalhães”foi disponibilizado gratuitamente ou a preços reduzidos, de acordo com as condições económicas das famílias. O custo máximo do produto foi 50€ que mesmo assim corresponde a cerca de 1/6 do seu valor comercial: O produto é barato e corre o risco de não se lhe dar a importância e merecer o cuidado que de facto possui. Descontando a trapalhada dos valores movimentados pela Fundação para as Comunicações Móveis, todos devemos reconhecer que o nosso país não se deve dar ao luxo de desbaratar. Quiçá o instrumento devesse ser atribuído à escola e não aos alunos, assim serviria muitos mais.
O projecto disponibiliza, a par da tecnologia, conteúdos educativos digitais seleccionados pelo Ministério da Educação para os alunos e professores do 1.º ciclo. O percurso provou que muitos foram produzidos sem o cuidado exigido resultando em erros ortográficos já detectados, mas que tiveram uma repercussão negativa que o projecto não merecia.
O projecto do computador “Magalhães” pioneiro a nível mundial disponibilizou a todas as crianças do 1.º nível do ensino básico um instrumento fundamental na escola de hoje. Saibamos nós rentabilizá-lo e potenciar a sua utilização para transformarmos a sociedade portuguesa numa mais evoluída, isto é a sociedade do conhecimento.
10 junho 2009
Um lamento
28 maio 2009
Novos Correios em Carrazeda
Visitei-a e pareceu-me um espaço moderno e funcional dentro do que os CTT têm, no género, a nível nacional. A empresa dos correios é agora muito mais que o local de entrega e recebimento de correspondência, tornando-se cada vez mais um ponto comercial que concorre com outros espaços locais de venda pública.
A preocupação dos seus responsáveis era de que todos tirassem uma senha, mesmo que ninguém tivesse a ser atendido, como foi o meu caso. Nos poucos minutos que demorei a efectuar um registo, ouvi uma boa meia dúzia de vezes a pergunta seca, repetida e gritada "já tirou a senha?" para um ou dois utentes que chegavam. Pois tire-se a senha e já agora melhore-se o serviço de atendimento, pois o existente nas antigas instalações da Praça do Município era dos "piores" do serviço público concelhio: espaço exíguo, filas intermináveis - a usar só em caso de última necessidade.
Ressalvo o serviço de proximidade efectuado pelos senhores carteiros que me parece de muito boa qualidade.
13 outubro 2008
Ainda a tempo

A distribuição de casas em Lisboa por políticos, amigos de políticos, familiares de políticos, primos de políticos, afilhados de políticos, escritores, actores, escultores, pintores, artistas plásticos e outros “artistas” atingiu foros de escândalo nacional que breve se dissipou sem qualquer consequência criminal e muito menos política. Rezam as crónicas dos jornais que bastaria um simples requerimento, um pedido por telefone, uma ligeira insinuação a alguém bem colocado para se obter uma “casita” do Município alfacinha. Os menos surpreendidos, publicitaram os ditos, foram os felizes contemplados que acharam absolutamente natural o privilégio, pois dele se achavam merecedores e até de muito mais. Ficou-se a saber que a compra ou renda de uma habitação está reservada à plebe, isto é, aquele que não tem cartão partidário, ou tão só vive sem o guarda-chuva do poder. Tenho a profunda convicção que esta é uma situação que se estende ao todo do território nacional.
Recordo o processo de distribuição das primeiras habitações construídas pelo município carrazedense no Bairro Adelino Amaro da Costa, a que se seguiu o Bairro Francisco Sá Carneiro.Muitos sabem da injustiça que rodeou a atribuição destes fogos. Os preteridos e não calaram a revolta de pouco lhes valeu o desabafo. Sem atribuir qualquer conotação prejorativa ou não aos ilustres políticos, quero que atendam aos dois nomes, um, insigne dirigente do CDS, e o outro, a figura maior da história do PSD. Os bairros mencionados foram edificados num período de coligação dos dois partidos que constitui também à sua maneira um grande bloco de interesses do concelho.
Neste país: da região ao distrito, ao concelho, à freguesia mais pequenina, da direcção geral à pequena repartição pública, passando pelo hospital, o Centro de Saúde, tudo é conseguido à custa do favor e da influência. A decisão de congelamento no acesso à administração pública exponenciou o descaramento. Sem andar de chapéu na mão, nenhum jovem recém-licenciado e/ou à procura de emprego consegue emprego. Neste país a cunha virou instituição.
10 junho 2008
Vacas sagradas e anónimos
No dia das comemorações de Portugal porque não reflectir sobre nós próprios, pois que comemorar feitos, para além do futebol (por enquanto) não temos, no presente, muito de nos orgulhar. A causa de um dos nossos atrasos, penso que seja, a institucionalização das “vacas sagradas”, isto é, não nos é permitido criticar, pôr em causa, apontar as insuficiências. Não que não tenhamos o odioso hábito de criticar por criticar, de maldizer, de caluniar, de lançar a suspeita sem uma argumentação sólida, preferencialmente sob a capa do anonimato. Sob essa “heróica” farda, vomitam-se as maiores verdades, tecem-se as mais sólidas alegações, legítimas no seu pensar. Na sua assumida “pulhice” revoltam-se se censurados, se apagados, se confrontados para darem a cara. Têm-se no direito de não poderem assumir a identidade por causa do emprego, da posição, de não ficarem mal com ninguém, de serem pura e simplesmente “desprezíveis”… Não enxergam que se trata tão somente de uma questão de coragem, de hombridade. Não descortinam que nunca deixarão de ser meras ratazanas, sem rosto, sem identidade.
Voltamos às vacas sagradas. As instituições serão todas virtuosas, os seus dirigentes serão empenhados, honestos e isentos de toda a crítica e, regra institucionalizada, nunca poderão ser postos em causa. Quem por meios legítimos, isto é, com direito, de modo frontal, com as ferramentas genuínas (a interrogação directa ou indirecta) colocar em causa a sua prática, “cai o Carmo e a Trindade”.
(Veja-se o exemplo aqui em baixo. Nada ou pouco se afirmou, apenas se questionou, e observem-se as alegações em defesa da honra, os apoios à “dama ofendida”, os insultos, sob a capa do anonimato ((pois claro)) ao arguente e… as perguntas “pertinentes” não tiveram respostas convincentes). (Louvam-se também os apoios ao “chefe”, em dias de medalhas, quiçá alguma seja distribuída). (Agradece-se ainda a clarificação das iniciais JLM, pois ficámos a saber que JLM não é o JLM, pois o JLM há um e só um, JLM).
Há muito que se sabe que é da dialéctica que as sociedades evoluem (veja aqui). Em teoria, quanto mais confronto (sereno é preferível) entre tese e antítese, melhor síntese se elaborará. Tudo se desenvolve pela oposição dos contrários. A falta de desenvolvimento verificado nas ditaduras tem como razão o esmagamento dos antagonismos. As sociedades evoluídas nascem da confrontação e da disputa. Assim se passa no domínio das instituições.
Quando se defendem, de forma consciente ou inconsciente” “vacas sagradas” não se estão a defender as estruturas sociais, mas sim o seu definhamento ou cristalização. E em última análise a própria morte. Esta é uma das razões do nosso atraso.
07 março 2008
Sobre a revolta
É sintomático referir-se que, os senhores professores nada podem dizer, pois são corporativistas, querem defender o "status quo" e o pretenso laxismo e também nada perceberão de assuntos de educação, pois serão os principais responsáveis pelos elevados níveis de abandono e de insucesso escolar que caracterizam o sistema de ensino.
É notório que uma grande parte da população portuguesa se sinta satisfeita pela redução dos ditos “privilégios” dos professores, que se saldaram numa diminuição dos salários e dos direitos profissionais.
É visível que nestes últimos três anos se procedeu a uma guerra diária, que teve como principal objectivo afrontar a classe docente, criar um clima de intimidação, mobilizar a sociedade contra os educadores.
É manifesto que através das mais diversas formas se lançou exclusivamente sobre o professor o ferrete da desconfiança e da responsabilidade dos baixos índices educativos face aos outros pares europeus e até mundiais.
O clima que se criou na escola é doentio. Ninguém deve estranhar o descontentamento que atravessa todos os profissionais de ensino porque ele advém da incerteza, da frustração, da perplexidade, do afrontamento gratuito e do profundo sentimento de injustiça.
A avalanche legislativa que este governo atirou contra as escolas inundando-a de decretos, portarias, despachos e circulares, tornaram a vida dos professores num inferno de cumprimentos burocráticos inúteis, prova disto são algumas aulas de substituição que não servem absolutamente para mais nada se não entreter as crianças, as contínuas reuniões para interpretação de regulamentos que mudam continuamente, a confusão generalizada na adopção dos melhores procedimentos.
As escolas transformam-se, quantas vezes, em puros armazéns onde as crianças passam dez ou mais horas em actividades louváveis, mas sem espaços adequados à sua prática, e reforçam um sentimento de aversão ao ensino, passando em longas e intermináveis viagens casa-escola-casa, sem tempo de lazer e da necessária socialização familiar.
A fractura a que se procedeu na carreira, dividindo-a em duas categorias, do qual saltou o professor titular, foi objecto de um processo caricato e profundamente injusto. Só se consideraram os últimos sete anos apagando-se todos os outros; os candidatos só puderam concorrer onde estavam colocados; muitos ultrapassaram os mais experientes, mais competentes, mais preparados e formados. Muitos professores que, pela força do concurso geral, foram colocados longe, viram-se ultrapassados por outros muitos mais novos.
O actual modelo de avaliação do desempenho que se quer impor é no mínimo insensato. O esquema que sintetiza todas as intervenções no processo é um autêntico labirinto. Basta ler o actual decreto-lei para perceber que o novo sistema engendrado se pauta por um processo burocrático, subjectivo, injusto e complexo que tem como principal objectivo domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços dos docentes, uma clara avaliação por quotas que tem um único objectivo economicista.
Pelo diploma perpassam regras verdadeiramente desumanas: mais de metade dos parâmetros estão relacionados com os índices de sucesso dos alunos, avalie-se o que isto pode significar pelas diferentes populações escolares que enfrentam os docentes; só com 5% de faltas, mesmo justificadas se pode progredir na carreira.
Com a observação das aulas a todos os docentes, a compilação de enviesadas grelhas de observação de atitudes e comportamentos, a análise detalhada de processos e documentos que a todos são comuns e contratualizados está a ajudar-se a criar um monstro que vai consumir milhões de horas de trabalho nas escolas e infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas.
O espírito competitivo que está na base de todas estas medidas contrastará com a solidariedade, a contratualização de vontades que o acto de educar transporta e sem ele não haverá uma clara distinção entre a escola e a lei da selva. A escola deverá ser um local onde se prepara sim para a sociedade competitiva, mas terá sempre de apontar para a utopia e para uma sociedade mais humana.
Os professores não suportam mais a indignidade com que têm sido tratados. Exemplos são as várias manifestações e uma quase unânime unidade. Nunca desde o 25 de Abril se assistiu, numa classe, a uma vaga tão grande de protesto e revolta , que cresce a cada dia que passa.
04 fevereiro 2008
Quem ri por último…
A Linha do Tua reabriu o troço de 52 quilómetros entre Mirandela e Tua, quase um ano depois do acidente em que morreram três ferroviários. Esta reabertura como a manutenção da linha entre a estação de Foz-Tua e Mirandela deve-se exclusivamente à pertinência e empenho para uns, teimosia parola para outros, inveja, como já ouvimos por não ser contemplado com espelho de água, do presidente da Câmara Municipal de Mirandela. A transformação da via-férrea em metro de superfície por acção de José Gama, ridicularizada pelos bens pensantes de Lisboa, era o segundo metropolitano do país e nasceu muito antes do ansiado portuense. A obra inserida num vasto conjunto de realizações, entre elas pontuavam o Espelho de água e a Ponte Europa, pôs Mirandela do avesso, isto é, "pôs Mirandela no mapa", tornando-a mais conhecida e a mais visitada cidade do distrito de Bragança. O caminho-de-ferro tem-se mantido ao longo de uma boa dúzia de anos com uns comboios lentos e estranhos, sem casas de banho, pintados de verde, com um baixo índice de utilização, cujos utentes, particularmente turistas, são atraídos pela beleza do vale e pelo caricato da realidade descrita.José Silvano, herdeiro natural de Gama, aparece nesta luta de salvar a linha do Tua quase sozinho, isto é, sem a solidariedade dos outros presidentes dos municípios ribeirinhos, nomeadamente Carrazeda de Ansiães, Alijó, Murça e Vila Flor, sem grande adesão dos naturais que grosso modo verão mais vantagens na construção da barragem, mas com o visível apoio de uma pequena estrutura partidária, “Os Verdes”, que politicamente está nas antípodas do seu pensamento e do Movimento Cívico pela Linha do Tua.
O autarca não poderia agir de outra maneira por variadas razões. Primeira, a linha férrea do Tua é actualmente uma criação de Mirandela e dos seus autarcas, existe graças a eles, e quem não gosta que se preservem as sua obras? Em segundo lugar, Silvano apresenta-se como o putativo líder distrital dos social-democratas, pertence ao restrito Conselho Nacional do PSD, é apontado por muitos como cabeça de lista das próximas eleições legislativas, terá de consolidar este perfil de liderança distrital como paladino e defensor dos interesses da região. Em terceiro lugar, o concelho mirandelense não tem directamente nada a ganhar, como todos os outros, com a construção de uma albufeira na foz do Tua, só perde um possível foco de aposta turística que a via-férrea também transporta. Por último, ao extremar a argumentação na defesa do comboio, parte para uma posição de força na negociação com o Governo e a EDP que só lhe pode trazer benefícios, quando forem distribuídas compensações, numa mais que provável construção da barragem e destruição da linha do Tua.
Todos os outros autarcas sorriem displicentes e irónicos pela “dita” inutilidade dos protestos e do folclore. Veremos quem rirá por último.
10 janeiro 2008
Fumar ou não fumar
Os comerciantes que querem manter zonas de fumadores nos seus estabelecimentos comerciais ainda têm dúvidas quanto aos equipamentos necessários referem diversos meios de comunicação social.Tudo parece ainda muito confuso. A nível de equipamentos para os estabelecimentos com zonas de fumadores a legislação é ambígua e refere-se na transcrição da DGS: "os equipamentos de ventilação e extracção de ar para o exterior só estarão em conformidade com os requisitos legais se forem autónomos em relação ao sistema geral e se garantirem a qualidade do ar interior de forma a protegerem dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores."
A DGS responde(!?)
«Extractos da “Circular Informativa n.º 46/DIR” da Direcção-Geral de Saúde:
1 - “Torna-se então necessário clarificar quais os requisitos técnicos a que devem obedecer os sistemas de ventilação, no sentido de impedir que o fumo se espalhe às áreas contíguas. Na impossibilidade de o fazermos por manifesta incapacidade técnica, remetemos para os requisitos de qualidade do ar interior exigíveis nos termos da lei, e que descrevemos no ponto seguinte.”
2 - “No que concerne ao requisito previsto na al. c) do n.o5 do art. 5o da Lei n.o37/2007, importa ter em conta que não se prevêem especificações relativamente ao sistema de extracção de ar, a não ser a exigência de que ‘proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores’. ”
Que características devem ter estes aparelhos? Onde adquiri-los? O nível de fumo de um local dependerá do grau do olfacto dos inspectores da ASAE, de alguma máquina misteriosa que trarão no bolso?
Todas as especulações são possíveis. No entanto, a fúria fiscalizadora continua:
“Extracto do Comunicado à Imprensa” da Direcção-Geral de Saúde de 9/1/2008:
3. A Direcção-Geral da Saúde, para promover o cumprimento da Lei, irá solicitar à ASAE que desencadeie, prioritariamente, inspecções nos estabelecimentos de restauração e bebidas que tenham afixado o dístico azul.”»
As coimas dependerão do humor do fiscalizador, parece-nos. Uma trapalhada!...
27 dezembro 2007
Pecado mortal
O ilustre transmontano, em Vinhais nascido, é bancário de profissão e à custa do seu engenho, arte e pertinência conseguiu chegar a ministro, um dos poucos transmontanos a consegui-lo, tendo percorrido rapidamente, num percurso político tão meteórico como surpreendente, as várias etapas do poder em Portugal: dirigente distrital, deputado, vice-presidente do Grupo Parlamentar, secretário de estado e ministro. Caiu em desgraça, fruto dos obscuros financiamentos da Fundação para a Prevenção e Segurança que criou. Nada foi provado. E se granjeou inimigos, os amigos não lhe faltaram quando foi nomeado gestor e depois vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos perante a estupefacção de meio mundo.
Ali terá realizado um trabalho que muitos caracterizaram de competente e transformou-se no braço direito do administrador, dele não abdicando para a nova aventura do BCP. A sua inclusão na lista de Santos Ferreira despoletou um coro de protestos.
Em que se fundamentam?
Uns dirão que a putativa entrada da nova administração no maior banco privado português pressupõe uma atitude política, isto é, uma aproximação do banco ao poder instituído, no sentido de minimizar os efeitos das irregularidades detectadas pelas autoridades reguladores do mercado. Nesta óptica acusa-se o Governo de se imiscuir nos assuntos de empresas privadas. Vara seria a face. E então porque outros da mesma lista, também do PS, não sofrem da mesma contestação? Há ainda uns outros que advogam a sua falta de competência sem pormenorizarem de forma séria, apenas referindo a inadmissibilidade de um simples “caixa” se tornar administrador de um banco.
As razões desta animosidade são mais simples. Num país pequeno, sem grandes oportunidades, tudo está mais ou menos pré-determinado. Ultrapassar condicionalismos de nascimento, de estatuto social, de raça… é complicado e só o futebol e pouco mais, o parece ter conseguido. A ascensão de Vara não é um caso de heroicidade, teve forte muleta partidária e nos dias que correm isto é pouco valorizado e até depreciado. Depois Vara é um “outsider” na capital, facto agravado por ser originário da província, e isto é um pecado capital.
08 outubro 2007
A grande reprimenda
04 setembro 2007
Divulgar depois do evento
Recebida hoje a edição do Terra Quente. No interior uma página completa de publicidade à feira da Maçã, do Vinho e do Azeite de Carrazeda de Ansiães que teve custos para todos os munícipes. Uma boa aposta publicitária num jornal regional de boa audiência que serve um mercado alvo de atracção de visitantes? Talvez, se esse quinzenário chegasse antes do evento e assim se cumprisse o reclame. Assim, nada mais que dinheiro deitado à rua, e ele é tão preciso!... Será por esta e outras que tais, que a Feira tem cada vez menos visitantes?14 agosto 2007
Contrastes
Estão praticamente concluídas e foram Domingo inauguradas pelo senhor bispo de Bragança e pelo senhor presidente da Câmara de Vila Flor as obras de requalificação do Santuário de Nossa Senhora da Assunção de Vila Flor."A intervenção principal assentou na requalificação do santuário, num pórtico de oito metros de altura e numa nova escadaria, sob a qual se esconde um centro de visitantes, auditório, bar, venda de recordações e estruturas sanitárias, entre outros benefícios. Uma outra intervenção paralela, suportada pela Comissão Fabriqueira de Vila Boas, incide na área destinada aos feirantes que ali assentam arraias por ocasião da festa da Senhora da Assunção." (Brigantia)
Este santuário leva ao local todos os anos milhares de pessoas e constituiu no domínio do turismo religioso um dos centros mais importantes do distrito. As obras vêm criar espaços em falta, como sejam o atendimento aos peregrinos, tornar melhor e mais grandioso o acesso à capelinha, numa frase, valorizar todo o espaço envolvente.
Visitei o Santuário ontem à noite e gostei. Fiquei surpreendido com a grande quantidade de pessoas que já o frequentavam a dois dias do início da romaria. Também na vila de Além Sabor, os cafés estavam bem "compostos". Impossível não fazer comparações com o lado de cá, habitualmente mais "deserto".
E depois pelo lado de lá, parece-nos haver uma diversificação de investimentos camarários feitos com uma clara intenção de despoletar as (poucas) sinergias de desenvolvimento numa abrangência concelhia. São as obras acima descritas, a área de lazer da barragem do Peneireiro, o centro escolar de Santa Comba da Vilariça... Por cá apostamos no pinoco, numas obras do castelo (oxalá a visita da senhora ministra da cultura ajude a clarificar intenções) e num museu do Vilarinho da Castanheira em que não se descortinam propósitos claros.
04 agosto 2007
Distrito de Bragança esquecido na Volta a Portugal
A Volta a Portugal não passa no distrito. Cada vez mais o percurso da Volta obedece a ditames económicos e é traçado de acordo com as ofertas financeiras. Embora esta seja uma grande oportunidade de divulgar produtos e regiões, os municípios do distrito parecem não ter capacidade económica ou vontade para captar o interesse dos organizadores. O ciclismo como festa popular não passará nas mossas estradas, assim o local mais próximo para visionar os ciclistas "ao vivo" será em Trancoso na 4ª etapa entre a Guarda e Santo Tirso numa distância de 222,1 km26 julho 2007
25 julho 2007
Piscina com águas pouco claras
A piscina municipal tem constituído a única solução para ocupação dos tempos livres da população carrazedense, em particular dos jovens. Primeiro foi a falta de água, no ano passado foram, se bem se lembram, umas obras tardias que adiaram durante largos e penosos dias a abertura. Este ano é a cor das águas que obrigou ao seu encerramento. Uma piscina que atraía pela qualidade da água e dos serviços, pelos equipamentos (depois dos escorregas, nada mais se inovou), pelos bons ares, pela beleza do local, aos poucos, os utentes habituais e potenciais vão descartando esta opção e procuram outras alternativas e outros locais. No presente, tudo parecia apontar para um ano com uma grande e animada ocupação do espaço. Decorrido um prazo de inscrições para programas de férias que contou com a colaboração das escolas, muitos jovens inscreveram-se e aguardam com ansiedade que "os banhos" se iniciem, acredita-se que alguns já desistiram. Contudo, nesta história do abre e fecha vislumbram-se pormenores que não parecem claros. O problema segundo a versão oficial é a de que a cor castanha se deve "a uma reacção química na água, relacionada com excesso de um metal chamado de “Manganês”." Essa situação verificou-se também no abastecimento público e foi resolvido em poucos dias, porque não na Piscina Municipal? Se a situação era previsível porque, como foi dito "geralmente nas albufeiras, como são águas paradas, há uma libertação de manganês", qual a razão de não se ter acautelado a situação? O mais importante, porém, é que no serviço da causa pública há responsáveis e responsabilidades e o munícipe têm o direito de saber.23 julho 2007
bonecos bíblicos
É o capitalismo "puro e duro" a invadir o espaço religioso. Estes serão os bonecos bons; os maus da fita" será, entre outros, Maomé (assim os deixem). Não tardará que na celebração da missa também se vendam espaços publicitários de acordo com os vários momentos do acto.
21 julho 2007
Acordes
e aplaudo "grosso modo" as obras de remodelação e beneficiação dos pavimentos e arruamentos nas ruas Luís de Camões (entre a CGD e os postos da GALP) e Marechal Gomes da Costa e respectivas tranversais.
Já reflectimos aqui sobre as vantagens da empresa. Exceptuando alguns ajustamentos de pormenor, alinhamentos, má avaliação de uma ou outra rotunda, arestas vivas (demasiado salientes) dos passeios, postes de iluminação muito perto das vias de circulação de automóveis..., polegar ao alto.
Concordo
com o estacionamento condicionado (pago) nas ruas intervencionadas. Porque são poucos. Porque impedirão que sejam as viaturas dos proprietários a fazer a ocupação do estacionamento "ad eternum". Porque só em caso de absoluta necessidade se deve levar a viatura a essas ruas.
do estacionamento pago nas ruas Jerónimo Barbosa e José António Marques que dão acesso aos principais serviços públicos, nomeadamente os municipais, o tribunal, a conservatória, o notário... Porque o trânsito na vila não o justifica (esta é uma vila muito pequena). Porque as alternativas são muito poucas. Porque os acessos aos serviços públicos não devem ser condicionados.
05 maio 2007
Último comentário?
Criticou e elogiou quando achou por bem, sem qualquer espartilho mental. Procedeu a diversas investigações, mostrou o concelho no seu melhor, incentivou, mostrou bons exemplos, informou graciosamente, deu espaço na opinião a todos os que de boa vontade nos abordaram. Promoveu iniciativas de âmbito cultural, de solidariedade, abanou o conformismo e projectos não lhe faltavam.
O “Pensar Ansiães” foi um blogue construído para um debate livre e uma reflexão apaixonada, um espaço de polémica, mas acima de tudo, com uma intenção de contribuir para o desenvolvimento da nossa terra. Ele reflectiu o pensar dos seus colaboradores e nunca se pretendeu, pelo contrário, um pensamento unânime. Somos pessoas crescidas e cada qual assume a sua responsabilidade opinativa. A diversidade foi o principal objectivo. Por outro lado, nunca pretendeu ser um espaço de má-língua. No que nos diz respeito esse esforço foi constante.
Muitas vezes se reflectiu apaixonadamente sobre o seu papel no seio dos seus administradores e outros colaboradores. A discussão foi sempre apaixonada, franca e amiga. O que não pode ser admissível é que o “Pensar Ansiães” seja atacado do seu interior e em termos públicos, penso sem qualquer fundamentação, sobre a sua verdadeira natureza e pondo em causa a honestidade mental dos “postadores”. O que não pode ser é que nas iniciativas que promoveu, como me pareceu, não tenha tido todo o empenhamento dos fautores.
Disto dei conta, em diversas ocasiões, aos meus companheiros de jornada. Até que uma gota de água entornou o meu copo, quiçá pequeno demais, e informei os meus camaradas de jornada da minha firme e inabalável intenção de abandonar o projecto explicando as razões. Antes que eu o tenha feito eles próprios se auto-excluíram. A criança ficou nos meus braços. Entretanto um novo blogue foi criado a modos de clone do “Pensar Ansiães”. O tempo é um bom conselheiro… até para clarificar as águas momentaneamente turvas, esperamos para ver!
Estas e outras explicações tardaram, pois como se depreende este é um processo doloroso. Uma coisa é certa: o processo de desertificação também no campo das ideias que foi encetado há alguns anos nesta terra em nós não colhe frutos. Neste ou noutro espaço cá estaremos "até que a voz nos doa".
28 novembro 2006
Três comentários...
O primeiro, é a constatação da mudança das razões pelas quais as altas individualidades do país visitam a região. Primeiro visitavam-nos para fazer inaugurações ou apresentar programas que, em teoria, serviriam para desenvolver a região, agora vêm visitar os idosos que vêm a tornar-se o grosso da população. Sinais dos tempos.
Segundo: o senhor presidente veio propor o reforço das competências dos autarcas para melhor poderem apoiar a população idosa. Perguntamos se os senhores presidentes de Câmara não estão já suficientemente sensibilizados para o fenómeno, isto é, os cuidados e preocupações com esta faixa etária, não são suficientes quando se promovem mega concentrações e jantares particularmente na véspera de eleições ou se implementam passeios diversos?
Terceiro: o PR veio também visitar os chamados “bons exemplos” dos concelhos mais desertificados do distrito. O nosso – Carrazeda – foi o que mais população perdeu, em termos percentuais, no último Censos e não teve honras de visita do mais alto magistrado da nação. Daqui só poder concluir-se que não haveria “bons exemplos” para mostrar.