04 novembro 2007

Um grande fardo

Vejam lá, contava uma senhora professora de uma escola deste distrito, uma mãe exigiu que a auxiliar de educação da turma levasse ao Centro de Saúde a sua filha para a toma de uma vacina. A docente explicava ainda a dificuldade em convencer a senhora de que esta tarefa não era incumbência do estabelecimento escolar do 1.º CEB, mas sim, sua; a senhora ripostava que não tinha disponibilidade e, da exigência passou ao pedido, desolada por não poder ser atendida.
Bem recentemente, em reunião dos encarregados de educação, uma outra senhora reclamava pelo facto do seu Município não disponibilizar transporte para poder deslocar-se à reunião, pois não possuiria viatura própria e reinvindicava do estrutura escolar a resolução do problema e se não fosse atendida não voltaria ao estabelecimento.
Atribuem-se à escola todos os papéis e todas as responsabilidades. Para além de transmissora de conhecimentos, de desenvolver aptidões e de certificar saberes, competir-lhe-á um papel de resolução de problemas e de integração social.
Na comunidade escolar reflectem-se, cada vez mais, os problemas da sociedade, são os mesmos que os poderes políticos não sabem resolver e que a escola também não pode porque não terá competências nem recursos para tal. Num tempo de novos paradigmas familiares em que entre outros, os dois conjugues terão necessidade de trabalhar, abundam as famílias monoparentais, ainda de surtos migratórios que condicionam as relações sociais, num tempo de discriminação social e de criação de fossos sociais cada vez mais definidos, por falta de modelos de referência para os jovens, de aumentos da criminalidade e delinquência juvenis, num tempo em que os antigos meios de socialização vêem a sua influência cada vez mais reduzida (Família, Igreja, clubes, partidos, movimentos associativos), é à Escola que todos apontam o dedo no sentido de resolver os problemas que eles mesmos não sabem resolver. O fardo parece tornar-se insuportável.

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