09 fevereiro 2006

Liberdade e caricaturas

«Freitas do Amaral passou-se. Passou-se. Posso dizer que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal se passou? Vá lá, é uma caricatura, um leve toque burlesco neste País que presa a anedota como ninguém, ao ponto de, por vezes, até eleger algumas para cargos de Estado.
.
Não, não estou a falar de Freitas. Mas lamento que o ministro venha lamentar, nos termos em que o fez, a publicação dos famosos desenhos ou caricaturas dinamarqueses. Repare-se: ele não lamenta o mau gosto, o que até seria sensato. Lamenta a publicação, não sei se perceberam?
(...)
... a mim também não me apanham em hipocrisias saloias sobre o respeito pelo outro e a tolerância, mais a pensar nas nossas economias e diplomacias subterrâneas do que, propriamente, no choque das civilizações.
.
Há, nos anos mais recentes, um responsável mundial por muito daquilo que é hoje a efervescência no Médio-Oriente. Chama-se Bush, George Bush. Nem de propósito, os seguidores mais ou menos envergonhados das suas guerras preventivas são alguns dos que se atiram às caricaturas para deitar água na fervura que promoveram. O mais perigoso fundamentalismo está dentro de portas. Diz-se democrático, mas o que eles querem sei eu»
.
Miguel Carvalho, Visão

Sem comentários: