‘‘Passeando estes dias por Paris sou tomado de assalto por palavrões inqualificáveis, que me zurzem dos mupis, me chicoteiam dos outdoors, me acenam obscenidades nos corredores e estações do metro. Banalizados o calão e a imagem softcore, eis o palavrão a colorir a cidade. Se for tendência duradoura, esta transfiguração do palavrão em ornamento estético esvazia-o da carga virulenta que o deixava último sobrevivente da poderosa estirpe que um dia foi a palavra. Tem o fado que a pichagem libertária apontava ao verbo amar. ‘‘Como posso dizer que te amo depois de ouvir dizer ‘‘— Minha lã, meu amor!’’?’’
in Estilhaços de Adolfo Luxúria Canibal
Serve esta citação de Luxúria Canibal para tentar ultrapassar racionalmente a pequena querela entre os professores Hélder de Carvalho e José Mesquita, situando numa óptica exterior, com a distância observada por Um Zero Amarelo. Sobre o meu amigo Hélder de Carvalho, está lá quase tudo na visão neutra do 0: o amor... Coisa mais funda que _ lana caprina — amor à Terra, (n)a originalida_
de seus textos de ficção (Mentiras Piedosas ou Quase), pelo registo escarninho e cáustico, em seus dois sentidos... Tudo. Até uma crítica à propensão personalista de algumas farpas do escultor, que assim não hão tanta agudeza nos gerais costumes. Pois quando desce (como na resposta ao prof. Mesquita sobre a triste realidade), se perde... na Lei de Talião, que não traz nem suporta um ponto de vista positivo sobre o ‘inimigo’ (olho por), se corre em programa de fazer retaliação, como aquela que lhe fizeram... Dente por... Infligir o mesmo dano _ _ que o a si mesmo operado. Res_
sentimento, não é? Só acho um pequeno senão ao que Um Zero Amarelo avançou, pelo que não deve ter lido a série completa das Mentiras... Se as forças de bloqueio estão lá todas: como um enorme polvo, cujos tentáculos a não deixam respirar, culturalmente... E bem mais do que _ _ _ _ _ Um Zero Amarelo aponta como principais.
Quanto ao professor José Mesquita, um 0 louva-lhe também esta acção... Que a sua réplica ao prof. Hélder começa interessante no título, ‘Interpela-’, ao projectar poeticamente o prono
‘-me’ pessoal em encavalgamento. E se Um Zero Amarelo (apenas) sente exagero no regionalismo empregue — ao final, ‘albarda-me’, penso que tem e não tem razão. Tem,
porque tal regionalismo (mesmo para quem não haja lido Aquilino, lendo o povo...) está objectivamente carregado de res_
sentimento, virulência = à que Luxúria Canibal aponta à força da palavra, _ _ calão puro e duro, não reduzido ainda a _ _ ornamento estético. Por outro lado,
não tem um 0 razão porque (como se viu) não houve PERIGO dessa força descarrilar, asinina ou aquilinamente — que não Andam Faunos pelos Bosques... A engravidar _ tréplica do escultor Hélder de Carvalho. Assim, a contra-resposta deste não transformou o blog num im_
pensável ansiães, não o levando, como a _ _ _ im_
provável quadrúplica do professor Mesquita, em demanda de ‘quem andaria com a mosca’... Mas, felizmente, a ultrapassar(em) _ episódio.
Post Scriptum: Pessoalmente, só tenho a agradecer a Um Zero Amarelo e a outros intervenientes, quando me interpelam sobre os textos que produzo. E nem precisam de ver-me como _ _ exemplo: re_
escrevendo nas paredes uma dialéctica hegeliana, como a do dr. João Lopes de Matos — onde a regra do prof. Hélder sobre o Mal endémico e a boa excepção do prof. Mesquita não vão senão como verso e reverso da mesma moeda. Pois se queremos ver e englobar o Outro, diremos de Ramos Rosa: o Sim e o Não, ao mesmo tempo.
Vitorino Almeida Ventura
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