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15 novembro 2007

Mostra Documental biográfica sobre Miguel Torga

A Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, de Esposende, tem patente uma Mostra Documental biográfica dedicada a Miguel Torga.
A mostra encontra-se patente ao público a propósito do seu I Centenário de Nascimento.

20 outubro 2007

A Câmara Municipal de Mirandela vai comemorar o 1º Centenário Miguel Torga com actividades diversificadas.

Os eventos decorrerão de 19 de Outubro a 10 de Novembro de 2007 e incluem exposições, teatro, concertos e apresentação de um livro.

21 agosto 2007

Miguel Torga 12

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

15 agosto 2007

Miguel Torga 11

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

14 agosto 2007

Miguel Torga 10

"Curiosa a gente francesa. No fundo, no fundo, desconhecia o diálogo. As pessoas com quem até ali falara, só sabiam conversar a dizer, a demonstrar, a concluir, inteiramente alheados do interlocutor." (n`A criação do Mundo - 4.º dia)

- a alguém que pouco mais conhece que o monólogo -

13 agosto 2007

Ausências

"Fundador do PS, António Arnaut, critica ausência do Governo nas comemorações do centenário do nascimento de Torga" (Público)

Aos transmontanos não é estranha esta ausência; é exactamente igual ao que o Governo tem feito em toda a região. Releva-se a coerência.

12 agosto 2007

TORGA

Bem sei que bebeste o vinho das taças de Unamuno e de Cervantes para lhes herdares o tal pseudónimo. Mas muito tempo antes, ainda eras um rapazito de socos e com remendos nas calças, quando te atiraram inopinadamente para o outro lado do nosso mar. Foi assim que o aguilhão da diáspora te ferrou e depressa quiseste voltar ao ninho do teu negrilho ("Sei um ninho", lembras-te?)... Ainda te acenaram com a sacristia, mas pássaro como tu, só para altos voos, pelos céus libertando as amarras do granítico chão que teimava em prender-te à terra. Depois, abrindo generosamente o peito ao mundo para o mundo melhor te conhecer, foste construindo, como uma comprida estrada, palmo a palmo, pedra a pedra, a famosa diarística, até ao derradeiro sopro da tua longa e rica vida de transmontano plantado de raízes. Pelo meio, ainda te cortaram as asas da liberdade (pensaram eles, coitados...) e fizeram-te morder a poalha maldita de umas grades de ferro (Aljube), mas depressa deste um biqueiro na gaiola e continuaste, vencedor, com o teu hino libertário a cantar Portugal e a alimentar esse teu Iberismo fecundo...
Partiste numa jovem madrugada de terça-feira, num bater silencioso de asas, subindo, subindo, até à eternidade. Não fora esse teu último voo nocturno e hoje serias um belo poema centenário de braços erguidos à vida!
Devo dizer-te (já nem me lembrava) que conheço a tua velha casa. Já subi ao teu negrilho do Eirô. E já derramei (em silêncio, sem ninguém ver) algumas lágrimas sobre a tua campa rasa, ali mesmo à entrada (um nadinha para a esquerda) da tua perpétua morada.
Tenho diante de mim tudo aquilo que escreveste e choraste e riste e (assim) quase não passa um dia em que eu te dê um aperto de mão, para me aguentar em certas alturas de...
Por isto e por muito mais, eu tinha de falar urgentemente contigo, hoje, no dia dos teus cem anos, para te agradecer a lavra da tua imensa arte, ou, simplesmente, para te dizer um adeus, até breve...
Entretanto, deixa-me oferecer-te, em jeito de homenagem, esta torga, Miguel, aquela planta dura de roer que tu quiseste plantar no quintal do teu desespero, que encerra a porta dos teus diários e que escreveste já com um pé na outra margem do teu Doiro:

"REQUIEM POR MIM"

Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim,
em vez de natureza consumada,
ruína humana.
Inválido do corpo
e tolhido da alma.
Morto em todos os órgãos e sentidos.
Longo foi o caminho e desmedidos
os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vive
contra as leis do destino
e o destino não quis
que eu me cumprisse como porfiei,
e caísse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
desaguar,
e, em largo oceano, eternizar
o seu esplendor torrencial de rio.

(Miguel Torga)


Hélder Rodrigues

Miguel Torga 7

TORGA - hoje nos jornais
Miguel Torga nasceu há 100 anos
Portugal Diário
A intimidade de Torga no centenário do seu nascimento Público.pt
Torga na intimidade Correio da Manhã
Torga: Casa-Museu pode ser novo pólo cultural de Coimbra Diário Digital
O HOMEM QUE NÃO PERDOAVA AOS POLÍTICOS Diário de Notícias - Lisboa - 10 Ago 2007
Miguel Torga: o desaguar do rio Diário do Nordeste
“Um memorial à medida de TorgaO Primeiro de Janeiro
Um escritor à espera de ser redescoberto Jornal de Notícias
O Alma-Grande Correio da Manhã
Os encantos da nossa terra na pena do escritor Diário do Minho

Miguel Torga 6

Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
de virtudes teologais,
que são três,

e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

Miguel Torga

11 agosto 2007

Miguel Torga 5

"Há uma coisa que eu nunca poderei perdoar aos políticos: é deixarem sistematicamente sem argumentos a minha esperança."

É uma tristeza verificar que a política se faz na praça pública com demagogia e nos bastidores com maquinações."

Reduzido à pura condição política, o homem é um desertor do mundo primordial"

"... somos agora oficialmente europeus de primeira, espanhóis de segunda e portugueses de terceira."

"sei o que valem as ideias, mas nem de longe as equiparo aos sentimentos."

Miguel Torga 4

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
A espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.

MIGUEL TORGA
"Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas."

10 agosto 2007

Miguel Torga 3

"A intimidade desta vida de aldeia é um espectáculo ao mesmo tempo repugnante e maravilhoso. Estrume da cabeça aos pés. Entre o porco e o dono não há destrinça.
Mas, ao cabo, esta animalidade toda, de tão natural, acaba por ser pura e limpa como a bosta de boi."
(Miguel Torga)
- a todos os citadinos que ainda não entenderam a essência dos rurais -

Miguel Torga 2

Vista de S. Leonardo de Galafura

"Moeu-me a paciência! Trinta anos bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir-lhe de esplendor, o santo furtava-se ao retrato poético, de qualquer que eu apontasse a objectiva. Hoje porém, de repente, entre duas perdizes, não sei porque carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo.
_ Mostre lá então as habilidades..."
São Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

Miguel Torga

08 agosto 2007

Homenagem a Torga

A três dias do centenário do seu nascimento, o "Pensar" quer homenagear Miguel Torga. Durante alguns dias iremos recordar alguns dos seus textos. Nasceu em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, em 12.8.1907 e faleceu em 17.1 1995, sendo sepultado na aldeia natal. De seu nome completo Adolfo Correia da Rocha, adoptou o pseudónimo de Miguel Torga porque "eu sou quem sou. Torga é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raizes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península".
O "reino maravilhoso" é um texto publicado no livro "Portugal" e foi lido pela 1.ª vez aquando da realização do II Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro em 1931.

Um reino maravilhoso
Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
(...)

05 agosto 2007

Casamentos: em Trás-os-Montes a procura nesta época obriga à realização de cerimónias em dias de semana

Miguel Torga: Coimbra perpetua Miguel Torga

Bragança; Calor vigiado

02 agosto 2007

23 janeiro 2007

Miguel Torga

Iniciaram-se as comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga. O autor dos “Contos da Montanha” simboliza, como nenhum outro, a especificidade da cultura transmontana, sendo a sua obra uma forte afirmação do sentir e do ser transmontano nas múltiplas valências que aportam mais valia à concepção de uma humanidade mais liberta e fraterna. Neste espaço global é importante a afirmação da diversidade e a interculturalidade, torna-se assim importante conhecer e dar a conhecer Miguel Torga, pois ao mesmo tempo que se contribui para criar uma identidade própria, é também um ponto de partida para universalizar valores importantes para um mundo melhor. Num tempo de tantos condicionalismos para a região, a sua voz continua a bradar: E os passos que deres, / Nesse caminho duro / do futuro, / Dá-os em liberdade / Enquanto não alcances, / Não descanses. / De nenhum fruto queiras só metade.”