25 agosto 2010

Trás-os-Montes - Fecho de escolas reforça despovoamento de Trás-os-Montes refere o BE
Lamego - Bispo de Lamego considera que fecho das escolas agrava desertificação do interior
Carrazeda - Novidades na Feira da Maçã
Seixo de Ansiães - Cinco feridos em Carrazeda de Ansiães em despiste
Castanheiro do Norte - Cantigas
Mirandela - Avarias no hospital de Mirandela poderão ter sido intencionais, 25 mil euros de prejuízo

7 comentários:

Anónimo disse...

Quer queiramos quer não, o encerramento de Escolas é fruto das péssimas politicas educativas levadas a efeito pelos diferentes Governos que (des)governaram o País em termos de fomento educativo.

Afinal, por que é que ainda há bem pouco tempo havia em algumas escolas do 1.º ciclo, por exemplo, neste concelho, mais professores que alunos? Uns por isenção da componente lectiva, outros em apoio(?) e outros como professores oficiais.

Não vou falar em cada um dos casos referidos. Porém, sei que uns se especializaram em determinadas áreas, outros se licenciaram e, outros até conseguiram mestrados e até doutoramentos. Não sou contra isso. Ainda bem que o fizeram. Pena é que, em certos casos, esses profissionais, logo a seguir, em certos casos, pediram a aposentação sem que tivessem transmitido os conhecimentos adquiridos ao serviço dos seus alunos.

Neste caso, se havia professores que, por questões de saúde não podiam trabalhar, pergunta-se: por que é que podiam estudar? Mais: depois de obterem o título académico num período em que estavam isentos da componente lectiva, apresentavam-no às instâncias do Ministério da Educação e progrediam na carreira de acordo com os normativos legais, chegando em algumas circunstâncias a atingir até o topo da carreira.

Entretanto, o Ministério da Educação impávido e sereno mantinha-se no seu pedestal e tolerava tudo. Não agia. Foi um período do salve-se quem puder!...

Tudo isto, salvo raras excepções, contribuiu para um despesismo que considero imoral. Segundo a OCDE, Portugal, há bem pouco tempo, era um país com maior despesa em termos de EDUCAÇÃO, face ao PIB produzido.

Hoje, sabemos que essa politica educativa, apesar de tardia, não podia continuar. Mas, fechar uma escola, com as justificações que o ministério nos dá, creio não ser a medida mais correcta, já que, em termos de sociologia da educação devem ser diferenciadas caso a caso, quer para o interior, quer para o litoral, quer ainda para as zonas urbanas intermédias.

Por tudo isto, sem a ponderação destes requisitos encerrar ESCOLAS é contribuir para o despovoamento do local onde a mesma está inserida.

ABC

João disse...

Peço desculpa ao proprietário do blogue por mais esta intromissão nos seus domínios.Mas é que,por vezes,são aqui escritas coisas interessantes,que me apetece comentar.
O sr.ABC caracteriza bem para que servia a formação dos professores noutros tempos:não era para tornar mais competentes os professores mas sim para permitir-lhes subir na carreira e até para se reformarem num escalão superior.

Os conhecimentos adquiridos em nada beneficiavam os alunos.
Não posso,no entanto,estar de acordo,com as preocupações de ABC com o fecho das escolas.
Pelo que li hoje no Público,não houve praticamente contestação.A junção até se deu em concelhos muito populosos como os de Paredes e Penafiel e os próprios autarcas lideraram mesmo o processo.
Como é que um professor vai evitar a chamada desertificação?
A economia mudou,os empregos não surgiram,as pessoas aspiram a deixar de viver em palheiros que até podem provocar a morte de crianças.
Como queriam que tudo permanecesse igual? E para quê? Para serem os residentes visitados como lembranças de tempos que não voltam?
Claro que isto é só o começo,porque muitas mais mudanças hão-de vir,em especial,na organização administrativa.
Hoje que começa a impôr.se uma visão planetária,podemos continuar a defender as aldeias nos termos em que têm existido?
JLM

Anónimo disse...

Obrigado Sr. “JLM” pelo texto que acaba de nos transmitir.

Em relação ao artigo que redigi acerca deste assunto, quero dizer-lhe com toda a sinceridade que, de modo algum, sou contra a formação destes profissionais em questão, antes, a louvo e valorizo cientificamente. O que eu questiono é o facto do Ministério da Educação permitir que estes actores educativos, por questões de saúde, sejam isentos da componente lectiva e, no mesmo espaço temporal, adquiram títulos académicos e outras formações específicas, permitindo-lhes o acesso à progressão na carreira. Será que é legítimo não se poder trabalhar em prol dos alunos e fazê-lo em termos da sua valorização pessoal? Será que alguém compreende isto? Então não se pode ensinar os alunos e pode-se estudar? Por que razão o Ministério permitiu isto? Não concorda comigo? Por isso, o que se esbanjou ontem, torna-se imperioso poupá-lo hoje, caso contrário, seria o CAOS.

Quanto aos requisitos que o Ministério da Educação propõe para o encerramento das escolas, concordará comigo que, na verdade, há alguns constrangimentos que devem ser analisados, caso a caso, face a algumas variáveis sociológicas. Por exemplo, será que o número de alunos que o Ministério da Educação propõe para encerramento das escolas deve ser o mesmo, quer para o interior, quer para o litoral? Obviamente que não. Será que percorrer 15, ou mais quilómetros, numa estrada municipal no interior, face ao relevo, à sinuosidade e ao betuminoso, é o mesmo que fazê-lo no litoral? Será que é legitimo imputar só às autarquias as despesas destes transportes com as crianças? Além disso, qual o preço que, no futuro, a sociedade, vai “pagar” com a separação dos filhos/pais/família? Por isso, estou certo, concordará comigo que, por muitos encargos financeiros que se possam imputar nesta área, nenhum deles pagará o preço que se lhe pode atribuir no âmbito da sociologia da educação. Sabe porquê? É que, como sabemos, à família incumbe educar e à escola, cabe-lhe o papel de instruir. Mais: com esta separação, quantos pais e filhos só se vêm, à noite, quando estes já estarão a dormir. Neste caso, os números a que o Ministério se refere, a meu ver, deveriam ser diferenciados, face à sua localização geográfica.

Assim sendo, renovo o que afirmei no primeiro texto, isto é, sem a ponderação destes pressupostos, encerrar ESCOLAS é contribuir para o despovoamento, direi mais, fosso social (morte acentuada) do local onde a mesma está inserida já que: não havendo condições para a formação naquele lugar, obviamente, as pessoas irão envidar esforços e procurá-la noutros locais onde haja essa formação. A acontecer isto, a que se deve? Obviamente, não tenhamos dúvidas: ao abandono puro e simples desse local e/ou região.

ABC

João disse...

Acho que muitas das considerações feitas por ABC merecem a nossa atenção.
Mas eu preocupo-me,em especial,com a qualidade do ensino que se consegue com a junção e se consegue muito menos com a dispersão.
É,muitas vezes,possível cada ano escolar ter um professor próprio e exclusivo.
É muito mais fácil resolver o problema da alimentação.
É mais fácil arranjar elementos competentes no pessoal auxiliar e gerir melhor este.
Também se conseguem infra-estruturas
que de outro modo seriam difíceis de obter em todos os lugarejos(piscinas,pavilhões desportivos,bibliotecas).
A convivência é muito mais rica,o que é importantíssimo no mundo actual.
É mais fácil resolver o ensino de inglês,educação física e organizar workshops de teatro e outras actividades extra-curriculares.
Por isso, a anexação também se deu em concelhos como Penafiel e Paredes.
Os meus cumprimentos.
JLM

Anónimo disse...

Completa e irremediavelmente de acordo com JLM!
O resto é uma visão insuficiente sem ABC!

Anónimo disse...

ABC FOI O MEU PRIMEIRO LIVRO MESMO ANTES DE ENTRAR PARA A ESCOLA PRIMÁRIA.
AINDA HOJE TENHO PENA DE NÃO O TER GUARDADO COMO FIZ COM OUTROS.

Anónimo disse...

Então, neste caso, ABC é sempre o primeiro! Muito bem. Estamos entendidos. Vamos lá a ver, o que nos reserva, o futuro.