17 outubro 2005

A ditadura dos partidos

Após o escrutínio do dia 9 de Outubro verificou-se um empate a 73 votos das candidaturas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Socialista (PS), para a Assembleia de Freguesia de Assares, concelho de Vila Flor.

A candidatura do PS é perfeitamente normal, mais estranho é o facto de um conjunto de pessoas com vontade de fazer obra pela sua terra, teve necessitado de recorrer ao BE para poder concretizar a candidatura à Assembleia de Freguesia. O aparecimento do BE que tem pouca representatividade na região serve apenas de “muleta” aos interessados como é reconhecido pelos próprios. Dessa maneira é muito mais fácil concorrer a eleições autárquicas do que em candidaturas independentes, pois nestas são necessárias cinquenta assinaturas acompanhadas das fotocópias do bilhete de identidade – uma grande trabalheira. No nosso país simplificam-se os processos quando se trata de candidaturas patrocinadas pelos partidos e complicam-se quando se trata de candidaturas independentes, é a chamada “partidocracia.
Estranho é que nesta freguesia de cerca de 200 eleitores ter sido necessário apresentarem-se duas candidaturas, noutras de igual dimensão posicionam-se até mais quando o ideal seria entre os poucos residentes escolher os melhores e mais capacitadas, numa eleição nominal.

A luta promete ser renhida e a população de Assares vai ser chamada novamente às urnas, não para escolher entre o PS e o BE, mas entre a equipa de Manuel Serapicos e a lista de Mónica Fernandes.

As candidaturas dos partidos políticos em freguesias diminutas vieram trazer divisões em vez de unir e congregar esforços (somados todos, ainda assim são poucos para as necessidades globais), semearam inimizade e discórdia em ambientes rurais habituados à boa vizinhança e comunitarismo e fomentaram o clientelismo político e a sujeição aos ditames das estruturas locais e regionais em vez de em primeiro lugar se posicionarem os interesses das populações.
Em concelhos do interior a média da grande maioria das freguesias não ultrapassa as duas centenas de eleitores. Não se compreende que haja um conjunto tão grande de agregados populacionais desprovidas de população, em que os detentores do poder local gerem verbas diminutas, desprovidos de qualquer importância em termos de desenvolvimento local e com pouco ou nenhum poder reivindicativo., cujas funções se resumem à assinatura de algumas declarações e atestados de residência.
È tempo de uma profunda reorganização administrativa que passa pela extinção de muitas freguesias a exemplo do realizado por Mouzinho da Silveira e mais tarde por Passos Manuel. Uma reorganização territorial ajudará a um desenvolvimento local integrado e potenciador da fixação das populações.

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