Por Pedro Aleixo
Um último…olhar!
Há muito que não me encontrava com uma pessoa amiga. A semana passada tive a oportunidade de a rever e de trocar impressões sobre as ambiguidades nos relacionamentos e sobre a importância do nos amarmos a nós próprios. Essa pessoa dizia-me que tinha estado num encontro onde alguém cujo nome não retive, afirmou que nós temos “o je (externo) e o moi (interior)”, e que o je tinha de gostar do moi, pois, na minha vida acontece o mesmo, comecei a gostar do Je que gosta do Moi, pelo contrário, começou a amá-lo, pois assim poderá sentir o equilíbrio necessário para a realização o mais próxima possível da utopia que cada um porta consigo, como diz o meu amigo Rui Machado, que trata a literatura por tu...
Outro caso interessante e que hoje aqui faço eco é a resposta do meu conterrâneo Aníbal Gonçalves que na página da Web de Zedes (nossa terra Natal), no Fórum, comenta o segredo sobre a Chouriça de Sangue. Leiam o que ele escreveu, modéstia à parte para os dois:
“Tinha mesmo que ser o nosso AMIGO J.S. a brindar-nos com um texto tão extenso quanto profundo. Fala-nos de alheiras e de chouriças de sangue enquanto se queixa da superficialidade das relações na sociedade actual.
Muitos de nós ainda temos tempo para olhar para trás. Embora avançando, vamos valorizando o que tem valor, vamo-nos lastimando do que tinha valor e já não tem e vamos tentando compreender os novos valores (ou a falta deles).
Este tema deve ser tão antigo como a consciência do Homem. Calculo que se prende com as razões da existência, com a missão e a visão que nos orienta, com o que somos.
Nós, longe de deixarmos para trás o que fomos, o que somos e o que defendemos, trocamos ideias, mensagens com mais sentimentos que palavras (por vezes com erros), precisamente porque ainda damos valor às verdadeiras relações. Todos nós nos sentimos vítimas do tempo e do espaço e usamos esta tecnologia para lutarmos contra eles, tentando manter viva uma chama, um sentimento que nos une e que quem está mais longe sente de forma mais profunda. Essa é a esperança. Podemos congelar as alheiras, usar o microondas mas não nos esquecemos do calor da lareira ou de um abraço e só o tempo e o espaço que nos aprisionam, nos impedem de nos juntarmos para comer os tais grelos com alheira, de cultivarmos os sentimentos adormecidos, que, quando encontram uma janela, transbordam e alagam a parte boa que há em nós.” Em resposta disse-lhe: - Meu caro Aníbal! Gostei do teu comentário ao meu artigo. Espero que mais pessoas digam algo sobre ele, pois quem sabe poderia servir depois para uma pequena publicação reunindo todos os comentários à temática subtil subjacente ao meu trabalho que tem como pano de fundo os valores, e de facto é "tão antigo como a consciência do homem". Adorei o teu final poético...pois o que importa é encontrar "a parte boa que há em nós", porque a vida é breve e torna-se imperioso ajudar cada um a tornar a sua vida mais fácil porque às vezes há gente que ousa complicar o que é simples...
Mas não queria terminar esta peça sem antes partilhar convosco a letra da canção, do Xutos e Pontapés, a quem faço a devida vénia, para a sua transcrição - Não sou o único -. Se der para alguma reflexão, sirvam-se se fazem o favor...
“Pensas que sou um caso isolado/Não sou o único a olhar o céu/A ver os sonhos partirem, /à espera que algo aconteça/A despejar a minha raiva, /a viver as emoções/A desejar o que não tenho, /agarrado às tentações. /E quando as nuvens partirem/O céu azul ficará/E quando as trevas se abrirem, / vais ver o sol brilhará/Vais ver o sol brilhará/Não, não sou o único, /não sou o único a olhar o céu/Pensas que eu sou um caso isolado/Não sou o único a olhar o céu/A ouvir os conselhos dos outros/e sempre a cair nos buracos/A desejar o que não tenho, /agarrado ao que não tive. /Não, não sou o único, /não sou o único a olhar o céu. /E quando as nuvens partirem...”
Esta letra deixo-a aqui em homenagem aos “meus gatos” que olham os céus, como eu, que tenho os pés bem assentes na terra, necessidade muito lembrada nos últimos tempos pelo ponderado amigo Moisés Anes, a quem reverencio, e ao Rui Machado que muito bem sabe dizer que entre a filosofia e realidade há (ele diz utopia!) o infinito/divino que sempre nos orienta nesta Terra, onde os predadores existem, a ambiguidade gera ambiguidades maiores, e onde cabe a cada um de forma serena e lúcida interpretar por dentro delas os sinais claros das razões de existir...as do AMOR que não assentam em ilusões e fantasias mas na realidade possível da qual temos de desfrutar também o possível, tendo consciência dos conflitos inerentes a qualquer projecto de vida que tem de ser sempre reavaliado para um melhor ajuste em liberdade, de cada um, tendo em conta o contexto sempre mutante da sociedade moderna e as suas exigências em que uma relação não nos pode dar apenas segurança e ser um refúgio, é muito mais que isso…é uma soma dinâmica de encontros humanizados! Digo eu…
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