18 setembro 2005

Do Toural ao Pinocro…

Pedro Aleixo

A pulso e a Dita

Olhe Pedro, o meu primo subiu (eu também) a vida a pulso e não teve a dita a ajudar. Pois é. Mas quem reina por aí e muito é a dita. Ainda por cima, alguns seres humanos, que devem quase tudo o que são à capacidade que têm de passarem, como o povo diz, a mão pelas costas deste ou daquele, têm a distinta lata de se vangloriar aqui ou ali sem medida e cautela.
Na América andou um atirador a destabilizar a sociedade e demorou muito tempo a encontrarem o há rasto do dito cujo que, a ser o mesmo, fez 13 vitimas. Nunca gostei da violência e não gosto de ouvir tiros.
Lembrei-me daquela mãe que perdeu a paciência e para ver o filho a comer a sopa deu-lhe para as mãos uma pistola adaptada a troco de comer o caldo, que acabou por disparar e, por pouco, matava a própria mãe.
A agressividade está a aumentar e a desenfreada competição implantada na sociedade está a criar uma onda de distanciamentos sociais que por certo vai gerar mais agressividade e quando se for a dar por isso o nosso país é um espaço inseguro e restam-nos as saudades de um tempo que se podia deixar a porta de casa aberta que ninguém lá entrava sem ordem e nem era preciso tirar a chave quando se ia à festa. Agora não. A ética está a ficar arredada dos procedimentos de muita gente. Há pessoas que não respeitam o viver e o ter dos outros e por vezes passam a vida a moer seja quem for.
Torna-se imperioso que os valores voltem a ser uma preocupação social porque se não qualquer dia a vivência social é cada vez mais diminuta e as pessoas passarão a viver cada vez mais isoladas.
Há uns anos comecei a ouvir falar do sapateiro de Trancoso, Bandarra cujas profecias têm motivado alguns estudiosos a questionar o seu alcance. Há tempos, o senhor Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, andou por aquelas lugares onde outrora também um de tal de Zé do Telhado deve ter andado. Sampaio enviou recados aos políticos mas não só. Os nossos parlamentares estão a ficar obsoletos, uma boa parte deles e, o que é pena, muitos até são muitos jovens. Se dá gosto ouvir a forma assente e habilidosa de argumentar de alguns o mesmo não acontece com outros que não dão uma para a caixa. Basta ouvir o que dizem no Canal Parlamento, espera-se que este ano melhore...
Há uns dois anos, em dia de férias, andei por terras onde fui estudante e tentei aprender alguma coisa. Encontrei alguns mestres e muita mudança nas instituições onde estive e muitas alterações nas localidades, onde anos a fio calcorreei muitas ruas.
O país já não é o mesmo de há 28 anos atrás. E ainda bem. E para melhor. Só eu e alguns dos meus amigos e antigos companheiros estamos mais velhos e reparei que só a nível de certos valores que defendíamos, continuamo-los a defender. De facto o dinheiro não é tudo. Ajuda a viver melhor mas não é tudo. Vale mais a amizade que se fortalece e se partilha do que tudo o resto. Gostei de calcorrear por cima de pedras que outros pés agora pisam.
Nessa minha viagem por locais outrora já “andados”, num deles registei para a posteridade, duas palavras e um ponto de exclamação que partilho convosco. Penso que muitos dos leitores dos segredos sabe onde é que se encontram. É numa estátua em Coimbra. O que diriam Aleixo, Bandarra ou mesmo o Zé do Telhado se vissem aquela expressão? Não sei. Só sei que o pensar continua a ter a força de sempre...

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