28 março 2009

Decisão épica

Fui dos que não se admiraram quando me mostraram no “ Mensageiro” o edital camarário que propunha para venda em hasta pública, a grande maioria das Escolas Primárias desactivadas, no concelho. Tão pouco estranhei os valores estipulados de base de licitação. Afinal, em tempo de crise, quem estará disposto a pagar o devido por estes bens públicos! Tratava-se pois de delapidar mais um pouco do nosso património, possivelmente com a melhor das intenções. A ideia talvez fosse a de garantir verbas para os ordenados dos funcionários ou pagar a alguns tristes aquilo que se lhes deve. Nesta decisão democrática, julgo que tomada pelo Sr. Presidente, resta a curiosidade não satisfeita, de se saber qual a verdadeira razão e qual terá sido a posição na decisão, de todos os intervenientes, Vereadores, Deputados, Presidentes de Junta. Terão votado contra, ou a favor! Terão feito alguma declaração de voto?
Admirei-me assim que, em cima da hora, me tenham dito que afinal o Sr. Presidente teria reconsiderado e suspenso as arrematações. Terá sido por vergonha! Terá sido por ter verificado que a data (1 de Abril) coincidia com o “dia de enganos” facto que pode levar sempre a interpretações erróneas! Terão sido os Presidentes de Junta a aconselha –lo, depois de acossados pela crítica de alguns com que contam para os reelegerem brevemente!
Ficam-me estas dúvidas e algumas conclusões:
- Quem assume este tipo de decisões tão próximo de fim de mandato, deve estar muito “ entalado”. Será que terá encontrado uma decisão luminosa para colmatar os problemas que queria resolver!?
- Afinal o Sr. Presidente, quando pressionado também cede. Por tal facto se poderá perguntar porque é que noutras decisões gravosas não foi pressionado a reconsiderar;
- Dará para acreditar que a suspensão da decisão tenha por objectivo viabilizar estes espaços ao serviço das populações!?
Para legalistas como eu fica ainda a curiosidade de se saber se a decisão foi uninominal e sim/não tomada em sede própria e, como é possível inviabilizar um edital encima da hora.
Aguardem-se outros desenvolvimentos.

26 março 2009

Sabe quem são os deputados do seu círculo eleitoral?

Paulo Morais escreveu no JN a 4 deste mês que o “território, uma das nossas maiores riquezas, está votado ao abandono. Este é mais um sintoma do nosso subdesenvolvimento. Ou talvez uma das suas causas. Uma viagem pelo interior de Portugal dá-nos hoje uma visão deprimente. Não há praticamente emprego. Por regra, a Câmara Municipal local é o maior empregador, logo seguido do sector público administrativo do Estado, das instituições particulares de solidariedade social e pouco mais. E isto nas sedes do concelho. Porque as restantes localidades são habitadas por reformados, ex-emigrantes e beneficiários do rendimento mínimo, do subsídio de desemprego ou de subsídios do Ministério da Agricultura. A maioria das localidades já nem tem sequer viabilidade económica.”

Quem, como eu, teima em viver no interior do país, Trás-os-Montes, no caso, sabe, saber de experiência feito, que Paulo Morais está certo: dois terços do território nacional foram abandonados pelos políticos. Por todos. Mais ainda por aqueles que nasceram no interior do país e, uma vez arribados ao porto de abrigo da governança, de pronto esqueceram que o engaço tem dentes! Desde a implantação da república que assim é!

A propósito das comemorações dos 200 anos do nascimento de D. António Alves Martins, Bispo de Viseu, Deputado, Ministro do Reino…, fui convidado para participar num livro - “Tempo, Escritos e Iconografias” - evocativo deste ilustre trasmontano. Porque a política me interessa enquanto actividade, não profissão, cujo único propósito é ser cidadão ao serviço dos cidadãos, optei por estudar o perfil de D. António Alves Martins na qualidade de Deputado. Leitura puxa leitura, acabei por ler centenas de intervenções parlamentares de deputados por Trás-os-Montes referentes à segunda metade do séc. XIX. Horas de prazer, sem dúvida, tal a qualidade das intervenções! Todavia, o que verdadeiramente me marcou foi o ter constatado que, naquele tempo, os deputados jamais se esqueciam que estavam como deputados e não eram, como são hoje, deputados. E estavam como deputados ao serviço da comunidade que os elegeu (quantas vezes guerreando o partido pelo qual foram eleitos) e não, como hoje, ao serviço de um partido que veneram temendo a exclusão das listas no caso de não serem serviçais.

Sou defensor da existência de círculos uninominais - aqueles em que os votos dos cidadãos que compõem esse colégio eleitoral são convertidos num único mandato, isto é, neste tipo de círculo apenas é eleito um representante. Deste modo saberíamos a quem pedir contas no final de cada legislatura. Com o actual sistema, se eu ocupar o segundo lugar do círculo do distrito de Vila Real, seja pelo PS ou pelo PSD, e nada fizer para merecer o voto dos cidadãos tenho enormes probabilidades de vir a ser eleito. Quem é que ainda se lembra do nome do segundo deputado eleito da lista em que votou? E do terceiro? E do quarto?

Mas para os partidos o sistema está bem porque, convenhamos, os partidos vivem do sistema. Faço minhas as palavras de José Leite Pereira, director do JN, aí publicadas a 4 deste mês: “se os partidos são - como é cada vez mais evidente - coisa pouco interessante, talvez seja necessário voltar ao princípio, voltarmos a interessar-nos pela política, pela res publica, participando, discutindo e obrigando os partidos a mudar. É que sem eles não temos grandes hipóteses de sucesso. É preciso que todos voltemos à política.”

Jorge Laiginhas

Sempre a perder

A região transmontana perdeu nos últimos 20 anos quase 300 quilómetros de via férrea, sendo o comboio um meio de transporte ausente do quotidiano da esmagadora maioria da população do interior Norte de Portugal.
(...)o único meio de transporte que continua a rodar sobre carris é o Metro de Mirandela, numa extensão de apenas 15 quilómetros, entre Mirandela e o Cachão.
A linha do Douro, a sul dos dois distritos, é actualmente a única possibilidade de apanhar o comboio, mas distante para a maior parte dos residentes e tem como destino o litoral, no Porto, não permitindo viajar dentro da região.
Há pouco mais de 20 anos, os habitantes de Trás-os-Montes podiam deslocar-se por toda a região de comboio, seguindo as linhas do Sabor, do Tua e do Corgo, que ramificavam da linha do Douro e serpenteavam pelos rios que as baptizaram, em direcção a Norte.

23 março 2009

Mentiras piedosas de Março( enquanto as cerejas não amadurecem)

- As coisas já não são como eram. Agora já nem há “bichas” para nada. Ao que parece já só se faz “bicha” para conseguir uma consulta no Centro de Saúde ou para um lugar no Lar de Terceira Idade. Já lá vão as “bichas” para o confessionário, para a CGD, para a porta do gabinete do Sr. Presidente, para a repartição de finanças, para a licença para obras, para receber as reformas nos CTT,etc. Crie-se um movimento de cidadãos com o objectivo de tentar promover a preservação daquela tradição que nos eram tão querida.

- Até o Leão em pedra, plantado à entrada da povoação de Parambos, anda muito triste e melancólico. Dizem que a culpa é da crise.

- Falando-se de crise, poderá dizer-se que esta não traz só aspectos negativos. Diz-se por exemplo que a paisagem construída do concelho está a ser destruída mais devagar; Comprova-se que hoje em dia há sempre lugar para se estacionar no centro da vila; O pão não esgota nas padarias; É mais reconhecido o acto generoso de dar; Há mais tempo disponível para se falar ao soalheiro, etc.

- Para esta primavera a Junta de Freguesia da Vila decidiu convidar as pessoas a servirem-se das flores do seu jardim, para levarem e usarem em suas casas. A ideia de colaborar assim para promover o gosto pelas flores é simpática mas, já há quem diga que se trata de uma acção de “marketing” eleitoral.

- Ainda a propósito de jardins camarários, foi colocado um poema no jardim das bombas de gasolina, que é considerado o jardim mais estimado da Vila. A maioria diz que o verso é jocoso e tem a intenção de menosprezar o trabalho que ali se faz. Mas eu acho que não. O texto reza: - “ Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam… Não é bonito mas é profundo!!!” .

- A comissão que no fundo da Vila trata dos arranjos do Nicho do Senhor dos Aflitos teve uma ideia ecológica e cheia de simbolismo. Tendo constatado que a Escultura Contemporânea instalada junto à Biblioteca só já tem um holofote a iluminá-la, decidiu utilizar algum do azeite das promessas que recolhe do Senhor dos Aflitos, para substituir os restantes 13 holofotes fundidos, por iluminação com azeite.

- Uma das estratégias para se saber quem vai ser candidato ás próximas eleições autárquicas, é estar atento e ver quem voltou a ir à missa.

18 março 2009

BRUXARIA EM FESTA

AS BRUXAS DE MONTALEGRE – Sexta Feira – 13 -
Na vila de Montalegre, pela acção e vontade dos Homens, saliente-se o esforço do Padre Fontes- Vilar de Perdizes- quando no calendário o dia da semana coincidir com “ Sexta-Feira 13”, há a “Noite das Bruxas”. Fomos em grupo assistir a este fenómeno de massas que leva a Montalegre milhares de forasteiros e que eu vi deste modo:
- À tardinha do dia 13 de Março de 09, rumo a Montalegre, com um tempo primaveril, mas à chegada a Montalegre, já noite, a temperatura era mais baixa. Logo à entrada o Castelo iluminado com tochas e raios laser anunciavam o que se iria passar naquela noite, “A noite das Bruxas”. Nos Restaurantes aderentes à festa, a alegria era muita e quer os donos do Restaurante, como as funcionárias vestidas a rigor, ou seja de preto e com um chapéu alto como se usava no tempo das bruxas. O simples facto de anunciarem que há magia, quer na ementa que apresentam, como na decoração os Restaurantes, fazem dos visitantes vítimas indefesas à espera do que vem a seguir e assim apagam-se as lâmpadas e do escuro surgem pequenos diabos com enormes cornos, olhos inflamados a vociferarem palavrões, risos histéricos de velhas pintadas e bruxas mais jovens que exibem lagartos e cobras, tudo serve para viver o momento com alegria, num discurso improvisado por um velho ancião que anuncia o programa a seguir. Há gritos, há medos e receio nos rostos dos espectadores e convidados. Seguimos o cortejo entre Ruas mal iluminadas, com tapetes que recordam teias de aranha, há grupos de animação que tocam, que gritam, há máscaras para todos os gostos e uma imensa mole de gente, gente que segue junta e lentamente aquele cortejo rumo ao Castelo de Montalegre.
Quando chegamos ao largo em frente ao Castelo, um palco improvisado, com um fogão, onde um pote fumegava e deitava chamas, a tradicional “Queimada” e perante uma multidão compacta de mais de três mil pessoas, o Bruxo-Mor – Padre Fontes leu o seu discurso e a multidão fazia coro, com ele na cerimónia de esconjuro e para longe fiquem os maus espíritos, os demónios e afins, por outro lado disse a terminar e agora aliviados e de espírito limpo, cá vos espero na sexta feira dia 13 de Novembro. Terminou o discurso e teve inicio uma sessão piro-musical que foi uma maravilha e durou 15 minutos, depois e aceitando o repto do Padre Fontes, bebeu-se o licor da “Queimada” e havia para toda a gente, ninguém que quis provar ficou sem aquela água pura que foi benta nesta noite e alguns acreditam lhes dá sorte, há que beber três, é número ímpar. Foi uma experiência incrível e narrado é pouco, o melhor mesmo é ver com os próprios olhos e depois pensar: - Como é possível estar presente tanta gente, tantos forasteiros que de longe querem estar presente nesta noite. Você acredita em bruxas?!... Claro que não. Mas que as há, lá isso há, e em Montalegre existem e são bem-vindas para o Turismo daquela terra, os Restaurantes, hoteis e Residenciais agradecem e vivem com elas as bruxas.
Há na pobre existência de cada um de nós –mortais- factos, que nos levam a acreditar na própria vida. Viver é também planear como, juntar uma ideia a outra ideia, convidar amigos e juntos realizar a vontade de participar, de partir com os Amigos e em conjunto fazer a festa.

Candidato

O porta-voz do movimento de viticultores Pró-Douro, Mário Abreu Lima, anunciou hoje a sua candidatura à direcção da Casa do Douro (CD), mesmo reconhecendo que será difícil ganhar ao actual presidente Manuel António Santos.

(...)
Mário Abreu Lima, 56 anos, foi presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães (distrito de Bragança) durante 14 anos, vice-presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) e é vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

A entrega das candidaturas à direcção da CD terá que ser feita até às 16:30 de quarta-feira.

O acto eleitoral decorrerá sábado das 09:00 às 19:00 por voto directo dos 125 conselheiros que compõem o conselho regional.

Informe-se

Porque vemos as obras e ninguém explica, aqui vai.

Rede de fibra óptica de Trás-os-Montes concluída em Março

A rede comunitária dos cinco concelhos da Terra Quente Transmontana vai estar concluída até ao final de Março.
O projecto, que dá pelo nome de Terra@Quente broadband, deverá beneficiar 90 mil habitantes de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães.

Segundo a Lusa, o projecto promovido pela Associação de Municípios da Terra Quente deverá entrar, em breve, na fase de análise exploração de uma rede de fibra óptica com potencial para larguras de banda de 10 Gbps.

Concessões de exploração para operadores tradicionais ou parcerias entre municípios e empresas são hipóteses sobre a mesa.

15 março 2009

Quem quer casar com a Carochinha!

A leitura recente (13/3/09) no Jornal “Público” de uma entrevista com Ran Charan leva-me a fazer esta sugestão: procurem relacionar a resposta que ele dá à pergunta que também transcrevo e concluam se não seria este o conceito a recolher para a busca de soluções para a futura gestão do nosso município. A pergunta: - “ O que é que as empresas devem fazer para sobreviver à turbulência …da crise. Resposta: - Há cinco coisas essenciais. Primeiro, têm de ter credibilidade naquilo que dizem, saber a quem o dizem e, acima de tudo, serem muito honestos nisso. Nunca prometerem coisas em que não acreditem. Em segundo lugar, as empresas têm de ter dinheiro em caixa. Isso quer dizer que aquelas que não têm liquidez têm de arranjá-la e as que já têm precisam de inovar mais do que nunca e ter um markenting eficiente. Em terceiro lugar, as empresas têm de preservar talento e adquirir novos talentos de que precisem para alcançar os seus objectivos futuros. O que nos leva ao quarto aspecto: pensar a longo prazo e tentar atingir esses objectivos futuros. Finalmente, têm de comunicar, comunicar e comunicar, quer com as pessoas dentro da organização quer para fora”.
Se tivermos encontrado a solução teórica só faltaria encontrar quem a leve à prática.
Para aqueles que consideram que corremos o risco de, por falta de quem faça melhor, “ainda virmos a agradecer” ao actual presidente o trabalho realizado, propunha que se lhe perguntasse se seria capaz de concretizar as sugestões e os moldes propostos por Ran Charam. Se ele desse garantias não teríamos que procurar mais.

Divulgação - exposição

"A Linha do Tua vai ser apresentada em Paris, a todos os curiosos e interessados nesta causa, através do olhar de mais um amigo, o fotógrafo José Miguel Ferreira. De 17 a 26 de Março de 2009.
(...)
Poderá obter toda a informação na página do MCLT (www.linhadotua.net) e na página do José Miguel Ferreira (www.jmferreira.net), onde além de outros trabalhos, encontrará também as versões francesa e inglesa do texto que acompanha as fotografias, para uma mais ampla divulgação."

Aviso à navegação - Comentários

Por razões que desconheço, muitos comentários de leitores não têm chegado ao endereço electrónico postado no "blogger", houve atrasos consideráveis na moderação de comentários. Daí as nossas desculpas. Por outro lado, vai chegando muito insulto e aviltamento na forma de anonimato. Embora a nossa peneira seja larga, não podem ter outro tratamento que o desprezo. Aos "heróis" anónimos que por aí andam, um singelo conselho, dêem a cara para se saber quão "valentes" são!

13 março 2009


Pedras que falam (corrigido)

O RICO PATRIMÓNIO NATURAL
Carrazeda de Ansiães, deve ter orgulho da sua história passada e a prova disso é a preocupação que a autarquia tem em dar a conhecer a sua história. Existiram nobres no nosso concelho? Sim. A prova desse facto são os solares que se encontram nas nossas aldeias e são a prova de casas senhoriais alguns com capelas particulares de rara beleza, por exemplo na aldeia de Alganhafres e na aldeia de Selores. Estão em condiçoes de receber visitas? Não. E, o caso não é para menos, dada a sua longevidade expostos às màs condições atmoféricas e ao desgaste natural do tempo que o IPAR leva na sua perservação, os solares do meu concelho estão há muito condenados à morte. Há solares em Zedes, em Vilarinho da Castanheira, em Tralhariz e na aldeia de Ribalonga, o meu concelho foi terra de condes, viscondes e gente de sangue azul. Rico em lendas que nos falam de “Pedras bulideiras” de grutas dentro das quais há tesouros escondidos, de Antas onde se reúnem mouras encantadas em noites de lua cheia.
O concelho de Carrazeda, não esteve alheio ao fenómeno “Associativo” que surgiu no país depois de 1974, e na maioria das sedes de freguesia e outras aldeias do concelho apareceram as “Associações Recreativas e Culturais “ e formalizaram o seu nascimento com escritura pública e sócios preocupados com a vida cultural da freguesia, pedindo “Subsídios” à Câmara e ao Estado, para as suas sedes e assim vemos edificios enormes, armazéns de cultura que agora estão “abandonados” outros ainda vão servindo em acontecimentos esporádicos que os dirigentes teimam em manter e que se contam pelos dedos de uma mão.
A fórmula é simples, constituir uma Associação e depois há verbas e maneiras legais de obter dinheiro do Estado, assim pensou o responsável autárquico para criar a “Associação para o desenvolvimento das Caldas de São Lourenço” e na altura este Presidente da Câmara, com património da familia no São Lourenço, tudo faia prever que o “desenvolvimento das Caldas de São Lourenço” ìa ser uma realidade, desejada por todos os homens de boa fé, mas tal não aconteceu, mais uma vez foi deturpado o fenómeno associativo.
Há muitas e variadas “Associações” para os mais diversos fins e que também utilizam várias designações como por exemplo: - “A confraria do Vinho do Porto” “A confraria dos amigos da lampreia” e “A Liga dos Amigos da Anta”
Esta a Liga dos Amigos da Anta que comemorou 25 anos da sua existência, tem a sua sede no concelho de Carrazeda de Ansiães, tem os seus fins bem defenidos nos estatutos, e congrega entre os seus associados, todos os que gostam da Natureza e das Rochas, monumentos megaliticos e não só. Nunca usou a política de subsidio-dependente, as suas acções são desconhecidas do público? São. Os Amigos da Anta estão de regresso às suas origens e querem dar continuidade ao seu projecto, para isso vamos “Mobilizar vontades” vamos fazer o recenseamento e cativar novos sócios, precisamos de gente. È preciso dar o exemplo, é precioso salientar a diferença e esta existe, quer nos métodos, como na forma de trabalhar.
Se gostas de conviver, se gostas de caminhar e conhecer a história da tua terra, as origens de Ansiães, e os segredos que estão dentro das muralhas do Castelo de Ansiães,junta-te a nós, pois todos não somos demais para dar voz às pedras e vida aos monumentos. Contacta com o João Manuel Sampaio, o Alfredo Sampaio, e o António Chousende - Zêdes-João Ferreira em Mogo de Ansiães e Manuel Barreiras Pinto, Carlos Manuel Fernandes, em Carrazeda de Ansiães.

10 março 2009

EFEMÉRIDE VIII

Fez em Fevereiro 9 anos que foi proposto pelo Presidente e aprovado unanimemente, um Regulamento que, entre outros aspectos, regulamentava o pagamento de taxas por quem explorava as nossas pedreiras e areias. Neste concelho em que se é obrigado a paga de IMI o valor máximo, alguém tem conhecimento de que actualmente se cobrem taxas, a quem continua a explorar as nossas riquezas naturais!? Nem que só fosse o suficiente para a manutenção das estradas e caminhos que assim são degradados! Ou então para depois se recuperar a paisagem entretanto destruída!
Será legal esquecer os regulamentos que se aprovam quando está em causa o erário público!? Alguém mais está preocupado com isso! Será justo trabalhar, pagar impostos e depois ter de se aceitar o que se passa!?

“ REGULAMENTO MUNICIPAL DE LIQUIDAÇÃO E COBRANÇA DE TAXA PELA EXPLORAÇÃO DE INERTES
Nota Justificativa
Com a publicação da Lei nº 42/98, de 9 de Agosto, que aprovou o novo regime das Finanças Locais, passou a prever-se uma nova taxa dos municípios a cobrar a título de “ ressarcimento dos prejuízos causados ao município pela exploração de inertes na respectiva área” (alínea n ) do artigo 19º).
O presente regulamento visa regulamentar a liquidação e cobrança da referida taxa, consagrando as normas adequadas a esse objectivo.
Nestes termos, para efeito do disposto no nº7 do artigo 112º e ao abrigo do disposto no artigo 241º, ambos da Constituição da República Portuguesa, com fundamento na alínea n) do artigo 19º da Lei nº 42/98, de 6 de Agosto, a Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães, nos termos da alínea a) do nº 2 do artigo 53º e da alínea a) do nº 6 do artigo 64º, ambos da Lei nº 169/99 de 18 de Setembro e em sessão realizada no dia --- sob proposta da Câmara Municipal aprovada em reunião de 24 de Fevereiro, aprovou o seguinte “ Regulamento Municipal de liquidação e Cobrança de Taxa pela Exploração de Inertes”.
Artigo 1º (Objecto) - O presente regulamento estabelece as normas por que se regerá a liquidação e cobrança…
Artigo 2º (Incidência) - Fica sujeita a pagamento de taxa a extracção de inertes na área do Município.
Artigo 3º (Taxa) – A taxa devida pela extracção corresponderá a 100.000$00,por cada tonelada extraída.

09 março 2009

Rica sessão de propaganda

O Ex.mo Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações convidou-me e eu apareci. Mais uma sessão cinzenta, com meia dúzia de "gatos pingados", a ouvir umas "tretas" e "balelas", para largar uns suspiros e bocejos, era o preconceito. Logo que me aproximei do Centro de Apoio Rural, estranhei a muita movimentação - GNR à porta, muita produção em vestuário e brilhantina e eu a pensar: "olha, tantos que foram convidados e eu a pensar que era muito importante". Transpus a porta e tapei a boca de espanto: "isto vai estar animado" - ainda para com os meus botões - sala quase repleta (o espaço veio a revelar-se insuficiente para a afluência), cenário cuidadosamente montado em tons de vermelho e negro. Depois toda a produção, diria quase hollywoodesca: o vermelho, o preto e o branco; o púlpito moderno, imponente, o cenário de projecção, a parnefália de TICs, as palavras bem destacadas: "www.douro interior.pt", "uma estrada que nos liga", "aenor"... A um sinal do "speaker", as pessoas sentaram-se automaticamente em completo silêncio. Iniciaram-se os flashes fotográficos que se prolongaram sessão adentro. Que falta aqui faz uma foto. Anunciou o anfitrião, o senhor Presidente do Município Carrazedense que não agradeceu, apenas reconheceu que vai ser desta. Um filme cortou rapidamente as envergonhadas palmas. Testemunhos sentidos e agradecidos. Anunciado o representante da AENOR, a concessionária, despejou informação e muitos números. O IC5 e o IP2 iniciam-se em Setembro de 2009 e após 30 pontes, 200 passagens, 1 000 000 de toneladas de betão, 4 000 empregos directos com estaleiros em Vila Flor, Mogadouro e Trancoso e a "task force" denominada de DIACE sedeada em Alfândega da Fé(a nós nada), chegaremos a Novembro de 2011 com uma factura a atingir os 600 milhões de euros. Esperava-se que com o slide sobre Carrazeda se atingisse o climax da apresentação. O homem da regie não o tinha preparado. Aqui a produção quase escambalhou. Uma verdadeira nódoa na pintura até aí imaculada. Uns bem compridos segundos de indecisão. Pediu-se um esforço de imaginação aos presentes para que Mogadouro (era o que estava preparado) se transformasse em Carrazeda. Só custava um bocadinho. Uns sorrisos nervosos, mas afinal, o ppt de Carrazeda poderia ser apresentado. Coube-nos então: 14 km, menos 30 minutos para Vila Real e 36 para o Porto. Um nó de ligação no Pombal e outro no Mogo de Ansiães. As gentes do litoral (até que enfim, dir-nos-ia depois o senhor secretário de estado) dar-nos-ão 50 milhões de euros para essa pouco mais de uma dúzia de km (uma bagatela: três milhões por cada km) e haverá 300 trabalhadores a laborar neste lanço. Mais um filme e mais testemunhos entusiasmados. Depois o senhor secretário de estado que repetiu até à exaustão que este governo cumpre promessas, que é o fim do isolamento do interior, que agora é que vai haver igualdade de oportunidades e que a oposição se opõe à realização da obra. Que rica sessão de propaganda, como nunca tinha visto...

Era uma vez um referendo...

O presidente da Câmara de Mirandela reconheceu que é «adivinhável o encerramento» da linha do Tua e a construção da barragem que acaba com a ferrovia, pelo que o processo de referendo local não deverá ser retomado.

José Silvano (PSD) acredita que «cada vez é mais difícil um Governo tomar uma decisão sobre a manutenção da linha do Tua».

«Nas circunstâncias actuais, com uma barragem a querer ser construída» e «um primeiro-ministro a dizer que as barragens são um potencial de resolução da crise e um investimento tão forte que é necessário fazer na segurança da linha», o autarca já não se mostra confiante no sucesso das suas reivindicações.

As decisões governamentais deverão ser tomadas nas próximas semanas, e como não é possível legalmente realizar o referendo local que poderia influenciar essas decisões, Silvano entende que também o processo de auscultação da população está arrumado.

O Tribunal Constitucional considerou, numa decisão conhecida quarta-feira, que a a realização do referendo sobre a linha do Tua, proposta pela autarquia de Mirandela, é ilegal por colidir com os prazos de eleições gerais nacionais que vão suceder-se ao quase ao final do ano.

08 março 2009

Mentiras Piedosas de Março( tentando sair da hibernação)

Contributo poético. Desta vez escolho esta quadra de Vitorino de Nemésio:

“ Poeta de alguma graça,
Prefiro não ter nenhuma
E atirar a quem passa
Esta linguagem em suma.”


- Enquanto não acaba a hibernação que nos tem invadido, vão sendo preparados adjectivos para lançar próximos acontecimentos. Só falta completar depois:
- Vai ser dada esperança aos jovens que…
- Vai ser concretizado o projecto de…
- Vai ser dado o máximo apoio ao...
- Vai ser ouvida a melhor sugestão para…
- Vai ser atendida a súplica para que…
- Vai ser assumida a responsabilidade de…

- O único que não hiberna, dizem que é o candidato do poder. Os mais curiosos perguntam-se sobre o que será possível ele andar a prometer!?

- Dizem que a crise não chegou a Carrazeda. Os que cá trabalham consideram antes que esta nunca de cá saiu;

- Este ano o Carnaval foi tão pindérico que nem carne fresca foi oferecida. Dizem que o povo perdeu a vontade de rir. Por tal facto o pelouro da cultura vai promover brevemente um Work Shop destinado a quem queira reaprender a rir;

- Foi a enterrar a esperança daqueles a quem a Câmara Municipal deve dinheiro. Depois do último chumbo, da última tentativa para regularizar a contracção do último empréstimo para regularizar a dívida, no último mês, feito por esta última gestão da C.M. , só já resta a fé aos devedores que o nosso Município colecciona.

- Se os Paços Municipais não tivessem tantas escadas de acesso não teria sido tão grave a queda da Decência. Dizem que esta ia de braço dado com a Ética. Até ao momento não se sabe qual o grau de gravidade no acidente nem quanto demorará a recuperação. Ao mais cépticos dizem que vai demorar uma geração;

- Para justificar a sua extraordinárioa ocupação, os serviços do Departamento da Cultura estão a proceder à inventariação dos eventos que têm realizado a fim de os incluir no próximo Boletim Cultural;

- Quando se fala de “banca rota” na nossa C.M. esquecem-se sempre da riqueza do património imobiliário de que esta dispõe para saldar a dívida. Ninguém ainda fez contas a este valor pecuniário, que a gestão deixa aos futuros administradores. Referem-se os Centros Culturais das Aldeias e Vila, as Escolas desactivadas do Segundo Ciclo, as Sedes das Juntas de Freguesia, os Gimno-desportivos; os Jardins e Praças; As Casas do Povo; os Tanques Públicos; os Arquivos, os Postos de Turismo. Repare-se que a maioria deste imobiliário está sempre a valorizar porque está instalado nos melhores e mais importante locais.

- Constitui motivo de orgulho para todos os carrazedenses o contributo que voltaram a dar para que a EDP registasse o lucro de 100 milhões de euros, este ano.

07 março 2009

Onde é que ela está?


Por enquanto fica a propaganda. Preferíamos que fossem as máquinas no terreno a fazer as apresentações.

02 março 2009

Homenagens

As comemorações dos 545 anos de Bragança Cidade ficaram marcadas pela II Gala de Homenagem às Empresas do concelho, em que a autarquia distinguiu 94 empresas ligadas ao sector do Turismo, num universo de 544 unidades.
A cerimónia decorreu a 21 de Fevereiro, no Teatro Municipal de Bragança. O troféu de homenagem é mais uma vez da autoria do escultor carrazedense Paulo Moura.
(foto do Jornal Nordeste)

Ipsis verbis

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"


João Pereira Coutinho