28 março 2006

Noddy e o táxi-riquexó dos gnomos

(ao Tomás)

Na Cidade dos Brinquedos, quando os gnomos abrem um serviço de táxis rival, gratuito, é posto em causa o monopólio de Noddy. Mas

o que se vai passando não é a alteração de uma estrutura de mercado para uma concorrência perfeita... Uma vez que os gnomos, tudo fazem, mesmo enfeitiçam o carro-táxi de Noddy... Até o Senhor Lei o colocar na prisão, para se manter a situação de monopólio, agora nas mãos dos gnomos, abusando logo do seu poder de influência, em dominando a oferta, triplicando os preços de duas moedas para seis, que até na Cidade dos Brinquedos nada se faz nem fazia já por graça.

(Não vamos analisar os bens e serviços: dois táxis/produtos heterogéneos... Pois o de Noddy, corre _ informação, é bem mais rápido!).

Pensando na aldeia global, ao poder do mundo em cada mundo: económico, político, religioso, seja — quando único, pode subir à cabeça, ‹‹como um guitarrista que também canta›› (Dave Mustaine, Megadeth). E o controle fazer do senhor um escravo... De seu próprio poder. ‹‹Um besouro seguido sempre por seu próprio zumbido››, como refere Gabriel Garcia Marquez. Daí que

só a múltipla Cultura nos ofereça grande diferença: como Sérgio Godinho canta — em Bíblias de um deus ateu, por modelos vários de um deus (o Amor) que nem crê nele-próprio, pois em causa se tem de pôr sempre... Como repousar na poesia de Tolentino de Mendonça, nesse respeito pelo Outro do Outro: que é o meu, bem meu, quando dele

‹‹(...) teu corpo está a nevar››.

vitorino almeida ventura

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