09 abril 2014

Apreciação crítica do livro “Seixo de Ansiães – Uma Igreja – Um Povo”: João Lopes de Matos

Acabei de ler esta obra e quero fazer uma apreciação crítica construtiva, o que se me afigura algo de difícil concretização porque pretendo manter-me num fio da navalha, que consiga fugir de todos os exageros, sejam de que natureza forem, e que ressalte, sobretudo, aquilo que é mais válido e pode ser ainda melhorado em futuros trabalhos.
Apetece-me falar, para começar, no estilo, na linguagem, nos expedientes usados na escrita .
Reconheço que nele é posto em prática um estilo simples, claro, acessível, próprio de uma obra que a autora quer que seja lida por todos os seus conterrâneos, alguns dos quais teriam muita dificuldade em entender o escrito se a autora pusesse em prática um modo de expôr arrevesado, incompreensível para o comum dos mortais. Mas a simplicidade não é, do meu ponto de vista, uma fraqueza e sim uma força, a força da comunicabilidade fácil, depurada de gongorismos apenas perturbadores da riqueza das ideias e dos sentimentos.
O português é escorreito, próprio de alguém que, durante a sua vida, se dedicou ao ensino da língua materna. A qualidade literária sobressai com mais brilho quando os temas são as descrições genéricas, introdutórias de um assunto, e a descrição pormenorizada do modo de vida, costumes e crenças dos seus concidadãos de antanho.
Um qualquer entendido, que não eu, descobriria aqui várias figuras às quais a autora recorre para tornar mais vivo e sugestivo o seu discurso.
Quanto aos temas, gostei em particular da parte final em que fala com as pessoas e consegue tão bem mostrar como era o Seixo que eu bem conheci e que não amei com o amor que vejo aqui identificado. Reconheço que a escritora se movimenta na nossa aldeia com um à vontade que eu nunca tive. Por isso, é muito mais naturalmente próxima das pessoas do que eu. Reconheço que me tornei mais citadino ou, se quiser, nunca consegui ser nem de perto nem de longe comunicativo com a gente da minha aldeia e, se calhar, com ninguém, como aqui vejo retratado.
Há ,no entanto, um senão neste livro: Vejo uma certa incapacidade de olhar o futuro e apenas a preocupação de salvar o passado ou de fazer um futuro à imagem do passado, que resulta de ter amado talvez excessivamente certas pessoas que identifica com o Seixo eterno.
A mim o que me preocupa é ser capaz de vislumbrar um futuro, o futuro possível, para o Seixo e para todo o concelho, ainda que esse futuro faça desaparecer muito do que fez do Seixo e de Carrazeda um solo sagrado.
Onde deixou a palavra de esperança que era preciso encontrar? Nos tempos que correm, ela não é fácil de descortinar. Mas há que tentar. Foi , talvez, a ideia permanente no seu subconsciente da perda irreparável que a terá traído. Por mim, só quero propor-lhe que tentemos em conjunto adivinhar o que poderá ter de bom o Seixo de amanhã, que já não será, no entanto, vivido por nós mas pelos que nos sucederem.
João Lopes de Matos

2 comentários:

mc disse...

a

mc disse...

. espero que esteja tudo bem com o Zé Mesquita pois admira-me o abandono do blogue sem qualauer justificação.. Trabalhar para a Camara não foi ... quase de certeza...

....... Bem .. catos amigos ,, não esqueçam que está em discussão publica a localização dos postes de muito alta tensão ...para transporte da energia da barragem de foz tua .. a grande obra do sec para Carrazeda

.. Leiam com atenção e verifiquem as implicações .

visitem o link

http://www.portugal.gov.pt/media/1037985/Patrimonio%20Mundial%20Regiao%20Vitivinicola%20Alto%20Douro%20Anexo%202.pdf

antes que um poste de muito alta tensão os visite e lhes destrua os terrenos , as vinhas e a saude..

até sempre

mario carvalho