No presente ano lectivo distribuíram-se cerca de 400 000 computadores “Magalhães” no âmbito do programa e-escolinha a quase totalidade dos alunos que frequentam o 1.º Ciclo. Destes, cerca de 50 000 optaram por não concorrer, na sua grande maioria alunos do 4.º ano de escolaridade que, presumivelmente optaram por aguardar inscrever-se no programa e-escola no próximo ano lectivo, quando frequentarem o segundo ciclo do ensino básico porque terão uma máquina mais potente.A iniciativa e-escolinha resulta de um conjunto de parcerias entre o Governo Português, a Intel, a Microsoft, a JPC, a Porto Editora, os principais operadores de telecomunicações, entre outros. As famílias carenciadas puderam ainda contar com o apoio das autarquias parceiras da iniciativa no acesso aos serviços de Internet.
Muito criticada esta é uma iniciativa que globalmente me merece muito aplauso.
O projecto ajuda a colocar a escola na sociedade do conhecimento. Esta nova realidade reinventa o conceito de escola e de aprendizagem. Professores e alunos dispõem de uma poderosa ferramenta que lhes permite desenvolver um conjunto de actividades na linha das modernas metodologias educativas: a aquisição e desenvolvimento de novas competências e capacidades ligadas à inovação na produção de materiais didácticos, de confronto com diversas fontes de informação, de desenvolvimento de parcerias e o recurso a estratégias mais activas e participativas. A escola dispõe do instrumento que lhe permite o alargamento do conceito de comunidade educativa, mais intervenção dos encarregados de educação e da sociedade envolvente, pois está facilitada a interacção. O papel do professor redimensiona-se e terá de sentir vontade de renovar o acto de ensinar e tornar-se um mediador na construção do conhecimento. De simples transmissor de conhecimentos, o papel do docente passa a ser também o de facilitador da aprendizagem.
Vamos agora às principais críticas.
Uma das principais é que o “Magalhães” pode ser visto apenas como uma máquina de jogos, como qualquer consola e não como um computador para trabalhar. O papel da família e da escola será o de educar para que esta destrinça seja clara. Não menosprezando o carácter lúdico, ele é acima de tudo uma máquina auxiliar à aprendizagem e um veículo que tem acesso ao conhecimento.
O “Magalhães”foi disponibilizado gratuitamente ou a preços reduzidos, de acordo com as condições económicas das famílias. O custo máximo do produto foi 50€ que mesmo assim corresponde a cerca de 1/6 do seu valor comercial: O produto é barato e corre o risco de não se lhe dar a importância e merecer o cuidado que de facto possui. Descontando a trapalhada dos valores movimentados pela Fundação para as Comunicações Móveis, todos devemos reconhecer que o nosso país não se deve dar ao luxo de desbaratar. Quiçá o instrumento devesse ser atribuído à escola e não aos alunos, assim serviria muitos mais.
O projecto disponibiliza, a par da tecnologia, conteúdos educativos digitais seleccionados pelo Ministério da Educação para os alunos e professores do 1.º ciclo. O percurso provou que muitos foram produzidos sem o cuidado exigido resultando em erros ortográficos já detectados, mas que tiveram uma repercussão negativa que o projecto não merecia.
O projecto do computador “Magalhães” pioneiro a nível mundial disponibilizou a todas as crianças do 1.º nível do ensino básico um instrumento fundamental na escola de hoje. Saibamos nós rentabilizá-lo e potenciar a sua utilização para transformarmos a sociedade portuguesa numa mais evoluída, isto é a sociedade do conhecimento.
O "Magalhaens" é distribuído pelo Governo à nossa custa. Onera o erário público, na medida em que, não havendo concurso, logo, há fuga aos impostos. Vejam o conceito de justiça deste Governo: dá computadores a todos, por intermédio dos três operadores de telemóveis de terceira geração, já que estes, não pagando impostos de acordo com os proventos obtidos, uma parte reverte para um "bolo" e constituíram uma Fundação, dita particular, através dos nossos impostos. Que bonito! É uma forma de ... Confesso que, no meio disto tudo, há matéria de facto e de direito para intervenção dos tribunais. Não me agrada mesmo nada, diga-se! Por isso, não seria mais justo dá-los, apenas, a quem não tem recursos para os adquirir e, também, àqueles alunos que se esforçam e empenham para os merecer? É muito bonito distribuir benesses e fazer "folclore" à custa dos outros que pagam os seus impostos ao Estado, para daí se extraírem dividendos. Já é tempo da Justiça actuar.
ResponderEliminarAtento
Desculpe lá sr. atento, mas o que diz é uma barbaridade, própria de quem não sabe nada sobre o assunto. Porque é que não lê com mais atenção aquilo que o prof. Mesquita escreve sobre as grandes vantagens (embora com uma ou outra crítica pertinente) do "Magalhães"?Porque raio as pessoas se hão-de pronunciar sobre assuntos que não dominam? Palpites? Talvez no euromilhões...
ResponderEliminarO Senhor "atento" não me parece absolutamente atento como convirá, quando escrevemos para terceiros!
ResponderEliminarAfinal quem paga tudo?
Claro que somos nós todos, o dito povo!
Como é que o senhor queria que fosse?
Que pagásse o Sócrates do seu bolso, ou Drª Ferreira Leite, ou o Presidente da República?
Não faltava aí "junça e três a atar!"
Também é daqueles que pensa ser possível receber em sua casa um pedido de autorização para o 1º Ministro ou o Presidente da sua Câmara fazer este ou aquele investimento?
Ora tenha lá paciência!
Demo-nos felizes quando um qualquer Governo, pese embora asneiras que sempre fazem, investem para bem do povo, nomeadamente em educação e agora em novas tecnologias, ou como em vias de comunicação estruturantes, princípio que nos levará a bom futuro!
Acho que o Professor José Alegre se excedeu na questão "Magalhães" como calço da carteira da escola...
No entanto como brincadeira pode aceitar-se!
Com o devido respeito, os comentaristas que me antecedem, pelos vistos, é que não andam muito atentos, por exemplo, à comunicação social e à investigação que esta faz. Se assim não é, digam lá, por favor, a razão, pela qual foi criada aquela Fundação? É que, apesar de dizerem que ela é privada, por que motivo, tem à sua frente pessoas afectas ao Ministério das Obras Públicas? Respondam, sinceramente, se é que têm andado, mesmo atentos, à sociedade da informação e do conhecimento! Palavras, leva-as o vento. Por isso, já houve alguém que apelou ao Tribunal de Contas, para investigar a natureza da dita Fundação e dos objectivos que esta prossegue.
ResponderEliminarAtento