13 maio 2014

A NATUREZA HUMANA: João Lopes de Matos


Alguma influência há-de ter em nós o facto de estarmos, se quiserem, incrustados num corpo. Se fôssemos apenas alma pura, então não restariam dúvidas de que seríamos inteiramente livres e responsáveis. Mas o estarmos inseridos num corpo há-de ter consequências, as mesmas ou parecidas com as características que definem e guiam os outros animais. Estes têm impulsos, nós também os teremos, eles têm instintos que os dominam ou empurram, nós também os teremos. Não teremos impulsos terríveis como os leões, que matam os filhos das leoas para poderem ter relações sexuais com elas, mas poderemos ter algo que se assemelhe. Os animais machos(irracionais) , cheios de testosterona, lutam até à morte para terem por sua conta , em exclusivo, várias fêmeas; os homens, com excesso daquela hormona tenderão a fazer coisas semelhantes. Como vêem e se concordam, o animal, que somos na nossa existência terrena, obriga a parte sã( a alma) a fazer esforços tremendos para se não deixar dominar pela parte animal. - - - Que fazer?, melhor, que tentar fazer? - Em primeiro lugar, ter consciência destas realidades, destes perigos. Em segundo, nas relações pessoais, estar atento e tomar as devidas precauções quando se conclui que algo sai fora dos carretos. -- - - Quanto à sociedade, devemos todos estar atentos para prevenir actos tresloucados. E hoje a medicina está já bastante desenvolvida e com capacidade para prevenir e resolver certos problemas. Só que, quer cada um de nós, quer a medicina, podemos cometer erros de avaliação e, por isso, devemos garantir que as coisas são analisadas com um mínimo de cuidado e bom senso e devemos respeitar a privacidade de cada um, enquanto este respeito não atentar contra valores mais altos( o direito à vida, por exemplo). Aqui, entram em jogo os tribunais para punir as acções que não devemos julgar levianamente irresponsáveis, embora os indivíduos perigosos devam ser internados enquanto forem considerados como tal. Para já, julgo serem estas as coordenadas deste magno problema.

João Lopes de Matos

4 comentários:

mario carvalho disse...

Hum! parece-me muito deprimido e triste. Que tal um bom banho?

Só um aparte .. A ciencia não pode acreditar na "natureza humana" porque natureza humana não é um termo cientifico é metafísico.

cumprimentos

Carlos disse...


VONTADE

Não é minha intenção acrescentar o que quer que sela a este excelente artigo do JLM.

A minha intenção é, tão só, ajudar a “descodificar” alguns dos conceitos por ele tratados.

Sendo a vida essencialmente ativa (pois viver é atuar), a atividade não é uma função especial do ser vivo, mas compreende todas as formas de ação e de reação pelas quais ele exerce as suas tendências.

A atividade não tem toda o mesmo valor psicológico.
Começa nas plantas pelos tropismos; nos animais, destituídos de sistema nervoso, pelos tatismos; nos animais dotados de sistema nervoso pelos reflexos e instintos; até que atinge a sua expressão mais elevada no homem pela vontade, que é uma atividade inteligente e deliberada.

Esta atividade voluntária, pelo muito exercício, perde novamente estas qualidades, caindo no automatismo e forma o hábito.

Como se nota facilmente, de todas as formas de atividade, a VONTADE é a função ativa por excelência, porque indica reflexão, deliberação e escolha dos meios de ação e ainda advertência às consequências da mesma.

Os movimentos do organismo são manifestações da propriedade geral da célula viva – irritabilidade. Nesta forma de atividade a reação é superior à excitação, pois o organismo vivo é como que um condensador de energias, cuja descarga é provocada pela excitação.

Nas plantas notam-se certos movimentos de orientação fixa, em relação a excitantes externos, que se chamam tropismos. Os excitantes que atuam sobre a planta são principalmente a luz, a humidade, agentes químocos, sol, terra, etc., de onde o fototropismo, o hidrotropismo, o quimiotropismo, o heliotropismo, o geotropismo, etc..
Por exemplo, se tivermos uma planta numa sala, a sua folhagem volta-se para o lado da luz.

Nos animais inferiores, vizinhos das plantas, como nas bactérias, encontram-se reações de orientação por deslocações, sob a ação dos mesmos agentes, que têm o nome de tactismos, ou tropismos animais.
Por exemplo, certos mosquitos são atraídos pelos frutos em fermentação (quimiotropismo), os pólipos que inclinam os seus tentáculos para a terra (geotropismo); as borboletas que se aproximam e queimam na chama (fototropismo), etc.

Em todas estas atividades não há, contudo,finalidade consciente; representam, quando muito, a consciência no seu significado biológico.

“O animal que somos na nossa existência terrena, obriga a parte sã (a alma) a fazer esforços tremendos para se não deixar dominar pela parte animal”, afirma JLM.

Concordando, concluo:

- as atividades, da planta e do animal são sempre espontâneas (não há conhecimento refletido);

- as atividades do homem podem ser espontâneas ou deliberadas sendo que, neste último caso, é, no homem, uma atividade da VONTADE… fenómeno de uma inteligência, refletida e livre.


CF

Anónimo disse...

Caro CF: Muito obrigado pela sua achega. Explana muito bem as várias nuances da actividade, demonstrando um conhecimento verdadeiramente enciclopédico, muitos pontos acima do meu. Sempre direi que tenho direito a reivindicar para mim uma visão do homem, que não é tão livre e responsável como a sua. Propendo, como sabe, para uma maior dose de limitações no ser humano. Dalguma forma, o livre arbítrio é, para mim,em maior medida, uma quimera, o que não acontece em igual medida consigo.
Para que possa entender melhor o meu texto, sempre lhe direi que ele deve, na sua formulação concreta, muito à maneira de pensar do interlocutor para quem foi, em especial, escrito. E por aqui me fico. Intervenha sempre, que eu aguento cada vez mais todo o tipo de pensamento e de argumentos. Enriqueça-nos com os seus conhecimentos. Não se acanhe.
JLM

mario carvalho disse...

Cito, realçando, do amigo CF que muito admiro:

- as atividades do homem podem ser espontâneas ou deliberadas sendo que, neste último caso, é, no homem, uma atividade da VONTADE… fenómeno de uma inteligência, refletida e livre.


cumprimentos a todos

mario carvalho


Bolha eólica vai acabar por rebentar



http://o-antonio-maria.blogspot.pt/2014/05/fraude-com-vento-gera-dividas-impagaveis.html