13 outubro 2005

MANIFESTO CONTRA A DESMANIFESTAÇÃO

Quando recebi um interessante convite do Dr. Rui Castro Martins no sentido de que manifestasse opinião sobre um-qualquer manifesto pelo 'direito à não-manifestação'... Não pude deixar, des_
manifestando, de me colocar previamente uma pergunta:
— Por que se colocava a si próprio, RC Martins, tal questão? De que modo isso o inquietava e lhe constituía um problema?
Em primeiro lugar, pensei numa descodificação musical: a canção Midlife Crisis dos extintos Faith No More. Depois, veio-me dos livros outra hipótese — Jean Paul Sartre: a procura de um sentido para a vida, no 0,5 de uma Crise existencial. Bom,
mas tentando centrar na questão — que para mim chegou como uma resposta positiva do autor, RC Martins, à interrogação
— Será que o direito de manifestação compreende o silêncio?
Ou seja, mais _ _ que uma reserva em mostrar e tornar visível... Mais do que um mero alheamento a se manifestar — RC Martins, depois de muito andar em torno da ?, respondeu: — Não! Eis o direito a permanecer calado... Só que
tal resposta o não satisfaz. E continua a andar... De sentir que o silêncio é _ forma tácita de consentir, como o povo diria, e Natália Correia — de ser pleonástico com a ordem estabelecida: em submissão a Deus ou aos deuses menores. E sentir _ seu direito (a não manifestação) lido como um dever.
Passiva in_
consciência... Nula crítica, em retirando _ direito a manifestar o Outro, como podemos literalmente mudar, evoluir, se calamos (n)o Mesmo? E continua a andar...

Post Scriptum: John Cage, o grande músico contemporâneo demonstrou que o (nosso) silêncio inscreve o ruído dos outros. Também o que o RC Martins nos traz ao blog... Ausência da ausência — constitui claramente uma presença, tornando claro que quando os outros (cartunes, extractos da Visão, Expresso, Público) falam, é ele quem nos diz.

Vitorino Almeida Ventura

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