06 março 2012

Saudade e saudades: Carlos Fiúza


É ou não verdade ser a “contradição” o sal da personalidade de João Lopes de Matos?
Veja-se o seu texto “A Vila de Ansiães” e nele se encontrará tudo o que não “lembra nem ao diabo”!
Pela minha parte até achei original a sua argumentação… (como contraditório, leia-se).
Ma não há dúvida (a aí ele tem inteiramente razão): a palavra mais poeticamente portuguesa é - a saudade.
E digo “mais poeticamente portuguesa” porque, se metemos ao caso a rígida filologia, lá se vai o encanto português da saudade, e vêm os estudiosos frios e objetivos afirmar que, afinal, se encontra sinonímia vocabular e até sentimental noutras línguas e entre outros povos.

Pois a saudade portuguesa não é a mesmíssima coisa que o romeno dor, que o galego morriña, que o catalão anyoranza, que o alemão Sehnsucht (e Heimweh) ou até que o francês mal du pays, souvenir (du coeur), le doux regret?
E o desiderium dos Romanos não é correspondência latina da saudade portuguesa?

Haverá quem responda afirmativamente e proteste contra a pieguice lusíada de imaginar intraduzível a saudade.
Evidentemente, se nós nos pusermos a investigar com afinco o problema psicofilológico da saudade, palpita-me que nas próprias línguas africanas, asiáticas e ameríndias haveremos de encontrar equivalentes, mais ou menos aproximados, do sentimento saudoso.
Por este modo de ver, não seria difícil ir buscar ao homem primitivo o sentimento saudosista.
Não deve existir lugar algum da Terra, onde o homem não tenha manifestado a mágoa pela ausência da coisa amada, o desejo de tornar a ver ou de ter presente o motivo de seus anseios.
Será comparável o “banzo”, africano à saudade portuguesa?

Um inglês meu amigo, a quem falei com orgulho no portuguesismo da saudade, pretendeu deitar um balde de água fria no meu patriotismo sentimental, lembrando-me que na língua dele, afinal, também se vive e expressa o mesmo sentimento, que a maior parte dos Portugueses imaginam, ingenuamente, um exclusivo do seu coração e da sua língua.
E citou-me longing, home-sickness, to be home-sick.
Todavia, esta procura de equivalentes para o termo doce e expressivo da nossa língua parece-me tarefa inútil.
 Inútil e, de certo modo, incoerente, não só no aspeto sentimental mas, inclusivamente, no aspeto filológico.
Já se chegou a aventar, por exemplo, que a saudade nos viera dos Árabes.
E porquê? Por isto em resumo: Em árabe há çaudá que significa melancolia.
Ora, a melancolia, é uma doença nervosa. E, como a medicina medieval hispânica esteve sob a influência de mestres árabes como Avicena, Averróis, etc., a saudade portuguesa teria sido… um “achaque pegado” no tempo dos Mouros.
O pior está em que a filologia não saberá explicar como de tal palavra árabe se poderia chegar à portuguesa.
Outra dificuldade está ainda, penso eu, em que o vocábulo arábico não tenha ficado no vocabulário espanhol a traduzir o sentimento saudoso.
A história da língua convence-nos, na verdade, que do latim solitate(m) provém, etimologicamente, saudade. A comprovar lá estão as antigas formas soedade (ou soidade), suidade (ou ssuydade). No século XIV já aparece saudade, como Carolina Micaelis documentou.
Deve ter-se dado a influência de saudar, saudação, saúde na transformação de soedade, etc., (formas galécio-portuguesas para saudade).
Quem ler tudo o que se tem escrito e reescrito acerca da palavra referida, nota estas opiniões divididas:
- De um lado, houve quem imaginasse a palavra saudade intraduzível noutras línguas. Garrett, por exemplo, assim pensava (se bem que reconhecesse que o sentimento representado pelo “mais doce, expressivo e delicado termo da nossa língua” … “em todos os países o sentem”).
- Do outro lado, encontra-se o parecer dos que, alegando haver noutras línguas equivalentes ou quase equivalentes do termo português, negam a este a singularidade do seu significado.
Penso que o poder encontrar-se noutras línguas a correspondência aproximada do emprego das nossas expressões - sentir saudades por alguém, sofrer saudades da pátria, etc., - não tira à saudade portuguesa aspeto inconfundível de um complexo psicológico sui generis, cujo significado essencial é, de facto, intraduzível ou, pelo menos, incomparável.
Já vi escrito que a palavra romena dor exprime um estado de alma, um sentimento em que há “nostalgia, ternura, melancolia, lembranças, sonhos espirituais que quase levam ao desespero”.
Não se negará que de tudo isto pode haver na saudade portuguesa, mas há algo que melhor a caracteriza e é - a placidez, a suavidade melancólica, e não a revolta ou o desespero.
Por isso Camões disse:

“Agora a saudade do passado,
 Tormento puro, doce e magoado
 Que converter fazia estes furores
 Em magoadas lágrimas de amores”.

Haverá, sim, pontos de semelhança, algumas afinidades sentimentais entre a saudade portuguesa e o que exprimem semelhantes palavras noutras línguas.
Mas o sentido vago e profundo, complexo e indefinível de saudade - só na terra portuguesa, que se debruçou para o mar, se pode compreender e sentir.
Reparemos ainda em que em nenhuma língua, como na nossa, tal sentimento surge em saudações por mor de apartamento.
Em que língua descobrirão os poliglotas rigorosos equivalentes com a ternura destas expressões portuguesas - dar saudades, carpir saudades, fazer saudades?

- “Despediu-os de si com muita saudade.”
- “Mando-te muitas saudades.”
- “Quantas saudades tenho de ti.”

Evidentemente que se pode traduzir para qualquer língua esta frase - morrer de saudades por alguém.
Por exemplo, em francês dir-se-á: Mourir, s’embraser du désir de voir quelqu’un.
E, em latim, Cícero, como nos referem dicionários, redigiu - alicujus desiderio mori.
Mas aquele morrer de saudades ganha, em português, um poder de expressão muito mais intenso do que noutras linguagens que procuram traduzir o mesmo sentimento.
E em que outra língua há um emprego tão natural da palavra “magoada” como a saudade portuguesa?

A nossa palavra saudade só corresponderia a outras de outras línguas, se Portugal não tivesse…
…“A alma pelo mundo em pedaços repartida”.


Carlos Fiúza

04 março 2012

A Vila de Ansiães: João Lopes de Matos


 Durante vários séculos e muitas gerações, o território de Ansiães foi governado a partir do Castelo de Ansiães, onde se situava a vila e sede do município.
O castelo situa-se num ponto alto e central. Dele se avista longe para todos os lados.
Os seus residentes sempre tiveram um grande prazer em viver tão pertinho de Deus. As muralhas alcantiladas no alto do monte davam a segurança e o aconchego tão importantes  no rodar dos anos.
As habitações, construídas de pedra solta, térreas e, em geral, de uma só divisão, cobertas de colmo ou de telha vã, proporcionavam o conforto a que as pessoas aspiravam. Tudo se fazia em conjunto:
cozinhar, dormir, conversar ,fazer amor, tratar da limpeza pessoal (ler não, que eram todos analfabetos, tomar banho não, que não havia água).
Um pequeno quintal estava mesmo ali ao lado para cultivar umas couves.
Um burrico, que residia junto ou ao lado, ajudava a aquecer a casa com o seu bafo e as suas defecações. Estas e as das pessoas eram juntas no mesmo monte para estrumar os terrenos. Havia uma grande irmandade entre os residentes e os animais domésticos, que resultava de viverem todos em condições semelhantes, condições essas adequadas às necessidades .
Há que salientar aqui alguns pormenores: durante o inverno, não eram precisas grandes limpezas pessoais: os parasitas do corpo e das camas em grande parte desapareciam por causa do frio, as roupas eram escassas e, portanto, usavam-se as mesmas durante toda a época invernal, e não se podia correr o risco de apanhar resfriados ,que podiam ser fatais. Mas, mal chegavam os dias mais soalheiros, era um regalo ver tanta azáfama de limpeza: catavam-se os piolhos, matavam-se os percevejos, cortavam-se os cabelos (juntava-se depois tudo e lançava-se à fogueira, prevenindo-se assim contaminações). Diga-se, em abono da verdade, que a água não abundava e, por isso, a limpeza tinha de ser feita a seco. Tudo se resolvia bem:  cortavam-.se quanto possível todos os pelos(da cabeça, do peito, do púbis, do ânus) e toda a bicharada e imundícies agarradas saíam.
Comia-se do mesmo prato e. por vezes, com os mesmos garfos e colheres.
Bebia-se do mesmo cântaro e com o mesmo púcaro.
Quando doentes, resolvia-se tudo com sangrias.
A religião era praticada através de ladainhas, esconjuros e penitências.
Havia igrejas ,tribunal, edifício municipal, pelourinho, tudo.     - E chega.
A vida só podia ser feliz e risonha.
Um dia, porém, (chega sempre um dia) alguém achou por bem mudar a sede do concelho para um lugarejo pequeno e pobre, chamado Carrazeda.
As pessoas ainda resistiram mas a felicidade acabou mesmo. Não há bem que sempre dure.
Carrazeda passou a vila e a sua gente passou, orgulhosamente, a gente de vila.
Tenho, para mim, no entanto , que esta mudança constituiu um grande retrocesso civilizacional.

João Lopes de Matos

02 março 2012

José Silvano à frente da agência que vai gerir milhões para projetos de desenvolvimento em Mirandela
O antigo presidente da câmara de Mirandela, José Silvano, é desde hoje o diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, entidade que vai gerir os milhões de euros das contrapartidas pela construção da barragem de Foz Tua.

01 março 2012

Assembleia de Carrazeda está contra o encerramento do tribunal

Assembleia de Carrazeda está contra o encerramento do tribunal
A Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães aprovou por unanimidade uma moção, apresentada pelo PSD, contra o eventual encerramento do tribunal judicial desta comarca.

Ipsis Verbis: justiça popular

Apresentado Projeto de Souto Moura para a Barragem


0_big.jpg (Imagem JPEG, 703x500 pixéis)

Objectivo da empresa - reduzir o impacto daquela infra-estrutura na paisagem do Douro Vinhateiro, classificada como Património da Humanidade, e ainda, de trazer para a região um novo foco de atracção cultural e turística.
Daqui,
Daqui
e Daqui

Pensar dos leitores: Tribunal para quê?

Este tema merece uma reflexão um pouco mais demorada.
Os direitos à justiça, ao trabalho, à saúde, à educação são direitos que consubstanciam a dignidade das pessoas e devem ser promovidos e realizados.
Se tudo se resumisse à formulação, então nada mais seria preciso fazer.
No entanto, para que tais direitos sejam usufruídos, é necessário uma organização que proporcione e permita essa usufruição. E isso faz-se com meios, que são escassos e exigem um aproveitamento muito criterioso. Por vezes, existem os meios mas, dado que as coisas devem ser feitas em tempo útil, é preciso que não medeie um ínterim demasiado longo entre a acção e a decisão-resolução. É precisamente o que acontece no direito aqui em causa: o direito à justiça.
Todos sabemos quão morosa tem sido a formulação e aplicação das decisões judiciais.
E é sobretudo por causa da morosidade que se tenta organizar os tribunais de modo a que sejam muito mais expeditos do que têm sido.
Por isso, se pensa em juntar os magistrados(procuradores e juízes) em poucos lugares, onde possam estar concentrados, se possam especializar , entreajudar, substituir, concertar métodos de simplificação e de celeridade.
Tudo para que a justiça possa servir quem deve servir: os cidadãos.
Se ficarmos presos a uma visão do século XIX, em que tudo se resolve com o isolamento dos magistrados(eles têm que saber tudo e decidir sobre tudo), com certeza que não avançaremos na rapidez necessária. Também noutros tempos era possível viver uma vida esperando pacientemente uma sentença. Nesses tempos, parece que a espera dava sentido à existência. Não é o que hoje se passa. Daí dizer-se que vale mais uma menos boa solução rápida que uma óptima solução demorada.
Talvez se compreenda, sem mais delongas, a urgente necessidade de mudar o status quo.
Que há que preservar afinal aos cidadãos? Uma só coisa: que ele não tenha que fazer grandes deslocações para obter a almejada justiça. E isso consegue-se com a preservação das instalações existentes para aí se realizarem os actos judiciais, deslocando-se os magistrados.
Afinal, a existência de uma comarca com magistrados próprios não é assim tão importante.
O essencial é que os tribunais funcionem e proporcionem justiça rápida e, se possível, acertada, acerto este que pode ser melhor conseguido havendo especialização dos magistrados.
Há honras e dignidades do passado que não são mais que isso: passado.
Mal de nós se tivéssemos que ficar presos a uma solução: ainda hoje viveríamos alegremente no castelo de Ansiães.
JLM

Estará Portugal a ficar sem Tempo? - Carlos Fiúza

Estará Portugal a ficar sem Tempo?

A Terra faz anos sem dar por isso. A mente dos homens foi que criou o Tempo.
E o Tempo é relativo, mas não admira, porque nós pensamos relacionando
Na nossa linguagem corrente, ano é um período de 365 ou 366 dias, segundo a divisão do calendário que seguimos.
Ano, originariamente, quer dizer anel, tanto assim que em anel está implícito um diminutivo latino “anellus”, anelzinho.
Quando dizemos “à roda do ano”, “na roda do ano”, lá temos a mesma ideia circular. E a mesmíssima ideia está em “círculo da vida”.
Quer dizer, a Terra gira, e nós com ela. E, como tudo desliza no anel da existência, convém ir fazendo as contas.
No fim dessas contas, estas voltas e reviravoltas são reflexo das voltas que o mundo dá.
E o mundo dá voltas, porque a grande lei universal é o movimento.
Eu estive a olhar para um calendário, daqueles que trazem doze quadradinhos, numa espécie de gaiola, onde se colocam esses passarinhos que são os dias. Os dias voam, e não voltam mais, no irremediável “never more”.
Que é um dia, que é um mês, que é um ano, que é um lustro, que é um século?
São produtos da reflexão dos homens, ao pensarem na relatividade da existência. Eles mesmos criaram essas gaiolinhas, esses passarinhos que voam para a eternidade, quando se abre a porta da gaiola, que é a passagem “desta para melhor”.
Quer quando nós fazemos anos, quer quando os faz a Terra, ao chamado “ano novo”, em qualquer desses começos da nova tirada no caminho da vida, como caminhantes, naturalmente ansiamos por que a jornada seja, no troço imediato, senão de todo livre de obstáculos (circunstância impossível), pelo menos mais suave da que na passada ladeira.
Em cada lanço, em cada ano, esperamos que o Tempo que segue, o ano novo, seja menos fadigoso.
Chegados ao cume da Montanha, a Vista, a Paisagem final dependerá do nosso ascender.
Aliás, todos os Escritores portugueses figuram quase sempre a vida como um caminho.
O nosso Épico já disse (Lus. I, 105):

“Oh, caminho da Vida nunca certo,
Que aonde a gente for gera esperança
Tenha a vida tão pouca segurança!”

É a esperança, com efeito, o melhor e, por vezes, o único amparo contra essa inegável insegurança do nosso viver. Por isso, o povo diz com belo otimismo - Enquanto há vida, há esperança!
Muita vez, diante de um infortúnio são estoutras palavras otimistas que nos consolam - Haja saúde!
Mas que é o Tempo? Sabe-se lá?!
Filósofos de todas as idades se gastaram na ânsia de descobrir o mistério do Tempo.
Para uns, o Tempo é a mudança contínua, o número do movimento… o segundo, o que será antes e o que vem depois; para Descartes, o Tempo é a duração dos acontecimentos; para Kant, não passa de uma forma a “priori” da sensibilidade, sem valor objetivo, imposta antes da experiência; para o relativista Leibniz, o Tempo é um sistema de relações fenomenológicas.
Quem tem razão? Talvez todos a tenham, porque, na transcendência problemática das definições filosóficas, há parcelas de verdade nas próprias contradições.
Filósofos somos todos diante dos mistérios da Vida.
Haja em vista o dito do nosso povo quando define o Tempo assim: “O Tempo é relógio da Vida!”
E é mesmo!
Aqueles que sorriram agora da minha ingenuidade (ou audácia talvez) de considerar aceitável a definição popular do Tempo, mantenham o sorriso, mas substituam a troça pela simpatia para com este dito do povo. De que o Tempo é o relógio da Vida me convenço eu, não só ao observar esse provérbio, senão também ao ler estas páginas profundas de A. Carrel, no livro revelador que é “O Homem, esse Desconhecido”.
Ao estudar o que chama o “Tempo Interior”, observa Carrel:
“Adaptamos geralmente essa duração ao tempo dos relógios, visto fazermos parte do mundo físico. As divisões naturais da nossa vida contam-se em dias e em anos… Mas podemos, inversamente, comparar o tempo físico com o fisiológico, e traduzir o de um relógio em termos de tempo humano. Produz-se assim um estranho fenómeno: o tempo físico perde a constância do seu valor; os minutos, as horas, e os anos tornam-se, em realidade, diferentes para cada indivíduo e para cada período da sua vida. Um ano é mais longo durante a infância, muito mais curto durante a velhice… Os dias da infância afiguram-se-nos muito lentos; os da maturidade de uma rapidez desnorteante. Tal sentimento tem talvez origem no facto de inserirmos, inconscientemente, o tempo físico no quadro da nossa duração. O tempo físico desliza com uma velocidade uniforme, ao passo que o ritmo da nossa duração diminui progressivamente… Talvez que a lentidão aparente do começo da vida e a rapidez do fim se devam ao facto de um ano apresentar, como se sabe, para uma criança e para um velho, proporções diferentes da vida passada…”
Tem ou não tem razão o grande cientista, o grande pensador Alexis Carrel?
E tem ou não tem razão o povo, ao dizer que “Tempo é relógio da Vida”?
O Tempo objetiva-se para cada um de nós por aquilo que os filósofos chamam a “persistência do eu”.
Pela Arca de Noé, vemos que o homem é o capitão da barca da vida. O que a gente pode pensar é que o homem se estragou com os vícios, entre os quais… a gula, pelas seculares intoxicações transmitidas de geração em geração.
(Aprendi uma vez que os corvos duram dois séculos, porque… não têm prisão de ventre. Se non è vero, è bene trovato).
Talvez a ânsia da eternidade explique, e desculpe, muita expressão ilusória, que seria loucura tomar à letra.
“Desde que o Mundo é Mundo…”
Outra prosápia dos homens!
Sabem lá eles desde quando o “mundo é mundo”?! Sabem lá eles a idade da Terra?!
É um gozo consultar a “opinião” dos cronologistas antigos e modernos acerca da idade da Terra.
- Segundo “L´Art de Verifier les Dates”, quando Cristo nasceu já eram decorridos 4963 anos!
- Segundo o cálculo de Ricciolli, a Vulgata dá-nos 4184 anos para além de Cristo!
- Os Chineses julgam-se por vezes com 2.276.476 anos!!!
E no entanto a história documental só começa, porém, 2000 anos antes de Cristo.
Diante destas incertezas, uma certeza se me impõe:
- Se se desse o impossível de não haver movimento, se tudo estivesse parado, não havia Vida, e não havia Tempo!

E assim a Terra se MOVE
… E assim, no meu Portugal,

- Haverá sempre VIDA!
- Haverá sempre TEMPO!


Carlos Fiúza

“A César o que é de César”.
O presente tema foi-me “soprado” pelo meu Amigo João Lopes de Matos.
Especulávamos, então (ao telefone), sobre o Homem… a Vida… O Tempo.

28 fevereiro 2012

Nas bocas do mundo: Turistas por um dia

"Cerca de 200 crianças do primeiro ciclo do ensino básico de Carrazeda de Ansiães estão a ser tratadas como turistas. Por um só dia, é certo, mas o suficiente para experimentarem alguns mimos a que os adultos, pelo menos os de bolsa mais composta, costumam entregar-se"
Daqui


26 fevereiro 2012

Vitória em Freixo

Bem fala frei Tomás

Incêndios: Governo antecipa apoios às corporações mais mobilizadas - Portugal
Os bombeiros queixaram-se das dificuldades financeiras, em grande parte provocadas por causa do novo sistema de pagamento de transporte de doentes não urgentes, e salientaram que isto pode levar ao encerramento de corporações, como o caso de São Mamede de Ribatua, em Alijó, que fecha definitivamente as portas em Março.
Miguel Macedo aproveitou a deixa para defender "uma maior racionalidade". 

A racionalidade não deveria começar pelo governo, como sejam as questões, da água engarrafada ou da torneira, ou da proliferação das comissões interministeriais, das nomeações, não se sabendo bem para quê?

24 fevereiro 2012

Ataque sem piedade

Portugal "caiu numa teia especulativa sem precedentes", afirma o espanhol Santiago Camacho, que está em Lisboa para apresentar o seu último livro "A Troika e os 40 Ladrões".
“O caso de Portugal é mais trágico, porque vocês foram atacados pelos mercados sem piedade, como nenhum outro país da Europa"

Daqui

Encerramentos: São Mamede de Ribatua sem bombeiros

21 fevereiro 2012

Poder de persuasão: Tribunal em Carrazeda para quê?

Ministério vai ouvir municípios afectados com reorganização do mapa judiciário
"este é um processo aberto e se houver casos em que, depois da reunião, comprovadamente chegasse à conclusão de que era para não encerrar, não encerrariam", Fernando Ruas dixit.

Considera-se o encerramento dos tribunais uma das medidas mais gravosas que alguma vez foi decidida para as populações dos concelhos do interior. Nesta argumentação nem incluiremos as razões da perda de postos de trabalho e o aporte para o consequente estrangulamento económico local. O acesso à justiça é um dos direitos básicos mais importantes das populações e deve pressupor um circulo territorial a que o individuo se sinta vinculado. Este elo local é determinante para o valor da confiança que a administração tem o dever de proporcionar aos seus cidadãos. A perda desta ligação terá como consequência a perda de identidade.

Poderá parecer cruel esta forma de fazer política - "se não tiver capacidade de persuadir, fecha-se", porém este é dos atributos mais nobres da praxis política, o convencimento. É esta capacidade que os eleitores deveriam atender na avaliação a que são chamados periodicamente e constituir-se como a base da sociedade democrática.
Espera-se que o jogo seja limpo e os eleitos estejam à altura das situações.

20 fevereiro 2012

Ipsis Verbis: O pecado de ser mulher

Acho que o país vai ultrapassar este momento, mas os governantes têm de ter a noção de que é necessário pagar o que se deve. Mas o maior problema de Portugal é outro…” 
Qual, pergunta o jornalista. E a resposta sai pronta: 
O pouco apoio que o Estado dá à família. A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.”
Cardeal D. Manuel M. de Castro

19 fevereiro 2012

Ipsis Verbis: 800 euros por vender licor caseiro

“os governos têm sido pouco sensíveis àquilo que é verdadeiramente o desenvolvimento rural” e que Portugal “é um país em que a burocracia, apesar de todos os simplex que existem, é cada vez maior e em que cada ministro, cada ministério está sempre refém de um conjunto de burocratas que produz todos os dias legislação, directivas, circulares para complicar”, Américo Pereira, presidente da Câmara de Vinhais, daqui...

Acampamento ACTUA pelo Tua

Acampamento ACTUA pelo Tua

Carrazeda de Ansiães vai dar a tarde

Rádio Brigantia - Cinco autarquias contrariam Governo e dão tolerância no Carnaval

17 fevereiro 2012

ESCOLA - MENINOS - FUTURO

Os homens e mulheres que um dia vão sair para o mundo do trabalho. Aqui e agora em Carrazeda de Ansiães com festa estamos em fevereiro e assim manda a tradição pois atão.
Inté que gostei de ver os nossos meninos bem comportados - pudera com as fadas ao lado. Em baixo seguem as imagens possíveis de uma tarde quente de fevereiro de 2012

Festa é festa meninos Carnaval são dois dias e um já passou... A verdade tem de ser dita, valeu o esforço da Escola Profissional e dos seus alunos, para dar alegria, cor e vida ao corso, estavam muito bem, entao as fantasias de Veneza!?!... pena que não fosse num baile. O espírito era este, disfarçar e brincar sem saber com quem e esta hem?!... Vai lá vai... olha que a terça -feira de Carnaval ainda vem a caminho.

13 fevereiro 2012

VEM AÍ O CARNAVAL -C/TOLERANCIA

VIVER E SOBREVIVER NESTE TEMPO
São as noticias de Lisboa e ainda as do Porto, que me fizeram recordar os amigos de infância. Partiram com sonhos de ter uma vida melhor, trabalho, família e criar raízes noutras paragens. Alguns terão tido essa felicidade, outros alimentam a esperança de um retorno á terra, que a vergonha da situação econômica não os deixa concretizar.
A morte é sempre um acontecimento natural, mas triste. A morte de pessoas idosas a viverem sós, sem amigos e família.Que são encontradas anos, meses e semanas após o falecimento, por denuncia dos vizinhos ou das autoridades que notam cheiros estranhos.
Nós elementos da sociedade,- atolados nos problemas políticos e na divida pública-somos responsáveis porque não damos valor aos idosos e tentar saber como vivem ou sobrevivem.
A minha aldeia é uma pequena aldeia, igual a tantas outras do distrito de Bragança. Aqui a vida há muito muito tempo, que se modificou, já nada é como era. Do tempo passado, não guardo as melhores recordações pois havia muito trabalho, e pouco dinheiro.
Na minha aldeia há muitas casas que estão a ser recuperadas pelos doutores e funcionários públicos, que vão á aldeia três ou quatro vezes num ano. È uma segunda habitação e gostam de passar lá uns dias no Verão e quando há festa. No mais, vão á lenha para alimentar a lareira das casas que têem noutra aldeia que passou a ser o local onde trabalharam, constituíram família e estão a ajudar a criar os netos.
Na minha aldeia igual a tantas outras vivem o ti António com 92 anos, pastor de profissão e agora –aposentado- com uma magra reforma, passa os dias sentado em busca dos raios de sol, que aqueçam as pernas e o corpo, pois as feridas na alma, já não há remédio. A tia Maria e o seu fiel amigo o Fusca, esta mulher de oitenta e oito anos, que ainda granjeia os campos e aguarda com um sorriso a chegada do Verão.
A minha aldeia igual a outras aldeias, está quase deserta. Ainda tem gente que vai de manhã para os campos dar alimento ás vacas, pastorear as ovelhas e cabras. A rainha da minha aldeia é a Ana criança irrequieta nos seus três anos de idade.Não há mais crianças. Nestes últimos quatro anos, chegou a noticia de alguns que – deixaram esta vida- mas ninguém nasceu ou está para nascer. Em breve a Ana vai passar a ir de autocarro para o Jardim de Infância, procurar o contacto com outros meninos e com outra realidade.Com o passar dos dias, vai nascer a esperança num futuro melhor para este país que se chama Portugal, onde vivo, alimento os meus sonhos e esperança em dias melhores para a minha aldeia.
Manuel Barreiras Pinto.

10 fevereiro 2012

Rádio Brigantia - Obras paradas num troço da A4

Rádio Brigantia - Obras paradas num troço da A4
Os trabalhos não deverão ser retomados enquanto a dívida não for saldada, o que poderá atrasar a entrega da empreitada, prevista para meados de Abril.

Ipsis Vebis: Descolonização de Trás-os-Montes

"Desde a década de oitenta, a região de Trás-os-Montes tem sido espoliada dos seus facilitadores económicos, entre os quais o caminho-de-ferro, fruto das políticas adoptadas que acabaram por ditar a diminuição da actividade económica, ficando condenada a uma morte lenta...

Fruto do abandono gradual da região, a mesma vê-se, presentemente, esvaziada de gente e com uma actividade económica moribunda, em que apenas a agricultura e o turismo ainda têm alguma expressão, estando à vista a sua extinção, por via da transformação do IP4 numa auto-estrada com custos para o utilizador, descontextualizada da realidade actual da economia de Trás-os-Montes, uma vez que as poucas empresas existentes já não têm capacidade de criação de valor suficiente para incorporar os custos associados às portagens, além de que estas representam uma barreira às viagens de turismo." (...)



Alberto Aroso, daqui

09 fevereiro 2012

National Geographic promove Douro - Portugal - Correio da Manhã

National Geographic promove Douro - Portugal - Correio da Manhã
A região do Douro associou-se à National Geographic Society para promover a região, tendo sido criado um website interactivo e um mapa impresso (www.discoverdourovalley.com).

Tolerância

Açores, Madeira, Lisboa, Porto, Sines, Torres Vedras, Loures, Amadora, Vila Real, Ovar, Figueira da Foz e Cascais decidiram e vão dar tolerância de ponto no dia 21 de Fevereiro. E por cá, terra de tradição do Entrudo, será que também vai haver coragem para a desobediência civil ao nosso PM.

CONVITE

TEMA: "RECOLHA DE SEMENTES E PLÂNTULAS DE ARBUSTOS SILVESTRES" 

DATA, LOCAL, HORA E PONTO DE ENCONTRO: Esta actividade decorrerá Sábado, dia 11 de Fevereiro, nos jardins da UTAD (Quinta de Prados). A actividade terá inicio às 14.30 h e o ponto de encontro é junto ao portão principal da UTAD (Quinta de Prados).

OBJECTIVO: Recolher sementes e plântulas recém germinadas de arbustos silvestres e posterior tratamento e identificação dos exemplares recolhidos.

DURAÇÃO: 2 horas e meia.

ORGANIZAÇÃO: UTAD / QUERCUS de Vila Real e Viseu

QUERCUS A.N.C.N – NÚCLEO REGIONAL DE VILA REAL E VISEU
Bairro da Araucária, Bloco G, Cave 7
5000-584 VILA REAL

E-MAIL – quercus.vila.real.viseu@gmail.com

05 fevereiro 2012

Anunciar, denunciar e cabeças cortadas


Ontem foi o orago de São João de Brito, missionário jesuíta português na Índia, e como São João Baptista morreu, porque um poderoso, naquele caso, o rei do Maravá, lhe cortou a cabeça, como o Herodes o fizera a Baptista. Alguém do púlpito recordou-me a natureza de ambos e o facto de serem profetas: tanto um como o outro poderiam ter uma vida fácil e cómoda na corte, se mostrassem comedimento e contenção, porém,  optaram pelo mais difícil: “anunciar e denunciar” - Baptista a vinda de Messias e o adultério de Herodes, e Brito o valor da monogamia e o relativismo da autoridade do Maravá.
O cristianismo e o humanismo de forma mais abrangente  potenciam estas duas atitudes básicas, "anunciar e denunciar", tornando-as sustentáculo de todas as grandes realizações e desenvolvimento humanos. Anunciar significando esclarecer, para obter e aplicar conhecimento; denunciar no sentido de pôr cobro à injustiça, à mediocridade e à perversidade.  
Estas são histórias que lembramos ou nos lembram, fazem parte da mitologia ocidental e, de forma particular, da nossa identidade cultural. Não poucas vezes, recordamos estes ou outros ícones da acão e do pensamento, que anunciaram e denunciaram, reverenciamos a sua memória, a eles nos prostramos de joelhos e para eles dirigimos as orações. Por aqui ficamos, pois deles não colhemos exemplo e mesmo a sua mensagem permanece como uma palavra difusa e incompreensível para a maioria. Ficamos pelo "faz de conta", pela reverência a todo o custo, pelo enterrar a "cabeça na areia", pela imagem que queremos passar, pela quantidade de padre-nossos que vocalizamos, pelas vezes que assistimos à liturgia, pelo estatuto social que nos cumpre mostrar.
Quanto ao resto, simples autismo.

Por falar em cabeças cortadas, não será isso que estarão a fazer ao nosso concelho, ao fecharem-nos grande parte dos serviços públicos, no passado, as escolas e o SAP, agora o tribunal, amanhã, quiçá, as finanças, a conservatória, o Centro de Saúde, os correios…?
Para que nos servem os representantes do povo, que mais não fazem que promover reuniões extraordinárias e pedir audiências, em vez de fazer o que é óbvio, entregarem as chaves da "coisa" a Lisboa? 

Ipsis verbis: Pensamentos

“Estou a pensar fazer uma convocatória extraordinária do executivo e, eventualmente, desencadear uma assembleia municipal extraordinária para aprovar uma moção que será enviada à Ministra da Justiça, ao Primeiro-Ministro, aos lideres dos grupos parlamentares da Assembleia da Republica e pedir uma audiência à Ministra”

José Luís Correia, PC de Carrazeda de Ansiães, daqui.

02 fevereiro 2012

Os mesmos direitos que os do litoral

"A partir de agora, as pessoas, além das elevadas custas judiciais que lhes são exigidas, além de todas as dificuldades que lhes são levantadas para aceder à justiça, ainda terão de percorrer, em certos casos, centenas de quilómetros para se deslocarem a um tribunal, sendo que em algumas regiões precisarão de dois dias para isso, caso recorram exclusivamente a transportes públicos.  

Com essas medidas, os tribunais deixarão de ser símbolos da soberania e da autoridade do estado, deixarão de ser o símbolo da justiça e da paz social, para serem apenas meras peças que burocratas e políticos sem sentido de estado movem nos tabuleiros das políticas conjunturais.

É preciso proclamar bem alto que as pessoas do interior do país devem ser tratadas de acordo com os imperativos da dignidade humana e não como números dos gráficos contabilísticos.  

É preciso proclamar bem alto que a justiça não é um bem de mercado e não pode ser gerida segundo as leis da oferta e da procura.   A necessidade de justiça não é elástica e, portanto não pode comprimir-se ou expandir-se com sucede com qualquer mercadoria.  

Os pequenos concelhos do interior do país têm tanto direito a ter um tribunal como as grandes cidades do litoral."

Marinho Pinto

01 fevereiro 2012

Dá Deus nozes a quem não tem dentes

New York Times diz que o Douro “tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo” | Green Savers
“A região do Vale do Douro, em Portugal, tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo”. Foi com este enorme elogio que o norte-americano The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, começou este artigo.


Falta de transportes públicos na região é mais um argumento contra o fecho dos tribunais

Rádio Brigantia - Falta de transportes públicos na região é mais um argumento contra o fecho dos tribunais

Motoristas já receiam vir a Bragança por causa dos desvios ao IP4

Rádio Brigantia - Motoristas já receiam vir a Bragança por causa dos desvios ao IP4

Cooperativa de Carrazeda teve ontem eleições

Rádio Brigantia - Cooperativa de Carrazeda teve ontem eleições

Regulamentos em discussão pública

Sempre a perder