A pressa sempre foi má conselheira. Na Justiça, então, nem vale a pena falar. Todos os governos, quando confrontados com o "ruído" da criminalidade/corrupção, fogem em frente.
Ontem tivemos mais um exemplo, quando o Parlamento aprovou uma proposta que dá às comissões de inquérito o poder de acusar. No mesmo dia, o ministro da Justiça anunciou a criação de uma "unidade nacional", na Judiciária, para investigar a corrupção (particularmente no desporto).
A proximidade aos factos é conhecida: Camarate e Apito Dourado. A primeira iniciativa impressiona, pelo perigo subjacente: envolver um órgão político no processo judicial. E o princípio da divisão de poderes? Os revolucionários de 1789 devem ter dado uma volta na tumba!
A segunda é "à portuguesa": quando algo está mal, muda-se a lei. Nada de investigar as verdadeiras razões pelas quais os processos não chegam ao fim e há tanta gente impune... (que tal proteger a investigação criminal das pressões)?
A corrupção desportiva merece tratamento diferente? E que fará o Governo a seguir? Criar uma "unidade" para a corrupção financeira? E outra?...
Camarate é uma vergonha para a investigação criminal? É. Mas infelizmente prescreveu.
E provavelmente nem o próprio Sá Carneiro concordaria com uma solução destas.
mário carvalho recebido por email
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