21 julho 2010

"Antologia" de Júlio Pomar em Bragança


Júlio Pomar, 81 anos, pintor.



Exposição, de nome “Uma Antologia”, inaugurada no passado dia 30 de Junho no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais em Bragança.
Até 17 de Outubro.
Hoje para ouvir na TSF no "pessoal e transmissível" como convidado de Carlos Vaz Marques ou aqui

3 comentários:

Anónimo disse...

Vi sobre isso uma reportagem muito interessante:
http://www.mensageironoticias.pt/noticia/3009

Carlos disse...

Sentimento…

Eu não concordo absolutamente nada com o célebre Talleyrand, astuto diplomata francês, sujeito imoral e espirituoso, que nos legou a opinião de que a palavra foi dada ao homem para mentir.

Porque era hábil em estratagemas e em mentiras, fugiu-lhe a boca para a "sua" verdade, ao considerar a palavra como um instrumento de trapacices.

Porém, se não concordo absolutamente, reconheço felicidade parcial na observação, pois a palavra muita vez serve mais a mentira ou a ilusão do que a verdade.

Apresentam-nos uma pessoa cujo conhecimento não nos desperta o menor interesse moral ou material, e logo exclamamos: muito prazer em a conhecer.

Está claro que não seria humanamente possível dizermos apenas: "tomo nota da sua pessoa e do seu nome".
Ou então, "tomo o seu conhecimento".
Enfim, qualquer destas modalidades de prudência e sinceridade estão de todo imprevistas nas relações sociais.
Coração e boca raramente andam a par na expressão dos sentimentos, e o mesmo acontece com o cérebro na expressão dos pensamentos.
Diz-se que o coração fala, que a boca fala, que os olhos falam, que o rosto se exprime. É verdade. Mas, se fôssemos a fazer um concurso, veríamos que a boca, precisamente porque é o mais próprio dos meios da expressão, é quem prega mais mentiras, nas suas variantes de hipocrisias, patranhas, aldrabices, etc.

Júlio Pomar fala, ri, chora, comunica… mesmo sem palavras!

As suas “pinceladas” de amor eterno, mesmo sem palavras, podem tomar-se rigidamente à letra, porque se a real verdade muita vez transforma o eterno em sinónimo de efémero, a intenção salva a propriedade da aceção.
Aliás, as juras de amor eterno são poliglotas: quase ia jurar que em todas as línguas do mundo a eternidade entra nas promessas de paixão – assim as “juras pinceladas de amor” de Júlio Pomar!...

Esquecidos momentaneamente de que não há nada perfeito no mundo, ora dizemos que “Obra bela”, ora exclamamos que “isto ou aquilo está perfeitamente bem”, e até uma florzinha recebe o nome de amor-perfeito.
Consequência disto: quando realmente a imensidade, a adoração, o êxtase nos perturbam, ficamos enleados sem saber a que palavras havemos de recorrer.

As noites de luar, por exemplo, exercem em mim um estupendo enlevo.
Gosto muito de ver a placidez da luz, gosto do prateado das águas dos rios ou do mar, quando o luar cintila, tremeluzindo nas águas. Gosto do contraste entre a luz do luar e as sombras das árvores...

Gos disto tudo, como

… GOSTO de Júlio Pomar à exaustão!

Carlos Fiúza

João disse...

E eu gosto de ler o que escreve.
JLM