23 fevereiro 2006

Permitam-me uma opinião


Houve tempos em que me sentia obrigado a dar opiniões. Hoje e aqui, esforço-me por não as dar. Deste modo não erro. Por sua vez, ninguém ma pede nem isso fará sentido. Ocasiões houveram em que, quando as dei, na minha opinião teria sido útil segui-las. Outras vezes fui eu a pedi-las, mas também mas não deram. Poderia recordar vários exemplos ocorridos quando fui Vereador. Vou dar só dois: Num caso discutia-se qual o subsídio a ser dado pela C.M. a um Concurso de “Misses”. Estou convencido que nesta matéria todos teríamos uma opinião parecida mas, só eu requeri que me fosse presente um parecer por especialista, em que me fosse garantida a qualidade do evento. Julgo que o evento lá se fez.
Outro exemplo ocorreu quando o nosso conterrâneo Cristiano Morais se propôs fazer a Monografia de Carrazeda. Achei na altura que teria sido útil recolher-se uma opinião avalizada sobre as qualidades do requerente. Teria ficado o próprio mais legitimado e toda a restante vereação também mais segura nas decisões. Ainda não sei o resultado e é provável que se o trabalho quando vier á luz do dia tenha qualidade. Eu, é que não era obrigado a saber dar uma opinião sem ser apoiado por quem soubesse mais sobre a matéria.
Vem tudo a propósito do facto de os nossos autarcas serem todos grandes humanistas e por conseguinte dispensarem ajudantes. Ou talvez não seja assim com todos.
A opinião que aqui decidi trazer, tem a ver com a decisão do poder central de mandar fechar grande número de Escolas Primárias.
Não conheço a repercussão do caso no nosso concelho. Pelos vistos ainda não estará decidido senão o nosso amigo Prof. José Alegre já teria dado sinal.
Considero eu que perante esta realidade haveria de se contrapor uma alternativa útil e vantajosa que acabasse por beneficiar os naturais precisamente ao nível da educação, recreio e cultura. A minha ideia seria então a de se garantir que os espaços escolares entretanto desactivados fossem reactivados para uso precisamente dos naturais. A partir daqui eu estou já a imaginar um espaço adaptado, devidamente apetrechado, com aquecimento, com comodidade com sistema de Internet, conectado com todas as estruturas burocráticas e serviços, com vídeo, com áudio, com televisor com ligação por cabo, com condições de comodidade que não precisavam de ser idênticas ás dos serviços públicos, para serem melhores do que as que a maioria tem nas nossas aldeias.
Depois era só acreditar que fosse possível imaginar uma avó a aparecer para conversar com o neto emigrante no Canadá. Uma mãe a saber do filho, a trabalhar na cidade; Um curioso a querer conhecer o mundo; Um doente a fazer um telefonema ou a receber a sua receita pela net; Uma idosa a aprender as letras no teclado, que é mais fácil do que aprender a escrever; Um intelectual a ler o Jornal do dia; Um trabalhador a receber uma proposta de trabalho; Um estudante a fazer uma pesquisa. E o convívio e confraternização que se criava, e a resolução de problemas de salubridade, e a melhoria das condições de comodidade…
Já chega.
Perante tal utopia haverá quem diga, mas espaço houve sempre! Por exemplo as associações. Eu respondo que desta vez haveria o pretexto de reivindicar uma alternativa que valorizasse o espaço desactivado da escola e não seriam de excluir espaço melhores.
Outros dirão e onde está o dinheiro! Eu respondo que para alem do poder central ter o dever, de cumprir a sério o seu papel social também há a teoria do “choque tecnológico” para ajudar na justificação. Dinheiro nunca faltou para cobrir as derrapagens nas obras que por cá se fazem. O único grande problema a que eu não sei responder, é o de tal não se poder fazer sem trabalho. E este problema é que mata o assunto de raiz. Não consigo imaginar os nossos animadores sociais e culturais, os nossos assistentes sociais, os nossos chefes de divisão, a fazer reciclagem, a saírem para o terreno e sentirem-se úteis, a trabalhar com resultados.
Em tom de conclusão malcriada diria que o problema tem a ver com testículos. Ou se têm ou não se têm E por aqui se fica a ideia.

Hélder Carvalho

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