14 janeiro 2010

Para desenfastiar

Longe vai o tempo em que se lia também um pouco de poesia.Sem dotes para tal e na falta de disponibilidade para mais, aqui vai.

RICHARD MINNE (1891-1965) - ELES


Eles, as pessoas com dignidade
nesta vida, com chama interior,
andam aí dispersos sobre a terra
e trazem um chapéu inferior.

Caminham asseados, silenciosos,
rente às casas preferem deslizar
e escutam, se possível no Outono
os choupos todos a rumorejar.

Espaço não costumam ocupar
como o dourado nas folhas dum livro,
e se acaso o eléctrico vem cheio
o seu lugar é sempre no estribo.

Ontem levei uma pessoa dessas
à estação. Era uma noite assaz
brumosa e fria. o meu cansado amigo
tinha um bilhete de terceira classe.

Tradução de Fernando Venâncio

3 comentários:

  1. Este é um poema bem sugestivo... contudo, a tradução de F. Venâncio terá que esclarecer porque é que troca os géneros quando considera que o pronome pessoal da terceira pessoa do plural "eles (masculino)" é correspondente de "as pessoas (feminino)"! Em que ficamos? Bem sei que a criação literária, sobretudo a poesia, goza de muita arbitrariedade mas...
    Os meus cumprimentos para o amigo HC.

    h. r.

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  2. Aqui uma poesia talvez neorealista.
    O interessante é que os problemas do país se vão resolver com as pessoas modestas,dignas de respeito,mas sem a ousadia necessária ao avanço económico e civilizacional,parece depreender-se do poema.
    Amar o nosso próximo é um princípio cristão que os próprios cristãos não põem em prática.
    Será por aí que chegaremos lá?

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  3. elas ou eles que importa? ÉUM ARTISTA PORTUGUÊS.

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