28 outubro 2014

Ecce Homo



Nas nossas igrejas e capelas repousam objetos de inegável valor. Em Selores, o “Divino Ecce Homo” é uma bela imagem da arte sacra do concelho de Carrazeda de Ansiães e sobre ela se conta uma história, também bela e inspiradora. Apressamo-nos a contar:
Certo dia passou pela aldeia um pobre pedindo esmola. Ao chegar ao largo deparou com um perfeito tronco de amoreira. Era comum esta árvore no povoado, pois a cultura do bicho-da-seda[1] era uma atividade importante e complementar da subsistência da população.
No largo conversavam um grupo de pessoas ao sol: Dirigindo-se a elas disse-lhes:
- Que belo pau para fazer um santo!
- E vós sois capazes de o fazer? – interrogaram-no em jeito de desafio.
- Olhem, põem-me aí num lugar, eu e o pau, fechem a porta e, durante três dias, não ma abram!
Algumas das pessoas que se encontravam no largo soalheiro, breve se aprontaram a arranjar as ferramentas, outras pegaram no tronco e levaram-no para uma casa situada ali bem perto. Conta-se que a casa era dos Araújos e está situada no largo do Bebedouro. Aí se instalou o mendigo. Fechou a porta por dentro e durante três dias ninguém mais pode contactá-lo, nem tão pouco vivalma lhe pôs a vista em cima. A curiosidade das pessoas chegou a tal ponto que ainda pensaram bater à porta e entrar para observarem o trabalho, mas havia sempre alguém que recordava as palavras da misteriosa personagem. Soube-se que um ou outro mais curioso, pois sempre os há, ainda espreitou pelo buraco da fechadura, todavia a escuridão do casebre, nada deixava vislumbrar. (Será mesmo rural este hábito de espreitar para dentro de uma casa? Não o creio, pois rurais e, particularmente, os citadinos, toda a gente gosta de dar uma espreitadela na fechadura da casa famosa de uma televisão. Como teremos autoridade moral para continuar a dizer às nossas crianças, pois o ouvimos aos nossos avós, que, “espreitar é feio”?)
Ao terceiro dia, como fora prometido, a porta da casa, onde se abrigara o mendigo estava aberta e, com ansiedade, por ela alguém entrou. Do mendigo nem um sinal, e, a partir daí, ninguém mais o viu. Muitos juravam que se tratava do próprio Cristo e bem o tentaram procurar por toda a aldeia e arredores, mas em vão. Lá dentro encontrava-se tão só uma belíssima imagem de Jesus de Nazaré, flagelado, atado e com a coroa de espinhos. À imagem que restou e à fé dos homens são atribuídos diversos milagres e bem-aventuranças que os ex-votos susceptos – votos realizados em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa, estão expostos. Entre os muitos milagres conta-se aquele que alguém ouviu por aí contar: “uma ocasião, andava um senhor à caça, um senhor que ainda aqui tem netos (assegurava-se para tornar mais real o milagre). E esse senhor andava então lá prás ribeiras, quando se lhe disparou um tiro na barriga, que até as tripas lhe ficaram na mão. E então prometeu-se a ele, ao Divino Senhor Ecce Home, para que o salvasse, e o homem viveu.”
O Divino Ecce Homo, como refere o Evangelho segundo São João (19.5), foram as palavras pronunciadas pelo governador romano Pôncio Pilatos quando apresentou Jesus torturado perante a multidão hostil, à qual Pilatos submeteu o destino final do réu, posto que ele, Pilatos, lavava as mãos. Na iconografia cristã costuma chamar-se Ecce Homo ou Senhor da Cana Verde, vulgarmente com ela na mão a servir-lhe de ceptro, às figurações de Jesus apresentado em sofrimento.
Aí está aquele Cristo na Igreja Paroquial de Selores, meio despido e tão igual ao ser e estar das humildes gentes, uma chaga dos pés à cabeça e tão dorido como as agruras do trabalho e da vida provocam na pobre gente, ao mesmo tempo, um Cristo que mantém a dignidade, tal qual a alma honrada dos rurais. O Senhor da Cana Verde é a personificação da fraternidade que une o homem humilde ao sobrenatural.   Assim sem mais… é belo este pau de amoreira, cortado a golpes de navalha, pincelado com modestas tintas e soprado com o bafo santo da inspiração do Artista Maior que vale nas aflições das gentes de fé.
Para acabar, dizer que, a arte sacra concelhia é património comunitário que convém acautelar. Particularmente as igrejas e capelas das zonas de interior são um alvo apetecível para os amigos do alheio. Uma das primeiras precauções para salvaguardar perdas irreparáveis é o inventário dos haveres, pois pode inviabilizar a sua transação e após uma possível recuperação será mais fácil reaver os artigos; uma outra é proteger as peças valiosas em locais apropriados: museus… e substituí-los por cópias nos locais de culto…
Nesta viagem à Casa da Moura, já começada há algum tempo, vai sendo tempo de contar as histórias das mouras encantadas porque elas viveram e, ainda vivem, em fragas e rochedos, fontes e rios, poços e minas, castelos e ruínas, montes e cabeços da nossa terra… Fica para a próxima.




[1] O concelho de Carrazeda de Ansiães chegou a ser o terceiro na ordem de produção do bicho-da-seda. Um inquérito de 1869 fala de l 1000 a 1500 criadeiras no concelho. A exportação do casulo fazia-se em sacas de algodão, transportadas em carros de bois até à foz do Sabor, rio Douro abaixo, com destino ao Porto e, finalmente, até Marselha.” No século XX, há algumas tentativas para reanimar a produção, mas todas elas se mostram inúteis devido à expansão das indústrias têxteis. João Inácio Teixeira de Meneses Pimentel (1859-1915), engenheiro agrónomo, natural do Mogo de Malta é um dos principais entusiastas. Em 1891 transformou a Estação Químico-Agrícola da Segunda Região Agronómica de Mirandela em Estação de Sericicultura, onde passou exercer as funções de diretor.
Restam ainda algumas amoreiras que lembram a cultura e uma ou outra pessoa ainda a recordam. Para a eclosão dos ovos das borboletas, conta-se, eram colocados num pequeno saquitel de linho que se agasalham no seio, e onde, em um ou dois dias, favorecida pelo calor orgânico do corpo feminino, eclodiam.


04 outubro 2014

Colheita da maçã em Carrazeda de Ansiães




"Até chegar ás grandes superfícies, a maça passa por inúmeras fases, uma delas e talvez a mais importante é a colheita.
Isto não é mais que um pequeno resumo do processo de colheita da maça, fruta que é uma das caras do concelho de Carrazeda de Ansiães, e que é uma das fontes de rendimento de muita gente no concelho desde os produtores até ás pessoas que emprega na área.
Como produtor de maça e pequeno amante de tecnologia, surgiu então esta ideia, peguei numa GoPro e fiz este pequeno trabalho.
Espero que gostem! "
Ricardo Saraiva

29 setembro 2014

Vindimas em Carrazeda ou a mestria do Leonel Castro

As vindimas em Carrazeda: a reportagem de Eduardo Pinto no JN, o poema "Aqui, Douro" de António Cabral, a mestria da locução do Fernando Alves e a sensibilidade do Leonel de Castro

28 setembro 2014

Vistos Gold para o interior

A notícia é do Expresso que  promete investimento estrangeiro no interior a troco da cidadania portuguesa, quiçá transmontana, beirã ou alentejana.
Resta-nos dar as boas vindas aos chineses, russos, árabes...
Bem vindos ao Eldorado!
...


27 setembro 2014

O Marão por um túnel

Em tempo de conversa como as cerejas e, porque parece estar na altura de ir ao celeiro e abrir o mealheiro, dizem-nos que as obras no Túnel do Marão vão arrancar até final de setembro, e a conclusão será lá para o final do próximo ano. Os  cerca de seis quilómetros que ligam parte do percurso de Vila Real a Amarante por um túnel fazem parte da construção da Autoestrada transmontana. A obra começou no Verão de 2009 e deveria estar concluída em Novembro de 2012. Esteve parada três vezes, duas pela interposição de duas providências cautelares e uma outra pela suspensão do consórcio de construção.

Primeiro era tudo muito fácil. A engenharia financeira da construção do projeto era a seguinte: As empresas da Somague e da Soares da Costa concessionaram a obra; a CGD e o Banco Europeu de Investimento financiou-a; os utilizadores pagariam com as portagens. A proteger todo o risco de investimento, a sombra protetora do Estado.
Rapidamente tudo começou a ruir como um castelo de cartas. Primeiro, o dinheiro ficou mais caro. Depois, o fundo de risco, que visa compensar a exploração por eventuais perdas na procura de tráfego, levou a concessionária a meter marcha atrás, porque temeu que passem menos carros do que o inicialmente previsto e, como não se pode obrigar a cumprir contratos porque o risco fica para o Estado e raramente para os privados, a obra parou.

Com mais de setenta por cento da obra realizada e paga (dum valor total estimado de 350 milhões de euros, pagou-se mais de metade, 200 milhões), o ministério das obras públicas veio resgatar a obra, promoveu um novo concurso, de que resultou, agora, o início das obras.


Cinco anos decorridos desde o início da obra, mais de três anos parados, com certeza teria sido mais fácil mudar o Terreiro do Paço uma semana para Vila Real, e obrigar os senhores membros do governo a viajar todos os dias para o Porto nas curvas do IP4. Nenhum transmontano estará completamente crédulo desta nova vontade e resta-lhe esperar sentado!


18 setembro 2014

A Senhora da Assunção aparecida em Parambos

– Uma viagem à Casa da Moura ii –

De cada um destes altares esguios, os miradouros de Carrazeda de Ansiães, majestosos e suspensos nas nuvens, pode desfrutar-se dessa paisagem natural deslumbrante, imponente e a perder de vista. Paisagens que os mortais aproveitaram para implorar a misericórdia dos deuses, apaziguar a sua ira oferecendo sacrifícios nas aras de granito, com eles dialogar inscrevendo nas pedras sinais para os deuses entenderem ou neles erigir belas construções e memoriais de fé. Não será de estranhar esta história, que se fala por aí, e vamos recontar, porque o sagrado sempre preferiu a largueza de horizontes, a beleza envolvente, o silêncio e o encanto das paisagens grandiosas.

Há muitos anos, a Senhora da Assunção, que está no cabeço em Vilas Boas, apareceu primeiro em alguns destes miradouros de Ansiães. Em Parambos, num monte que é conhecido por “Cabeço”, lá nas fragas que aconchegam a aldeia, apareceu Nossa Senhora a uma pastorinha. Será justo aqui perguntar, porque serão os pastorinhos, quase sempre, os intermediários do divino? Talvez seja, pelo muito tempo que dispõem, o silêncio que os envolve e a magia da comunhão com a natureza. Talvez seja, porque o sagrado escolhe a simplicidade das suas origens e a sua pureza infantil. Talvez… A Senhora estava sentada numa cadeira de pedra e logo pediu pela boca da pequenina apascentadora que lhe fosse ali erguida uma capelinha. Informada a população de Parambos e logo crente porque na cadeirinha de granito estava sentada imóvel e calada tão distinta Senhora,vestida toda de branco e mais brilhante que o sol”, embora uma beata entendida logo assegurasse que era a Senhora da Assunção. O piedoso povo ali irmanado, não achando digno o lugar inóspito, pegou-lhe com todo o ardor religioso e imbuído de grande fé, em procissão, levou-a para a sua igreja. Prostrados em oração, todos ali se mantiveram até ao tocar das Trindades, tendo que regressar a suas casas porque a canícula do Verão obrigava a cedo levantar para as lides do campo, exceto a pastorinha que em transe mágico, hipnotizada e envolta da luz divina, ninguém conseguiu arredar para longe da linda Senhora. Só que Ela, no dia seguinte, bem de madrugada apareceu de novo sentada no mesmo cabeço, na mesma cadeira e junto da mesma singela pastorinha. A população tornou A ir buscá-La. Rezando e cantando levou-A de novo para a sua igreja. Pois podia lá haver lugar mais digno e magnífico que o seu magnífico templo? E tudo se repetiu. Foi então que, ao terceiro dia, cansada de ver a Sua vontade contrariada, a Senhora que dizia ser Do Céu levitou na cadeira, com uns pés poisados numa nuvem mais alva que a neve, elevou-se nos ares e desapareceu. Como se constata, só podia ser a Senhora da Assunção,
Foi aparecer no cabeço de Vilas Boas, já no outro concelho vizinho e rival, onde já existiria uma pequena capela abandonada que serviria de abrigo aos gados que pastoreavam a zona. Em quatro de Setembro de 1673, uma segunda-feira, a Virgem Maria, na forma de Senhora da Assunção, aí surgiu a uma outra menina, agora de Vilas Boas, com 10 anos de idade e logo pediu que lhe restaurassem a capela. Sabedores do sucedido na aldeia de Parambos, depressa retiraram os gados e no mesmo dia iniciaram as obras. A Senhora apareceria ainda mais duas vezes nos dias sete e oito desse mesmo mês. Os factos amplificados de boca em boca, mais ainda pelo sucedido em Parambos, deram fama ao local e originaram um grande corrupio de peregrinos que com as suas ofertas contribuíram para a edificação de um grande santuário, como ela pedira e onde agora lhe fazem uma grande festa como todos constatamos a 15 de Agosto. Bem recentemente o arguto e perspicaz edil vila-florense aí erigiu avultadas obras para honra e glória do seu concelho.

O certo é que, no alto do cabeço de Parambos, lá continua uma fraga com o formato de uma cadeira. Tanto mais que, todos os anos, no dia em que ela ali apareceu, esteja sol ou não, a fraga onde apareceu pinga. E dizem que no dia da sua festa, em Agosto, brota ainda com mais intensidade. O povo diz, e deve ser verdade, serem as lágrimas de Nossa Senhora, que chora por lhe não terem construído ali a capela. Só mais tarde, o povo de Parambos começou a pensar que ela queria lá ficar no termo. E isso fez-lhes pena. Fizeram então lá também uma capelinha. É uma capelinha pequenina, mas muito linda. Foi uma pena para a economia do concelho e também para a sua riqueza religiosa não se soubesse aceder aos apelos da simples pastorinha e que a verdadeira Nossa Senhora da Assunção agora more em Vilas Boas.

Foi também por esta razão que agora os pais atendem a todas vontades e todos os caprichos das suas crianças: tudo lhe fazem, tudo lhe compram, tudo lhe permitem, tudo lhe perdoam, estragando-os com mimos e transformando-os em pequenos ditadores: eles põem e dispõem. Perguntamo-nos: quem manda hoje em casa, os pais ou as crianças? Será que ninguém se pergunta que este endeusamento dos meninos minimiza os adultos e está a dar péssimos resultados. É óbvio que é preciso ouvir as crianças, mas nunca poderão ser elas a tudo decidir. Os pais não são respeitados porque não se dão ao respeito e por isso estamos a criar uma geração que não houve um não, que não tem respeito pelos mais velhos e pela autoridade e irá ter um duro embate quando confrontada com o mundo real.

Subamos lá ao alto dos miradouros para observar as obras da natureza e as edificações humanas, símbolos da fé, e se o tempo permitir refletir sobre a procura de infinito que sempre perseguiu o homem, ou tão só inspirar o ar puro porque é sempre retemperador para as agruras da vida e para recarregar baterias na luta do dia-a-dia.



Se quiserem connosco seguir na próxima viagem à casa da Moura, falar-vos-emos dum pobrezinho que transformou um pau de amoreira numa das mais belas figuras da arte sacra do concelho.

17 setembro 2014

Pedidos de ajuda às instituições aumentam no distrito

Pedidos de ajuda às instituições aumentam no distrito O padre Jardim Moreira diz que o Governo fala em retoma da economia, mas o que é certo é que não há melhorias na vida das pessoas.Jardim Gonçalves lamenta ainda que o Governo empurre para as instituições grande parte das responsabilidades sociais do Estado.

PCP acusa autarcas de deixarem encerrar tribunais

PCP acusa autarcas de deixarem encerrar tribunais“Tanto o governo como os partidos da maioria que sustenta este governo como também os autarcas da região fizeram ouvidos moucos às sucessivas propostas do PCP tanto mais não seja pelo facto de terem ficado quedos e surdos e mudos relativamente à necessidade imperiosa do envolvimento das populações nesta questão”

08 setembro 2014

A vergonha faliu: Hélder Carvalho


Não tem justificação dizer-se que, ao longo da história, temos sido uns parasitas do país. O exemplo, demonstramo-lo com a nobreza da nossa história, onde sempre se esteve presente quando foi posta em causa a liberdade e independência do país.
Num passado recente que não se ignore a força de trabalho que se exportou daqui ou os recursos naturais, de que só dou o exemplo da energia hidroeléctrica, que aqui se produz e daqui parte para reabastecer o país. Ainda recentemente houve pacóvios como eu que justificaram a cedência para a construção da Barragem de Foz- Tua como contributo para se obter a independência energética do país.
É claro que a Sra. Ministra da Justiça no seu contributo insensato de assassínio democrático do país, não está capaz de saber olhar a passados nem entender conceitos de territorialidade ou identidade e soberania.
Não se estranha assim a anormalidade da extinção da Comarca, reduzindo-a a vão de escada para recolha de expediente.
O que se estranha é que se aceite este acto leviano sem se perceber o que se ganha ou se perde, em direito ao respeito (próprio e dos outros), em síntese ao direito à justiça e autoridade.
Nesta decisão importa sublinhar a responsabilidade das entidades locais que, apesar das promessas, não souberam defender os direitos do seu povo, antes se resignaram a aceitar esta desconsideração.
Porque o que é posto verdadeiramente em causa é o direito à equidade e à segurança. Recusando-se o poder central a dar-nos iguais circunstâncias em direitos, já que os deveres se mantém, terá de ser o poder local a assumi-los já.
Se for real que brevemente terei de voltar a pertencer à actual Assembleia Municipal, proponho-me desde já estudar uma proposta que garanta aos munícipes que procuram justiça, que o Município preste os serviços de transporte a quem agora tem de procurar instalações para a justiça noutras comarcas. Esta poderia ter sido uma proposta elementar do governo, já que quem paga somos sempre nós.
Dirão alguns que em situação de crise não há dinheiro para tal, já que até os pobres reformados têm sido esmifrados, como se sabe para acudir ao desbarato.

 Teremos pois que rever prioridades e definitivamente concluir que as pessoas estão primeiro e só elas e a sua qualidade de vida, justificam a nossa atenção e o nosso serviço.

Hélder Carvalho

Raízes em Carrazeda de Ansiães

06 setembro 2014

"A queda de um anjo"

“Caiu o anjo, e ficou simplesmente o homem.”
Camilo Castelo Branco



Armando Vara, nascido em Lagarelhos de Vinhais, onde trabalhou numa agência da Caixa Geral de Depósitos, com o canudo liceal numa mão e noutra a tarimba da militância partidária do PS fez um percurso político tão meteórico como surpreendente, percorrendo as várias etapas do poder em Portugal: dirigente distrital, deputado, vice-presidente do Grupo Parlamentar, secretário de estado e ministro, sendo agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 2005. Com tão invejável currículo de bancário passou a banqueiro, que é em Portugal constitui, a par de outras, uma das condições mínimas.  
“O ilustre transmontano” agora caído em desgraça foi condenado, no processo “Face Oculta” a cinco anos de prisão efetiva por três crimes de tráfico de influência, provando-se que se encontrou várias vezes com Manuel Godinho, de quem recebeu 25 mil euros.

Duas lições retiro desta história: Se é incomum em Portugal ver poderosos ligados à política serem condenados, torna-se comum, vermos pessoas condenadas a prisão ir descansadas para casa, porque o recurso assim o permite.  

Não resisto a aqui postar o que sobre estes transmontanos escrevi no “Pensar”


02 setembro 2014

Julgamentos à "Pai da Fartura"

O governo defende o chamado novo “mapa judiciário” com os argumentos da contenção de despesas, da racionalização e os outros que se ouvem em surdina, amplificados pelos comentaristas oficiosos, de quem se importa dos “tribunais fecharem em terras que ninguém conhece”. Não conhece, logo não existe. Localidade, lugar ou lugarejo que o querido Manuel Luís Goucha, a estridente Cristina Ferreira, o grandiloquente Jorge Gabriel, a menina Sónia Araújo e a senhora Júlia Pinheiro não indiquem, não visitem ou tão só mencionem não existem. A força argumentativa, a validade da razão só tem verdadeiro peso se tiver votos e honras de aparecer na televisão.

O encerramento e a reconversão de alguns tribunais em secções de proximidade, não são mais que artimanhas para fechar serviços do Estado, põem em causa o exercício da cidadania e a vida em democracia. Todos sabemos que a democracia tem bases fundamentais que decorrem da sua natureza, como são a participação e a igualdade de tratamento, entre outras, e alguns dos valores essenciais sobre os quais assenta são a justiça e a segurança. Porque não queremos a suspensão da democracia em tempos de crise, como alguém advogou, parece-me claro que, na sociedade de informação, beneficiando da rede de transportes existentes, ainda ninguém provou que será mais fácil, mais racional e menos dispendioso para julgamentos não muito complexos, deslocar réus ou arguidos, testemunhas e advogados, em vez de senhores juízes e outros elementos da chamada máquina judicial.Por isso é que a extinção dos tribunais ou a conversão de outros em secções de proximidade, que é a mesma coisa, significa um empobrecimento da vida democrática.

 E se partirmos do princípio de quem pouco tem nada se pode tirar, este é mais um duro golpe para as populações do interior que irá agudizar as suas condições de vida e contribuir decisivamente para mais migração, despovoamento e efetiva desertificação humana.

Face ao exposto não será de desconsiderar a criação de novos “juízes de vara” em todas as povoações do concelho para velarem pela ordem, impedir desacatos, roubos e abusos e também se nomearem os chamados “homens do acordo” do princípio do século XX que tinham como função resolver contendas com marcos nas propriedades, divisão de águas; ou até propor-se que os fiscais municipais alarguem as suas funções com a finalidade de guardarem a azeitona, os pomares e as vinhas; e quiçá voltarmos ao velho conceito de implementação da justiça local trazido pelo liberalismo do regedor e do guarda rural. É comum em alguns locais de Trás-os-Montes proceder-se a um julgamento anual do diabo, de um bode, ou do chamado pai da fartura, e descarregar sobre ele as culpas de todos os males.


Nem que seja só para ter a ilusão...

(revisto)


foto da MJFL daqui

Cortejo etnográfico 1984


Cortejo etnográfico 2014

01 setembro 2014

31 agosto 2014

25 agosto 2014

Início da caminhada para subir aos miradouros

Quantas vezes viajamos à roda do nosso quarto ou caminhamos num trajeto sempre repetido, sem qualquer outro proveito que não seja a imaginada forma física, porque andar é um imperativo que se nos exige, face à vida sedentária, ao aumento de peso, aos valores altos da análise do colesterol e dos triglicerídeos, palavras modernas tão medonhas, como antigamente eram o mau-olhado e as pragas. Abrenúncio! Andar e mourejar era o que não faltava há uns anos a esta parte nos longos e trabalhosos dias do amanho das terras e todas as energias eram poupadas para o efeito e caminhar por caminhar… era um prazer só para quem podia.

Os que também podem, viajam para as praias, ou se o orçamento permite, para umas férias, de preferência um local quente e paradisiaco, para desfrutar de águas tépidas, tempo esplêndido, destinos inesquecíveis, em suma, verdadeiros paraísos naturais que resultam, em aventura e prazer, algumas picadas de mosquitos e uns distúrbios intestinais. Pois, bom proveito! Fico por aqui a concordar com Garrett: “tenho visto alguma coisa no mundo, e apontado alguma coisa do que vi. De todas quantas viagens porém fiz, as que mais me interessam sempre foram as viagens da minha terra”.

Não se olhe ao ditado que “mulher e vinho fazem errar o caminho” porque também o outro é bem mais verdadeiro, “com pão e vinho, anda caminho”, porque essas outras tiradas que terminam com o estender do farnel recheado da trindade gastronómica tradicional, o presunto, o salpicão e o queijo, para partilhar à sombra e em ameno convívio e, valha-nos São Lourenço, repõem ainda mais calorias que as consumidas, são das minhas preferidas.

E então não se hão de fazer caminhadas para os olhos? Porque há tanto que ver, descobrir e aprender em trajetos à volta deste território tão imensamente rico em património oral, arqueológico, monumental e paisagístico. Pegamos o bordão de romeiro e toca a peregrinar pelos caminhos da minha terra em busca de histórias de espantar, e de outras para contar.Caminhemos então e partamos à descoberta para conhecer, aprender e fantasiar. Andemos que se faz tarde nesta viagem á procura da casa da moura, local mágico, onde “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Porfiamos sem temores porque há tesouros encantados por descobrir, belas princesas e perfeitos mancebos para desposar. Reflitamos com empenho porque são muitos os enigmas para decifrar. Mas, tomem atenção porque este é também um caminho viciante e quem nele segue com vontade e compromisso raramente volta atrás… Entremos, pois, sem medos porque só assim conheceremos este reino maravilhoso…

Antes de mais, suba o mais alto que puder para saber o que o espera e com o que se pode contar. Porque “quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.” E neste deixar que a vista se alargue de “ânsia e de assombro”, porque não escalar os miradouros deste reino de Ansiães: o Alto do Castelo, a Osseira do Seixo, O Síbio do Pinhal do Douro, o ValePedro da Beira Grande, o Pinocro na Fontelonga, a Senhora da Graça da Samorinha, a Senhora da Saúde dos Mogos, do Senhor da Boa Morte do Castanheiro, a Capela do Bom Jesus de Tralhariz, o Monte das Caldas do Pombal…, e depois concluir que “não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza”. Se houver jeito, deixe-se o verso brotar que há de surgir poesia da boa.

Em íngremes encostas, varandins que nenhum palácio desfruta, janelas de pedra onde cabe o mundo todo e só mais não alcança porque a neblina difusa não deixa vislumbrar o resto, de onde se descortinam vistas de cortar a respiração, claraboias onde se podem espreitar as estrelas e, amiudadas vezes a sublime Lua que persegue o Sol, eterna enamorada em busca do seu amor e esplendor. Nestes miradouros, quais portas do paraíso, deles se avistam e crescem as cepas “como os manjericos às janelas”, estoiram em branco as amendoeiras em flor, para que nenhuma princesa que ali venha habitar sinta saudades da neve, quando a não trouxe a invernia; verdejam as oliveiras que, se vestem de luto de pequenas bolas natalícias, e, atendendo à quadra, tal como o Filho da Virgem, para dar a luz ao mundo mil tormentos padecerão. Os olhos descansam nos carrascos e nos altivos sobreirais e os sentidos procuram as cores das estevas, das urzes, das giestas e das cornalheiras; os odores da arçã, do fiolho e das lavandas. No sol da canícula, desponta o desejo de frescura que os salgueiros e amieiros, surgidos junto das linhas de água, atenuam, mas a sede só pode ser saciada na rara fonte, no rio de ouro ou no seu afluente que é Tua, ainda virgens de barragens e de outras porcarias que os conspurcam, ou no fruto que procede do antigo jardim do Éden; “deixai-me agora falar/ do fruto que me fascina”, é concebido aqui na árvore que é também da sabedoria que mostra de uma só vez todo o processo da criação: flor e fruto, poesia e volúpia, “do fruto que me fascina/ pelo sabor, pela cor, pelo aroma das sílabas,/ ó música de meus sentidos,/ pura delícia da língua,” tangerina, laranja, tangerina…” 

De cada um destes altares esguios, majestosos e suspensos nas nuvens, se se pode desfrutar dessa paisagem natural deslumbrante, imponente e a perder de vista, mas viva e trepidante porque nela habitam uma boa quantidade de animais salvos na arca de Noé. Nas cercanias saltita o coelho assustado, voa a perdiz espantada até se tornar numa mancha confundida com o arbusto que a protege. Se não fosse a raposa, a lontra e o lobo de duas pernas porque o outro já se eliminou, cada uma à sua maneira vêm perturbar a quietude reinante, e seria o paraíso na terra. As vertentes escarpadas oferecem a tranquilidade necessária para albergar as inúmeras aves garbosas e raras que aqui se reproduzem, como o grifo, o abutre do Egipto, a águia-real, a águia-de-Bonelli, a águia-cobreira e a cegonha-preta, nos ares de uma azul doce e cristalino planam os irrequietos abelharucos, na largueza do olhar, salpicam a cor da paisagem os extraordinários papa-figos; e nos muros e armazéns abandonados aparece ao paciente observador o raríssimo chasco-negro; nos rios e riachos nadam em relativo sossego o barbo, a boga, o escalo, o bordalo, o ruivaco, a truta...

Em verdade vos digo que a Nossa Senhora da Assunção que é venerada no cabeço de Vilas Boas, do concelho de Vila Flor, está neste local contra a sua vontade, pois onde queria estar era num destes outros cabeços. A glorificada e louvada senhora tudo fez para ser venerada noutro monte e noutra ermida e assim apreciar para sempre os mares de pedras e as paisagens de sonho, como só no reino maravilhoso de Ansiães podem ser contempladas. Contaremos mais tarde.

(Viagem à Casa da Moura)

20 agosto 2014

João Paulo II de Hélder Carvalho

"João Paulo II ficou como uma das referências inconfundível da recente iconografia cristã. A sua imagem tornou-se universal e serviu de referência para a sua representação por destacados artistas. Coube-me agora a mim interpretar os seus traços e dar-lhe materialidade."
Hélder Carvalho

Beber vinho é dar o pão a um milhão de portugueses


19 agosto 2014

Suspeito de matar mulher em Carrazeda de Ansiães entregou-se à GNR

O suspeito de ter esfaqueado duas mulheres há duas semanas, matando uma de 41 anos e ferindo uma outra de 52, entregou-se na noite desta segunda-feira no posto da GNR de Carrazeda de Ansiães, disse fonte da GNR: SIC Notícias

18 agosto 2014

Bruxelas dá 125 milhões

Bruxelas dá 125 milhões aos agricultores para compensar embargo russo

A Comissão Europeia anunciou que vai dar 125 milhões de euros para apoiar o setor hortícola nos países europeus, como forma de apoiar um setor que sofre de um embargo russo há cerca de um ano. A Confederação de Agricultores de Portugal congratula-se com esta decisão.

O ciclo do pão


15 agosto 2014

Sugestão de fim de semana: festa da história

http://www.mdb.pt/noticia/viagem-medieval-junto-ao-castelo-na-festa-da-historia-2921
Publicada uma nova página no "Pensar Ansiães": as maravilhas de Ansiães, aqui.

Alijó: PJ investiga obras de um milhão adjudicadas de boca

PJ investiga obras de um milhão adjudicadas de boca - JN



"Só uma construtora reclama mais de um milhão de euros da Câmara de Alijó, em tribunal, por obras adjudicadas verbalmente. O novo presidente acusa o anterior de "laxismo", mas a PJ procura outras explicações. Alijó é um dos municípios mais endividados do país.
A investigação da Polícia Judiciária (PJ) está no início e incidirá sobre negócios feitos pela Câmara Municipal de Alijó (CMA) nos últimos três mandatos, sob a presidência do militante do PS Artur Cascarejo, agora diretor do parque natural que vai absorver parte dos 70 milhões de euros de contrapartidas da EDP pela barragem do Tua."

14 agosto 2014

13 agosto 2014

Quatro homicídios em sete meses no distrito de Bragança

O primeiro ocorreu a cidade de Bragança, onde um homem degolou a ex-namorada com uma faca da cozinha. 
Em Torre de Moncorvo verificou-se um homicídio seguido de suicídio, com recurso a uma pistola.
Em Santulhão (Vimioso) um pastor matou um comerciante de gado a tiro.
O quarto foi o crime de Vilarinho da Castanheira, onde morreu uma mulher à facada.


12 agosto 2014

Excluir para encerrar


A decisão da Unidade Local Saúde do Nordeste de excluir os laboratórios privados dos exames complementares de diagnóstico no nordeste transmontano, isto é, a obrigatoriedade da realização de análises clínicas, em centros de saúde e hospitais pode ter "graves consequências" para utentes e para a região. Leia aqui

Esta situação, a acontecer, vai retirar à população a liberdade de escolher o local onde quer fazer as suas análises e, por outro lado, retirar qualquer tipo de viabilidade financeira e de sustentabilidade aos laboratórios existentes na região com extinção de postos de trabalho e dinâmicas económicas associadas.



Autarcas satisfeitos...

...com criação de emprego


É sempre de divulgar o grau de contentamento que une os autarcas dos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alijó , Mirandela, Murça e Vila Flor na criação de empresas e postos de trabalhos subsidiados pela EDP. 

É bom que se juntem para a fotografia para no futuro se legende que foram estes mesmos que fizeram um dos maiores ruinosos negócios que no Douro se tem memória.

Ainda bem também que neste negócio alguém lembrou  que a EDP já disponibilizou 10 milhões de euros, mas ainda faltam cerca de 30 milhões para a concretização do plano de mobilidade...  

10 agosto 2014

A capela de Santa Maria em Selores

A igreja/capela de Santa Maria ou de Nossa Senhora do Prado localizada à entrada noroeste de Selores é uma das chaves da história religiosa do concelho porque indicia um primitivo culto cristão e poderá indiciar um primeiro povoado presumivelmente do século VI.
Esta edificação religiosa não detém uma porta ampla e principal, como a maioria, virada a oeste. Este é um detalhe importante porque a porta na simbologia cristã representa Jesus, o que poderá significar não ser uma igreja edificada a Cristo, mas sim ao Deus Criador. O evangelho de São João certifica este símbolo: Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á (10:9). A não orientação a este e a ausência de uma porta principal no seu oposto pressupõe uma construção ariana, seita religiosa dos primeiros tempos do cristianismo introduzida pelos suevos. Esta crença apenas admitia um Deus numa só pessoa, Borges Coelho aproxima este pensamento da conceção árabe: Cristo era mais um profeta que uma divindade ou “filho adotivo de Deus e não filho natural” (1973: 96). Este rito pode ter-se prolongado até ao século XIII.
Este rito era sustentado pelos seguidores do bispo de Alexandria, Arius, nos primeiros tempos da igreja primitiva (século III) (o arianismo foi trazido pelos suevos e pelos visigodos para o norte da Península) e não aceitava que Jesus fosse Deus. Claro que O consideravam a primeira e mais excelsa de todas as criaturas e encarnado no ventre de Maria de Nazaré, porém não era o próprio Deus, apenas estava subordinado a Ele. Segundo Arius só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio. Cristo ficaria a meio caminho entre Deus e os homens.
No século VI, por ação de São Martinho Dume seria renegado o arianismo e proceder-se-ia a uma conversão coerciva ao catolicismo romano. Houve, contudo, alguns focos de resistência, permitindo a sua persistência em comunidades agrícolas isoladas (Morais: 2006, 68 e Coelho: 2010, 108). Foi com certeza o caso da Igreja de Santa Maria. Porém, particularmente a influência francófona e crescente importância da ordem de Cluny viria a erradicar de vez este rito.
A sua menção nas memórias paroquiais é também admirável porque se refere que a igreja tinha “duas Naves” e “se dis antiguamente ser Matriz e ser Abadia”. Confiando na fonte, esta teria sido a primeira abadia do concelho, o edifício cristão mais antigo do concelho. Atente-se ao que a seguir vem no mesmo documento: esta abadia “se devediu em as duas Reitorias a saber a do Devino Salvador intra Muros e a de Som Joam Baptista extra Muros.” Aqui se mostra a antiguidade da capela/igreja de Nossa Senhora do Prado: segundo a tradição, teria dado origem às devoções das duas capelas da vila de Ansiães: a do Salvador do Mundo dentro das muralhas com o mesmo nome, cujo culto foi transladada para a freguesia de Lavandeira; e a capela de São João, fora das muralhas, culto que daria origem à construção da Igreja de Marzagão. Retirado o entusiasmo do vigário, autor das memórias paroquiais, que à altura dependia na hierarquia do reitor do Seixo de Ansiães, que teria de ler o texto e sufragá-lo, a obediência exigia-o, tudo nos leva a acreditar na importância deste templo.
Há ainda outro facto admirável. As igrejas primitivas eram constituídas por três templos: a igreja mãe, a batismal e a funerária. Esta edificação faria parte da tríade de três templos que constituiriam a paróquia primitiva de Ansiães (Morais: 342). Esta seria a igreja mãe, dedicada a Santa Maria; no exterior dos muros, a batismal, a de São João Batista; e intramuros, a cemiterial, de São Salvador. As figuras bases da génese do Cristianismo: Jesus Cristo que se tornaria divino, São João Batista que anunciaria a sua chegada e Maria, mãe de Deus e da Igreja primitiva, como refere o evangelho: “Eis aí o teu filho” (João 19,26) ”.

Pode-se concluir que a capela de Nossa Senhora do Prado deu origem às reitorias na vila de Ansiães e continuou a formar com elas o triângulo da cristandade das terras de Ansiães. Esta unidade chega ao século XVIII e é visível no costume dos abade de Ansiães e Marzagão, herdeiros da paróquia de São Salvador, ali virem todos os anos em procissão. Também não seria precipitado afirmar que nesta capela poderia ter nascido a cristandade em Pagus Auneco, posteriormente denominado reino de Ansiães. A Igreja e a sua estrutura são a base da fixação e da organização dos povos, mesmo antes do início da nacionalidade, prolongando-se pela reconquista e ajudando a consolidar o concelho de Ansiães.


14 julho 2014

Troquem-se as lâmpadas, mas poupe-se na luz


O programa Oficinas Domiciliárias em Carrazeda de Ansiães, com mais de quatro anos, foi criado “para ajudar de forma gratuita os idosos carenciados do concelho a realizarem pequenos trabalhos domiciliários” e “o serviço é prestado por funcionários camarários a quem solicitar e inclui desde a substituição de lâmpadas, vidros ou portas ou o transporte de eletrodomésticos para reparação”.

Sabemos agora que o plano “não estava a ter a adesão esperada”, embora a notícia do Público avance que o senhor presidente da câmara “não soube quantificar quantos idosos já foram apoiados”, nem quantos se pretendia ajudar.

Por causa das poucas lâmpadas trocadas, dos escassos vidros partidos, da falta de portas estragadas e da insignificância de casos de avaria de eletrodomésticos, o município decidiu celebrar “protocolos com instituições de solidariedade social para ajudarem a identificar e encaminhar os processos de eventuais beneficiários”.


Ficou a garantia que todos aqueles que foram contemplados “ficaram agradados pelo gesto e também porque sempre é algum dinheiro que poupam, além de poderem contactar com alguém”. Pelos vistos, ofuscados pela luz provocada pela troca da lâmpada e penalizados pela conta da eletricidade, não contaram ao vizinho, que assim continuou a permanecer no escuro, mas a poupar na fatura elétrica.

12 julho 2014

Nasceu uma uva no IC5


Escultura de Paulo Moura na entrada poente de Carrazeda de Ansiães do IC5.

A barragem que o país não precisa


Porque é que, sete anos depois de as multinacionais elétricas Iberdrola, Endesa e a EDP terem pago ao Estado português €640 milhões pelas concessões de sete novas barragens, apenas uma está em construção: a de Foz Tua, concelho de Alijó, com a particularidade de continuar envolta em polémica quanto ao impacto ambiental. 
 Há duas razões que surgem desde logo à cabeça: quebras sucessivas na procura de eletricidade e também falta de fontes de financiamento para pôr as obras de pé. 
Mas há ainda dois motivos adicionais, apontados pela associação ambientalista Geota: "temos excesso de potência instalada e o subsídio de €500 milhões que tinha sido estabelecido em 2010 para as novas centrais hídricas foi cortado para €300 pelo atual governo", explica Joanaz de Melo, dirigente daquele organismo e também professor universitário. 
 Este responsável garante também que, construir aquelas barragens - quase todas no norte do país -, é como fazer uma terceira auto-estrada entre Lisboa e Porto ao lado das outras duas que já existem.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/as-sete-barragens-que-o-pais-nao-precisa=f880643#ixzz37FskcJWe

02 julho 2014

Falha de segurança na barragem do Tua

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) fez hoje 30 notificações e levantou vários autos por falta de segurança e outras irregularidades na obra da barragem do Tua, que já fez quatro mortos e oito feridos. http://m.visao.sapo.pt/pesquisa/todos/artigo/787420

Chamo-te

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

28 junho 2014

Quinze produtores de vinho do Douro contestam barragem do Tua

Quinze produtores de vinho do Douro contestam barragem do Tua



Quinze produtores de vinho do Douro subscreveram uma carta que foi enviada à UNESCO e na qual manifestam um "profundo desacordo" com a construção da Barragem de Foz Tua e exigem a sua "suspensão imediata".
Na carta enviada à UNESCO, divulgada hoje em comunicado, os produtores durienses afirmam que "não há uso que justifique esta construção que apenas vai aumentar os níveis de humidade e, por consequência, a ocorrência de doenças nas vinhas".
Por outro lado, referem ainda que a "paisagem única do Douro é uma das principais ferramentas de divulgação da região e dos seus vinhos" e que "as barragens estão a transformar negativamente a paisagem da região".
O documento foi subscrito pela Quinta dos Murças (propriedade do Esporão), Muxagat, Douro Boys (Quinta do Crasto, Quinta do Vallado, Niepoort, Vale Dona Maria, Quinta do Vale Meão), Ramos Pinto, Vinhos Conceito, Quinta do Pessegueiro, Tavadouro Vinhos, Sociedade Agrícola Vale do Tua, Quinta do Monte Xisto, Quinta do Noval Vinhos S.A. e Quinta da Romaneira.

Associação de Bragança põe idosos em contacto com filhos e netos emigrados

Associação de Bragança põe idosos em contacto com filhos e netos emigrados | iOnline

O projeto "Momentos de Afeto" oferece, na sede da associação, um computador para as conversas, dando aos idosos a oportunidade de contactarem com os filhos, netos e outros familiares que se encontram fora da região, a maior parte emigrados, "encurtando distâncias e reforçando laços de amor e carinho".

RENDA EM VIDRO PREMIADA

24 junho 2014

Os sitios mais lindos que vi - Musicos pelo TUA

“Ansiães na Idade Média” quer afirmar-se como imagem de marca

 “Ansiães na Idade Média” quer afirmar-se como imagem de marca

O que é que isto quererá dizer?

Autarcas de Mirandela e Vila Flor revoltados com prepotência do Ministério da Educação

Os autarcas de Mirandela e Vila Flor, em Trás-os-Montes, expressaram hoje a sua revolta com a forma como o Ministério da Educação decidiu "unilateralmente e com uma prepotência enorme" a lista de escolas a encerrar. 



Autarcas de Mirandela e Vila Flor revoltados com prepotência do Ministério da Educação - Expresso.pt

Encerrar escolas porque sim

Ninguém duvida que a intenção do Governo através do Ministério da Educação de encerrar mais uma vez escolas em muitos concelhos, tem uma forte repercussão nas dinâmicas sociais e educativas do interior do país e, particularmente, nas áreas rurais. Diz-nos o senhor ministro que “a reorganização [escolar] não tem custos diretos para o Estado”, querendo referir-se aos financeiros, e o que verdadeiramente o move, é “dar melhores condições de educação e sociabilização aos alunos”. Também ficamos a saber pelo organismo que dirige, que o processo está a ser alvo de uma avaliação, embora não seja impeditiva da prossecução desta “política de racionalização”. Não será então estranho e desarrazoado que se aja antes de se avaliar?
Na defesa do encerramento e da concentração de crianças, enfatiza o senhor ministro Crato, que esta crianças intervencionadas e assim reunidas adquirem “uma diversidade de experiências” que lhes permitirá melhor socialização e conhecimento, porém, esquece outros fatores propiciadores do sucesso educativo, como sejam, as horas de sono das crianças, a alimentação e o afastamento da família e do meio social e ambiental.

A concentração das crianças fruto de uma contínua baixa da população escolar resultado do despovoamento e da natalidade, tornou em muitos casos inevitável o processo. Porém este é um assunto demasiado sério que não se compadece com precipitações, com políticas de régua e esquadro, em que é visível uma uniformidade de ratio professor/aluno, não contemplando assim realidades diferentes do meio rural e o urbano.  

O plano de reorganização da rede escolar começou em 2005 e propôs-se encerrar todas as escolas do primeiro ciclo com menos de 10 alunos, tendo a primeira fase encerrado mais de 2500 escolas. A segunda fase começou em 2010 e levou ao fecho de 700 escolas com menos de 21 alunos. Este é a fase três de um processo, que começou por incluir 439 escolas, chegando-se agora às cerca de trezentas escolas do primeiro ciclo que têm de encerrar. Os avanços e recuos nalguns municípios são, até para um observador menos atento, fruto de beneplácitos e intransigências político-partidários, o que inquina todas as ditas intenções bondosas do ato. Este é um processo, que parece não ter fim, e conduzirá ao completo desmantelamento das estruturas escolares no interior do país.


A escola, a par de outros equipamentos, é uma valência fundamental na preservação do mundo rural e é primordial que restem algumas, até para que nem todas as aldeias ou vilas se extingam.

Encerrar às escondidas

Uns sabem dos encerramentos das escolas do primeiro ciclo, outros não e alguns outros vangloriam-se de negócios que pouparam alguns estabelecimentos. É assim a navegação à vista em barco fantasma. http://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/braganca-escolas-mec-ensino-encerramento-tvi24/1561215-4071.html

19 junho 2014

Conferência de imprensa "Salvar o Tua, Proteger o Douro"


A Plataforma “Salvar o Tua” (http://www.salvarotua.org/), composta por associações ambientais, produtores vitivinícolas e diversas figuras públicas, tem como missão impedir a construção da Barragem hidroelétrica de Foz Tua, dada a iminência da destruição do ecossistema envolvente e da centenária linha ferroviária que integram o Alto Douro Vinhateiro, património mundial da humanidade, classificado pela UNESCO desde 2011.
A dimensão negativa do impacto ambiental, económico e social da construção da barragem para a região, torna imperativo um esforço para salvaguardar este património que é parte da nossa herança e identidade cultural.
No próximo dia 19 de junho, às 17h00, a plataforma irá promover uma conferência de imprensa de sensibilização para a causa, na Fábrica Braço de Prata (Sala do Bar), em Lisboa.
Programa:
17h00: Lançamento oficial do vídeo da música pelo Tua, protagonizada por Márcia e Luísa Sobral
17h15: Conferência de Imprensa
Intervenções:
-João Joanaz de Melo (Plataforma Salvar o Tua)
-Advogados pelo Tua
-João Roquette (Produtor Esporão/Quinta dos Murças)
-Mateus Nicolau  de Almeida (Produtor e Enólogo Muxagat)
-Outras personalidades e instituições apoiantes da causa
18h30: Apresentação dos Vinhos (Assobio e Muxagat)
19h30: Documentário DamNation
22h00: Concerto de música
Por favor confirme presença para:
Youngnetwork
Sara Guerreiro – saraguerreiro@youngnetworkgroup.com / 91 058 98 37
Edite Alexandre – editealexandre@youngnetworkgroup.com92 653 44 12

Plataforma Salvar o Tua - plataforma@salvarotua.org