25 novembro 2013

Uma curva e eis a variante de Carrazeda de Ansiães

(foto de Manuel Joaquim Fernandes Lopes)
A construção da variante de Carrazeda de Ansiães parece ter chegado ao fim.
São quase trinta anos de uma obra, cujo trajeto atinge contornos diversos, uns pitorescos, outros anedóticos e alguns quase surreais.
Após a desclassificação da Rua Luís de Camões de estrada nacional  no seu percurso entre o Moinho de Vento a Luzelos, a então chamada Junta Autónoma de Estradas comprometeu-se a construir uma variante que reporia a continuidade da estrada nacional 214 que liga Alijó a Vila Flor.
Das duas alternativas colocadas, a zona poente depressa se tornou mais válida que a zona oriental, pois o fundo da vila, colocaria, diziam, problemas vários de execução.  Lembro alguns debates épicos realizados na Rádio Ansiães, de que transpareceu uma clara oposição por parte dos comerciantes e outros empresários à sua construção. Defendia-se que a variante tiraria trânsito da vila e consequentemente movimento comercial, esquecendo que só pararia na vila quem de facto necessitasse de o fazer, como sempre aconteceu, sempre acontece e sempre acontecerá, quer exista variante ou não.
Iniciada a obra, depressa esbarrou com uma fábrica de pirotecnia que, obstou durante longos anos à sua conclusão. A inépcia e a falta de interesse prolongaram uma resolução, que agora, uma simples curva e contracurva resolveu. A táctica, à luz da vox populi, parece ter sido excelente. Para resolver o problema, contorna-se, ou melhor, faz-se uma curva e uma contracurva.
Pelo meio o surreal. Quem não se lembra,  pode ainda visitar as ruínas de uma série de casinhas edificadas, na zona Poente da Zona Oficinal e Artesanal de Carrazeda de Ansiães, com o propósito de substituir a indústria de pirotecnia sita, a norte, no alinhamento da construção da Variante à vila e que impedia a continuação da obra. As casinhas em construção a expensas do Município, e o proprietário da indústria apregoar aos quatro ventos, nada saber dos intentos da edilidade e de ninguém com ele ter feito qualquer acordo. Resultado, o casario  é um amontoado de ruínas, mas mais grave, 85 000 contos, se bem me lembro, foram espalhados na montanha do Amedo, mas que ninguém agarrou...
Uma obra que se conclui depois do IC5 e da Zona Oficinal e Artesanal,  mas apresenta três rotundas que servem mal os acessos a que se propõem... Uma obra que as estradas de Portugal estavam obrigadas a construir e onde foi preciso investir também dinheiro municipal...Uma obra que uma curva e contracurva, qual ovo de Colombo, desencravou...
Inaugure-se com pompa e circunstância.

8 comentários:

Anónimo disse...

Fiquei sem perceber: esta variante é mesmo útil, depois do IC-5 aberto? Durante a construção da barragem ou também depois?
JLM

Anónimo disse...

O partido dominante é o garnde culpado de toda estas trapalhadas onde se gastarm milhares, senão milhões de euros à custa do povo, para depois culparem os outros do déficit e de trazerem a troika. São sempre os outros, pois eles são uns santinhos ! O mais caricato nesta variante avariada, como lhe chamou o sr Carvalho do Grémio,é que foi necessário um deputado da oposição, em plena Assembleia Municipal,perante a dificuldade da maioria em resolver o assunto com o fogueteiro, devido às verbas exorbitantes que ele exigia, dar a solução: - "Se há um obstáculo, porque razão não contorna ?" Ah !... Estava descoberta a pólvora.

mario carvalho disse...

A moda é uma variante oblíqua de se lutar contra a morte. Ora na velhice tal luta é mais problemática. E é por isso que no velho a moda é mais ridícula.
-- Vergílio Ferreira


ESTA VARIANTE É UM DESAFIO À CAPACIDADE E INOVAÇÃO DE CARRAZEDA

será mais um presente envenenado da

Se eu for do Tua para Vila Flor ou Miranda... vou a Carrazeda fazer o quê?

se vier de Vila Flor ou <Miranda para o Tua vou a Carrazeda fazer o quê?

se não houver nada que o justifique ... todos se desviam de Carrazeda.que já nem para urinar serve .. pois para isso não faltam arvores na variante....

Anónimo disse...

A variante é útil, independente da sua localização. Com facilidade encontramos justificações para a sua existência.
Por exemplo: diminuição do trânsito de veículos pesados nas ruas do centro da Vila. Se assim acontecer, as restrições vão dar mais tempo de vida às remendadas ruas.
Quem quer passar ao largo ou fugir desta terra não pode nem deve, no presente, desculpar-se com a falta ou distância dos acessos.
A zona industrial necessita de melhorar a acessibilidade, tecnicamente não é possível rasgar uma entrada mais direta, sem ser pela rotunda dos escuteiros?
Muitos outros motivos existem para passar e andar, longe deste Concelho mas isso é outra conversa.

manuel pinto disse...

Mais um exemplo do que é governar. A casa dos outros,quando nem a deles sabem governar.o dr. João Sampaio dizia.há dinheiro para esta obra vamos nessa e foi o que se viu...

Anónimo disse...

Pelo andar da carruagem no fim das obras da barragem nem camiões passam por Carrazeda.

Anónimo disse...

Uma estrada a servir a zona industrial. só falta a zona industrial.

Anónimo disse...

Eu compreendo: era preciso acabar essa obra idealizada e começada há tantos anos. Fez bem o sr. Presidente da Câmara. Mas vai acontecer-lhe o mesmo que ao Rio Douro: foi tornado navegável para transportar o ferro e o vinho: ficou a servir para o turismo. A variante teve em vista desviar o enorme trânsito que se previa por Carrazeda. Vai servir o enorme trânsito de pesados para a zona industrial, na altura nem sequer idealizada.
JLM