11 setembro 2011

NOVAS BARRAGENS = CRIMES: Daniel Deusado, jornalista (JN - 08SET2011).

O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país? 

As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura... 

Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto? 

Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...
 
Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor. 

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal. 

Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste. 

14 comentários:

Anónimo disse...

O Adeus à Linha e ao Vale Encantado do Tua...

Tanta água levou o Tua -rio- que por muito que se escreva nunca se comparará.
Continuamos a expor os nossos pontos de vista e opiniões e a censurar este ou aquele, pouco importa, pela opção.

E Nós professor J. Mesquita?

Onde andámos nós quando ainda não se pensava em barragem?

Porque perdemos tanto tempo a apoiar a incompetência e as opções que agora vemos terem sido desastrosas para o concelho?

Porque olhámos primeiramente aos nossos interesses e só depois aos colectivos?

Porque perdemos tanto tempo a discutir assuntos de chafariz?
Porque não olhámos para o nosso concelho com olhos de ver?

Enfim, fomos incompetentes e talvez tenhamos sido demasiado egoístas porque não pensámos nem fizemos com que outros pensassem no futuro nosso e dos nossos.

Não teremos sido Nós os democraticamente culpados primeiros da opção que agora debatemos?
Acho que sim e meu caro,
no baú do esquecimento há tantas outras coisas…

Sempre vivemos de slogans que nunca foram mais além do que pouco pensar, desunir, sem alma nem coração e nós fomos incapazes de criar o antídoto!
PENSAR no verdadeiro sentido de um concelho cheio de capacidades inserido numa região onde não vingaria sozinho fez-nos falta.
Agora, olhamos à volta e pessoalmente vejo muito pouco onde possamos pegar… como aquele comboio que circulava na linha do Tua. Quem nele não andou, já não anda.

É sempre um prazer pensar convosco!

De Jerusalém do Romeu

Anónimo disse...

De que adianta revoltar-mo-nos,quem vence sempre é quem tem o dinheiro!
Odeio eleições, e quem fica no PODER com os nossos votos, e deixa estas coisas acontecer!!!

Anónimo disse...

Mais uma herança José Socrates... o homem até tem costelas transmontanas e foi Ministro do Ambiente. O homem até tem uma pseudo-licenciatura em Engª Civíl.
Precisamente... os extremos em formação académica.

Anónimo disse...

A propósito de produção de energia boa herança, diga-se! A par das renovaveis.
Obrigado José

Anónimo disse...

A viagem que os presidentes fizeram à China às custas da EDP foi o suficiente para vender a região. E foram todos....e são os mesmos que dizem defender a região. NÃO VIRÁ NADA COM A BARRAGEM, ALÉM DUNS TROCOS DURANTE A CONSTRUÇÃO.DUVIDAM?

mario carvalho disse...

Caro Jerusálem

Infelizmente está a ser conduzido para onde querem que seja e sem se
aperceber

Eles é que que sabem .. eles é que mandam .. oque é nós havemos de fazer?!

...

Faz-me lembrar a célebre de frase de
do Senhor Mexia que mexe em tudo o que lhe deixam:

- Se o combóio é importante pela paisagem...quando houver barragem .. já não há paisagen ...logo .. o comboio já não é importante..

mario carvalho disse...

http://xa.yimg.com/kq/groups/21107462/562880593/name/110912CPQuerAbandonarServicosRodoviariosAlternativosLinhasEncerradas.pdf

mario carvalho disse...

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/manuela-moura-guedes/as-escolhas-de-passos


e


http://aeiou.expresso.pt/reflexoes-em-setembro=f672857

Miguel Sousa Tavares:


"Várias organizações ambientalistas entregaram à troika uma denúncia sobre o plano de barragens aprovado pelo anterior governo e que inclui um total de 12 obras. Segundo o documento, tudo isso apenas acrescentará 3% à capacidade de produção de energia eléctrica em Portugal, mas a um custo de 16.000 milhões de euros - para o qual os consumidores começarão brevemente a suportar um agravamento de 10% na factura de electricidade.
(...)

"E acrescenta que a EDP e a Iberdrola, principais beneficiadas com o negócio, contrataram receber do Estado 30% do equivalente à capacidade de produção mesmo que não haja água e nada produzam. Convinha que isto fosse apurado e, se verdadeiro, enviado para o lixo. Mais SCUT não!»

mario carvalho disse...

Igespar considera que classificação da Linha do Tua não tem interesse cultural
12.11.2010
Helena Geraldes
O interesse cultural da Linha do Tua é reduzido e não justifica a sua classificação enquanto património nacional, justifica o Igespar. O partido “Os Verdes” vai recorrer da decisão de arquivamento.
A Linha do Tua não tem interesse relevante dos pontos de vista arqueológico, arquitectónico, artístico, etnográfico, científico e técnico e industrial que justifiquem a sua classificação, conclui o parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, com data de 3 de Novembro, que serviu de base à decisão de arquivamento do processo, oficializado por um despacho publicado ontem em Diário da República.

A centenária linha férrea será parcialmente submersa, numa extensão total de 16 quilómetros, por uma barragem hidroeléctrica que a EDP pretende construir na foz do Tua. Mas desde que sejam cumpridas as medidas de minimização, os impactes a nível do património arqueológico “não são impeditivos da construção do empreendimento”, conclui o parecer no qual se baseou o Igespar (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico).

“As estações têm um valor arquitectónico reduzido” e, do ponto de vista artístico, a linha “não representa qualquer valor singular digno de referência”. Relativamente ao interesse etnográfico, o parecer declara que não justifica uma classificação, “podendo o património imaterial ser preservado em núcleo museológico específico”.

O interesse técnico e industrial da linha férrea também não tem “um valor singular que implique a sua preservação material”, dado que, apesar de ter sido uma obra “muito difícil, dado o declive extremamente elevado das encostas rochosas”, os métodos utilizados não foram “diferentes dos normais para a época”.

O parecer analisou também as mais-valias da reabertura da linha entre Tua e Cachão para fins turísticos e como meio de transporte público, concluindo que são demasiado elevados os problemas de segurança e os encargos para os resolver.

Subscritores do processo de classificação vão recorrer da decisão

mario carvalho disse...

Noticias recentes em

www.linhadotua.net

Movimento Civico pela Linha do Tua

mario carvalho disse...

http://www.castedo.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=957:divergencias-atrasam-investimentos-no-tua&catid=40:regiao&Itemid=18


Onde está a tal agencia de Investimento como contrapartida à destruição da linha, do vale , do presente e do futuro de Carrazeda?
(sobretudo .. pois é a mais prejudicada)

O coroamento da barragem não pode ser por uma estrada e agora o funicular também deixa de ser viável porque .... são zonas ecológicamente sensíveis...!!!!

até gozam... com o pessoal..

só os 20 Km a serem submersos é que não ecológicamente sensíveis.

Lá se vai a agencia.. os barquinhos e as ilusões dos especialistas em playstations..........................................

Anónimo disse...

Caro M.C.
Mais não fiz ou faço do que assumir as minhas (nossas) responsabilidades.
Não soubemos ao longo das ultimas 3/4 décadas aproveitar as mais valias da nossa rua. Visto tal desaproveitamento o Poder DECIDIU. Coisa que "nós" não fomos capazes de fazer em 30 anos.
Não tenha duvidas que se o vale do Tua e a sua envolvente tivesse sido alvo do investimento turistico que merecia a barragem não seria feita.
Tem duvidas?

Anónimo disse...

Mas afinal as barragens que estão no Douro há 30 e 40 anos destruiram algum vale??? Querem deitar areia nos olhos de quem???
Ass. Pseudo ambientalista

mario carvalho disse...

Pseudo

Nenhuma barragem no Douro tem
120 metros de altura

Nenhuma barragem no Douro destruiu uma linha de caminho de Ferro centenária e considerada uma das mais belas do mundo .. por quem a conhece

Nenhuma barragem do Douro destruiu o património

TODAS AS BARRAGENS DO DOURO E DE TRÁS OS MONTES .. TRANSFORMARAM ESTA ZONA NA MAIS POBRE, MENOS POPULOSA E MAIS DESERTIFICADA DA EUROPA

........


Já agora permita-me .. o senhor deve negociar "areia"

..,...

ps não sou contra as barragens nem contra a EDP

sou contra os que .. sendo eleitos para defender as suas populações e o seu património se deixam "influenciar" e autorizam a destruição daquilo que todos consideram " património de uma região e de uma nação"

.......

Esses assemelham-se aos sobas da

Nigéria , da Libia e muitos outros... Vendem o seu país e os seus recursos às grandes empresas e o seu povo vive miséria... e pseudo tudo se quiserem o seu próprio recurso .. têm de furar os pipelines..

que é o que vai acontecer à água.. mais dia menos dia..

passe bem e defina-se.. pseudo .. é NADA