07 fevereiro 2006

O país de Co Adriaanse

«Desabituámo-nos das boas notícias. Aliás, o bom povo lusitano lida mal com o que tem. A inveja leva a olhar mais para os outros. E a mediocridade trata de resto. O engº Guterres, já na fase em que tinha desistido do país, identificou o problema de uma forma lapidar: a aliança estratégica que funciona bem em Portugal é entre a inveja e a mediocridade.
Não é totalmente assim. Mas a verdade é que não conseguimos libertar-nos desta onda, em que o pessoal prefere puxar em vez de empurrar, em que para baixo é sempre melhor que para cima. Quando corre mal, vem o lamento. Se corre bem, há que desconfiar.
Milhões de linhas já foram escritas sobre as origens do fado. Este texto não tem, portanto, a pretensão de ser original. Apenas uma reflexão, talvez um alerta, para quem assim o quiser entender.
E vem a propósito de Bill Gates e da banda larga, da sucessão de anúncios de investimento estrangeiro, da refinaria de Patrick e da papeleira de PQP, da guerra anunciada contra a burocracia.
Ou seja, vem com a brisa de ar fresco que começou a soprar, com uns tímidos raios de sol que apareceram. Vem com a promessa do tal «alto astral» que Santana Lopes prematuramente anunciou. E vem da subsequente incredulidade geral.
Bem sei que a sociedade portuguesa está escaldada, que perdeu a confiança nas instituições e retirou o crédito às suas lideranças.
Mas fá-lo da pior maneira possível, que é, afinal, a autodestrutiva: Banda larga nas escolas? Não há computadores. Microsoft? Cambada de oportunistas. O investidor, seja estrangeiro ou nacional, o que estará ele a sacar?!
Não é questão de confiar, a propaganda não foi inventada hoje. É questão de exigir e cobrar, de valorizar hoje a intenção e ter memória para cobrar amanhã. É a questão de atitude geral.
Um treinador de futebol que lidera o campeonato e aumenta a vantagem face ao segundo é bem-sucedido. Em Portugal é atacado. Não há muitos países assim, a bater nos que vão à frente
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Sérgio Figueiredo in Jornal de Negócios

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