30 julho 2011

Cautelas e caldos de galinha

O primeiro troço das novas estradas em construção no Distrito de Bragança (Deus seja bendito!) foi hoje estreado pelos automobilistas com a abertura ao trânsito do IP2 entre Vale Benfeito e Bornes, em Macedo de Cavaleiros.
Segundo informação disponibilizada pela Estradas de Portugal (EP), trata-se de um pequeno troço de dois quilómetros e meio, mas que vai retirar o tráfego do centro da povoação de Bornes e aliviar, haja Deus, os automobilistas da sucessão de curvas da Estrada Nacional 102 naquela zona.

O novo troço abre mais de 20 depois de ter sido construído o primeiro a sul do distrito, na zona de Moncorvo, entre o Pocinho e a ponte do rio Sabor. Por aqui se vê o ritmo de construção de estradas no distrito. Esconjuro-te Diabo!

Recentemente foi suspenso o túnel do Marão e todas as obras de acesso, façamos figas para que não se lembrem de suspender as nossas obras do IC5 porque nós sabemos que suspender na região é sinónimo de encerrar. Que o diabo seja cego surdo e mudo! E oxalá terminem nos prazos acordados...

A vila de Carrazeda vai ter apenas um nó de ligação ao IC5, na zona nascente, localizado perto do Mogo. O outro nó do concelho localiza-se no Pinhal do Norte. Cremos justificar-se um outro na zona poente. Alguém me disse que um alto responsável concelhio anda ufano com a eliminação deste acesso e a sua deslocalização para o Pinhal do Norte. Benza-o Deus!
Nestas, como em todas as obras da responsabilidade da administração central, ficamos a perder em relação a concelhos vizinhos porque Vila Flor terá quatro nós de ligação no concelho, três deles na própria vila e foi ainda premiada com o centro de manutenção do IP2 e do IC5. Porque será? Vade retro satanás!

Nesta, como noutras situações análogas, veremos os senhores membros do governo chegar para as inaugurações, impantes do putativo trabalho realizado, com mais promessas e as necessárias juras de amor à região, e os nossos autarcas e outros que tais verterão uma lágrima (de crocodilo) de profundo reconhecimento. O povo anónimo agradecerá comovido a atenção e a benesse, e profundamente reconhecido há-de premiá-los na próxima eleição. Bem hajam!

26 julho 2011

Crenças e Crendices: Carlos Fiúza


C
omo é fácil de compreender, há grande influência de ideias e de sentimentos religiosos na expressão falada e escrita de muitos povos.
Neste particular, a nossa língua leva, por vezes, vantagens a outras línguas cultas, e assim acontece que nem sempre um dizer português de cunho cristão encontra correspondente neste ou naquele idioma.
Já não falo na circunstância de o português usar denominações cristãs (como os dias da semana), enquanto noutras línguas se verifica a influência pagã.
Refiro-me, por exemplo, à despedida em português que, à parte o castelhano adios, e o italiano addio, é em geral mais cristão do que a habitual despedida dos Franceses, Ingleses e Alemães, os quais usam correntemente au revoir, good-bye ou see you again e auf wieder sehen.
E é sempre com agrado ou consolação que se ouve o nosso Povo em despedidas bem cristãs:
- “Vá com Deus”; ”salve-o Deus”; “fique-se com Deus”; “até logo, até à vista, até depois, se Deus quiser”, etc.
Não deixa de ser verdade, também, que muita gente que, ao despedir-se, diz - adeus! já não repara no verdadeiro significado da palavra interjetiva. Factos, aliás da vida da linguagem.
Como na vida há lembrança e esquecimento, o significado das palavras pode olvidar-se ou recordar-se, e assim se explicam afinal quase todos os fenómenos da semântica.
Quem haverá que não tenha ouvido exclamar: “Olha, vai pr’ó diabo com as tuas ideias! Graças a Deus, não quero mais conversas!”
Afora o lado humorístico, a razão disto está em que, de facto, a expressão “graças a Deus” perde, às vezes, no uso corrente, o significado de reconhecimento espiritual e passa a tornar-se apenas como equivalente de felizmente.
Caso semelhante acontece quando exclamamos “oxalá!”, sem nos lembrarmos ou sem sabermos que estamos a dizer arabicamente Queira Alá! e assim nos pormos a implorar ao deus dos mouros.
Não se julgue, porém, que só a religião fornece à linguagem muitas expressões cuja significação se vai esquecendo. As próprias superstições originam vários modos de nos exprimirmos, os quais podem até vir a constituir ditos vernáculos, imprescindíveis do falar quotidiano.
A crença nas “horas felizes e infelizes”, “horas de sorte e de azar”, por exemplo, é bem antiga. Ouvimos a cada passo: “maldita ou bendita a hora em que”… “em boa hora fiz isto ou aquilo”, e semelhantemente. Todavia, quase ninguém repara que na locução ir(-se) embora, vir(-se) embora, entra essa mesma crença nas horas boas e más. Vou-me embora equivale hoje, só, a retiro-me, afasto-me.
Porém, embora, propriamente, quer dizer “em boa hora”, e não em má.
- “Vai-te embora!” - Quando alguém nos enfada, assim podemos dizer, e nem que esse alguém se vá em boa hora, e não em má.
Pretendo frisar que a superstição que originou a expressão “ir-se embora” não se vê em ditos equivalentes de outras línguas cultas, pois o francês diz s’en aller, o castelhano marcharse ou irse, o italiano andare via, o inglês to go away, o alemão zu gehen ou fortgehen. Não há nestas expressões correntes qualquer ideia de horas boas ou más. O que se verifica, quanto ao italiano (via), ao inglês (away, de way) e ao alemão (que também diz weggehen, onde está weg), é antes a ideia de “caminho”.
Perderá acaso a nossa língua alguma coisa com esta proveniência supersticiosa de uma das suas mais correntes expressões?
De modo nenhum, evidentemente.
Quem haverá que não tenha exclamado, portuguesmente, algum dia: “Olá, bons olhos te vejam!”
E não é das tradições populares que, ao ver-se uma criança a vez primeira, se exclame: “Benza-te Deus!”?
Mas as superstições não são privilégio popular.
Um dos biógrafos de Eça de Queirós (António Cabral) diz que este escritor, que tanto ironizou referências à religião, era um grande “crenteiro”. Tinha, por exemplo, a mania de começar a subir as escadas com o pé direito. Se, depois de haver subido uns tantos degraus, lhe assaltavam dúvidas sobre se cumprira ou não essa mania, descia e tornava a subir, só após ter colocado o pé direito no primeiro degrau. Ora isto é cómico!
Mostrei acima que a religião exerce grande influência nas línguas, incluindo, claro está, a língua portuguesa.
Agora vou ocupar-me do sentimento de temor ao mal e do reflexo de tal sentimento na expressão quotidiana.
Na linguagem dos homens espalha-se fatalmente a preocupação de imprecar o bem e exorcismar o mal.
Inclusivamente os chamados “espíritos fortes” ou “superiores”, os que blasonam de em nada acreditar senão em si mesmos, esses também vão, sem dar por isso, ou fingindo que não dão, empregando continuamente expressões de esconjuro.
Não são apenas os religiosos e crentes que acreditam na existência de “espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas”.
Não interessa agora ver se todos atribuem “à malícia e ciladas do demónio” os mil destemperos da vida, as milhentas infelicidades que a cada momento nos estão espreitando.
Mas uma coisa há de receber concordância geral: há momentos felizes e infelizes, há aquilo a que vagamente se chama “azar” e “sorte” e há o natural desejo de afugentar o mal, quer se atribua ao diabo quer a outrem com outro nome.
Os que se dizem descrentes ou incrédulos não só repetem expressões dos crentes, mas vivem muitas vezes cheios de cuidados, julgando-se, uns, perseguidos pela má sorte; outros, vitimados pelas pragas dos invejosos ou odientos.
E, então, logo traduzem em palavras de desabafo ou de repulsa os temores de que o mal os persiga ou venha a perseguir:
- “Mas que azar o meu!”
- “Hoje ando com pouca sorte…”
- “Rogaram-me uma praga…”
- “Vá lá agourar para o diabo que o carregue!”
O sentido de superstição ou de temor ao mal pode, com referência a determinada palavra, manter-se evidente, ou atenuado, ou esquecido.
Assim, por exemplo, há muito quem se deixe levar pelas “bruxas”.
Mas são frequentemente os que não acreditam nelas que usam a expressão - ver uma bruxa, o que equivale a dizer não ser pequena a atrapalhação.
Quase o mesmo que – “ver o diabo”.
A lembrança das bruxas, fez-me pensar nas “figas”.
Repare-se que a maior parte das pessoas que dizem - “Homem de uma figa…” e semelhantemente, já se prendem convictamente ao poder odiento ou exorcismador da figa, que em tal expressão teve a vantagem de lhe dar vivacidade (o que já não é pouco), do ponto de vista idiomático.
Ora, ao fim e ao cabo desta digressão pelas regiões da linguagem do esconjuro, tendo falado até em bruxas, e por culpa delas no diabo, parece-me apropriado fechar com uma expressão de praga violentíssima ao marrafico:
- Faço votos porque ele seja, como diz o nosso Povo, cego, surdo e mudo!
Este “voto” dispensa-me de desejar que ele seja coxo e maneta.
Sim, porque o diabo sendo cego e surdo e mudo, ainda por cima, não passa de um pobre diabo!”

Carlos Fiúza

P.S. Este tema foi-me sugerido pelas diatribes entre JLM e JAM no artigo “Uma moura e a pedra à cabeça ou uma viagem à Casa da Moura” (aliás bem interessante).

25 julho 2011

FESTA Á SENHORA DA GUIA -FOZ-TUA





Quando se fala no Tua, a lendária estação dos caminhos de Ferro, servida por duas linhas importantes, a linha do Tua, que transportava os passageiros até à cidade de Bragança, linha de via estreira e de montanha, rompendo o vale de paisagem única no país. A linha do Douro que vinha de Barca D´Alva até Porto- Campanha e que hoje tem em movimento aos sábados o comboio histórico que vem da cidade da Régua até o Tua.
Tua é uma aldeia pequena, mas viva.Os seus habitantes são ferroviários e pescadores e juntos têm a protecção da Senhora da Guia, que os ajuda nos momentos de aflição.Fizeram a festa, e deitaram foguetes "aquáticos" e foi para ver esse espectáculo pirotécnico do Carlos Oliveira de Tralhariz que fui ver, vi um bonito fogo de artifício made in china e poucas bombas no rio, também mataria muitos peixes, seria esta uma forte razão. Valeu a pena e estão de parabéns os organizadores, foi anunciada e eleita a Comissão para as festas 2011/2012, porque tristezas, não pagam dívidas.

A CULTURA EM MOVIMENTO



 Foi uma tarde bem passada, ouviu-se falar do passado que nos orgulha, a história da "Anta de Zedes" e das lendas que nos encantam. Não tenham ilusões os futuristas que alegam uma visão rumo ao progresso. Não há disso nesta reserva. Somos o povo d Ansiães, havemos de ser sempre recordados na História como resistentes e fieies e leais aos Reis de Portugal, por isso os forais e privilégios que nos foram concedidos.O resto é paisagem. Daqui por poucos anos os turistas que nos visitem, podem visitar o museu da nossa história, viva de uma tribo que luta pela sobrevivência e vai vivendo alegre, preenchendo os dias que lhe foram dados.Hábitos tribais, costumes ancestrais e um regresso ao passado, que nem o IC5, vai mudar.

23 julho 2011

Mais de uma centena de escuteiros em Carrazeda de Ansiães

Até domingo o Centro de Formação de Escuteiros de Carrazeda de Ansiães recebe o Acampamento Regional de Escuteiros do distrito de Bragança reunindo 130 jovens do distrito.

Voltou ao Tua o comboio histórico

Hoje, o comboio histórico a vapor está de volta e vai circular na Linha do Douro.
A chegada ao Tua está prevista para as 16 horas.
As viagens decorrem de 23 de Julho a 1 de Outubro de 2011
Num percurso à beira rio, marcado pela beleza da paisagem, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, a carismática Locomotiva a Vapor e as 5 carruagens históricas, percorrem a distância que vai da estação da Régua à Estação do Tua, numa viagem única ao passado.
Todas as informações aqui

O mais jovem bispo do país inicia pontificado no distrito de Bragança


O Padre José Manuel Cordeiro, de 44 anos, vai ser o novo bispo de Bragança. O novo bispo pertence ao clero da diocese. Nasceu em África, mas cedo veio para a aldeia de Parada, concelho de Alfândega da Fé, onde se estabeleceu com a família.cFoi ordenado padre na diocese de Bragança-Miranda em Junho de 1991. Era à altura da nomeação reitor do Pontifício Colégio Português em Roma.O anúncio coincide com a renúncia do bispo D. António que completou 75 anos, o limite de idade estabelecido pelo Direito Canónico para apresentação da resignação.

O jovem bispo é o mais jovem elemento do episcopado católico português. Entre 1991 e 1999 foi pároco, formador no seminário da diocese transmontana e capelão do Instituto Politécnico de Bragança, e de 1999 a 2001 frequentou o Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em Roma, obtendo a licenciatura em Liturgia, disciplina em que se doutorou no ano de 2004, naquele instituto.O futuro bispo foi vice-reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, entre 2001 e 2005, ano em que foi nomeado reitor desse estabelecimento, cargo que ocupava até hoje. Em 2004 iniciou a carreira docente no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo e em Novembro de 2010 o Papa Bento XVI nomeou-o consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Ao dirigir o Pontifício Colégio Português mantido em Roma pela Conferência Episcopal Portuguesa para facilitar a realização dos estudos de especialização e pós-graduação, mostra a sua consistente formação. Desta estrutura de ensino saíram dezenas de bispos quer para o território português, quer para os PALOPs. Olhando o seu percurso, conclui-se que conhece muito bem o distrito e toda a estrutura da Igreja, o que aumenta a expectativa para o seu pontificado. A sua juventude, muitas vezes sinónimo de pouca preparação, negada pelo seu percurso, é uma vantagem num distrito a precisar de toda o empenho e força para apoio a obras de solidariedade cristã, papel primeiro da Igreja numa região envelhecida e empobrecida.

20 julho 2011

Ideia premiada

O projecto Reabilitação a Custo Zero é o vencedor da primeira edição da iniciativa FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, lançada pela Fundação Gulbenkian e pela Fundação Talento na diáspora portuguesa.

A ideia é da autoria de José Paixão com raízes em Carrazeda de Ansiães.


"A ideia consiste em criar uma organização sem fins lucrativos que ofereça a possibilidade a senhorios de prédios degradados de reabilitarem o seu imobiliário a custo zero. Para tal, os proprietários oferecem alojamento e alimentação a estudantes estrangeiros de arquitectura e engenharia que se voluntariam para conceber e concretizar a requalificação.
Os materiais e equipamentos necessários à realização das requalificações seriam doados como caridade à organização sem fins lucrativos de modo a serem deduzíveis dos impostos a pagar pelas empresas fornecedoras. Para além das contrapartidas financeiras, as empresas teriam também o seu nome associado a um projecto honroso e potencialmente de elevada exposição pública.
Por último, a supervisão técnica das obras resultaria de uma parceria com a Universidade. Os projectos de requalificação seriam casos de estudo em cursos de reabilitação de edifícios e assim sujeitos ao acompanhamento técnico por parte de professores e alunos especialistas"



"O FAZ – Ideias de Origem Portuguesa foi criado pelas fundações Calouste Gulbenkian e Talento como um desafio à diáspora portuguesa para constituir equipas com outros portugueses (residentes em Portugal ou não) e apresentar novas propostas nas áreas do ambiente e sustentabilidade, inclusão social, diálogo intercultural e envelhecimento. Foram apresentadas 203 ideias, provenientes de 28 países dos cinco continentes. "

18 julho 2011

15 julho 2011

Divulgação: 30 anos ACD ZEDES


Comboio histórico regressa no dia 23 a Foz-Tua

A velha locomotiva a vapor vai percorrer os 46 quilómetros que separam o Peso da Régua do Tua (concelho de Carrazeda de Ansiães), numa viagem que tem como paisagem predominante o rio Douro e as vinhas património mundial da UNESCO.

Este serviço, disponibilizado pela CP para a linha do Douro, vai permitir reviver a nostalgia do passado, num comboio puxado por uma locomotiva a vapor e em cinco carruagens de madeira.

11 julho 2011

Douro turístico a crescer

O «Estudo de avaliação da atractividade dos destinos turísticos de Portugal Continental para o mercado Interno», realizado pela Brandia Central, aponta o Douro como a paisagem «mais arrebatadora de Portugal».

A marca Douro é uma das mais atractivas para os portugueses, que elegem a paisagem natural duriense como a mais arrebatadora de Portugal.

A conclusão está no referido estudo, realizado durante o ano de 2010 pela Brandia Central para o Turismo de Portugal, e cujos resultados foram agora divulgados. Com uma avaliação 21% acima da média nacional, o Douro obteve a melhor classificação.
Daqui

Extinguir freguesias

Em relação ao concelho de Bragança, Jorge Nunes entende que algumas freguesias deveriam ser extintas. “Não sei qual vai ser o modelo adoptado, provavelmente será encontrar uma solução de nível administrativo que permita gerir espaços mais alargados mas eu acho que a extinção de freguesias faz sentido”
Daqui

08 julho 2011

Caldas de São Lourenço - hora 00.00



Sempre defendemos que uma das prioridade do São Lourenço era pôr as termas a funcionar num balneário com técnicos capazes. A validade das suas águas, a sua envolvência, valor e conveniente divulgação trará o resto. Defendemos também que que a construção do balneário deveria ser feita de forma modular que previsse futuras ampliações e tivesse a supervisão das estruturas de saúde. Outra das prioridades é a melhoria dos acessos com a limpeza da estrada municipal existente, procedendo-se a alguns alargamentos e infraestruturando-a para diminuir a sua perigosidade.

Saúda-se a reabertura das termas, o processo de credibilização e a vontade de fazer algo mais e melhor, que parece nortear o actual executivo. Teme-se que a urgência (necessária) descambe em precipitação. Lamenta-se que o antigo balneário não faça parte do projecto de reabilitação das Caldas de S. Lourenço. Não há paciência para ouvir (quantas vezes mais!?) que tudo o que foi feito esteve mal, e não tivemos nada a ver com isso, e é graças a nós que isto agora vai, e quem esteve só destruiu, e nós agora é que é...

06 julho 2011

Falta de chave

O helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros demorou quase duas horas a transportar um doente com um AVC de Bragança para Vila Real porque ninguém sabia da chave da chave para entrar no estádio onde deveria aterrar.

Segundo a edição de hoje do "Jornal de Notícias", na noite de 30 de Junho, por inexistência de condições de segurança, o helicóptero não pode aterrar no estádio. Não havia chave para abrir o recinto e acender as luzes necessárias para o aparelho do INEM aterrar.

Se uma situação destas se passasse com um habitante da capital, até a demissão do ministro da saúde seria pedida.

Ipsis verbis: Santana Castilho - Quanto vale a palavra...

Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, o programa de Governo garante-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e assevera, logo de seguida, que desenvolverá connosco uma “relação adulta” (página 3 do dito). Tentei perceber. Com efeito, é difícil estabelecer um pacto de confiança com um Governo que não se conhece no momento em que se vota. Mas, Governo posto, o que quer isto dizer? E que outra relação, se não adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. Passos afirmou em campanha que era um disparate falar do confisco do subsídio de Natal? Afirmou! Passos garantiu que não subiria os impostos e que, se em rara hipótese o fizesse, taxaria o consumo e nunca o rendimento? Garantiu! Passos prometeu suspender o processo de avaliação do desempenho dos professores? Prometeu! Mal tomou posse, sem pudor, confiscou, taxou e continuou. O homem de uma só palavra mostrou ter várias. Ética política? Que é isso? Confiança? Para que serve isso? Relação adulta? Que quer isso dizer?
Santana Castilho, professor universitário, daqui

Ipsis verbis: Miguel Torga - política

“ A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós … Separa-nos um fosso da largura da verdade … Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero.”

Miguel Torga

04 julho 2011

Governo vai cortar entre mil e 1500 freguesias

É uma notícia do "I" (veja aqui). É um corte de mais de um terço no número de freguesias. Na mesma notícia, o governo prepara-se também para "reduzir o número de eleitos locais, reorganizar o sector empresarial local e passar algumas competências municipais para um nível supramunicipal." O memorando da troika (veja aqui) impõe a redução significativa de concelhos e freguesias e as alterações deverão entrar já em vigor no próximo ciclo eleitoral local. No seu programa, o governo fala apenas na promoção de "um acordo político alargado que viabilize uma reorganização do mapa administrativo visando a optimização e racionalização do número de órgãos autárquicos". Se há dúvidas, os responsáveis do governo apenas acrescentam que o memorando da troika é para cumprir.
No nosso concelho haverá condições para manter alguma freguesia? O número de residentes em cada freguesia tem vindo a diminuir drasticamente e algumas já estão em vias de extinção. O cartão de cidadão tem vindo também a diminuir o número de votantes pela associação do local de votação à residência. Os vínculos entre os eleitos e os eleitores são ténues e a pressão das populações na defesa dos seus presidentes de junta não terá qualquer expressão. O papel das juntas nas aldeias será facilmente substituível por uma qualquer equipa municipal, com proveito na racionalização de meios e recursos...

03 julho 2011

Recorde

Em 2001, Carrazeda de Ansiães foi o concelho que mais população perdeu na região Norte. No Censos de 2011 a percentagem de perda tornou-se irreversível e atingiu-se o menor número de residentes de há 200 anos a esta parte. Em 30 anos perdemos metade da população, em cinquenta, dois terços. Se compararmos com Vila Flor, há 30 anos tínhamos a mais, cerca de 1800 habitantes, agora menos 400. Em relação a Alijó tínhamos, à altura, menos 4 000, agora, menos 7 000 habitantes.  Comparando com São João da Pesqueira possuíamos mais 1200 habitantes, agora temos menos 1600 almas... Todos os concelhos do interior perdem população, o nosso perde muito mais. Estes são factos que nenhuma retórica pode mascarar.

População residente em Carrazeda:

1801
1849
1900
1930
1960
1981
1991
2001
2004
2011
6330
7706
13605
13559
14340
11420
9235
7642
7220
6322

A política de fixação de pessoas sustentada, apenas(?!) por uns subsídios à natalidade tem-se revelado inexistente e ineficaz. As aldeias estão sem população e não existe um projecto conhecido para salvar, pelo menos, algumas delas. A política local manteve-se inalterável durante quase quatro décadas, revelou-se um perfeito desastre, continua sem alternativa e, contudo, merece continuamente a aprovação da larga maioria da população. É clara a disposição geral para o "status quo" e a preservação do "salário mínimo" e do "rendimento de inserção"... quem aspira a mais, o melhor é abrir-lhe a porta para sair.
Decorrido o tempo das "vacas gordas" não tivemos engenho e capacidade para construir equipamentos básicos e essenciais, bem como estruturas de apoio que criam emprego e fixam pessoas. Olhamos para o lado e vemos em todos os concelhos, com excepção do nosso, centros de cuidados continuados, pavilhões multiusos, estruturas desportivas e de lazer, unidades de apoio à actividade económica, cultural e recreativa...
A agricultura e o turismo, os dois importantes e principais vectores de desenvolvimento económico não merecem medidas de promoção e dinamização. A agricultura vive do enorme empenho de pequeno um grupo de agricultores que têm feito um trabalho mais que meritório no fruticultura, produção de vinho e azeite que cria postos de trabalho e comercializa produtos de grande qualidade. A administração promove uma feira de produtos que pretendia ser um foco de promoção extra fronteiras e se vai tornando numa mera romaria de aldeia; compra guerras com associações de produtores, vide cooperativa agrícola e o lagar de azeite; volta costas e apenas complica a iniciativa individual, vide a capacidade privada na zona industrial versus desorganização das posturas e regulamento; não se vislumbra uma ideia, uma postura, um desejo, de apoio à actividade económica do concelho.
No turismo voltamos as costas ao Douro e ao Tua e ao património edificado, preciosa herança, que desbaratemos e não cuidamos, para embarcar em "cantos de sereia" de construção de barragens, de comissões e agências de desenvolvimento que podem possibilitar mais "jobs for the boys" e o oásis de um pseudo desenvolvimento.
De resto espera-se que não terminem as "esmolas" mensais dos 200 euros para os idosos, as 3 centenas de euros para o senhor presidente da junta, as senhas de presença para os eleitos locais e as compensações para os senhores assessores. de todos os cargos públicos... e, claro, a intervenção da Divina Providência.

Parabéns a todos

Para a grande maioria dos meus conterrâneos que devem estar exultantes com o corte de 50% no subsídio de Natal, parabéns! E podem felicitar o Governo na caixa de comentários. (A ideia vem daqui, mas sendo boa, dá-se esta oportunidade a quem recebe subsídio de natal e mesmo aqueles que não, em teoria, passam a tê-lo para descontar. Grande governo que cria o que não existe para efeitos de impostos!...)

Pelo andar da carruagem: Manuel António Pina

Há um provérbio popular que, devidamente adaptado, se pode aplicar com proveito a governos: "Pelo andar da política fiscal se vê quem vai lá dentro". Porque, sendo a política fiscal um instrumento de redistribuição da riqueza e do rendimento, ela espelha, mais do que nenhuma outra, o rosto de uma governação.
Como se propõe um governo obter recursos?; como se propõe redistribui-los?, são questões cujas respostas dizem quase tudo o que quisermos saber sobre esse governo mas tivermos vergonha de perguntar.
Com o corte de 50% dos subsídios de Natal, o novo Governo tenciona obter 800 milhões de euros, saídos (na verdade nem lá chegarão a entrar) dos bolsos de trabalhadores e reformados.
E para onde irá tanto dinheiro? Com mais 800 milhões poupados em "acomodações" na despesa do Estado que "o senhor ministro das Finanças detalhará nas próximas semanas" (preparemo-nos para o pior, designadamente para mais cortes nos apoios sociais e na saúde), servirá para compensar os 1 600 milhões que o Estado deixará de cobrar com a redução de 4% da TSU das empresas. O que é o mesmo que dizer que 50% dos subsídios de Natal dos trabalhadores e reformados, mais as "acomodações" ainda a anunciar, irão parar às contas bancárias dos empresários. Será reconfortante ver passar um Ferrari (pelo menos em regiões deprimidas como a do Vale do Ave) e imaginar que talvez uma porca de um daqueles pneus seja o nosso subsídio de Natal.

Manuel António Pina

02 julho 2011

Sempre a perder

Carrazeda da Ansiães está entre os cinco municípios que mais população perderam nos últimos dez anos. Segundo dados preliminares dos Censos 2011 conhecidos esta quinta-feira, nos municípios com maiores decréscimos populacionais destacam-se, com perdas superiores a 20%, os municípios de Alcoutim e Armamar. A seguir os municípios de Idanha-a-Nova, Mourão e Carrazeda de Ansiães (com menos 17,3%) num total de 6322 habitantes (7642 em 2001). Em termos de percentagem é a mesma perda do último censos.

Parece claro que esta a perda de população é irreversível e, infelizmente, a manutenção do concelho também.

Ver aqui