Com cerca de um ano de permanência na vila de Carrazeda de Ansiães, é altura de expressar algumas ideias sobre a realidade concelhia.
Ao analisar Carrazeda de Ansiães e seu termo, parto, como acho que não podia deixar de ser, de uma perspectiva realista e também optimista. Tento encontrar a harmonia possível e lutar por ela sem deixar de entender que o combate leal de posições contribui para o dinamismo e a vitalidade de qualquer comunidade.
O concelho de Carrazeda de Ansiães é ainda um concelho rural porque nele predomina uma grande percentagem de pessoas que vive e sente a terra em termos tradicionais.
É claro que esta vivência está em desagregação acelerada e já não constitui hoje o sector mais dinâmico da sociedade.
O sector dos serviços, alguma indústria e a agricultura modernizada estão a tomar a dianteira.
Há quem queira que a sociedade simples, solidária, de boa vizinhança, persista por todo o sempre. E quer-se manter um modus vivendi que só se coadunava com uma agricultura de auto-abastecimento de subsistência e de entreajuda.
Mas isso parece-me impossível porque a um tipo de economia corresponde um tipo de sociedade e a outro tipo de economia (a actual) corresponde um tipo de sociedade totalmente diferente.
Aliás, os desafios que hoje se põem são os de sermos capazes de encontrar as soluções que mais nos interessam adaptadas ao tempo actual para podermos manter ainda uma certa identidade própria.
Qual seria essa saída? Não vejo outra que não seja a associação livre de agricultores (ou sociedades de agricultores), para poderem ter a força necessária ao confronto com os grandes proprietários.
Mas como a sociedade é constituída por gente predominantemente idosa, parada no tempo e nas soluções, parece que o que irá surgir de futuro é o aparecimento de grandes e médias propriedades pertencentes a escasso número de pessoas. A exploração da terra passará a ser cada vez mais mecanizada, em tudo semelhante à industrial.
A desertificação parece que irá continuar até porque havendo uma racionalização dos lugares camarários, o emprego irá diminuir.
A não ser que os jovens sejam capazes de criar empresas em sectores como o turismo, o montanhismo, os desportos náuticos, a cultura, o desporto em geral.
Por isso é que não posso condenar iniciativas como a do embelezamento e construção de infra-estruturas em lugares como o tão polémico “Pinoc(r)o”. Se projectos como este não vierem a resultar, o que nos resta?
Partir do nada é extremamente difícil, mas há que acreditar na nossa capacidade de chamamento de pessoas.
Por outro lado, remodelações impõem-se em vários domínios: educacional, administrativo, religioso, etc, em quase todos os sectores da vida concelhia.
É preciso enfrentar esses problemas, ter imaginação e avançar optimisticamente com as soluções encontradas. Desde que não se pretenda transformar isso em regresso ao passado – o que é de todo impossível.
Gente penso que há. O que é preciso é largueza de vistas, inovação, atrevimento.
E isso, tem de ser feito sobretudo com gente nova, pelo menos de espírito!
João Lopes de Matos
Ao analisar Carrazeda de Ansiães e seu termo, parto, como acho que não podia deixar de ser, de uma perspectiva realista e também optimista. Tento encontrar a harmonia possível e lutar por ela sem deixar de entender que o combate leal de posições contribui para o dinamismo e a vitalidade de qualquer comunidade.
O concelho de Carrazeda de Ansiães é ainda um concelho rural porque nele predomina uma grande percentagem de pessoas que vive e sente a terra em termos tradicionais.
É claro que esta vivência está em desagregação acelerada e já não constitui hoje o sector mais dinâmico da sociedade.
O sector dos serviços, alguma indústria e a agricultura modernizada estão a tomar a dianteira.
Há quem queira que a sociedade simples, solidária, de boa vizinhança, persista por todo o sempre. E quer-se manter um modus vivendi que só se coadunava com uma agricultura de auto-abastecimento de subsistência e de entreajuda.
Mas isso parece-me impossível porque a um tipo de economia corresponde um tipo de sociedade e a outro tipo de economia (a actual) corresponde um tipo de sociedade totalmente diferente.
Aliás, os desafios que hoje se põem são os de sermos capazes de encontrar as soluções que mais nos interessam adaptadas ao tempo actual para podermos manter ainda uma certa identidade própria.
Qual seria essa saída? Não vejo outra que não seja a associação livre de agricultores (ou sociedades de agricultores), para poderem ter a força necessária ao confronto com os grandes proprietários.
Mas como a sociedade é constituída por gente predominantemente idosa, parada no tempo e nas soluções, parece que o que irá surgir de futuro é o aparecimento de grandes e médias propriedades pertencentes a escasso número de pessoas. A exploração da terra passará a ser cada vez mais mecanizada, em tudo semelhante à industrial.
A desertificação parece que irá continuar até porque havendo uma racionalização dos lugares camarários, o emprego irá diminuir.
A não ser que os jovens sejam capazes de criar empresas em sectores como o turismo, o montanhismo, os desportos náuticos, a cultura, o desporto em geral.
Por isso é que não posso condenar iniciativas como a do embelezamento e construção de infra-estruturas em lugares como o tão polémico “Pinoc(r)o”. Se projectos como este não vierem a resultar, o que nos resta?
Partir do nada é extremamente difícil, mas há que acreditar na nossa capacidade de chamamento de pessoas.
Por outro lado, remodelações impõem-se em vários domínios: educacional, administrativo, religioso, etc, em quase todos os sectores da vida concelhia.
É preciso enfrentar esses problemas, ter imaginação e avançar optimisticamente com as soluções encontradas. Desde que não se pretenda transformar isso em regresso ao passado – o que é de todo impossível.
Gente penso que há. O que é preciso é largueza de vistas, inovação, atrevimento.
E isso, tem de ser feito sobretudo com gente nova, pelo menos de espírito!
João Lopes de Matos
1 comentário:
Eu também estou optimista!
Porque acho que o nosso maior defeito se vai revelar na chave do sucesso.
E qual é o nosso maior defeito??
É fazermos com as coisas aconteçam lentamente.
E por isso, por estarmos tão atrasados, tão isolados, estamos a tornar-nos numa região museu, onde predominam ruínas, campos abandonados, e lares de idosos.
E evidentemente, por isso mesmo,
ainda há qualidade ambiental e o mais importante... somos uma das regiões mais bonitas do Mundo.
Ora...
quando alguém "abrir a pestana" e os "abrir os cordões à bolsa", vai investir numa rede turistica que integre o ambiente, a paisagem e as tradições.
O futuro do Nordeste Transmontano é ser uma espécie de reserva turistica ecológica,como já está a acontecer na Costa Vicentina e na Serra da Estrela.
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