11 maio 2006

Uma rua

Poucas ruas caracterizam tanto uma localidade como a rua Luís de Camões em Carrazeda de Ansiães. Exemplo disso e retirado o devido exagero, muitos forasteiros afirmam, em tom depreciativo, que “Carrazeda é só uma rua!”
Da pequenez da vila velha, feita a modos de quinta medieval, comunidade de vizinhos, fortemente adaptados ao relevo, ao clima e a aspectos da própria sobrevivência, o pequeno aglomerado condicionado pela escassez de recursos acondicionou a personalidade e simplicidade dos seus habitantes às dificuldades do meio. Sem famílias muito abastadas ou tão só nobilitadas não possuía casas senhoriais e espaços amplos e ajardinados. A estratificação social, nivelada por baixo dispôs os espaços de ruas.estreitas, habitações singelas e retalhamento ínfimo dos terrenos.
A mudança da vila de Ansiães para Carrazeda originaria a primeira reestruturação da localidade. A construção do edifício dos Paços do Concelho, da Fonte das Sereias e do Pelourinho emprestou ao local beleza com um ar telúrico e apaziguador, mas condicionada na falta de espaço.
A rua Luís de Camões foi o primeiro grito de liberdade da vila de Carrazeda, ainda condicionado e algo sufocado, pois nasceu estreita e singela. Mesmo assim, envergonhadamente, tentou libertar-se da asfixia do fundo da vila e respirar um pouco de liberdade. Dito por outras palavras, foi a forma da comunidade humana dar expressão aos justos anseios de desenvolvimento.
Nascida com aspirações de grandeza tomou o nome de grandes figuras da História Portuguesa. A primeira denominação que conheço foi Rua Salazar, o nome do “chefe do Conselho”. Foi rebaptizada pós-25 de Abril, de forma inteligente, com o nome do “poeta dos poetas”, porque assim evitará ser rebaptizada qualquer que seja a mudança de regime.
Para nós esta é a via que identifica a vila e sempre que dela nos ausentamos, só matamos todas as saudades, quando a revemos na sua totalidade,
Durante muito anos teve dois sentidos no trânsito, há cerca de uma década optou-se por um só, permitindo-se o estacionamento a espaços e de acordo com os “humores” das autoridades locais. Algumas soluções já foram apresentadas e outras tantas comissões da Assembleia Municipal foram formadas para tratar do tema e quase nada se resolveu.
Esta rua com o nome do autor d`”Os Lusíadas” é sem dúvida a sala de visitas da vila e do concelho e como tal deveria ser tratada. Parece-nos que é urgente que seja intervencionada em vários locais, concretamente nos seus limites de molde a dotar a vida de entradas e saídas mais condignas e “urbanas”, passando pela zona mais comercial entre a CGD e a Praça das Finanças. Este é um debate em que queremos participar.

2 comentários:

Hélder Rodrigues disse...

Esta feliz e oportuna intervenção do Zé Mesquita merece comentários e desde logo um que nos remete de imediato para o problema do estacionamento dos veículos. Na verdade, tendo esta rua apenas um sentido e sendo ela, em toda a sua extensão, completamente comercial, onde as pessoas precisam de parar para se abastecer, incluindo nas duas únicas farmácias existentes na vila, não se compreende a proibição (teimosa) de se (poder) estacionar! Para acabar de vez com o caricato de estarmos à mercê do (mau)humor da autoridade policial, porque é que a autarquia não toma a medida mais óbvia para acabar com esta "coboiada" e legisla, mandando retirar, de imediato, os sinais de proibição?! É tão simples quanto isto! E já agora, uma palavrinha para alguns (jovens) agentes da GNR: a vossa missão é difícil e digna de respeito e bem sabemos que apenas actuais segundo as ordens dos vossos superiores! Mas, que diabo, ultimamente, tem-se notado uma tão estranha "fúria" (a cheirar, talvez, a uma qualquer vingança) na vossa actuação pública, com perseguições em alta velocidade, pirilampos e sirenes ligadas, como se fossem a perseguir perigosos bandidos pelas ruas de Carrazeda, só porque... não levavam o cinto de segurança!... Sinceramente, não acham isto um pouco exagerado? Eu bem sei que todos os dias dá filmes americanos assim parecidos, mas... isto não é propriamente as ruas de Hill Street! Nós o que queremos, é paz e sossego, com amizade, com respeito pelo próximo (já pareço um padre...) e que este concelho se desenvolva de vez, sem mais constrangimentos!

Hélder Rodrigues disse...

Dartaga:
Em minha modesta opinião, não se pode comparar o incomparável; é que a rua Luís de Camões é (só) a principal artéria da vila, onde se concentra a quase totalidade do comércio e serviços, ao contrário da rua Direita de Vila Real, que é hoje (ao contrário de antigamente), apenas uma artéria secundária da cidade, onde, aliás, já vivi alguns anos. Mas, no entanto, a sua comparação não deixa de ser pertinente e oportuna.