23 junho 2006

“DEVER DE CONSCIÊNCIA” (reeditado)







Foi uma opção pessoal, responsável e ponderada. Deixei de ser cidadão do mundo, para adquirir a cidadania em Carrazeda de Ansiães, a minha vida de nómada acabou.
Por isso é que como cidadão responsável no meio onde estou integrado, há factos que não me deixam indiferente e por tanto os tenho denunciado, quer aqui neste espaço, como pessoalmente em muitos eventos, onde estou presente.
Não me movem quaisquer outros interesses a não ser o bem público e a maneira prática de ver e pensar as coisas. Mas se de boas intenções está o diabo cheio, os exemplos aqui vos deixo:
- O não funcionamento do Relógio da Torre, do Edifício dos Paços do Concelho, foi-me explicado que se deve unicamente à falta de técnicos competentes para o efeito, apesar de se terem feito três tentativas. O assunto será resolvido com a introdução de uma nova máquina a funcionar com o mesmo mostrador, é aceitável, depois da partilha deste esclarecimento estou mais aliviado.
- O não funcionamento do painel luminoso, da publicidade aos actos da responsabilidade do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal, não posso explicá-lo, uma vez que não falei com alguém responsável sobre tal assunto e não cedo à tentação de especular em vão.
Um Domingo à tarde, após as notícias alarmantes de que o mau tempo, ( trovoada seguida da queda de granizo) tinha dado grandes prejuízos aos agricultores da freguesia de Pombal de Ansiães, e mesmo assim, felizmente só numa determinada Zona, fui ver. O que vi, deixou-me triste e preocupado, solidário com aqueles que fazem do amanho da terra o seu modo de vida e é dela que tiram o sustento para a família. Vem o Governo e acusa os que não têm seguro de colheitas, mas a Casa do Douro, que noutro tempo fazia esse Seguro para todos os Vitivinicultores, deixou de o fazer e como são Seguros caros, e jogar no totoloto ou efectuar um Seguro é quase a mesma coisa, o Governo tem a obrigação de defender os Agricultores junto das Seguradoras que visam somente a obtenção de enormes lucros.
Abalado com o que presenciei, tive a luminosa ideia de sugerir uma visita às termas de São Lourenço. Se abalado ìa... aterrorizado fiquei. As palavras secaram-se na revolta, do que meus olhos presenciaram e nem a beleza e a força daquele Rio Selvagem, que ainda corre livre em direcção à foz no Tua, continham a emoção de me sentir impotente, perante tal espectáculo. Valeu-me a objectiva da minha amiga e companheira máquina digital, para testemunhar a verdade, pois uma “fotografia, vale por mil palavras.”

Sou adepto por convicção que o Termalismo faz bem à nossa saúde. Felizmente no país, há médicos com especialidades nessa área e testemunhei numas Termas, a eficácia dos métodos usados, acredito que o problema não é exclusivamente psicológico, pois havia doentes de várias profissões e com experiência vasta naquele tipo de tratamento. Quero com isto dizer que é reconhecido que no Distrito de Bragança, não existe oficialmente outra “água” com as características da água do São Lourenço, que foi analisada e tem propriedades que são benéficas para a nossa saúde, foram feitas diligências, estudos e muito dinheiro se gastou para obter a licença necessária à exploração dessas águas pelos estabelecimentos termais. Como funcionam esses estabelecimentos?! Com instalações próprias, modernas, higiénicas, com assistência de médicos, que aconselham o tempo de permanência na água, a temperatura, e em alguns casos o uso de aparelhos próprios, para complementar o tratamento.
Se, após isto, - mesmo com a ameaça de uma futura Barragem da EDP, sobre o Ria Tua, na qual já se fala há mais de 20 anos – não há dinheiro público que resista, ao Projecto que foi encomendado para ali – é do domínio público- e a obra ou obras, pecam pelo exagero.... Por favor, abram à iniciativa privada, aos habitantes da freguesia em primeiro lugar, esclarecendo-os das vantagens de aproveitarem o trabalho realizado, pelos arquitectos e engenheiros, e seguir em frente com a construção. De consciência limpa e tranquila, como quem passa a bola para o campo do adversário, havia se houvesse necessidade de chamar outros investidores empresários privados, que tivessem interesse em efectuar obra, para que ninguém pudesse atirar a primeira pedra e substituir estas imagens que reproduzimos por outras mais atractivas, para bem do concelho e de todos nós.
Ficou dito, mas ainda deixo aqui esta pergunta. Se, o cidadão anónimo for à Câmara Municipal e consultar o Projecto do São Lourenço e na hipótese de que naquele local iria ser construído um “HOTEL” e diga aos responsáveis. Eu quero construir esse Hotel, ou quero fazer esta casa aqui prevista, que hipóteses e em que condições o posso fazer?! Será que lhe facilitam a vida?!....
Longo vai este desabafo, mas impõe-se pela sua condição de uma tomada de consciência de um colaborador neste Blogue, que não tem necessidade de se esconder no anonimato para expor as suas ideias, nem ceder a pressões exteriores para dizer isto ou aquilo, neste ou naquele momento, mesmo em convívios sociais, onde conta o prazer de estar, partilhar e dar sem tentar obter contrapartida.
Foi em 18 do corrente mês que esta viagem se efectuou e nem no Santo Bar, as pessoas conseguem apagar o fogo que sentem na alma. Bar Santo se devia chamar, se os crentes fossem muitos, muitos para bem do proprietário, que estas imagens consigam transmitir a revolta e a intranquilidade da vossa consciência, é o que sinceramente vos deseja este amigo.

Manuel Barreiras Pinto

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