09 fevereiro 2012

CONVITE

TEMA: "RECOLHA DE SEMENTES E PLÂNTULAS DE ARBUSTOS SILVESTRES" 

DATA, LOCAL, HORA E PONTO DE ENCONTRO: Esta actividade decorrerá Sábado, dia 11 de Fevereiro, nos jardins da UTAD (Quinta de Prados). A actividade terá inicio às 14.30 h e o ponto de encontro é junto ao portão principal da UTAD (Quinta de Prados).

OBJECTIVO: Recolher sementes e plântulas recém germinadas de arbustos silvestres e posterior tratamento e identificação dos exemplares recolhidos.

DURAÇÃO: 2 horas e meia.

ORGANIZAÇÃO: UTAD / QUERCUS de Vila Real e Viseu

QUERCUS A.N.C.N – NÚCLEO REGIONAL DE VILA REAL E VISEU
Bairro da Araucária, Bloco G, Cave 7
5000-584 VILA REAL

E-MAIL – quercus.vila.real.viseu@gmail.com

05 fevereiro 2012

Anunciar, denunciar e cabeças cortadas


Ontem foi o orago de São João de Brito, missionário jesuíta português na Índia, e como São João Baptista morreu, porque um poderoso, naquele caso, o rei do Maravá, lhe cortou a cabeça, como o Herodes o fizera a Baptista. Alguém do púlpito recordou-me a natureza de ambos e o facto de serem profetas: tanto um como o outro poderiam ter uma vida fácil e cómoda na corte, se mostrassem comedimento e contenção, porém,  optaram pelo mais difícil: “anunciar e denunciar” - Baptista a vinda de Messias e o adultério de Herodes, e Brito o valor da monogamia e o relativismo da autoridade do Maravá.
O cristianismo e o humanismo de forma mais abrangente  potenciam estas duas atitudes básicas, "anunciar e denunciar", tornando-as sustentáculo de todas as grandes realizações e desenvolvimento humanos. Anunciar significando esclarecer, para obter e aplicar conhecimento; denunciar no sentido de pôr cobro à injustiça, à mediocridade e à perversidade.  
Estas são histórias que lembramos ou nos lembram, fazem parte da mitologia ocidental e, de forma particular, da nossa identidade cultural. Não poucas vezes, recordamos estes ou outros ícones da acão e do pensamento, que anunciaram e denunciaram, reverenciamos a sua memória, a eles nos prostramos de joelhos e para eles dirigimos as orações. Por aqui ficamos, pois deles não colhemos exemplo e mesmo a sua mensagem permanece como uma palavra difusa e incompreensível para a maioria. Ficamos pelo "faz de conta", pela reverência a todo o custo, pelo enterrar a "cabeça na areia", pela imagem que queremos passar, pela quantidade de padre-nossos que vocalizamos, pelas vezes que assistimos à liturgia, pelo estatuto social que nos cumpre mostrar.
Quanto ao resto, simples autismo.

Por falar em cabeças cortadas, não será isso que estarão a fazer ao nosso concelho, ao fecharem-nos grande parte dos serviços públicos, no passado, as escolas e o SAP, agora o tribunal, amanhã, quiçá, as finanças, a conservatória, o Centro de Saúde, os correios…?
Para que nos servem os representantes do povo, que mais não fazem que promover reuniões extraordinárias e pedir audiências, em vez de fazer o que é óbvio, entregarem as chaves da "coisa" a Lisboa? 

Ipsis verbis: Pensamentos

“Estou a pensar fazer uma convocatória extraordinária do executivo e, eventualmente, desencadear uma assembleia municipal extraordinária para aprovar uma moção que será enviada à Ministra da Justiça, ao Primeiro-Ministro, aos lideres dos grupos parlamentares da Assembleia da Republica e pedir uma audiência à Ministra”

José Luís Correia, PC de Carrazeda de Ansiães, daqui.

02 fevereiro 2012

Os mesmos direitos que os do litoral

"A partir de agora, as pessoas, além das elevadas custas judiciais que lhes são exigidas, além de todas as dificuldades que lhes são levantadas para aceder à justiça, ainda terão de percorrer, em certos casos, centenas de quilómetros para se deslocarem a um tribunal, sendo que em algumas regiões precisarão de dois dias para isso, caso recorram exclusivamente a transportes públicos.  

Com essas medidas, os tribunais deixarão de ser símbolos da soberania e da autoridade do estado, deixarão de ser o símbolo da justiça e da paz social, para serem apenas meras peças que burocratas e políticos sem sentido de estado movem nos tabuleiros das políticas conjunturais.

É preciso proclamar bem alto que as pessoas do interior do país devem ser tratadas de acordo com os imperativos da dignidade humana e não como números dos gráficos contabilísticos.  

É preciso proclamar bem alto que a justiça não é um bem de mercado e não pode ser gerida segundo as leis da oferta e da procura.   A necessidade de justiça não é elástica e, portanto não pode comprimir-se ou expandir-se com sucede com qualquer mercadoria.  

Os pequenos concelhos do interior do país têm tanto direito a ter um tribunal como as grandes cidades do litoral."

Marinho Pinto

01 fevereiro 2012

Dá Deus nozes a quem não tem dentes

New York Times diz que o Douro “tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo” | Green Savers
“A região do Vale do Douro, em Portugal, tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo”. Foi com este enorme elogio que o norte-americano The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, começou este artigo.


Falta de transportes públicos na região é mais um argumento contra o fecho dos tribunais

Rádio Brigantia - Falta de transportes públicos na região é mais um argumento contra o fecho dos tribunais

Motoristas já receiam vir a Bragança por causa dos desvios ao IP4

Rádio Brigantia - Motoristas já receiam vir a Bragança por causa dos desvios ao IP4

Cooperativa de Carrazeda teve ontem eleições

Rádio Brigantia - Cooperativa de Carrazeda teve ontem eleições

Regulamentos em discussão pública

Sempre a perder

31 janeiro 2012

ADEUS ATÉ BREVE....

A MONTANHA PARIU UM RATO, assim diz o povo, quando a esmola é grande. Grande foi a expectativa criada pelo primeiro comunicado feito ao "Senhor Associado da Cooperativa Agrícola" e informa-nos este Segundo comunicado de 30/01/2012 que foram 20 anos que ...assumi a Presidência da nossa Cooperativa....
No ponto nº 2 sómos avisados de que: - Apareceu uma lista não muito convicente, ... porém decidi retirar a minha (lista).
No ponto nº 3 - Aqui há lugar aos agradecimentos extensos e até engloba entidades exteriores como os fornecedores e bancárias.

No ponto nº 4 - Ficamos a saber que partiu, (foi-se embora?) mas semeia avisos e recados. Afinal a Cooperativa está nas mãos de dois sócios, estes sócios(Mas quem será? O pai da criança) sei lá, sei lá, incógnitos até mais ver. ... dois dos sócios têm nessa Cooperativa em garantia bancéria e empréstimo para cima de 100,000€uros.fim de citação. Para cima mas muito acima, um pouco acima ou bem acima,os novos responsáveis vão certamente dar em breve uma resposta, pois os sócios exigem saber a verdade, toda a verdade e só a verdade.Há ainda uma referência no poto nº 4 que deixa qualquer um sócio arrepiado, então diz o comunicado, cito... Nos últimos 15 anos, os Òrgãos sociais não receberam qualquer remune5ração, ... fim mas, nos últimos 5 anos, pois 5 mais 15 é igual a 20. Foi um regabofe e um ver se te avias hã?....
No ponto nº 5 - Há um manifesto desejo de um trabalho proficuo e ainda uma disponibilidade total de colaborar. Vai-se ao cumulo de avisar a navegação de que após a surpresa da situação econõmica, há formas de controlar a situação, de dar a volta, há património -que não sendo da Cooperativa- que pode vír a ajudar e em caso de dúvida, mete o Presidente da Câmara no jogo, este não só ajuda, como tem as coisas bem encaminhadas. Náo acreditam? Homens de pouca fé!!...Mas se calhar para garantir o pagamento da divida aos sócios credores, mesmo sem juros, eu inclusive posso voltar.
Aliás eu deixei claro que este é um adeus até ao meu regresso... Felizmente eu não estou metido e fui o primeiro a felicitar os elementos da lista "B" pois até recitei a adivinha:- Qual é a coisa, qual é ela, que antes de o ser já o era? Não é só a pescada a lista B, antes de ser eleita era eleita, pois já se sabia da desistência da lista A. Amigos hoje 31/01/2012, a festa está no adro, vamos esperar pelos próximos "|ComunicADOS"... No ponto nº 5 - ______

Indisponível!

29 janeiro 2012

Carrazeda sem tribunal?!



O Ministério da Justiça quer extinguir 47 tribunais/juízos com menos de 250 processos, de acordo com a proposta de reorganização do mapa judiciário.

Assim, no Continente, o documento de trabalho entregue à troika sugere, entre outros (veja aqui notícia completa) o encerramento de quatro tribunais em Bragança (Alfandega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vimioso e Vinhais).

Com a outorga do primeiro foral a Ansiães no reinado de Fernando I Magno, rei de Leão (1016 — 1065), no concelho de Ansiães e depois Carrazeda de Ansiães, a justiça foi feita na sede do concelho.  O pelourinho era o símbolo maior da autonomia concelhia e um direito conquistado e essencial das suas populações.

Agora e mais uma vez, o legislador, munido da tesoura ameaçadora, às cegas, de forma brutal, recorrendo apenas aos números, tendo em conta dívidas e gestões danosas de que não temos a mínima responsabilidade, não atendendo às especificidades, corta injustamente direitos das populações do interior, contribuindo para o aumento do despovoamento destas terras e para o seu encerramento definitivo.
Nós, por cá, assistimos impávidos e anestesiados, parece que já nada importando, como a dizer: "o último que feche a porta"!

Criação da Plataforma Nacional de Defesa da Ferrovia

Excerto do comunicado constituinte:

(...) "É preciso dizer BASTA a estas medidas de TERRORISMO SOCIAL, motivadas por 30 anos de incompetência, má-fé, caciquismo, incúria, e laivos de corrupção. Nunca a diferença entre um esforço praticamente nulo no aumento das receitas e uma febre desenfreada e cega em cortar custos foi tão óbvia, e resultando sempre desgraçadamente no constante aumento do défice da CP e da REFER, e na depressão socioeconómica de vários concelhos, quer no Interior quer no Litoral, servindo apenas para piorar de forma desastrosa o cenário inicial.

Nesse sentido, é oficialmente criada a Plataforma Nacional de Defesa da Ferrovia, constituída pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua, Movimento Cívico pela Linha do Corgo, Projecto Cultura e Cidadania, Movimento de Defesa do Ramal Pampilhosa – Figueira da Foz, Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana, Grupo de Apoio à Ferrovia Aberta, e Associação Valonguense de Amigos da Ferrovia (...)"

Leia o resto aqui

26 janeiro 2012

Vígaros e vigarices

Cerca de 50 habitantes, na maioria idosos, da aldeia de Rego de Vide, em Mirandela, dizem ter sido enganados por agentes comerciais da Meo. Este conto do vigário conta-se por poucas palavras: os representantes do serviço de cabo da PT terão dito aos residentes que só celebrando um contrato com a Meo seria possível terem a TDT (Televisão Digital Terrestre). A falta de informação e a natural honradez desta "boa" gente, fez com que os interpelados assinassem o respetivo contrato. Só depois, é que os habitantes descobriram que bastava comprar um pequeno aparelho para continuar a ter acesso aos quatro canais de televisão.

Este é um caso exemplar para refletirmos na ingenuidade do povo face aos vendedores da "banha da cobra", quer sejam amigos do alheio, funcionários de grandes empresas, vendilhões do templo, políticos ou outros que tais. Aproveitam a natural simplicidade, a desinformação e o chico-espertismo para ludibriar e obter benefício da nossa "boa" gente.
Estes "vigaristas" podem dividir-se em duas categorias: um, o vulgar amigo do alheio, é objeto da fúria comunitária e tem a justiça dos homens à perna (e bem!); os outros, os "vígaros" permitidos, pavoneiam-se por aí, riem-se dos "parolos", recolhem penitências e dízimos, engordam os lucros, aproveitam-se do erário público e passam sempre incólumes na malha da justiça dos homens e na misericórdia popular (e mal!). 


Voltamos ao presumível "conto do vigário" apresentado à população de Rego de Vide. A PT informa (aqui) laconicamente a nação que pretende esclarecer o caso. Sosseguem as consciências e acabem-se os murmúrios: a poderosa companhia portuguesa vai investigar e produzirá esclarecimentos. No meio desta magnanimidade parece escapar um pormenor que deveria fazer-se antes das inquirições: não será que os habitantes do Rego de Vide apenas desejam o cancelamento dos contratos realizados e lhes seja devolvido o dinheiro?

Acidente na barragem do Tua

Os sacrifícios não são para todos

Nomeado ontem, com publicação no DR, o novo conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste. Atentem-se ás remunerações mensais de € 4834,81 e € 4065,58 para presidente e vogais, respetivamente, a abonar 14 vezes por ano...
Por outro lado, acabam-se com valências de saúde, despedem-se profissionais, limita-se o acesso às ambulâncias, aumentam-se as taxas moderadoras... e a nossa querida RTP intoxica-nos todo o dia com o caso dos "implantes mamários", considerado o principal problema da saúde em Portugal...
Safa, que é demais!...
Algo vai mal no reino do Nordeste.

22 janeiro 2012

Incrédulo e preocupado

Dizem-nos que "o bispo da Diocese de Bragança --Miranda, José Cordeiro, se mostrou «incrédulo e preocupado» com o abandono de idosos, e mesmo gente jovem, nos hospitais do distrito, uma realidade que jamais pensou encontrar nesta região" (aqui).
Aos nossos olhos que conhecemos estas situações, poder-nos-á parecer demasiado ingénua esta conclusão, porém a sua juventude e o seu afastamento da região no apostolado em Roma, pode ajudar a compreender a surpresa e até aceitar o desconhecimento.
Esta é uma realidade crua e dura que advém da insensibilidade dos familiares e dos amigos e acima de tudo da solidão das nossas gentes, particularmente os idosos, mas também da indiferença das instituições.
Reconhece-se que as chamadas instituições particulares de solidariedade social, na sua maior parte pertença da Igreja, são insuficientes para tanta procura. No entanto, o senhor Bispo de Bragança - Miranda precisa também de saber que estas instituições são, não poucas vezes, alheias ao sofrimento dos mais pobres e necessitados, privilegiam as pessoas com maiores rendimentos, tendo assim como principal objetivo o lucro imediato e assentam algumas vezes na lógica de servir amizades pessoais e dar cobertura à cunha e ao "status" social.
O senhor bispo agora já sabe, e só se lhe pede que aja  na doutrina cristã.

20 janeiro 2012

Pensar dos leitores: Desigual

Realmente tudo isto é simplesmente assustador!
Quando vejo tantos preocupados com a denominada "insularidade", havemos de chamar o quê à observação aqui postada pelo J. Mesquita cuja referência às declarações do Comandante dos Bombeiros de Vila Flor, é por demais merecedora de atenção?!
Sempre tivemos compreensão para com os sofredores da insularidade, mas começo a ficar farto de tanta insistência no mesmo tema, quando na verdade aqui no interior do Nordeste nos debatemos com acontecimentos como o denunciado.
Antes de mais é uma absoluta falta de respeito por todos nós, porque os idosos são os nossos pais e idosos começamos a ser nós próprios também!
Preparemo-nos pois para as consequências da absoluta e radical viragem à direita da política Portuguesa!
Ainda hoje bem cedo, dia de feira em Carrazeda, encontrei uma pessoa conhecida e porque "abrigada" no multibanco à espera da abertura da entidade bancária, pude perguntar-lhe pela saúde do marido, ao que me respondeu:
Olhe, continua mal! Como sabe é um corpo pesado e com mais de 80 anos e ... aquela perna, aquela ferida...
olhe falei com nosso médico e lá me "deu" uma pomadinha para lhe esfregar!
Mas então, perguntei-lhe, não o manda fazer exames médicos?
Respondeu-me então que o médico lhe disse que sim, que haveria de fazer exames no Porto, mas olhe, não tenho dinheiro para estas despesas e lá vai andando assim, e seja o que Deus quiser!
POIS, SEJA O QUE DEUS QUISER!
Mas, afinal que País está a ser este que acaba por tratar assim os nossos idosos?
Para que servem os profissionais da saúde que sabendo destas situações, simplesmente se quedam numa apatia profissional e social, lamentáveis?
Onde está a assistência social devida aos nossos idosos e demais necessitados?
Que País preparamos para os nossos filhos e netos?
QUE PORRA DE PAÍS ESTE!
E a fatura está apenas a começar de ser elaborada...!
Pois, sendo assim, bem podemos pedir a Deus que nos valha!

Anónimo no comentário da mensagem "Desigual":

19 janeiro 2012

Desigual

Imagine-se um situação de urgência para um habitante de uma aldeia do concelho de Carrazeda de Ansiães, que uma ambulância transporta para Mirandela ou Vila Real. Imagine-se um idoso que recebe pouco mais de duzentos euros obrigado a desembolsar dezenas de euros num táxi, única alternativa, para regressar a casa, porque a ambulância tem de regressar imediatamente. 
Não é bem diferente de um utente do litoral que pode recorrer ao transporte público? Este é sem dúvida um «drama social», como refere aqui o comandante dos bombeiros de Vila Flor, António Martins.
Para situações diferentes, teria de haver procedimentos diferentes, mas este é um país pensado à imagem de Lisboa, com governantes que apenas olham o umbigo. 

15 janeiro 2012

Voos de Bragança continuam


(...)
"O contrato terminou esta quarta-feira, mas um acordo verbal entre a Aerovip e o Governo permite continuar a realizar os voos entre Lisboa, Vila Real e Bragança até que seja realizado um novo concurso público. O Estado gasta dois milhões de euros anuais a subsidiar esta linha regional.
A viagem de Bragança-Lisboa, ida e volta, custa 123 euros, enquanto a de Vila Real-Lisboa 107 euros, demorando a primeira uma hora e meia e a segunda 60 minutos. A capacidade é de 18 passageiros."
(...)
Daqui
O avião continuará, enquanto o fim da ligação de caminho de ferro, Régua-Pocinho, continua a constar do rol das ferrovias a fechar. Para garantir uma continuidade duradoura, seria preciso que os senhores deputados e outros trainvip`s viajassem no comboio.


Intervalo: novo cinto

Já à venda nas Repartições Públicas

14 janeiro 2012

Foi você que pediu um táxi?


Do fórum da ANTRAL, aqui...

Dois assaltos à nossa bolsa


"O grande banquete da Pátria está a ser servido aos senhores feudais com lugar sentado. Algumas migalhas vão sobrar para os portugueses que não se importarem de servir às mesas"
Clara Ferreira Alves na Revista - Expresso
 Ler aqui

Carta Aberta: Hipocrisia do Conselho de Administração da CP - Ganiel Conde


Fui recentemente confrontado, não sem algum choque, pesem embora anos de experiência como utente e como cidadão a respeito do modus operandi da CP, com uma notícia que dava conta da tentativa desta – galantemente gorada – em vender o Comboio Histórico de Via Estreita do Corgo para um qualquer museu no estrangeiro.
Jacques Daffis, Vice-presidente da FEDECRAIL (Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos), com o qual tive já o prazer de trocar algumas impressões sobre a Linha do Tua, foi responsável por indagar junto do próprio Museu Ferroviário Nacional se este tinha conhecimento da tentativa trapalhona de venda da CP deste material único, os quais, mesmo apesar de terem interposto um pedido de cedência deste material, não haviam sido informados. Segundo o próprio, "Essa proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é raro e é uma composição que está em bom estado".
Ao que se apurou, uma porta-voz da CP terá tentado justificar esta trapalhada da seguinte forma: "Podendo haver interesse por alguma companhia ferroviária na sua colocação ao serviço para fins turísticos, a CP fez uma primeira auscultação do mercado para verificar a existência de eventuais interessados”.
E é aqui que eu entro: tem graça, a mim ninguém me perguntou nada.
À margem da minha actividade no Movimento Cívico pela Linha do Tua, do qual sou co-fundador, participei na 1ª edição do concurso nacional de empreendedorismo denominado “Realiza o teu Sonho”, da autoria e responsabilidade da associação Acredita Portugal. O projecto que levei a concurso teve o sugestivo nome de “Turismo Ferroviário na Linha do Tua”, e ficou em 3º lugar, entre centenas de projectos admitidos a concurso (vide http://www.acreditaportugal.pt/realiza-o-teu-sonho1/sumario-dos-projectos.php).
Após receber o galardão em Julho de 2010, indaguei imediatamente o Conselho de Administração (CA) da CP sobre a sua disponibilidade e amabilidade em me receberem em reunião, para lhes poder ser apresentado o meu projecto, uma vez que tinha como ponto fulcral a cedência ou venda do mesmíssimo material histórico de que estamos a tratar nesta carta. Em correio electrónico de 1 de Outubro desse ano, a secretária do Vogal Dr. Nuno Moreira, do CA da CP, fazia-me chegar a deliberação deste membro da cúpula da arruinada empresa pública:
Como é do seu conhecimento a Linha do Tua encontra-se interdita à circulação ferroviária. Nesse contexto, o projecto apresentado de exploração do comboio a vapor de via estreita na referida linha é inviável enquanto se mantiverem as actuais restrições, que, sendo alteradas, permitirão uma reavaliação do projecto.
Não contente com esta desculpa esfarrapada, remeti novo pedido de audiência a 3 de Março de 2011, do qual não obtive ainda qualquer resposta.
Como noticiou e muito bem o jornalista autor da peça pela qual soube desta ignomínia, só na França, Reino Unido e Alemanha, o turismo ferroviário emprega quase quatro mil pessoas, e rende anualmente 174 milhões de euros, por vezes em vias-férreas recuperadas de décadas de ruína com a ajuda de mão-de-obra voluntária. Convém ainda referir que algumas destas jóias industriais, paisagísticas e humanas, desenrolam-se em traçados de distância inferior a 16 km, que é aquela de que a Linha do Tua dispõe actualmente para circulações ferroviárias, entre o Cachão e Carvalhais, fora os 20 km entre a Brunheda e o Cachão – à espera de uma decisão advinda da barragem do Tua – e os 76 km amputados entre Carvalhais e Bragança em 1992, que incluem por exemplo o cume ferroviário português em Santa Comba de Rossas.
Portugal possui 2 serviços turísticos ferroviários apenas, ambos no troço Régua – Pocinho, o mais ameaçado de extermínio na Linha do Douro. Entre os países francófonos da Europa, são 70 as empresas de exploração ferroviária turística, e na Espanha só a FEVE – maior operadora de Via Estreita do país de nuestros hermanos – conta com quase 10 destes serviços, de entre os quais 2 são comboios de luxo com programas de uma semana inteira. No País de Gales, o pequeno/grande projecto e exemplo de empreendedorismo e civismo da Welsh Highland Railway foi responsável por recuperar uma Via Estreita cuja linha há décadas havia desaparecido, graças a apoios comunitários, mas também a mecenas e voluntários de todos os quadrantes sociais; emprega 65 funcionários, gera anualmente 15 milhões de libras esterlinas de receitas para a economia local, e criou 350 postos de trabalho indirectos na região. A sua extensão é de 40 km – da Brunheda a Carvalhais, na Linha do Tua, são 37 km.
No País Basco, existe uma automotora Allan em exibição que circulou anos a fio nas Linhas do Tua e do Vouga, para além de uma locomotiva a vapor que faz serviços turísticos, gratificantemente apelidada de “Portuguesa”; na Suíça, o comboio histórico do Vale do Jura circula com outra locomotiva a vapor que cruzou a orografia trasmontana décadas a fio; nos Andes, as “Xepas” – automotoras que serviram nas Linhas do Tua e do Corgo – escalam montanhas de emoções únicas; na África subsaariana, as mais potentes locomotivas diesel de Via Estreita que circularam em Portugal (1.000 cavalos de potência), sendo a Linha do Tua a última via que serviram, rebocam pobres carruagens apinhadas de gente; recentemente, outra locomotiva a vapor de Via Estreita foi desmantelada e levada do Pocinho para a Alemanha para restauro, enquanto as fantásticas carruagens italianas “Napolitanas” apodrecem com displicência no Tua, e o museu ferroviário de Bragança segue com mais de 10 anos de encerramento.
Na qualidade de cidadão português trapaceado e negligenciado por um Conselho de Administração que esbanja nesciamente todos os anos o meu dinheiro de impostos, e que prefere ver material histórico ferroviário de Via Estreita exposto em museus estrangeiros, a rebocar comboios turísticos ou de passageiros no estrangeiro, ou a apodrecer e a cair aos pedaços em linhas de resguardo ou escondidos da vista em cocheiras espalhadas pelo país a fora, venho por este meio exigir uma satisfação. De quem, tanto faz, desde que tenha a vergonha e a decência de dar a cara por 30 anos de extermínio e escárnio do nosso património ferroviário de Via Estreita PORTUGUÊS, e explicar como é que é possível que certos gestores e governantes clamem por iniciativas privadas, quando ao mesmo tempo tecem todos os esforços e ardis por castrar todas elas sem um pingo de decência, honra patriótica, ou pura e simples vergonha na cara.

Mirandela, 12 de Janeiro de 2012
Daniel Conde

08 janeiro 2012

paga e não bufes


 No final do ano, as Finanças encheram as caixas de correios dos contribuintes de coimas por infrações diversas, particularmente, atrasos no pagamento do imposto único automóvel. “Por motivos”, no transato ano fiscal, as penas pecuniárias, de forma mágica, acumularam-se e reportaram a vários anos fiscais. Se a multa serve de penalização ao infrator, tem também uma cambiante pedagógica e é elemento dissuasor a putativas transgressões posteriores. Com a acumulação, claro que esse papel não se cumpre.  
A multa dói, mas, sem alternativa, há que “pagar e não bufar”. No entanto, há aqui uma nuance que merece uma reflexão porque injusta e aparentemente ilegal. Assim, as notificações são feitas em correio registado, porém, por motivos de contenção de despesas segredou-me um passarinho, a Repartição de Finanças considera notificado o infrator tributário, no momento, em que a correspondência entra na caixa de correio, valendo, tão só, a assinatura do carteiro e não a entrega em mão ao destinatário. Para o sistema fiscal o prazo de pagamento vale a partir deste ato, quer o contribuinte não se encontre na residência ou por qualquer razão não abra a sua caixa do correio. Se por estes ou outros motivos se atrasar no pagamento, um dia que seja, rapidamente nova coima vem a caminho, bem mais onerosa, triplicando ou quadruplicando o primeiro valor.
A chamada “máquina fiscal” de forma inapelável, injusta e até ilegal trucida desta forma abusiva os contribuintes por mais cumpridores que pretendam ser. Portanto…

03 janeiro 2012

O EURO - Autópsia de uma Implosão: Carlos Fiúza

Cenário II - Portugal: “The Day After”


Não sabemos o que nos aguarda no futuro (ninguém sabe). Mas delinear um cenário de rotura com o passado pode ajudar.

A profunda realidade da nova situação, bem como a pertinência das escolhas que somos forçados a fazer não devem ser tomadas de ânimo leve e muito menos numa qualquer reunião à porta fechada coma Senhora Angela Merkel.

Pensemos, portanto.

- Será a extinção do Euro assim tão traumática para a economia portuguesa?

- Perderemos todos por igual?

- Será difícil no curto prazo mas sustentável no longo prazo viver com uma moeda depreciada?

- O que mudará no nosso quotidiano?

- E que transformação se produzirá na nossa economia?

- Ou não será, antes, uma perda será coletiva, onde ninguém ganha?

Pensemos, mais uma vez.

Para que serve esse instrumento a que todos chamam “moeda”?

Qualquer moda tem, entre outras, duas funções essenciais.

Por um lado reserva de valor, ou seja, armazenamento de poder de compra (que pode ser utilizado mais tarde e quando for conveniente).

Por outro, a de meio de pagamento.

Quando uma moeda se desvaloriza em relação a outras moedas, quem queira comprar ativos ou bens fora do país tem de pagar muito mais.

Por exemplo, o investimento no estrangeiro exigirá muito mais dinheiro. O mesmo na aquisição de bens.

Sendo Portugal o país mais desigual da Europa Ocidental, a degradação desta função da moeda, por via da desvalorização, não terá repercussão na esmagadora maioria da população portuguesa (exceto no que diz respeito aos bens de consumo).

Quanto a estes, a quebra nas importações será muito rápida por via da variação cambial. O disparo dos preços poderá servir, contudo, de estímulo à produção interna (como no sector agrícola, um sector com um défice comercial excecionalmente elevado).

Com efeito, apenas os 1% mais ricos terão a sua capacidade de investir em ações ou compra de propriedades inibidas (justamente a faixa social com maior capacidade de adaptação de dificuldades).

Já no que diz respeito ao comando efetivo de bens e serviços, a desvalorização fará perder o “apetite” por bens importados. E até mesmo os poucos bens produzidos em território nacional, que incorporam grau elevado de matérias-primas importadas, sofreriam um processo inflacionário.

E isto porque, inexplicavelmente, este país tão fértil e com tanto mar não é autossuficiente: 35% da totalidade do que comemos é importado.

Os combustíveis são uma caso particular.

Este produto, cotado em dólares, representa 14% de todas as nossas importações, pelo que a sua apreciação pressionaria violentamente as nossas contas externas.

Mas os combustíveis acarretam, ainda, efeitos reais abrangentes. Dado o seu uso intensivo nos sistemas de transporte, por exemplo, introduziriam um aumento brutal de custos (e com cerca de 40% da população portuguesa a realizar anualmente viagens de lazer ou visitas a familiares e amigos, os movimentos turísticos internos cairiam drasticamente). As viagens ao estrangeiro tornar-se-iam um luxo, dado o fraquíssimo valor da moeda nacional nos países de destino.

Ou seja, num cenário pós-euro, o território nacional seria um espaço onde as pessoas seriam obrigadas a aprender a viver com a nova realidade.

Então, a pergunta que se impõe é:

- O que significou o Euro para a nossa economia durante estes dez anos?

SABEMOS que Portugal aderiu ao Euro com o Escudo demasiado valorizado, ou seja, muito caro, num processo desastrado em que o nosso Banco Central esteve diretamente envolvido.

SABEMOS que a evolução do Euro, desde então, foi a de uma substantiva valorização: 1 Euro que em Janeiro de 2002 valia 0,88 dólares, chegou em finais de 2011 a cerca de 1,35. Trata-se de um “encarecimento” de 4% ao ano, contra o que se passava no resto do mundo.

Portugal tem perdido (e continua a perder), artificialmente, competitividade.

Em finais de 2011, o Bank of America publicava um estudo da Merryl Lynch em que se conclui que a união monetária beneficia mais a Alemanha (as suas exportações para outros continentes são 5% mais baratas do que seriam, caso não estivesse no Euro), enquanto impõe a Portugal quase 15% de desvantagem cambial.

Ou seja, a política monetária europeia (gerida a partir de Frankfurt) favorece sistematicamente sempre os mesmos - os mais ricos - criando rombos permanentes noutros.

A esse “rombos” chamamos hoje “dívida”. E no entanto, apesar da histeria mediática, e apesar da obsessão exclusiva da “troica” com a “dívida” pública, dados oficiais (INE) mostram que em 2010 apenas 28,9% do endividamento total da economia portuguesa correspondia ao Estado.

Queira-se ou não, o Euro tem sido um colete-de-forças para o sector exportador.

País que não controle a moeda, que não possa fazer “ajustamentos” ao seu valor, está sempre na mó de baixo.

Outros sectores há, contudo, que têm ganho (e muito). Um Euro forte representa, na prática, um subsídio às atividades de grupos altamente importadores (Jerónimo Martins e Sonae Distribuição) com claro prejuízo do tecido produtivo nacional e da Balança Comercial do País. O que não os impedirá, no futuro (se os impostos aumentarem), a deslocalizarem as suas sedes para outros paraísos fiscais (Holanda, por exemplo).

E no entanto, este é o mesmo Euro que tinha, até aqui, permitido uma “vida folgada”…

É o mesmo Euro que tinha permitido à Banca aliciar os consumidores com dinheiro fácil e barato…

O desequilíbrio tornou-se “negócio” para muito boa gente… gente essa que hoje alija as culpas, atirando-as para cima de toda uma população que vivia, dizem agora, “acima das suas possibilidades”.

Será/seria penoso sair do Euro? Com certeza.

Mas como será/seria permanecer no Euro?

Entre um túnel ao fim do túnel ou um túnel que nos conduzirá à Idade Média que preferir?

Não sei responder. Sei que fomos apanhados por uma má arquitetura institucional das élites monetaristas de Frankfurt, SEM REFERENDO!

A nossa escolha será sempre uma escolha entre dois níveis do Inferno de Dante!

E se já nos esvaziaram a economia nacional, só nos faltava sermos esvaziados de autonomia política...

Aquietem-se, pois, as avestruzes… As políticas passam, o nosso País, velho de 900 anos, permanecerá!


Carlos Fiúza