05 julho 2005

Mal-estar de empresários agrícolas com incêndios em Carrazeda

Em conversa com empresários agrícolas de Carrazeda grassa um profundo mal-estar com as consequências dos incêndios agrícolas e os previsíveis prejuízos que podem ter de lhe ser retirada muita água de apoio às suas explorações de regadio que abundam no concelho.
Os meios aéreos utilizados no combate, à primeira vista, sem qualquer plano pré-estabelecido, utiliza as "charcas" de apoio à rega das explorações de fruticultura, delas retirando milhares de litros de água, essenciais á campanha agrícola em curso.
Acresce o facto de este ser um ano de seca e em que a pouca retenção de água no solo, obriga a uma utilização das águas retidas em albufeira de forma cuidada, organizada e perfeitamente planeada. Desde o início do ano, muitos agricultores têm feito fortes investimentos na bombagem e transladação de água de ribeiros e outros locais de modo a concentrá-la nas suas albufeiras e agora vêem-se privadas dela por causa do combate aos incêndios. Estas explorações agrícolas organizadas pagam por muitos proprietários não limparem os seus terrenos e os matos propiciando que haja grandes fogos florestais que ocorrem de maneira incontrolada, pagando assim o "justo pelo pecador". Alguns agricultores não entendem porque é que em incêndios junto do vale do Douro, não recorram os meios aéreos à água do rio em detrimento das suas barragens.
Os agricultores vêem-se de "mãos atadas" para fazer frente a este problema, pois em caso de calamidade pública, que é o caso dos incêndios, compreendem a utilização de todos os meios para o combate, só que esperavam a compreensão das entidades correspondentes. Por outro lado, prevêem já alguns prejuízos e desconhecem quem os indemnizará.
Alguns estudam até formas organizadas de manifestar a sua revolta.

1 comentário:

J E Martins disse...

Tudo isto é verdade, e mais acrescento:
Vão buscar água, levam-na, vão embora e nem uma palavra de obrigado, ou uma satisfação.
A água tem dono, custou dinheiro e esforço preste-se satisfações a que fica sem ela.
Eu ajudo no que puder, mas no mínimo, quero ter conhecimento quando entram em minha casa sem o meu concentimento e me tiram o que é meu.
Segundo me foi informado, existe uma lacuna na lei para casos como estes.
Apenas em situação de accionamento do plano de emergência é que a água utilizada nestas circunstâncias é susceptivel de ser "indemnizada" aos agricultores prejudicados.
Senão, estes terão que recorrer aos tribunais para que tal aconteça.
Como sabemos, os tribunais são expeditos na resolução dos diferendos, demorando apenas 3, 4 ou até mais anos a ditar as sentenças.
Disse o Sr. Ministro ontem numa reacção a uma entrevista minha na Antena1, que tinhamos que ser solidários.
Solidário poderia ser o Sr. Ministro ao pagar as minhas contas no banco, os juros altos e as comissões exorbitantes.
Solidário poderia ser também o Sr. Presidente da Câmara Municipal, já que estamos em ano de eleições, ao apoiar não só os proprietários florestais (como se apressou a dizer na rádio), que normalmente nada fazem para evitar os incêndios, mas também os proprietários das charcas, que nesta altura se substituem ao poder público no armazenamento de água.
Não seria mais sensato criar uma rede de pontos de disponibilidade de água para os incêndios, do que andar a fazer parques de merendas?
É que este problema já se arrasta à muitos e secos anos.