A MONTANHA PARIU UM RATO, assim diz o povo, quando a esmola é grande. Grande foi a expectativa criada pelo primeiro comunicado feito ao "Senhor Associado da Cooperativa Agrícola" e informa-nos este Segundo comunicado de 30/01/2012 que foram 20 anos que ...assumi a Presidência da nossa Cooperativa....
No ponto nº 2 sómos avisados de que: - Apareceu uma lista não muito convicente, ... porém decidi retirar a minha (lista).
No ponto nº 3 - Aqui há lugar aos agradecimentos extensos e até engloba entidades exteriores como os fornecedores e bancárias.
No ponto nº 4 - Ficamos a saber que partiu, (foi-se embora?) mas semeia avisos e recados. Afinal a Cooperativa está nas mãos de dois sócios, estes sócios(Mas quem será? O pai da criança) sei lá, sei lá, incógnitos até mais ver. ... dois dos sócios têm nessa Cooperativa em garantia bancéria e empréstimo para cima de 100,000€uros.fim de citação. Para cima mas muito acima, um pouco acima ou bem acima,os novos responsáveis vão certamente dar em breve uma resposta, pois os sócios exigem saber a verdade, toda a verdade e só a verdade.Há ainda uma referência no poto nº 4 que deixa qualquer um sócio arrepiado, então diz o comunicado, cito... Nos últimos 15 anos, os Òrgãos sociais não receberam qualquer remune5ração, ... fim mas, nos últimos 5 anos, pois 5 mais 15 é igual a 20. Foi um regabofe e um ver se te avias hã?....
No ponto nº 5 - Há um manifesto desejo de um trabalho proficuo e ainda uma disponibilidade total de colaborar. Vai-se ao cumulo de avisar a navegação de que após a surpresa da situação econõmica, há formas de controlar a situação, de dar a volta, há património -que não sendo da Cooperativa- que pode vír a ajudar e em caso de dúvida, mete o Presidente da Câmara no jogo, este não só ajuda, como tem as coisas bem encaminhadas. Náo acreditam? Homens de pouca fé!!...Mas se calhar para garantir o pagamento da divida aos sócios credores, mesmo sem juros, eu inclusive posso voltar.
Aliás eu deixei claro que este é um adeus até ao meu regresso... Felizmente eu não estou metido e fui o primeiro a felicitar os elementos da lista "B" pois até recitei a adivinha:- Qual é a coisa, qual é ela, que antes de o ser já o era? Não é só a pescada a lista B, antes de ser eleita era eleita, pois já se sabia da desistência da lista A. Amigos hoje 31/01/2012, a festa está no adro, vamos esperar pelos próximos "|ComunicADOS"... No ponto nº 5 - ______
31 janeiro 2012
30 janeiro 2012
29 janeiro 2012
Carrazeda sem tribunal?!
O Ministério da Justiça quer extinguir 47 tribunais/juízos com menos de 250 processos, de acordo com a proposta de reorganização do mapa judiciário.
Assim, no Continente, o documento de trabalho entregue à troika sugere, entre outros (veja aqui notícia completa) o encerramento de quatro tribunais em Bragança (Alfandega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vimioso e Vinhais).
Com a outorga do primeiro foral a Ansiães no reinado de Fernando I Magno, rei de Leão (1016 — 1065), no concelho de Ansiães e depois Carrazeda de Ansiães, a justiça foi feita na sede do concelho. O pelourinho era o símbolo maior da autonomia concelhia e um direito conquistado e essencial das suas populações.
Agora e mais uma vez, o legislador, munido da tesoura ameaçadora, às cegas, de forma brutal, recorrendo apenas aos números, tendo em conta dívidas e gestões danosas de que não temos a mínima responsabilidade, não atendendo às especificidades, corta injustamente direitos das populações do interior, contribuindo para o aumento do despovoamento destas terras e para o seu encerramento definitivo.
Nós, por cá, assistimos impávidos e anestesiados, parece que já nada importando, como a dizer: "o último que feche a porta"!
Criação da Plataforma Nacional de Defesa da Ferrovia
Excerto do comunicado constituinte:
(...) "É preciso dizer BASTA a estas medidas de TERRORISMO SOCIAL, motivadas por 30 anos de incompetência, má-fé, caciquismo, incúria, e laivos de corrupção. Nunca a diferença entre um esforço praticamente nulo no aumento das receitas e uma febre desenfreada e cega em cortar custos foi tão óbvia, e resultando sempre desgraçadamente no constante aumento do défice da CP e da REFER, e na depressão socioeconómica de vários concelhos, quer no Interior quer no Litoral, servindo apenas para piorar de forma desastrosa o cenário inicial.
Nesse sentido, é oficialmente criada a Plataforma Nacional de Defesa da Ferrovia, constituída pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua, Movimento Cívico pela Linha do Corgo, Projecto Cultura e Cidadania, Movimento de Defesa do Ramal Pampilhosa – Figueira da Foz, Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana, Grupo de Apoio à Ferrovia Aberta, e Associação Valonguense de Amigos da Ferrovia (...)"
Leia o resto aqui
(...) "É preciso dizer BASTA a estas medidas de TERRORISMO SOCIAL, motivadas por 30 anos de incompetência, má-fé, caciquismo, incúria, e laivos de corrupção. Nunca a diferença entre um esforço praticamente nulo no aumento das receitas e uma febre desenfreada e cega em cortar custos foi tão óbvia, e resultando sempre desgraçadamente no constante aumento do défice da CP e da REFER, e na depressão socioeconómica de vários concelhos, quer no Interior quer no Litoral, servindo apenas para piorar de forma desastrosa o cenário inicial.
Nesse sentido, é oficialmente criada a Plataforma Nacional de Defesa da Ferrovia, constituída pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua, Movimento Cívico pela Linha do Corgo, Projecto Cultura e Cidadania, Movimento de Defesa do Ramal Pampilhosa – Figueira da Foz, Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana, Grupo de Apoio à Ferrovia Aberta, e Associação Valonguense de Amigos da Ferrovia (...)"
Leia o resto aqui
28 janeiro 2012
26 janeiro 2012
Vígaros e vigarices
Cerca de 50 habitantes, na maioria idosos, da aldeia de Rego de Vide, em Mirandela, dizem ter sido enganados por agentes comerciais da Meo. Este conto do vigário conta-se por poucas palavras: os representantes do serviço de cabo da PT terão dito aos residentes que só celebrando um contrato com a Meo seria possível terem a TDT (Televisão Digital Terrestre). A falta de informação e a natural honradez desta "boa" gente, fez com que os interpelados assinassem o respetivo contrato. Só depois, é que os habitantes descobriram que bastava comprar um pequeno aparelho para continuar a ter acesso aos quatro canais de televisão.
Este é um caso exemplar para refletirmos na ingenuidade do povo face aos vendedores da "banha da cobra", quer sejam amigos do alheio, funcionários de grandes empresas, vendilhões do templo, políticos ou outros que tais. Aproveitam a natural simplicidade, a desinformação e o chico-espertismo para ludibriar e obter benefício da nossa "boa" gente.
Estes "vigaristas" podem dividir-se em duas categorias: um, o vulgar amigo do alheio, é objeto da fúria comunitária e tem a justiça dos homens à perna (e bem!); os outros, os "vígaros" permitidos, pavoneiam-se por aí, riem-se dos "parolos", recolhem penitências e dízimos, engordam os lucros, aproveitam-se do erário público e passam sempre incólumes na malha da justiça dos homens e na misericórdia popular (e mal!).
Voltamos ao presumível "conto do vigário" apresentado à população de Rego de Vide. A PT informa (aqui) laconicamente a nação que pretende esclarecer o caso. Sosseguem as consciências e acabem-se os murmúrios: a poderosa companhia portuguesa vai investigar e produzirá esclarecimentos. No meio desta magnanimidade parece escapar um pormenor que deveria fazer-se antes das inquirições: não será que os habitantes do Rego de Vide apenas desejam o cancelamento dos contratos realizados e lhes seja devolvido o dinheiro?
Este é um caso exemplar para refletirmos na ingenuidade do povo face aos vendedores da "banha da cobra", quer sejam amigos do alheio, funcionários de grandes empresas, vendilhões do templo, políticos ou outros que tais. Aproveitam a natural simplicidade, a desinformação e o chico-espertismo para ludibriar e obter benefício da nossa "boa" gente.
Estes "vigaristas" podem dividir-se em duas categorias: um, o vulgar amigo do alheio, é objeto da fúria comunitária e tem a justiça dos homens à perna (e bem!); os outros, os "vígaros" permitidos, pavoneiam-se por aí, riem-se dos "parolos", recolhem penitências e dízimos, engordam os lucros, aproveitam-se do erário público e passam sempre incólumes na malha da justiça dos homens e na misericórdia popular (e mal!).
Voltamos ao presumível "conto do vigário" apresentado à população de Rego de Vide. A PT informa (aqui) laconicamente a nação que pretende esclarecer o caso. Sosseguem as consciências e acabem-se os murmúrios: a poderosa companhia portuguesa vai investigar e produzirá esclarecimentos. No meio desta magnanimidade parece escapar um pormenor que deveria fazer-se antes das inquirições: não será que os habitantes do Rego de Vide apenas desejam o cancelamento dos contratos realizados e lhes seja devolvido o dinheiro?
Os sacrifícios não são para todos
Nomeado ontem, com publicação no DR, o novo conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste. Atentem-se ás remunerações mensais de € 4834,81 e € 4065,58 para presidente e vogais, respetivamente, a abonar 14 vezes por ano...
Por outro lado, acabam-se com valências de saúde, despedem-se profissionais, limita-se o acesso às ambulâncias, aumentam-se as taxas moderadoras... e a nossa querida RTP intoxica-nos todo o dia com o caso dos "implantes mamários", considerado o principal problema da saúde em Portugal...
Safa, que é demais!...
Algo vai mal no reino do Nordeste.
Por outro lado, acabam-se com valências de saúde, despedem-se profissionais, limita-se o acesso às ambulâncias, aumentam-se as taxas moderadoras... e a nossa querida RTP intoxica-nos todo o dia com o caso dos "implantes mamários", considerado o principal problema da saúde em Portugal...
Safa, que é demais!...
Algo vai mal no reino do Nordeste.
22 janeiro 2012
Incrédulo e preocupado
Dizem-nos que "o bispo da Diocese de Bragança --Miranda, José Cordeiro, se mostrou «incrédulo e preocupado» com o abandono de idosos, e mesmo gente jovem, nos hospitais do distrito, uma realidade que jamais pensou encontrar nesta região" (aqui).
Aos nossos olhos que conhecemos estas situações, poder-nos-á parecer demasiado ingénua esta conclusão, porém a sua juventude e o seu afastamento da região no apostolado em Roma, pode ajudar a compreender a surpresa e até aceitar o desconhecimento.
Esta é uma realidade crua e dura que advém da insensibilidade dos familiares e dos amigos e acima de tudo da solidão das nossas gentes, particularmente os idosos, mas também da indiferença das instituições.
Reconhece-se que as chamadas instituições particulares de solidariedade social, na sua maior parte pertença da Igreja, são insuficientes para tanta procura. No entanto, o senhor Bispo de Bragança - Miranda precisa também de saber que estas instituições são, não poucas vezes, alheias ao sofrimento dos mais pobres e necessitados, privilegiam as pessoas com maiores rendimentos, tendo assim como principal objetivo o lucro imediato e assentam algumas vezes na lógica de servir amizades pessoais e dar cobertura à cunha e ao "status" social.
O senhor bispo agora já sabe, e só se lhe pede que aja na doutrina cristã.
Aos nossos olhos que conhecemos estas situações, poder-nos-á parecer demasiado ingénua esta conclusão, porém a sua juventude e o seu afastamento da região no apostolado em Roma, pode ajudar a compreender a surpresa e até aceitar o desconhecimento.
Esta é uma realidade crua e dura que advém da insensibilidade dos familiares e dos amigos e acima de tudo da solidão das nossas gentes, particularmente os idosos, mas também da indiferença das instituições.
Reconhece-se que as chamadas instituições particulares de solidariedade social, na sua maior parte pertença da Igreja, são insuficientes para tanta procura. No entanto, o senhor Bispo de Bragança - Miranda precisa também de saber que estas instituições são, não poucas vezes, alheias ao sofrimento dos mais pobres e necessitados, privilegiam as pessoas com maiores rendimentos, tendo assim como principal objetivo o lucro imediato e assentam algumas vezes na lógica de servir amizades pessoais e dar cobertura à cunha e ao "status" social.
O senhor bispo agora já sabe, e só se lhe pede que aja na doutrina cristã.
21 janeiro 2012
20 janeiro 2012
Pensar dos leitores: Desigual
Realmente tudo isto é simplesmente assustador!
Quando vejo tantos preocupados com a denominada "insularidade", havemos de chamar o quê à observação aqui postada pelo J. Mesquita cuja referência às declarações do Comandante dos Bombeiros de Vila Flor, é por demais merecedora de atenção?!
Sempre tivemos compreensão para com os sofredores da insularidade, mas começo a ficar farto de tanta insistência no mesmo tema, quando na verdade aqui no interior do Nordeste nos debatemos com acontecimentos como o denunciado.
Antes de mais é uma absoluta falta de respeito por todos nós, porque os idosos são os nossos pais e idosos começamos a ser nós próprios também!
Preparemo-nos pois para as consequências da absoluta e radical viragem à direita da política Portuguesa!
Ainda hoje bem cedo, dia de feira em Carrazeda, encontrei uma pessoa conhecida e porque "abrigada" no multibanco à espera da abertura da entidade bancária, pude perguntar-lhe pela saúde do marido, ao que me respondeu:
Olhe, continua mal! Como sabe é um corpo pesado e com mais de 80 anos e ... aquela perna, aquela ferida...
olhe falei com nosso médico e lá me "deu" uma pomadinha para lhe esfregar!
Mas então, perguntei-lhe, não o manda fazer exames médicos?
Respondeu-me então que o médico lhe disse que sim, que haveria de fazer exames no Porto, mas olhe, não tenho dinheiro para estas despesas e lá vai andando assim, e seja o que Deus quiser!
POIS, SEJA O QUE DEUS QUISER!
Mas, afinal que País está a ser este que acaba por tratar assim os nossos idosos?
Para que servem os profissionais da saúde que sabendo destas situações, simplesmente se quedam numa apatia profissional e social, lamentáveis?
Onde está a assistência social devida aos nossos idosos e demais necessitados?
Que País preparamos para os nossos filhos e netos?
QUE PORRA DE PAÍS ESTE!
E a fatura está apenas a começar de ser elaborada...!
Pois, sendo assim, bem podemos pedir a Deus que nos valha!
Quando vejo tantos preocupados com a denominada "insularidade", havemos de chamar o quê à observação aqui postada pelo J. Mesquita cuja referência às declarações do Comandante dos Bombeiros de Vila Flor, é por demais merecedora de atenção?!
Sempre tivemos compreensão para com os sofredores da insularidade, mas começo a ficar farto de tanta insistência no mesmo tema, quando na verdade aqui no interior do Nordeste nos debatemos com acontecimentos como o denunciado.
Antes de mais é uma absoluta falta de respeito por todos nós, porque os idosos são os nossos pais e idosos começamos a ser nós próprios também!
Preparemo-nos pois para as consequências da absoluta e radical viragem à direita da política Portuguesa!
Ainda hoje bem cedo, dia de feira em Carrazeda, encontrei uma pessoa conhecida e porque "abrigada" no multibanco à espera da abertura da entidade bancária, pude perguntar-lhe pela saúde do marido, ao que me respondeu:
Olhe, continua mal! Como sabe é um corpo pesado e com mais de 80 anos e ... aquela perna, aquela ferida...
olhe falei com nosso médico e lá me "deu" uma pomadinha para lhe esfregar!
Mas então, perguntei-lhe, não o manda fazer exames médicos?
Respondeu-me então que o médico lhe disse que sim, que haveria de fazer exames no Porto, mas olhe, não tenho dinheiro para estas despesas e lá vai andando assim, e seja o que Deus quiser!
POIS, SEJA O QUE DEUS QUISER!
Mas, afinal que País está a ser este que acaba por tratar assim os nossos idosos?
Para que servem os profissionais da saúde que sabendo destas situações, simplesmente se quedam numa apatia profissional e social, lamentáveis?
Onde está a assistência social devida aos nossos idosos e demais necessitados?
Que País preparamos para os nossos filhos e netos?
QUE PORRA DE PAÍS ESTE!
E a fatura está apenas a começar de ser elaborada...!
Pois, sendo assim, bem podemos pedir a Deus que nos valha!
Anónimo no comentário da mensagem
"Desigual":
19 janeiro 2012
Desigual
Imagine-se um situação de urgência para um habitante de uma aldeia do concelho de Carrazeda de Ansiães, que uma ambulância transporta para Mirandela ou Vila Real. Imagine-se um idoso que recebe pouco mais de duzentos euros obrigado a desembolsar dezenas de
euros num táxi, única alternativa, para regressar a casa, porque a ambulância tem de regressar imediatamente.
Não é bem diferente de um utente do litoral que pode recorrer ao transporte público? Este é sem dúvida um «drama social», como refere aqui o comandante dos bombeiros de Vila Flor, António Martins.
Para situações diferentes, teria de haver procedimentos diferentes, mas este é um país pensado à imagem de Lisboa, com governantes que apenas olham o umbigo.
Não é bem diferente de um utente do litoral que pode recorrer ao transporte público? Este é sem dúvida um «drama social», como refere aqui o comandante dos bombeiros de Vila Flor, António Martins.
Para situações diferentes, teria de haver procedimentos diferentes, mas este é um país pensado à imagem de Lisboa, com governantes que apenas olham o umbigo.
17 janeiro 2012
15 janeiro 2012
Voos de Bragança continuam
(...)
"O contrato terminou esta quarta-feira, mas um acordo verbal entre a Aerovip e o Governo permite continuar a realizar os voos entre Lisboa, Vila Real e Bragança até que seja realizado um novo concurso público. O Estado gasta dois milhões de euros anuais a subsidiar esta linha regional.
A viagem de Bragança-Lisboa, ida e volta, custa 123 euros, enquanto a de Vila Real-Lisboa 107 euros, demorando a primeira uma hora e meia e a segunda 60 minutos. A capacidade é de 18 passageiros."
(...)
Daqui
O avião continuará, enquanto o fim da ligação de caminho de ferro, Régua-Pocinho, continua a constar do rol das ferrovias a fechar. Para garantir uma continuidade duradoura, seria preciso que os senhores deputados e outros trainvip`s viajassem no comboio.
14 janeiro 2012
Dois assaltos à nossa bolsa
"O grande banquete da Pátria está a ser servido aos senhores feudais com lugar sentado. Algumas migalhas vão sobrar para os portugueses que não se importarem de servir às mesas"
Clara Ferreira Alves na Revista - Expresso
Ler aqui
Carta Aberta: Hipocrisia do Conselho de Administração da CP - Ganiel Conde
Fui recentemente confrontado,
não sem algum choque, pesem embora anos de experiência como utente e como
cidadão a respeito do modus operandi da CP, com uma notícia que dava
conta da tentativa desta – galantemente gorada – em vender o Comboio Histórico
de Via Estreita do Corgo para um qualquer museu no estrangeiro.
Jacques Daffis, Vice-presidente
da FEDECRAIL (Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro
Turísticos), com o qual tive já o prazer de trocar algumas impressões sobre a
Linha do Tua, foi responsável por indagar junto do próprio Museu Ferroviário
Nacional se este tinha conhecimento da tentativa trapalhona de venda da CP
deste material único, os quais, mesmo apesar de terem interposto um pedido de
cedência deste material, não haviam sido informados. Segundo o próprio, "Essa
proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é
raro e é uma composição que está em bom estado".
Ao que se apurou, uma porta-voz
da CP terá tentado justificar esta trapalhada da seguinte forma: "Podendo
haver interesse por alguma companhia ferroviária na sua colocação ao serviço
para fins turísticos, a CP fez uma primeira auscultação do mercado para
verificar a existência de eventuais interessados”.
E é aqui que eu entro: tem
graça, a mim ninguém me perguntou nada.
À margem da minha actividade no
Movimento Cívico pela Linha do Tua, do qual sou co-fundador, participei na 1ª
edição do concurso nacional de empreendedorismo denominado “Realiza o teu
Sonho”, da autoria e responsabilidade da associação Acredita Portugal. O
projecto que levei a concurso teve o sugestivo nome de “Turismo Ferroviário na
Linha do Tua”, e ficou em 3º lugar, entre centenas de projectos admitidos a
concurso (vide
http://www.acreditaportugal.pt/realiza-o-teu-sonho1/sumario-dos-projectos.php).
Após receber o galardão em
Julho de 2010, indaguei imediatamente o Conselho de Administração (CA) da CP
sobre a sua disponibilidade e amabilidade em me receberem em reunião, para lhes
poder ser apresentado o meu projecto, uma vez que tinha como ponto fulcral a
cedência ou venda do mesmíssimo material histórico de que estamos a tratar
nesta carta. Em correio electrónico de 1 de Outubro desse ano, a secretária do
Vogal Dr. Nuno Moreira, do CA da CP, fazia-me chegar a deliberação deste membro
da cúpula da arruinada empresa pública:
Como é do seu conhecimento a
Linha do Tua encontra-se interdita à circulação ferroviária. Nesse contexto, o
projecto apresentado de exploração do comboio a vapor de via estreita na
referida linha é inviável enquanto se mantiverem as actuais restrições,
que, sendo alteradas, permitirão uma reavaliação do projecto.
Não
contente com esta desculpa esfarrapada, remeti novo pedido de audiência a 3 de
Março de 2011, do qual não obtive ainda qualquer resposta.
Como noticiou e muito bem o
jornalista autor da peça pela qual soube desta ignomínia, só na França, Reino
Unido e Alemanha, o turismo ferroviário emprega quase quatro mil pessoas, e
rende anualmente 174 milhões de euros, por vezes em vias-férreas recuperadas de
décadas de ruína com a ajuda de mão-de-obra voluntária. Convém ainda referir
que algumas destas jóias industriais, paisagísticas e humanas, desenrolam-se em
traçados de distância inferior a 16 km, que é aquela de que a Linha do Tua
dispõe actualmente para circulações ferroviárias, entre o Cachão e Carvalhais,
fora os 20 km entre a Brunheda e o Cachão – à espera de uma decisão advinda da
barragem do Tua – e os 76 km amputados entre Carvalhais e Bragança em 1992, que
incluem por exemplo o cume ferroviário português em Santa Comba de Rossas.
Portugal possui 2 serviços
turísticos ferroviários apenas, ambos no troço Régua – Pocinho, o mais ameaçado
de extermínio na Linha do Douro. Entre os países francófonos da Europa, são 70
as empresas de exploração ferroviária turística, e na Espanha só a FEVE – maior
operadora de Via Estreita do país de nuestros hermanos – conta com quase
10 destes serviços, de entre os quais 2 são comboios de luxo com programas de
uma semana inteira. No País de Gales, o pequeno/grande projecto e exemplo de
empreendedorismo e civismo da Welsh Highland Railway foi responsável por
recuperar uma Via Estreita cuja linha há décadas havia desaparecido, graças a
apoios comunitários, mas também a mecenas e voluntários de todos os quadrantes
sociais; emprega 65 funcionários, gera anualmente 15 milhões de libras
esterlinas de receitas para a economia local, e criou 350 postos de trabalho
indirectos na região. A sua extensão é de 40 km – da Brunheda a Carvalhais, na
Linha do Tua, são 37 km.
No País Basco, existe uma
automotora Allan em exibição que circulou anos a fio nas Linhas do Tua e do
Vouga, para além de uma locomotiva a vapor que faz serviços turísticos,
gratificantemente apelidada de “Portuguesa”; na Suíça, o comboio histórico do
Vale do Jura circula com outra locomotiva a vapor que cruzou a orografia
trasmontana décadas a fio; nos Andes, as “Xepas” – automotoras que serviram nas
Linhas do Tua e do Corgo – escalam montanhas de emoções únicas; na África
subsaariana, as mais potentes locomotivas diesel de Via Estreita que circularam
em Portugal (1.000 cavalos de potência), sendo a Linha do Tua a última via que
serviram, rebocam pobres carruagens apinhadas de gente; recentemente, outra locomotiva
a vapor de Via Estreita foi desmantelada e levada do Pocinho para a Alemanha
para restauro, enquanto as fantásticas carruagens italianas “Napolitanas”
apodrecem com displicência no Tua, e o museu ferroviário de Bragança segue com
mais de 10 anos de encerramento.
Na qualidade de cidadão
português trapaceado e negligenciado por um Conselho de Administração que
esbanja nesciamente todos os anos o meu dinheiro de impostos, e que prefere ver
material histórico ferroviário de Via Estreita exposto em museus estrangeiros,
a rebocar comboios turísticos ou de passageiros no estrangeiro, ou a apodrecer
e a cair aos pedaços em linhas de resguardo ou escondidos da vista em cocheiras
espalhadas pelo país a fora, venho por este meio exigir uma satisfação. De quem,
tanto faz, desde que tenha a vergonha e a decência de dar a cara por 30 anos de
extermínio e escárnio do nosso património ferroviário de Via Estreita
PORTUGUÊS, e explicar como é que é possível que certos gestores e governantes
clamem por iniciativas privadas, quando ao mesmo tempo tecem todos os esforços
e ardis por castrar todas elas sem um pingo de decência, honra patriótica, ou
pura e simples vergonha na cara.
Mirandela, 12 de Janeiro de
2012
Daniel Conde
08 janeiro 2012
paga e não bufes
No final do ano, as Finanças encheram as caixas de correios
dos contribuintes de coimas por infrações diversas, particularmente, atrasos no pagamento do imposto único automóvel. “Por motivos”, no transato
ano fiscal, as penas pecuniárias, de forma mágica, acumularam-se e reportaram a
vários anos fiscais. Se a
multa serve de penalização ao infrator, tem também uma cambiante
pedagógica e é elemento dissuasor a putativas transgressões posteriores.
Com a acumulação, claro que esse papel não se cumpre.
A multa dói, mas, sem alternativa, há que “pagar e não bufar”.
No entanto, há aqui uma nuance que
merece uma reflexão porque injusta e aparentemente ilegal. Assim, as
notificações são feitas em correio registado, porém, por motivos de contenção
de despesas segredou-me um passarinho, a Repartição de Finanças considera
notificado o infrator tributário, no momento, em que a correspondência entra na
caixa de correio, valendo, tão só, a assinatura do carteiro e não a entrega em
mão ao destinatário. Para o sistema fiscal o prazo de pagamento vale a partir
deste ato, quer o contribuinte não se encontre na residência ou por qualquer
razão não abra a sua caixa do correio. Se por estes ou outros motivos se
atrasar no pagamento, um dia que seja, rapidamente nova coima vem a caminho,
bem mais onerosa, triplicando ou quadruplicando o primeiro valor.
A chamada “máquina fiscal” de forma inapelável, injusta e
até ilegal trucida desta forma abusiva os contribuintes por mais cumpridores
que pretendam ser. Portanto…
06 janeiro 2012
05 janeiro 2012
03 janeiro 2012
O EURO - Autópsia de uma Implosão: Carlos Fiúza
Cenário II - Portugal: “The Day After”
Não sabemos o que nos aguarda no futuro (ninguém sabe). Mas
delinear um cenário de rotura com o passado pode ajudar.
A profunda realidade da nova situação, bem como a pertinência
das escolhas que somos forçados a fazer não devem ser tomadas de ânimo leve e
muito menos numa qualquer reunião à porta fechada coma Senhora Angela Merkel.
Pensemos, portanto.
- Será a extinção do Euro assim tão traumática para a
economia portuguesa?
- Perderemos todos por igual?
- Será difícil no curto prazo mas sustentável no longo prazo
viver com uma moeda depreciada?
- O que mudará no nosso quotidiano?
- E que transformação se produzirá na nossa economia?
- Ou não será, antes, uma perda será coletiva, onde ninguém
ganha?
Pensemos, mais uma vez.
Para que serve esse instrumento a que todos chamam “moeda”?
Qualquer moda tem, entre outras, duas funções essenciais.
Por um lado reserva de valor, ou seja, armazenamento de poder
de compra (que pode ser utilizado mais tarde e quando for conveniente).
Por outro, a de meio de pagamento.
Quando uma moeda se desvaloriza em relação a outras moedas,
quem queira comprar ativos ou bens fora do país tem de pagar muito mais.
Por exemplo, o investimento no estrangeiro exigirá muito mais
dinheiro. O mesmo na aquisição de bens.
Sendo Portugal o país mais desigual da Europa Ocidental, a
degradação desta função da moeda, por via da desvalorização, não terá
repercussão na esmagadora maioria da população portuguesa (exceto no que diz
respeito aos bens de consumo).
Quanto a estes, a quebra nas importações será muito rápida
por via da variação cambial. O disparo dos preços poderá servir, contudo, de
estímulo à produção interna (como no sector agrícola, um sector com um défice
comercial excecionalmente elevado).
Com efeito, apenas os 1% mais ricos terão a sua capacidade de
investir em ações ou compra de propriedades inibidas (justamente a faixa social
com maior capacidade de adaptação de dificuldades).
Já no que diz respeito ao comando efetivo de bens e serviços,
a desvalorização fará perder o “apetite” por bens importados. E até mesmo os
poucos bens produzidos em território nacional, que incorporam grau elevado de
matérias-primas importadas, sofreriam um processo inflacionário.
E isto porque, inexplicavelmente, este país tão fértil e com
tanto mar não é autossuficiente: 35% da totalidade do que comemos é importado.
Os combustíveis são uma caso particular.
Este produto, cotado em dólares, representa 14% de todas as
nossas importações, pelo que a sua apreciação pressionaria violentamente as
nossas contas externas.
Mas os combustíveis acarretam, ainda, efeitos reais
abrangentes. Dado o seu uso intensivo nos sistemas de transporte, por exemplo,
introduziriam um aumento brutal de custos (e com cerca de 40% da população
portuguesa a realizar anualmente viagens de lazer ou visitas a familiares e
amigos, os movimentos turísticos internos cairiam drasticamente). As viagens ao
estrangeiro tornar-se-iam um luxo, dado o fraquíssimo valor da moeda nacional
nos países de destino.
Ou seja, num cenário pós-euro, o território nacional seria um
espaço onde as pessoas seriam obrigadas a aprender a viver com a nova
realidade.
Então, a pergunta que se impõe é:
- O que significou o Euro para a nossa economia durante estes
dez anos?
SABEMOS que Portugal aderiu ao Euro com o Escudo demasiado
valorizado, ou seja, muito caro, num processo desastrado em que o nosso Banco
Central esteve diretamente envolvido.
SABEMOS que a evolução do Euro, desde então, foi a de uma
substantiva valorização: 1 Euro que em Janeiro de 2002 valia 0,88 dólares,
chegou em finais de 2011 a cerca de 1,35. Trata-se de um “encarecimento” de 4%
ao ano, contra o que se passava no resto do mundo.
Portugal tem perdido (e continua a perder), artificialmente,
competitividade.
Em finais de 2011, o Bank of America publicava um estudo da
Merryl Lynch em que se conclui que a união monetária beneficia mais a Alemanha
(as suas exportações para outros continentes são 5% mais baratas do que seriam,
caso não estivesse no Euro), enquanto impõe a Portugal quase 15% de desvantagem
cambial.
Ou seja, a política monetária europeia (gerida a partir de
Frankfurt) favorece sistematicamente sempre os mesmos - os mais ricos - criando
rombos permanentes noutros.
A esse “rombos” chamamos hoje “dívida”. E no entanto, apesar
da histeria mediática, e apesar da obsessão exclusiva da “troica” com a
“dívida” pública, dados oficiais (INE) mostram que em 2010 apenas 28,9% do
endividamento total da economia portuguesa correspondia ao Estado.
Queira-se ou não, o Euro tem sido um colete-de-forças para o
sector exportador.
País que não controle a moeda, que não possa fazer
“ajustamentos” ao seu valor, está sempre na mó de baixo.
Outros sectores há, contudo, que têm ganho (e muito). Um Euro
forte representa, na prática, um subsídio às atividades de grupos altamente
importadores (Jerónimo Martins e Sonae Distribuição) com claro prejuízo do
tecido produtivo nacional e da Balança Comercial do País. O que não os
impedirá, no futuro (se os impostos aumentarem), a deslocalizarem as suas sedes
para outros paraísos fiscais (Holanda, por exemplo).
E no entanto, este é o mesmo Euro que tinha, até aqui,
permitido uma “vida folgada”…
É o mesmo Euro que tinha permitido à Banca aliciar os
consumidores com dinheiro fácil e barato…
O desequilíbrio tornou-se “negócio” para muito boa gente…
gente essa que hoje alija as culpas, atirando-as para cima de toda uma
população que vivia, dizem agora, “acima das suas possibilidades”.
Será/seria penoso sair do Euro? Com certeza.
Mas como será/seria permanecer no Euro?
Entre um túnel ao fim do túnel ou um túnel que nos conduzirá
à Idade Média que preferir?
Não sei responder. Sei que fomos apanhados por uma má
arquitetura institucional das élites monetaristas de Frankfurt, SEM REFERENDO!
A nossa escolha será sempre uma escolha entre dois níveis do
Inferno de Dante!
E se já nos esvaziaram a economia nacional, só nos faltava
sermos esvaziados de autonomia política...
Aquietem-se, pois, as avestruzes… As políticas passam, o
nosso País, velho de 900 anos, permanecerá!
Carlos Fiúza
31 dezembro 2011
Bom Ano
Há os que teimam em maus prenúncios, façamos figas para que não se cumpram.
Um grande ano para todos.
Para acabar com o mito sobre o RSI
Associações do concelho veem subsídios por um canudo
A proposta dos subsídios às associações do concelho foi vetada pelos vereadores da oposição em reunião do Município de 16 de Dezembro último.
A proposta:
- Associação Filarmónica Vilarinhense - € 575; -----------
- Associação Cultural e Desportiva de Zedes - € 700; -----
- Atlético Clube do Tua - € 1.500; ---------------------------
- Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Amedo - € 1.500; -
- Sport Brunheda e Benfica - € 1.500; ---
- Agrupamento 658 – S. João – Carrazeda de Ansiães - € 3.725.” ----
Os vereadores da candidatura independente ainda tentaram que os subsídios fossem distribuídos pela Filarmónica Vilarinhense e pelos Escuteiros de Carrazeda. A proposta foi chumbada pelos outros vereadores.
Na mesma reunião o Plano e Orçamento teve a seguinte votação: 2 votos a favor (PPD/PSD-CDS/PP) e 3 votos contra dos partidos da oposição.
O vereador do PS lamentou a falta de promoção do concelho após a abertura do IC5 e congratulou-se com a dotação de 300 000 € para a conclusão da variante, por ele considerada obra prioritária. Os vereadores do movimento independente abstiveram-se, por aquele não ser o seu orçamento e "ser quinzenalmente modificado, o que demonstra a incerteza do caminho traçado".
Quanto à abertura das piscinas municipais cobertas, não há data para apresente campanha. O senhor presidente da Câmara entendeu informar que "no próximo ano, funcionarão num período razoável porque esta infra-estrutura fica muito cara aos cofres do município. A preocupação, disse, é minorar os custos à Câmara Municipal."
Daqui
A proposta:
- Associação Filarmónica Vilarinhense - € 575; -----------
- Associação Cultural e Desportiva de Zedes - € 700; -----
- Atlético Clube do Tua - € 1.500; ---------------------------
- Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Amedo - € 1.500; -
- Sport Brunheda e Benfica - € 1.500; ---
- Agrupamento 658 – S. João – Carrazeda de Ansiães - € 3.725.” ----
Os vereadores da candidatura independente ainda tentaram que os subsídios fossem distribuídos pela Filarmónica Vilarinhense e pelos Escuteiros de Carrazeda. A proposta foi chumbada pelos outros vereadores.
Na mesma reunião o Plano e Orçamento teve a seguinte votação: 2 votos a favor (PPD/PSD-CDS/PP) e 3 votos contra dos partidos da oposição.
O vereador do PS lamentou a falta de promoção do concelho após a abertura do IC5 e congratulou-se com a dotação de 300 000 € para a conclusão da variante, por ele considerada obra prioritária. Os vereadores do movimento independente abstiveram-se, por aquele não ser o seu orçamento e "ser quinzenalmente modificado, o que demonstra a incerteza do caminho traçado".
Quanto à abertura das piscinas municipais cobertas, não há data para apresente campanha. O senhor presidente da Câmara entendeu informar que "no próximo ano, funcionarão num período razoável porque esta infra-estrutura fica muito cara aos cofres do município. A preocupação, disse, é minorar os custos à Câmara Municipal."
Daqui
30 dezembro 2011
O EURO - Autópsia de uma Implosão: Carlos Fiúza
Cenário I - Uma guilhotina em “stand by”?
Cidade - Frankfurt (Alemanha)
Data - 30 de março de 2012
Hora local - 19:00 horas
O som estridente de uma campainha faz-se ouvir anunciando o
encerramento da Bolsa de Valores, de longe o maior mercado financeiro europeu,
com valores transacionados correspondentes a cerca de 40% de todo o PIB da Zona
Euro.
Em Lisboa e em Londres (como em Madrid, Paris e Roma) os
mercados já estão encerrados.
É sexta-feira.
Na manhã desse mesmo dia corre por toda a Europa a notícia de
uma comunicação de “interesse de Estado” por parte de todos os Governos
integrantes da Zona Euro.
Curiosamente (ou talvez não) em todos os 17 países da Zona
Euro os respetivos altos representantes comunicaram que se apresentarão às 19
horas (hora de Londres) nas respetivas televisões nacionais para levarem a cabo
uma “importante comunicação ao País”.
Imediatamente surgem notícias de que a negociação nas
diversas praças internacionais (EUA, Japão, China e outras) foi interrompida.
As atividades não vão retomar e entrou-se, antecipadamente,
em fim de semana.
Os mercados financeiros globais estão, assim, encerrados.
Em Lisboa são, agora, 19:00 horas (hora de Londres). A
população não “desgruda” dos televisores.
A informação passada, simultaneamente, pelos diversos
Governos europeus a toda a população é a seguinte:
- Divórcio por múltiplo consentimento (exatamente dez anos
depois de um matrimónio contraído com juras de amor eterno) …
- O EURO ACABOU!
A partir daqui os países poderão caminhar por si próprios,
elegendo as suas vias monetárias num quadro de uma União Europeia, agora
reduzida a pouco mais do que a uma União Aduaneira.
Neste novo “enquadramento” europeu, alguns dos países
superavitários (Alemanha, França, Áustria, Holanda e Finlândia) escolherão
manter uma ligação estreita (e controlada) entre os seus câmbios.
Outros países estão por sua conta e risco.
É o caso de Portugal.
São decretados três dias de “feriado bancário”.
Até à próxima 5.ª feira (cinco dias com o fim de semana) não
será possível fazer levantamentos. Uma frenética logística para fazer rolar uma
nova moeda terá lugar. Os cartões bancários e as transferências eletrónicas
serão os únicos meios que permitirão um quotidiano mínimo nacional.
Quando no dia 5 de abril de 2012 (quinta feira), de manhã, a
população “correr” ao Multibanco para fazer levantamentos receberá, ainda, as
familiares notas de Euro, mas agora todas elas estampadas com a designação
“Escudo Novo”.
Os preços aparecerão denominados nas duas moedas (Euro e
Escudo Novo) por algum tempo.
Ainda nessa mesma manhã, desse mesmo dia 5 de abril de 2012,
em Portugal, 1 Euro valerá 200 Escudos, enquanto na Alemanha essa mesma moeda
valerá 2 Marcos: isto é, 100 Escudos comprarão 1 Marco, tal como antes da
extinção das moedas.
No final desse mesmo dia (5 de abril de 2012), porém, nas
praças internacionais, o Escudo já terá perdido 40% do seu valor.
Numa dinâmica de mercados em tudo idêntica à crise Argentina
em 2002, em poucos dias serão já precisos 500 Escudos para comprar 1 Marco e a
quantia de valor contra o dólar terá sido na mesma proporção.
Sendo Portugal um país extremamente dependente das
importações (35% do que comemos é importado), a inflação disparará e os bens
importados tornar-se-ão cerca de 80% mais caros; apenas acessíveis, no curto
prazo, a uma faixa muito limitada da população.
Entretanto o Governo, dada a extinção do Euro e no intuito de
“salvar o possível”, terá já em marcha todo um processo de denominação da
dívida (pública e privada) em moeda nacional (Escudo Novo).
Com esta nova denominação, e perante a previsível desvalorização
massiva da nova moeda, a dívida dos bancos e das famílias (incluindo o crédito
à habitação) deixará de ser tão asfixiante.
Este procedimento conduzirá, contudo, a que os países nossos
credores (como a Alemanha) venham a sofrer graves prejuízos.
Será até possível que a Alemanha, neste cenário, nos venha a
ameaçar com a expulsão da União Europeia, algo não contemplado no Tratado.
Como contrapartida, a moeda alemão (o Marco) ficará tão
valorizada internacionalmente que as suas exportações perderão competitividade
e as suas finanças públicas degradar-se-ão abruptamente.
E é neste “cenário” que Portugal poderá “jogar” o seu grande trunfo.
Numa Europa de “cada um por si”, se a Alemanha nos “ameaçar” com
a expulsão da União Europeia, o Governo (e com ele o País) terá toda a
legitimidade em retaliar: ameaçará de encerramento a joia da coroa alemã - a
fábrica da Autoeuropa.
O que não convirá nada à Alemanha… (virá a precisar desta sua
“fábrica de divisas” como de pão para a boca).
O baixo “custo” do nosso Escudo, associado à inegável
qualidade dos produtos desta fábrica, gerará (neste cenário) uma posição
imbatível quanto aos seus preços finais de produção. Esta posição permitirá
repatriar chorudos lucros para a sede da Volkswagen na Baixa Saxónia.
Negócio, portanto, a não perder.
Em Portugal, no entanto, as rosas murcharão: internamente, o
Escudo Novo trará a perda de valor dos depósitos. A fuga de capitais será
imensa - a economia, já de si débil, mais que enfraquecerá. Os salários poderão
perder valor, diminuindo o seu já fraco poder de compra.
Carlos Fiúza
PS1 - Os “cenários” por mim delineados não são caturrices de “Velho
do Restelo”; muito menos são “adivinhação”.
Os Mercados Financeiros não têm “oráculos” - têm técnicos
matemáticos (os chamados “Quants”).
A “compra e a venda” regem-se, agora, por fórmulas quânticas…
o operador já pouco interfere. O tempo do “faro” pessoal passou… erro humano só
já quase na interpretação das respectivas fórmulas. Por cerca de 20 anos fui
interventor nos ditos “mercados” (Londres, Nova Iorque, Caracas, Roma, Paris,
Frankfurt) … o meu “saber” é, assim, um “saber de experiência feita”.
Acreditem: não há aqui qualquer mistificação. Todos estes “cenários”
são possíveis… infelizmente, talvez os únicos possíveis.
PS2 - Para a semana seguirá o segundo “cenário” - Portugal: “The
Day After”.
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