14 julho 2012

Feira de carrazeda II


(...)
Ir à feira é aproveitar para ir aos Paços do Concelho tratar do pagamento das contribuições, ir ao notário, ao registo civil, ao hospital, ao barbeiro, ao fotógrafo… Eu sei lá… tudo o que for preciso porque há que aproveitar a viagem; e porta por onde se entre, encontra tudo cheio a abarrotar de impaciências.
Para os mais novos a possibilidade de ir á feira é sempre remota por causa da escola. No regresso esperam-no o miminho que a mãe ou o pai trazem no bornal: a roca das primeiras cerejas, a bola sovada, o pião, ou as calças, os sapatos novos de que se levou a medida no pauzinho cortado ao tamanho do pé. 
  A feira é também uma montra de cromos e postais humanos: o pedinte à porta do Café Central que chocalha o pucarinho e pede uma moeda “por alma de quem lá tem”; o ceguinho e acompanhante que trocam modinhas na guitarra por uma esmolinha, e comercializa impressos de versos e tragédias por um tostão; o homem da vermelhinha que desafia os incautos, para uma partida que sempre se revela proveitosa para o artificioso; o cigano que bate o copo dos dados ma mesa da batota, com um olho na GNR e outro nos que lhe rodeiam o jogo; o tendeiro de microfone ao peito embrulhado num lenço, não quer vender um cobertor por cem mil réis, mas, por fim, “não um , nem dois, mas”, perde a cabeça e oferece, “que é para acabar” uma carrada de cobertores, de toalhas de cozinha, de lençóis, pela mesma nota, “uma bagatela, sim senhor”; o senhor doutor, o senhor padre, o senhor presidente, o senhor funcionário… que passam impantes da sua importância, atentos a quem lhes tira o chapéu… Não raras vezes uma ou outra altercação redunda em zaragata pelo excesso de álcool, pela teimosia de um negócio ou na vingança de tratos da feira passada, que a chegada da guarda  ou tão só a intervenção dos populares resolve quase sempre facilmente.
(continua)

13 julho 2012

Sugestão de Verão

 Dulce Maria Cardoso nasceu em Fonte Longa, Carrazeda de Ansiães, em 1964. Viveu a sua infância em Angola até 1975.
Foi considerada uma das 100 personalidades mais influentes da vida portuguesa pela revista do Expresso.

O seu romance "O Retorno",sobre o regresso dos chamados retornados, foi considerado o melhor livro do ano e recebeu o prémio especial da crítica nos prémios LER/Bootailors 201. A escritora foi distinguida pelo Ministério francês da Cultura com a ordem das Artes e das Letras. Na opinião de Nicolau Santos ganha "definitivamente direito à entrada no panteão dos grandes escritores de língua portuguesa".
Se não leu ainda, faça o favor porque é imperdível.


Mais turistas

O IC5 está a trazer mais turistas portugueses a Miranda do Douro.
(...)
“Nós estamos a receber entre 600 a mil por fim-de-semana, desde Maio até agora”, revela o presidente do município, Artur Nunes.
Daqui

Ranking dos serviços perdidos

Segundo a LUSA, mais de quatro mil serviços públicos fecharam desde 2000 em Portugal e os distritos de Viseu e de Vila Real foram os que mais perderam escolas e correios, por exemplo...
Na lista seguem-se os distritos de Aveiro (com menos 348 serviços), de Lisboa (339), Bragança (302), Braga (297), Coimbra (281), Santarém (278), Guarda (267), Porto (266) e Leiria (229).
Os distritos alentejanos foram os que perderam menos: Beja perdeu 78 serviços públicos, Évora 49 e Portalegre 39.
Vila Real perdeu 444 serviços: 381 escolas, 10 postos dos correios, 45 extensões de saúde, 1 bloco de parto a que se deverão somar seis tribunais.
 Daqui

A feira de Carrazeda I



Há mais de 700 anos que se realiza feira no concelho. Das aldeias e dos outros concelhos acorriam milhares de camponeses. Só se deixava de ir à feira em tempo de sementeira, ceifa, malhada, vindima e apanha da azeitona, porque nestes trabalhos “sagrados”, nem a feira era mais importante. Ia-se cedo para aproveitar bem a manhã, pois “os atrasados só encontram o rebusco”. A tarde era para o desfrute: digerir a dobrada, beber uns “canecos” e desenferrujar a língua. Sim, porque para muitos, dia de feira é dia de festa.
A maior parte dos aldeãos desloca-se a pé, em carros de bois, cavalos ou mulas. Porque é dia de feira, ajaezam as “crias” com os melhores arreios e sobre a albarda ajeitam uma manta vermelha. Na cabeça dos bois, um braçado de feno para remoerem na sombra dos cedros da entrada da vila ou nas giestas e mato que envolve todo o povoado. Vai-se também à feira nas carrinhas de caixa aberta com capota no Inverno para cortarem o frio e o vento gélido.
Dia de feira era dia de negócios. Vai-se para encontrar quem compre ou venda o vinho, a amêndoa, o cereal, a resina, o animal… No alforge vai a prova do vinho para o taberneiro da vila apreciar e no pensamento, um bom negócio. Pela estrada fora circula um par de leitões a passo lento e enervante, bem seguro nas pernas por uma corda, para vender (um ou outro ficou na loja para criar para a matança); alguém os há de comprar para “cevar” com os nabos, as couves e as abóboras que se cultivam na courela, matar um para casa, e vender o outro numa qualquer feira de inverno, com lucro certo. Nos carros de bois ou nas carroças, o excedente das batatas, das hortas para fazer uns tostões. Alguns eram capazes de caminhar vários quilómetros para vender uma ou duas galinhas, ou uma dúzia de ovos.
 A vila era invadida por uma multidão. Os pontos principais de reunião situavam-se no Largo do Toural com a feira do gado e as tendas da roupa; e a praça D. Lopo com as barracas dos produtos agrícolas, de quinquilharia e dos ourives… Tanto uma como outra praça eram uma desordem organizada porque no meio da confusão todos sabiam onde dirigir-se. Toda a vila mostrava uma contínua algazarra feita de animação, alegria, rebuliço e ruído contagiosos. Prendiam-se as mulas, os machos e os cavalos à porta dos tascos enquanto se “embarcavam” uns copos acondimentados com uma lasca de bacalhau  que se levava no bolso. Nas tabernas vendia-se de tudo: camisas, tripas secas, bacalhau, toucinho, vinho… À hora do almoço dava-se o bocado de feno ou a ração que a “cria” transportou e ia-se almoçar a dobrada à pensão da Isaura. Pouco depois alguns regressavam com as compras. Muitos ficavam para a tarde: destravavam a língua, bebiam uns copos e já alcoolizados regressavam trôpegos ao cair da noite aos povoados, repletos de alvoroço e recarregados para mais dez dias de trabalho de jorna.
(continua)

10 julho 2012

Aviso à navegação

Estamos a proceder a alguns ajustes no modelo de apresentação do "blogger" do Pensar Ansiães de modo a torná-lo mais interativo com as outras redes sociais de comunicação.
Infelizmente o antigo modelo não se ajustava a alguns objetivos.
Para todos os que estranham o novo visual ainda incompleto, as desculpas, veremos se se entranha.

Afinal o comboio valia para Bragança

"Eu tenho pena que a linha de comboio tenha sido abandonada pois era uma possibilidade de desencravar Bragança” (...)
“ela precisava de ter novos serviços para a ligar a uma zona de Espanha que também se queixa de ser abandonada por Madrid”
  
Nuno Rogeiro, comentador político, em Bragança para falar sobre os desafios da Europa, numa conferência organizada pelos Trabalhadores Social-democratas de Bragança.  

Daqui 

09 julho 2012

Táxis regressam ao Tua

 Táxis regressam ao Tua até Setembro, depois logo se vê.

Nas bocas do mundo: Grupo de Cantares de Carrazeda de Ansiães

O Grupo de Cantares de Carrazeda de Ansiães, vai participar no Europeade 2012, que se realiza em Pádua-Itália de 11 a 16 de Julho. Além das atuações em palco, na rua e desfile com todos os participantes (cerca de 4.000 em 160 grupos de toda a Europa) o Grupo de Cantares de Carrazeda de Ansiães foi convidado pelo Comité Organizador do 49º Europeade, para cantar o Cântico de Entrada na Missa que se realizará na Basílica de Santo António, no dia 15 (Domingo).

05 julho 2012

Mistificações

Sobre os vários serviços que estão a fechar em todo o país, nomeadamente tribunais, que no caso do distrito de Bragança são cinco, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares disse que “a situação decorre do entendimento com a Troika”. Aqui
Quem ler o memorando de entendimento sobre o assunto encontra as seguintes medidas:

Aumentar "a eficiência através da reestruturação do sistema judicial e adoptando novos modelos de gestão dos tribunais;"
"Acelerar a aplicação do Novo Mapa Judiciário".
O encerramento dos tribunais não decorre destas medidas; há até partidos que assinaram o memorando que têm um outro entendimento da necessidade de reorganização do mapa judiciário, como seja a manutenção dos espaços para que a justiça se faça nos locais. O que decorre destas medidas é uma redução de custos na administração da justiça e ela pode  ser feita sem o encerramento de serviços apenas no interior, como é óbvio. Portanto este governante está a enganar-nos e a afastar a culpa própria para terceiros. Criar a mistificação e o logro não se prestigia a democracia.

Nesta visita, o governante adiantou também que vão encerrar repartições de Finanças em vários locais do País. Cremos ter esquecido de acrescentar que vão também ser, só no interior.

04 julho 2012

Falta de respeito

A Brigantia, aqui, escreve que "José Viegas diz que está preocupado com o encerramento de serviços no Interior anunciado pelo Governo."
Muito bem! Todos estamos! Porém, este senhor é secretário de estado desse mesmo governo, e se a sua preocupação é sincera deveria explicar muito bem o porquê desses encerramentos, questionar os seus pares e lutar pela manutenção dos serviços. Não diz que o fez, na literatura informativa não se divulgaram factos, não se demitiu, o que leva a concluir que apenas são expressas "desculpas de mau pagador".
Em seguida, escreve também a Brigantia: "o secretário de Estado da Cultura, eleito deputado por Bragança, ressalva que está solidário com o Governo, mas diz que os decisores deviam conhecer melhor o terreno". Com esta declaração, creio que a paciência transmontana dos eleitores se deveria esgotar.
Então o nosso país é assim tão grande e diverso para que os decisores políticos não o conheçam? Então que faz o senhor secretário de Estado nas reuniões do governo?
Informe a sua gente. Faça qualquer coisinha por quem o elegeu.
O senhor  Francisco José termina por referir que "o destino de Trás-os-Montes também está nas mãos dos transmontanos”.
 Será? Quando tudo lhes tiram?
Então os transmontanos não elegeram como um dos seus para lutar pelo seu futuro? 
Na democracia representativa não compete em primeiro lugar aos eleitos esse combate?
Ou a democracia é uma farsa?

Ameaças

Os cinco autarcas do Vale do Tua ameaçaram hoje alterar a sua posição favorável à construção da barragem se os transportes alternativos ao comboio não forem repostos e continuarem a ser violadas as contrapartidas assumidas.

Eles retiram serviços, nós só ameaçamos...

Daqui

 

Ipsis verbis: modas

"parece que virou moda retirar ao Interior o pouco que tem"

 "Eu considero que o Estado não pode desistir do Interior, nem pode haver em Portugal regiões de primeira e de segunda, nem portugueses de primeira e de segunda, muito menos regiões e portugueses descartáveis ou dispensáveis"

 (presidente da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo)

Daqui

03 julho 2012

Pensar dos leitores: no aproveitar é que está o ganho

Nunca votei no PS, mas só pelo IC5, IP2 e A4 tenho que enaltecer o Engº Sócrates! Estou-lhe agradecido pelo dinheiro e pelo tempo que poupo nas minhas deslocações diárias. A região tem finalmente vias de comunicação decentes.
Como já por aqui foi dito foi pena que o Prof. Cavaco no tempo da politica do alcatrão e do betão não tenha tido a mesma vontade politica pois hoje tudo poderia ser diferente, muito diferente!
Acho que o problema do sr. Mário Carvalho com Sócrates é a barragem do Tua. Pessoalmente acho que a maior responsabilidade da construção da barragem deve ser atribuída aos nossos autarcas e não aos governos centrais!
Vejamos: As Câmaras Municipais, tiveram poder financeiro e poder de decisão. NUNCA, repito, NUNCA olharam para o vale do Tua e até do Douro como uma riqueza a explorar nomeadamente para fins turísticos. Pura e simplesmente abandonaram tão promissora origem de desenvolvimento.
Na pele de Governo pergunto-me: Então se aqueles "indivíduos" nunca aproveitaram o que têm aos pés tendo tido possibilidades para o fazer, aproveito "eu".

Não sei porque se apontam o dedo àqueles que menos "culpa" têm!
N I R

02 julho 2012

Pensar dos leitores: lavar as mãos como Pilatos

O presidente da Câmara de Mirandela, António Branco confirmou à Lusa a suspensão do serviço e disse que a CP justificou a medida alegando que "deixou de ter qualquer responsabilidade na linha do Tua". in JN

Como sempre, lavam as mãos como pilatos...isto agora é terra de ninguém. Está tudo a fechar...transportes, tribunais, finanças...e não tarda nada é a Câmara. Será que não percebem srs. autarcas? Acordem, esqueçam OS PARTIDOS ou Interesses que representam, lutem pelas populações que vos deram os votos. Esqueçam Lisboa como Lisboa sempre se esqueceu de nós. Até os deputados que nos deveriam respresentar. Alguém os ouve? Mas Trás -os- Montes merece. O PSD não ganhou em Bragança e Vila Real?

E o prometido? Ah! Ah! Ah!...

Suspensão de transportes na Linha do Tua viola plano de mobilidade - JN
 A Declaração de Impacto Ambiental (DIA), que deu parecer favorável condicionado à construção da hidroelétrica que vai submergir a linha, impôs a elaboração de um plano de mobilidade alternativo.
Disseram que iam estudar, mas,  delinearam, mais ou menos, uma proposta, uma espécie de engodo. Era assim: entre Foz Tua e a barragem a linha de comboio ou até um teleférico; na albufeira, um barquinho, até Brunheda; e até Mirandela um caminho de ferro completamente remodelado.
Queriam?
Esperem sentados.

Acabou a linha do Tua

01 julho 2012

30 junho 2012

Demissão à vista ou talvez não...

Autarca e deputados de Valpaços ameçam com demissão

Em declarações à TSF, Francisco Tavares adiantou que vão esperar um mês. Durante esse período esperam por um recuo do Governo, caso contrário a demissão é a única saída, por considerar que o encerramento do tribunal representa uma falta de respeito para com o concelho.

29 junho 2012

Devagar, devagarinho

“A nossa intervenção tem sido feita com total transparência. A moção aprovada em S. Petersburgo não foi tão radical como se esperava ou como era anunciado. Agora estamos à espera de uma nova missão da UNESCO que venha há avaliar no terreno”,
(...)“Tomámos decisões e chumbámos algumas linhas de alta tensão e vamos continuar a fazê-lo dentro das nossas competências. Acredito que é possível continuar a manter a classificação e é dessa condição que não abdico”
Francisco J. Viegas, secretário de estado da cultura acerca da construção da barragem do Tua
Daqui 

Devagar, devagarinho ou então esconder a cabeça na areia.

Inundar

O PS quer «inundar» o correio eletrónico do ministro da Economia com mensagens a exigir o reinício da construção do Túnel do Marão, numa ação de protesto contra a suspensão das obras que dura há um ano.
 
(...) "uma campanha de protesto, que visa inundar o correio eletrónico do ministro da Economia com mensagens a exigir o reinício das obras do Túnel do Marão\".

Daqui

Reorganização das paróquias

Bragança-Miranda: Bispo reorganiza paróquias -
“Os Presbíteros, os Diáconos e os Leigos experimentam grande cansaço e ativismo”, pelo que “é exigida” a “reorganização” da diocese sediada em Bragança, no nordeste de Portugal, justifica o decreto de D. José Cordeiro.
(...)
o Arciprestado de Moncorvo vai abranger Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Vila Flor.

27 junho 2012

Túnel do Marão ou a quadratura do círculo

Um ano decorreu desde que as obras do túnel do Marão estão paradas. 
Os 5 600 metros de extensão que ligam Vila Real e Amarante fazem parte da construção da Autoestrada transmontana e têm tido uma história atribulada: a obra começou no Verão de 2009 e deveria estar concluída em Novembro deste ano, porém, além desta,  esteve parada duas vezes pela interposição de duas providências cautelares da responsabilidade da empresa Águas do Marão.

Como era para ser?
A engenharia financeira da construção do projeto era a seguinte: O consórcio de construção  liderado pelas empresas da Somague e da Soares da Costa concessionou a obra. O consórcio bancário constituído pela CGD e pelo Banco Europeu de Investimento financiou-a. O consórcio dos utilizadores pagariam. E a pairar sobre todo o risco, a "sombra protetora" do Estado, isto é, os contribuintes portugueses.

O que falhou?
Primeiro, o dinheiro ficou mais caro. O  empréstimo foi feito a taxas mais baixas das que são agora praticadas o que originou o corte do financiamento.   
Segundo, o fundo de risco, que visa compensar a exploração por eventuais perdas na procura de tráfego, levou a concessionária a meter marcha atrás, porque teme que passem menos carros nesta via do que o inicialmente previsto.
Terceiro, neste país o risco nunca é para os privados, fica todo para o Estado.

Ponto da situação?
 Um, 70% da obra está realizada.
Dois, dum valor total estimado de 350 milhões de euros, o Estado já pagou diretamente mais de metade, 200 milhões.
Três, O financiador da obra, a CGD e o Banco Europeu de Investimento, que o Estado português é o acionista e o próprio Governo Português não chegam a acordo.
Quatro, o ministério das obras públicas pode vir a resgatar a obra, mas isso obriga a partir para um novo concurso, cujas implicações em termos de tempo e de custos serão maiores.

Solução?
Obrigar os intervenientes a cumprir o acordo, o que significa coragem política para os mais fortes, que ainda ninguém descortinou neste governo.
Mudar o Terreiro do Paço uma semana para Vila Real, ou obrigar os senhores membros do governo a viajar todos os dias para o Porto nas curvas do IP4. 

Ou...
Esperar sentados!

23 junho 2012

São João no Bairro da Telheira

... Que também devia chamar-se bairro são joão...


Ao que chegámos

Expresso 1.ª página 23/06/2012
Sei que alguns primos dirão que tem que ser!
Sei que alguns anseiam o retorno a um tempo em que isto acontecia para readquirir mordomias e privilégios!
Sei que alguns afirmarão que tudo vale a pena para matar a fome!
Sei...
Sei que as convulsões sociais, as revoluções começaram assim...

Ainda a tempo: inauguração do moinho de vento

           "Carrazeda de Ansiães inaugurou no passado Domingo, dia 17 de Junho, o único moinho de vento a funcionar na região de Trás-os-Montes".
... daqui
foto de Manuel Joaquim F. Lopes


Não vão muitos anos que se viam no concelho alguns moinhos de água, em plena atividade. Em muitos locais, a maioria deles eram designados "Moinhos do Povo" e pertenciam à população de cada uma das aldeias, sendo geridos e mantidos pela comunidade local e utilizados à vez de acordo com o regulamento aprovado pelo Concelho do Povo. Ainda em 1965, só nas Beiras, Alto Douro e Trás-os-Montes se registavam oito mil.
Cada aldeia, conforme a sua dimensão e produção, tinha um, dois ou três moinhos junto às ribeiras mais próximas quando o seu regime hídrico se ajustava convenientemente e, em regra, não muito longe. Os moinhos, de roda horizontal, de rodízio, ou azenhas, de roda vertical distribuíam-se pelas linhas de água dos rios Douro e Tua, os ribeiros da Veiga, do Vilarinho… A moagem tornou-se também empresa familiar e a figura do moleiro conduzindo um ou outro animal, particularmente machos, buscando o grão, entregando a farinha e guardando o dízimo, era habitual nos caminhos dos povoados. Nos princípios do século XX iniciam-se as moagens industriais, por exemplo em Selores é montada uma enorme moagem a vapor que terá pouco êxito. A elétrica prevalecerá naquela e noutras aldeias, e chegará na sede do concelho aos nossos dias com relativa projeção económica.

21 junho 2012

Palavras

“Mostrou-se preocupada (a ministra da justiça) e disse que tudo faria para que este tribunal não encerrasse e por isso faltou à palavra”
... “temos de ter sempre uma esperança e espero bem que isso não venha a acontecer”
José Luís Correia, P. C. de Carrazeda de Ansiães
... acrescentando que "a luta deve continuar, caso contrário, depois do tribunal o Governo do PSD/CDS-PP poderá acabar também com outros serviços públicos, a começar pelo serviço de Finanças."

 “Isto foi um sinal mas não chega. Para mim é muito pouco isto não chega a Lisboa, não entendem esta linguagem”
... “Todos os autarcas do distrito deviam juntar-se e tomar uma medida em conjunto e aí já vão entender. Eles tremem quando isso acontece”
Olímpia Candeias, vereadora da C. M. de Carrazeda de Ansiães


"O vereador do PS vai mais longe e lembra uma proposta informal que apresentou em reunião de Câmara e em que levantou a hipótese de demissão em bloco dos executivos dos concelhos afectados pela reforma da Justiça.“Era uma proposta a seguir por nós próprios mas também por todas as câmaras envolvidas neste processo”, refere Augusto Faustino, que sugere que “todos os autarcas dos concelhos afectados entreguem a chave dos concelhos à ministra da justiça”

Daqui


Aconselhamos esta leitura ao som da canção
"paroles, paroles"
trauteie:
"encore des mots
toujours des mots
les mêmes mots"

A lógica do terreiro do paço...

ou será da batata?

A ministra da Justiça reafirma que o novo mapa judiciário, que prevê o encerramento de cinco tribunais no distrito de Bragança, visa facultar
“um maior acesso dos cidadãos aos tribunais e não o contrário”.

16 junho 2012

Revolta?

Autarcas revoltados com nova proposta para mapa judiciário - TSF Mobile
O presidente da câmara de Carrazeda de Ansiães também promete a organização de uma manifestação na segunda-feira, ao passo que o autarca Américo Pereira, de Vinhas, promete também um protesto, mas ainda sem data marcada.

10 junho 2012

Dois autocarros, duas velocidades, dois países...

Terminal de autocarros na capital de Trás-os-Montes (? ainda existe essa província?).
Autocarros que chegam, autocarros que partem.
A aparente calma da espera é sempre interrompida pela entrada e saída dos passageiros.
Uma rotina sempre igual pautada pelo silêncio da espera, o alvoroço de partir, a urgência na ânsia de chegar.
Tudo idêntico, rotineiro, vulgar...?
Não!
Um pouco mais de atenção e atentem-se aos pormenores.
Há autocarros que não têm tanta pressa e esperam largos minutos como se o tempo não contasse. Estes são os antigos, alguns já um pouco decrépitos, desbotados na pintura e, engasgados no ronco do motor, bem identificáveis pela poluição que deixam atrás de si. O seu destino é a Régua, Mirandela, Lamego, Guarda, Viseu…
Os outros… primam pela modernidade, pela pintura metalizada, pela agilidade dos motores, por estarem sempre cheios. Quedam-se breves minutos e ei-los que partem em direção às grandes metrópoles de Lisboa, Porto, Coimbra…  
 Dois autocarros, duas velocidades, dois países...

Paróquias, juntas paroquiais e freguesias

           Na sociedade antiga, o governo das paróquias, mais tarde freguesias, estava confiado ao pároco que era coadjuvado pelos homens mais respeitáveis, primeiro indicados pelo povo ou escolhidos pelos párocos e mais tarde nomeados pela administração concelhia, chamados juízes de vara ou vintena. Este ministério vincadamente presbítero-religioso chega aos nossos dias na forma das juntas fabriqueiras. A paróquia torna-se, a principal instituição de agrupamento e organização sociopolítica das comunidades locais portuguesas. Ao longo dos séculos XV a XVIII, tem expressão material na construção ou reforço da Igreja Matriz e nela se centralizarão as principais atividades e poderes eclesiásticos-religiosos. O poder real através do município, mas, em articulação com as paróquias, enquadra as medidas e políticas a todo o território. Com o liberalismo, a administração dos fregueses sofre profunda remodelação e a governação local passa para a Junta e para os Regedores.
A primitiva e única paróquia de Ansiães há de desconjuntar-se em várias outras, chegando ao século XVI com treze paróquias, num tempo da primeira grande reorganização territorial com as ordenações manuelinas. O século XIX teve importantes e contínuas composições territoriais, variando as freguesias no concelho de Carrazeda de Ansiães, de um mínimo de onze a um máximo de vinte e três para estabilizar nas dezanove, que chegam aos nossos dias. 
(...)
Ler o resto

06 junho 2012

Comboio histórico regressa

A CP retoma a 30 de junho as viagens de comboio histórico na linha do Douro, depois de, no ano passado, ter ameaçado com o fim do serviço por falta de parceiros para o financiamento do projeto.

Entre junho a outubro, a velha locomotiva a vapor vai percorrer os 46 quilómetros que separam o Peso da Régua do Tua (concelho de Carrazeda de Ansiães), numa viagem que tem como paisagem predominante o rio Douro, as vinhas que são Património Mundial da UNESCO e que atrai centenas de turistas a este território.

Daqui

Não há dinheiro para suspender

A ministra do Ambiente defendeu esta terça-feira que a barragem de Foz Tua é compatível com a classificação do Alto Douro Vinhateiro como património da humanidade e afastou a possibilidade de suspender as obras por falta de verbas.

“Íamos a tempo de parar se tivéssemos no nosso bolso os montantes para pagar as indemnizações necessárias, que são de várias centenas de milhões de euros”. 
 
Diário de Trás-os-Montes

03 junho 2012

Os concelhos, como as árvores, devem morrer de pé

Manifestação em Alijó contra encerramento do tribunal juntou autarcas e deputados do PS e PSD. "Esta manifestação não tem um cunho político partidário. É uma manifestação de todos. Isto quer dizer que chega, basta, nós não podemos continuar cegos, surdos e mudos a este autêntico ataque ao interior do país", afirmou o presidente da câmara, o socialista Artur Cascarejo. "Parece-nos que isto se trata de uma vingança contra o PS, à qual não será estranho também o facto de o ex primeiro-ministro, José Sócrates, ter nascido e crescido no concelho de Alijó".

Podem querer aniquilar-nos, mas é importante cair com honra.

Dá Deus vinho...




(recortes do Expresso 2/06/2012
Todos reconhecem a excelência do nosso vinho. Em Portugal, porém continua a bacoquice, o que vem de fora é sempre melhor. Depois não sabemos promover... "inventamos de mais e somos envergonhados nas nossas coisas".

Agricultura a duas velocidades

(recorte do Expresso 2/06/2012)
Junte-se a estas ajudas da PAC os fatores de produção (gasóleo, eletricidade, tratamentos fitossanitários...) e concluirá, se ainda não o fez, porque é que a nossa agricultura não pode competir com a da UE. Não! Não é verdade que sejamos menos capazes! É outra coisa.

02 junho 2012

Passeio senior: manifestações de agrado e belas fotos


Aqui nos dão conta do passeio camarário sénior a Salamanca e Alba de Tormes e compreende-se pelo que transpira da pena autárquica enfática, propagandística quanto baste, o verdadeiro motivo da iniciativa: turismo religioso. O internauta pode ainda visualizar as belas fotos, em que se mostram grandes grupos e grandes planos, absolutamente vitais a um dos objetivos delineados: propaganda. No rodapé da notícia fica tudo explicado: o grande sucesso da iniciativa foi conseguido “graças a toda a preparação feita previamente e com minúcia”.
Permitam-nos um ou outro comentário crítico, não deixando de realçar as "manifestações de agrado" dos participantes e a conseguida jornada de fé e convívio, um binómio abençoado:
viajar para Espanha é sempre uma ótima escolha, porém, em tempo de crise não será o mais aconselhável, isto é, não se pode acusar a anterior gestão de desperdício e nestas alturas não se olharem a despesas; porquanto os nossos idosos tudo mereçam, “a bota não bate com a perdigota”;
uma viagem de idosos, de umas boas centenas de quilómetros, que começa de madrugada e termina já noite avançada, num só dia, não será demasiada violenta, apesar de “toda a preparação feita previamente e com minúcia”?  
valha a manifesta opção religiosa das nossas gentes, num estado laico, não é de bom tom porque não lhe fica bem, um município promover turismo religioso.

Vila amuralhada de Carrazeda de Ansiães em obras para melhorar visitas

A vila amuralhada de Carrazeda de Ansiães, que integra a “Rede de Monumentos do Vale do Douro”, está a ser alvo de obras de requalificação, no valor de 160 mil euros, para melhorar as condições de visita... 
 Os trabalhos são financiados pelo Programa Operacional Regional do Norte e consistem na limpeza e reposição de derrubes no interior das muralhas, conservação das ruínas, tratamento e colmatação dos arruamentos e colocação de sinalética e mobiliário urbano...
As obras decorrem com acompanhamento arqueológico e destinam-se também à reabilitação estrutural do torreão do lado direito da porta de acesso ao castelo,