07 julho 2006

Multas...

Por estes dias fui surpreendido pela notificação de três infracções de estacionamento na vila de Carrazeda de Ansiães, onde resido, e ocorridas no mesmo dia (13 de Junho). Duas delas reportam a estacionamento indevido no mesmo local e pelo mesmo motivo e todas elas caucionadas pelos mesmos dois agentes da GNR, um na condição de autuante e outro de testemunha. O caricato desta situação reside na autuação tripla e duas delas, com um intervalo de quarenta e sete minutos (22:48 h e 23.35 h), reportam ao mesmo local e à mesma avaliação subjectiva de uma situação irregular de estacionamento da minha viatura, pelos mesmos, já que alegadamente aquela não se encontrava “o mais próximo possível do limite direito da faixa de rodagem, paralelamente a este e no sentido da marcha.” Nesta rua, a Marechal Gomes da Costa, decorrem há cerca de um mês obras de melhoramento do piso impeditivas de um correcto estacionamento como o podem atestar os moradores e frequentadores da zona.
Mais recentemente (dependendo do tempo de leitura, este texto poderá estar desactualizado no número de infracções) fui novamente noticiado de uma nova infracção do género (a quarta!) ocorrida numa passadeira sita rua Jerónimo Barbosa. A circunstância obrigou-me a dirigir-me à referida artéria para saber a localização exacta da travessia de peões. Junto do local, e depois de muito matutar, fiquei com a firme convicção de nunca ali ter estacionado. Só que desde a presumível infracção (2 de Junho) até à notificação (7 de Julho) decorreu mais de um mês. Como posso eu, passado este tempo, produzir qualquer contraditório?
O que se seguirá? Espero o pior. Já pensei não circular com a minha viatura nas ruas da vila ou contratar um motorista para o fazer (ficar-me-ia mais barato!), pois eu com registo de 0 (zero) multas na minha terra em mais de 25 anos passados da obtenção da permissão de conduzir, de há uns tempos a esta parte, passei de um condutor exemplar a um perigoso prevaricador e até com o risco de me tornar um mau chefe de família, pois tudo o que ganho vai ter de ser canalizado para o pagamento de coimas de trânsito.
Não quero crer que se trate de qualquer perseguição, por isso faço este texto com toda a frontalidade, e sem querer retirar deduções precipitadas de causa/efeito, relato apenas alguns factos e deixo aos leitores as conclusões. Primeiro o sentimento generalizado de um profundo mal-estar dos meus concidadãos perante um crescimento exagerado de notificações de infracções do Código da Estrada sem que seja acompanhada por uma devida postura pedagógica. Segundo nos referiram sob anonimato, as cartas registadas chegam a ser de uma centena por dia numa vila de cerca de dois a três milhares de habitantes. Não me parece de todo correcto que para melhorar procedimentos dos utentes da via pública e prevenir abusos se utilize apenas “o pau”. Por outro lado, tenho opinado sobre uma ou outra situação que me parecem injustas no blogue, bem como não me escuso também, neste espaço, aplaudir situações que atribuo de meritórias. Seria preciso fazer algo perante algumas situações caóticas de estacionamento. Curioso será de referir que no dia anterior aos factos referidos que redundaram nas infracções que fui notificado, publiquei no referido blogue uma fotografia, que me foi facultada, em que, presumivelmente, um veículo da G.N.R. violava as regras de estacionamento numa das artérias da vila. Meras coincidências!?
Durante anos, nesta vila de interior viveu-se num clima de sã convivência com as autoridades locais e penso que sem permissividade. As gerações mudam e as exigências também, porém na avaliação que faço, parece-me haver algum “excesso de zelo” dos agentes, injustiça na aplicação das multas e alguma arbitrariedade perante os simples cidadãos. Às práticas puramente repressivas, e quiçá legítimas, outras se devem juntar para uma correcta harmonia nos relacionamentos das comunidades onde vivemos de modo a prevenir incompreensões e mal-entendidos.

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