27 fevereiro 2007

A oportunidade para mudar

«José Sócrates chamou a si a responsabilidade política da gestão do programa de encerramento das urgências hospitalares.
É uma decisão correcta, pois Correia de Campos passou todas as marcas do politicamente razoável.
Não se pode criticar os excessos do ministro e ao mesmo tempo criticar a intervenção do chefe do Governo para os limitar.
Dito isto, importa tirar a conclusão política do recuo governamental: O estilo do ‘animal feroz’ não é para ser imitado pelos ministros, pois tem os dias contados.
José Sócrates parece ter percebido, ainda que obrigado pelos protestos populares, que a sua entrada de leão, em 2005, pode obrigá-lo a uma saída de sendeiro, em 2009.
(...)
Já começava a ser tempo de José Sócrates assumir sem rodeios os resultados medíocres da governação socialista.
Basta recordar as palavras de Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, na SIC Notícias: «A economia ainda não está onde queremos, as finanças públicas ainda não estão suficientemente saudáveis, o nível de emprego ainda não é aquele que precisamos e a taxa de crescimento ainda é inferior à média europeia».
Curiosamente, o ex-barão do PS esqueceu-se de referir duas áreas que poderão decidir o futuro político de José Sócrates nas eleições Legislativas de 2009: A Saúde e a Justiça.
Em relação à primeira, a desautorização política do ministro da Saúde diz tudo; em relação à segunda, tudo parece continuar a apontar para um dos maiores desaires do Executivo.
Basta ver o que aconteceu com o projecto governamental das férias judiciais, que prometia um amanhã melhor, mas que resultou num gigantesco fracasso.
(...)
A reforma da Saúde e da Justiça, sem demagogia, prepotência e golpes mediáticos condenados ao insucesso, pode ser a tábua de salvação do XVII Governo Constitucional.
José Sócrates tem de demonstrar que aprendeu com os erros políticos dos dois últimos anos.
Afinal, os resultados não se anunciam em vão eternamente.»
Rui Costa Pinto, Visão

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