04 outubro 2005

Devia ser pela Fé…

Começou o período oficial de campanha autárquica.
Pela experiência acredito que vai ser mais uma romaria cheia de alegria, cor e fantasia. Vai ser permitido poluir e esbanjar á vontade porque, acredita-se que, é assim que o povo quer.
Tal como o pavão exibe a cauda para agradar á fêmea ou o camaleão se camufla no meio, assim se assistirá á passagem da colecção de modelos a apresentar ao eleitorado.
A quantidade será um factor importante. Seja a quantidade de povo a assistir aos eventos, seja a quantidade de presentes a distribuir ou a quantidade de popós e bandeirinhas nas caravanas.
As palavras nos discursos terão outra significação. Só não valerá “tirar olhos”. Serão inventados pretextos para se dizer o que antes não houve coragem para se expressar.
Será dado azo á criatividade e à eloquência Serão trocados mimos e piropos do género “são uns Talibans”, “só cantam, como as cigarras”. Será evocado o nome de Deus em vão, no género “ que Deus lhes perdoe”, etc, etc, etc.
Finalmente chegará a terça-feira de cinzas e com ela a ressaca da refrega. Voltará então tudo ao normal, as águas alcançarão ao leito normal, as cinzas assentarão e o “ bicho homem” reatingirá o seu estado de letargia habitual.
Ficarão apenas as recordações tristes para uns e, as perspectivas alegres para outros.

Hélder de Carvalho

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