A recente visita do Presidente da República aos municípios que não tinha visitado nos seus dois mandatos provocou, como habitualmente, uma verdadeira corrida de autarcas, empresários, figuras ilustres e outros, que vestindo os lustrosos fatos de cerimónia, mostrando gravatas vistosas, cabelos lustrosos, engrossam o séquito numa representação simbólica "do beija-mão" da República que nada difere de qualquer outro regime. Todo um bom conjunto de homens-bons que aparece sempre que "cheira" a poder e "exposição pública"; porque, entre muitas das lógicas, quem não aparece não será lembrado.
O actual senhor Presidente da República é o Doutor Jorge Sampaio. Exactamente o mesmo que no final da década de oitenta, em visita a Carrazeda de Ansiães, ainda Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, teve a recebê-lo uma dúzia de "gatos pingados" entre os quais me incluo, à altura a brincar a jornalista de rádio local. De gravador na mão disparei algumas perguntas em frente aos Paços do Concelho estranhamente silencioso e completamente fechado. Eu e ele, completamente sós, numa conversa de minutos, para uma rádio virtual: também fechada, pois não emitia e esperava licenciamento. Um diálogo que nunca ninguém ouviu e não serviu qualquer propósito. Sabedor destes factos e avisado de que a entrevista serviria para memória futura, Jorge Sampaio divertiu-se à brava com o meu nervosismo e o caricato da situação.
Muitas questões colocadas foram sobre a importância das rádios locais. De uma forma pedagógica, o senhor doutor Jorge desmontou toda a ilusão que eu tinha sobre o projecto - a rádio não podia ser uma associação, funcionar da carolice e empenhamento dos cooperadores teria de transformar-se em projecto empresarial. Boa lição! Porém pouco produtiva. Eu ainda acreditei na utopia durante alguns anos e tudo fiz para a concretizar... (mas, isso é outra história para se contar mais tarde)
À altura "uma dúzia de gatos pingados" para o receber, o presidente da Câmara de Lisboa vinha em missão de campanha partidária para ser eleito como secretário geral do PS, desiderato que conseguiria. Pouco depois seria eleito para o alto cargo da nação!
Agora...
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