Houve recentemente alguém que veio pôr em causa a capacidade testicular dos continentais, no que respeita a reivindicar. Esse alguém usa os testículos para reclamar e exigir aquilo a que julga ter direito e, pelos vistos, ainda quer que outros o ajudem na tarefa, usando o mesmo método. Pessoalmente não sou apologista da demagogia na luta por reaver direitos.
Se conseguir abstrair-me de chauvinismos tenho que reconhecer que por cá, não temos sido capazes de estar à altura dos ancestrais, a pugnar pelos nossos direitos e pelo engrandecimento da terra. E não se trata tão só de ter sabido reivindicar. O facto é que eu considero que se trata apenas de obter aquilo a que temos direito e como tal é merecido. Costumo dar vários exemplos para provar o nosso merecimento. No que respeita a trabalho recordo sempre o contributo que os nossos emigrantes deram e continuam a dar para o enriquecimento do país. No que respeita às matérias-primas menciono por exemplo a valoração económica da emergia hidráulica que aqui se produz e o potencial da região por exemplo na reserva de água ou na produção de madeiras. Também costumo recordar que não deixamos de contribuir em impostos com igual percentagem à dos que vivem em meios mais desenvolvidos. Fico-me por aqui nas justificações.
O problema como disse é que, eu considero que a culpa do que se tem passado é especialmente nossa. As causas estarão sobretudo na falta de união, na incapacidade de gestão das energias colectivas, na falta de liderança e na consequente perda do sentido cívico e de solidariedade.
Só isso explica que por exemplo haja tanta gente competente para poder participar e seja esquecida ou preterida a favor de incompetentes e oportunistas. Só isso explica que se gaste tanto dinheiro em infra-estruturas de lazer quando urge promover e patrocinar certas industrias ou recuperar património. Só isso explica para mim que, por exemplo, haja miséria e desconforto no meu concelho, e se gaste tanto dinheiro a fazer arruamentos, arranjos urbanísticos e jardins. Só isso explica que, por exemplo se construam e planeiem campos de futebol, se inaugurem piscinas municipais e não se gaste um tostão a promover um qualquer desporto no concelho. Só isso explica que se esbanje tanto a construir centros culturais e centros associativos e se não patrocine devidamente alunos carenciados, criativos, grupos, bandas, ranchos, associações e variados eventos culturais. Neste particular, dou exemplos recentes de tentativas de construção de infra-estruturas museológicas, sem que em sua vez se dê prioridade por exemplo, na recolha de espólio, na preservação de património, na investigação arqueológica, na promoção do património construído.
Perante estes exemplos perco a vontade de ser exigente a reivindicar aquilo que afinal devíamos merecer junto do poder central. Pergunto-me mesmo se, nestas circunstâncias, com mais recursos vindos do poder central, seríamos capazes de os saber utilizar melhor.
Teremos que ter outra postura para podermos ser activos a perspectivar um futuro melhor. Contudo, se não concordarem comigo, que se cultivem ao menos, mais os tomates da nossa terra para que não seja por falta destes que se não lute, qualquer que seja o método, por aquilo a que temos direito.
Hélder Carvalho
Se conseguir abstrair-me de chauvinismos tenho que reconhecer que por cá, não temos sido capazes de estar à altura dos ancestrais, a pugnar pelos nossos direitos e pelo engrandecimento da terra. E não se trata tão só de ter sabido reivindicar. O facto é que eu considero que se trata apenas de obter aquilo a que temos direito e como tal é merecido. Costumo dar vários exemplos para provar o nosso merecimento. No que respeita a trabalho recordo sempre o contributo que os nossos emigrantes deram e continuam a dar para o enriquecimento do país. No que respeita às matérias-primas menciono por exemplo a valoração económica da emergia hidráulica que aqui se produz e o potencial da região por exemplo na reserva de água ou na produção de madeiras. Também costumo recordar que não deixamos de contribuir em impostos com igual percentagem à dos que vivem em meios mais desenvolvidos. Fico-me por aqui nas justificações.
O problema como disse é que, eu considero que a culpa do que se tem passado é especialmente nossa. As causas estarão sobretudo na falta de união, na incapacidade de gestão das energias colectivas, na falta de liderança e na consequente perda do sentido cívico e de solidariedade.
Só isso explica que por exemplo haja tanta gente competente para poder participar e seja esquecida ou preterida a favor de incompetentes e oportunistas. Só isso explica que se gaste tanto dinheiro em infra-estruturas de lazer quando urge promover e patrocinar certas industrias ou recuperar património. Só isso explica para mim que, por exemplo, haja miséria e desconforto no meu concelho, e se gaste tanto dinheiro a fazer arruamentos, arranjos urbanísticos e jardins. Só isso explica que, por exemplo se construam e planeiem campos de futebol, se inaugurem piscinas municipais e não se gaste um tostão a promover um qualquer desporto no concelho. Só isso explica que se esbanje tanto a construir centros culturais e centros associativos e se não patrocine devidamente alunos carenciados, criativos, grupos, bandas, ranchos, associações e variados eventos culturais. Neste particular, dou exemplos recentes de tentativas de construção de infra-estruturas museológicas, sem que em sua vez se dê prioridade por exemplo, na recolha de espólio, na preservação de património, na investigação arqueológica, na promoção do património construído.
Perante estes exemplos perco a vontade de ser exigente a reivindicar aquilo que afinal devíamos merecer junto do poder central. Pergunto-me mesmo se, nestas circunstâncias, com mais recursos vindos do poder central, seríamos capazes de os saber utilizar melhor.
Teremos que ter outra postura para podermos ser activos a perspectivar um futuro melhor. Contudo, se não concordarem comigo, que se cultivem ao menos, mais os tomates da nossa terra para que não seja por falta destes que se não lute, qualquer que seja o método, por aquilo a que temos direito.
Hélder Carvalho
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