02 setembro 2010

Ipsis verbis

(...) Os antigos guerrilheiros hoje no Poder em Maputo esqueceram rapidamente o sentido de uma palavra terrível como "fome", gritada para as câmaras da RTP por uma mulher desesperada: "Na Presidência estão comendo bem, por que é que nós havemos de morrer de fome?". Para o provavelmente bem alimentado ministro do Interior da Frelimo, que ordenou à Polícia que atirasse a matar sobre os seus concidadãos (o tal "povo"), milhares de pessoas acossadas pela fome saqueando mercados por comida são (disse-o na TV) "aventureiros, malfeitores e bandidos" a abater.
Manuel António Pina no JN

9 comentários:

João disse...

Manuel António Pina tem razão. Mas que pode o governo fazer neste momento que não seja evitar que a situação caminhe para o caos?
Depois de garantida a ordem, deve acudir aos casos mais graves e , com os moçambicanos, se forem capazes, tentar aumentar a produção. Se isto não for possível, e tudo leva a crer que o não seja, deve caminhar resolutamente para cativar o investimento estrangeiro, seja ele branco, amarelo ou vermelho.
Sem aumento da produção nacional é que eles não conseguirão resolver nada.
A não ser que as dádivas externas os sustentem indefinidamente.
JLM

mario carvalho disse...

Mas que pode o governo fazer neste momento que não seja evitar que a situação caminhe para o caos?

Matar todos os que se manifestaram

criar uma polícia política -- para prevenir e eliminar os que .. tendencialmente se possam vir a manifestar

alimentar mal todo o povo para que não tenha forças para reagir

e,,, reescrever a HIstória


e .. sabem quem é o meu Herói

mario carvalho disse...

CONCLUSÃO

O0S RESPONSÁVEIS DO GOVERNO

DEVIAM TER FEITO AQUILO QUE PROMETERAM...


TUDO O RESTO SÃO MAIS PROMESSAS

PS.Peço desculpa mas já não sei de que país estou a falar...

ah já sei.. dee Moçambique ,, porque num país imaginário estão todos a ver o Malato e a Casa dos que não Piam

Daniel Conde disse...

Não há moral ou boa educação quando se leva a Fome para casa; não é à toa que esta é uma necessidade que está na base da Pirâmide de Maslow. Por isso não há malfeitoria ou bandidagem no acto desesperado do saque de uma loja para levar um quilograma de arroz e uma lata de salsichas. Se existe aqui malfeitores esses estão na cúpula, como este senhor Ministro, que dá ordens para atirar a matar sobre uma horde esfomeada.
Curioso, e tendo eu nascido 10 anos após a Revolução dos Cravos; no tempo da Guerra Colonial chamar-se-iam "terroristas", embora esses nesses tempos matavam mesmo, e não era certamente por terem fome. Alguns desses juntaram-se num grupo e chamaram-lhe FRELIMO; coisas do passado...

Daniel Conde disse...

Não há moral ou boa educação quando se leva a Fome para casa; não é à toa que esta é uma necessidade que está na base da Pirâmide de Maslow. Por isso não há malfeitoria ou bandidagem no acto desesperado do saque de uma loja para levar um quilograma de arroz e uma lata de salsichas. Se existe aqui malfeitores esses estão na cúpula, como este senhor Ministro, que dá ordens para atirar a matar sobre uma horde esfomeada.
Curioso, e tendo eu nascido 10 anos após a Revolução dos Cravos; no tempo da Guerra Colonial chamar-se-iam "terroristas", embora esses nesses tempos matavam mesmo, e não era certamente por terem fome. Alguns desses juntaram-se num grupo e chamaram-lhe FRELIMO; coisas do passado...

mario carvalho disse...

Governo cede a pressão e baixa preços de bens essenciais
07 de Setembro de 2010, 15:24
Na reunião extraordinária do Conselho de Ministros realizada hoje em Maputo, o Governo decidiu baixar os preços dos bens dos produtos essenciais como resposta à pressão popular que culminou com as manifestações dos dias 1 e 2 de Setembro.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1090745.html

João disse...

É interessante como tudo é tão simples:basta exigir os nossos direitos para que eles sejam satisfeitos.Não nos preocupa se há ou não processo de satisfazer os direitos.E se a satisfação de necessidades básicas exigir o assalto das lojas,porque não legitimar o assalto?Ainda que corramos o risco de desorganizar toda a distribuição de bens.
Mas ficamos satisfeitos porque,ainda que por pouco tempo,se fez justiça.Gozar a justiça,ainda que por pouco tempo,deve passar a ser a realização suprema de qualquer sociedade que se preze.
Para distribuir mais,não é preciso produzir mais.Basta fazer o que Cristo disse:-Olhai os passarinhos do céu,que nada produzem e têm tudo.
JLM

mario carvalho disse...

OU... dar dois murros no estomago das bestas que comem a parte deles e a dos outros... enquanto digerem e aguentam a dor ... alguém come e
não morre tão depressa...

será trauma?

caro Senhor

permita-me .. como sei que pretende que todos o compreendam e eu não sou capaz peço-lhe ajuda

Quem é o senhor.. como pessoa?

diz-se que foi sacristão, da Mocidade Portuguesa, é agnóstico, ´
mais ou menos socialista, iluminado,
idealista.. aluado... etc.
não me deixe na dúvida por favor
nem a duvidar da própria dúvida

obrigado

com alguma simpatia e de certeza com mais , apos sua franca resposta
mario carvalho

João disse...

Sr.Mário Carvalho:
Qualquer dia escrevo a história da minha vida mas não é por agora.
Tenha juízo e fale nas ideias e não nas pessoas.
Mas vou mesmo resumidamente dizer as fases por que passei:
Comecei por ser católico(foi a fase do sacristão,melhor,apenas ajudante de missas),pertenci à Mocidade Portuguesa,como toda a gente,na altura.Fui salazarista,no curso liceal, até aos 17 anos.Depois,comecei a ter algumas ideias oposicionistas,como se dizia na altura.E assim continuei até ao 25/4.Chegado aqui,hesitei entre o PS e o PSD,tendo votado,na 1ªvotação em 1975 no PS.Depois,estive filiado no PS.Mais tarde,desfiliei-me e votei uma ou duas vezes no PCP.Com a chegada do PRD,passei-me de armas e bagagens para junto do Ramalho Eanes.A seguir,como muita gente,votei no PSD.Com o Guterres passei ao PS.Actualmente,considero-me um livre pensador,mais interessado em debater os assuntos objectivamente do que a defender entusiasticamente causas.Como detesto rituais,não gosto da maçonaria,práticas religiosas ou algo mais ou menos secreto.
Em termos de voto,apenas ponho a hipótese de votar no PS ou no PSD.
Não gosto de ser fundamentalista em nada.
Como vê,não me custou nada dar-lhe uma súmula da minha vida.
Como é seu hábito,vai gozar com a minha insignificante história.
Aconselho-o,no entanto,a começar a ver os assuntos de modo mais frio e adulto,esfriando um tanto a paixão pelas suas verdades.
E não se esqueça:a dúvida foi e será sempre o motor da evolução.
JLM