07 fevereiro 2006

A (In)Tolerância

«Se descontarmos os rios de tinta e imagens que a visita de Bill Gates mereceu na Imprensa portuguesa, podemos resumir a semana passada a dois acontecimentos que só aparentemente não têm nada a ver um com o outro: no plano internacional, a grave crise diplomática provocada pela publicação dos cartoons dinamarqueses do profeta Maomé; no nacional, a pretensão ao casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.

Um e outro, nas suas dimensões incomparáveis, têm em comum a mesma questão de fundo: a tolerância ou, de outra perspectiva, a falta dela.
(...)
Todos os argumentos podem ser esgrimidos, a favor e contra a publicação dos cartoons, a favor e contra o casamento entre homossexuais. (...)
Mas curiosamente, ambas as polémicas levam-nos à mesma reflexão civilizacional: Até que ponto nós, ocidentais por nascimento, democratas por cultura (a maior parte, pelo menos), toleramos a diferença?
(...)
Suportamos mal a diferença, reconheçamo-lo. Para não dizer, simplesmente, que não nos suportamos uns aos outros. O mundo, às vezes, é um sítio insuportavelmente pequeno. »
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Cristina Figueiredo, in Expresso

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