09 fevereiro 2006

QUADRO PARTIDÁRIO E QUADRO ASSOCIATIVO

A vida social recorre a vários tipos de organização para melhor se expandir e dar vazão aos vários sentires do homem.
Hoje iremos alinhavar aqui a distinção entre quadro partidário e quadro associativo: entre partidos políticos, por um lado, e as associações mais ou menos apartidárias ou englobantes de diversas correntes de pensamento, por outro.
Os partidos políticos visam corresponder à necessidade de existência de organizações que lutem pelo poder, quer nacional, quer local.
Convém que haja permanentemente instituições que cuidem de todos os problemas concernentes à luta pelo mando. É preciso que haja pelo menos duas correntes, uma ligada ao poder do momento, outra ligada à oposição, necessária esta ao contraditório e à viabilidade de uma alternativa.
Numa congregam-se determinados elementos que procurarão fazer o seu melhor satisfazendo as necessidades das populações, através do exercício efectivo das funções nacionais ou municipais.
Na outra, estarão os outros elementos que, pelas mais diversas razões, acham que podem vir a mandar melhor.
Será que é necessária a existência de mais que dois partidos: o da situação e o da oposição?
Pressupondo que os elementos base de funcionamento de uma sociedade são essencialmente os mesmos para toda a gente (actualmente, o mercado com a lei da oferta e da procura, a livre concorrência, o predomínio da propriedade privada e da iniciativa privada) então parece que dois partidos chegarão bem porque o que passará a estar em causa não é a organização da própria sociedade mas apenas a justeza das soluções para os problemas concretos, soluções essas que não terão grandes diferenças qualitativas, mas sim formais ou só estarão em causa as personalidades capazes de as executar;
- consegue-se , por outro lado, sempre maioria absoluta, o que é desejável na definição clara da governação.
Para haver apenas dois partidos, estes terão que ser muito abertos e até permitirem que haja livre circulação de ideias e pessoas entre eles..
Mas há questões que se levantam para lá das que se referem ao exercício do poder.
Há as questões ideológicas, religiosas, filosóficas, de bem fazer, culturais, que não têm apenas aspectos imediatistas, de execução prática, mas também de dilucidação de conceitos, de debate de ideias, de previsão de soluções futuras, de prática da solidariedade, etc...
Todas estas questões poderão ser melhores tratadas em associações que abertamente as debatam e as levem a bom termo.
Pessoas, que partidariamente se encontram em campos diferentes, podem muito bem juntar-se para levarem a cabo tarefas que não sejam propriamente partidárias.
Parece-me que tem todo o sentido a existência destes dois quadros organizativos: - o partidário – (convém sem sectarismos ou fundamentalismos) e o cívico (por maioria de razão com uma abertura muito maior).
Esta, sucintamente, a minha maneira de ver.
É natural que outros achem esta distinção limitativa, sobretudo no que concerne aos partidos – quererão mais de dois.
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João Lopes de Matos

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